Entrevistas de JoaQuim Gouveia

01
Fev 16

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

 

“O Homem é cada vez mais o lobo de si próprio”

 

O Dr. Chumbita Nunes é, no presente, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados. Natural de Soure, cedo se habituou às vivências na cidade de Setúbal, onde passava as férias grandes escolares em casa dos avós. Começou a trabalhar com 24 anos a dar aulas de educação fisíca. Tem do mundo a ideia de que está muito inseguro e que o Homem é cada vez mais o lobo se si próprio. Quando era jovem quis ser padre, ideia que não foi bem aceite pelos pais. Para si a crise resolve-se com valores e com seriedade. Já foi presidente do Vitória de Setúbal e gostava de terminar o trabalho então iniciado. O seu pai é o seu ídolo.

 

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Soure, no distrito de Coimbra. O meu pai também era natural de Soure e a minha mãe era setubalense. Sou filho único. Tive uma infância feliz. Os meus pais poderam dar-me uma boca educação, uma boa vida e o curso de direito. Desde muito novo todos os anos vinha a Setúbal, no período das férias grandes. Na minha infância tive muitos amigos com quem brincava bastante com as brincadeiras habituais da época. Fui um bom aluno na escola e disputava sempre a fita amarela que era a do melhor aluno. Nunca reprovei. Sempre fui uma criança muito ativa.

O primeiro amor…

A filha de um juíz de Soure. Tinha 13 anos. A miúda era muito gira e muito evoluída para a época. Foi a primeira vez que o meu coração bateu mais forte.

E o primeiro emprego…

A dar aulas de educação física, com 24 anos em Ílhavo. Penso que ganhava 3000 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tenho uma vivenda porque sempre gostei de casas com muito espaço. Nos apartamentos sinto-me limitado. Tem muita luz, um quintal e um jardim. Deito-me com o piar das corujas e acordo com o trinar dos pássaros. É uma casa muito tranquila, o meu refúgio em conjunto com o meu escritório.

O que pensa do mundo?

Está muito complicado. Que me lembre nunca vi tanta insegurança e intranquilidade no mundo. As pessoas não têm tempo para elas próprias. É uma sociedade que nos consome sem piedade. Cada vez o Homem é mais o lobo de si próprio. No entanto há muita beleza no mundo só que acaba por se esbater nestes conflitos e no medo que hoje em dia sentimos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, totalmente realizado. Profissionalmente já fiz quase tudo o que havia a fazer. Humanamente também porque sempre fui uma pessoa solidária e de coração aberto. Tenho um grupo de amigos muito interessante. Sou um sortudo na vida, acho que nasci com um condão, nunca passei fome nem conheci privações.

 

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Como se resolve a crise?

Com valores e seriedade. Acho que a solução para os grandes problemas deveria passar pela responsabilização cívil e criminal dos políticos que, entretanto, penso deveriam ganhar bem. A outra alternativa é que alguém que já tivesse ocupado qualquer cargo político não poder voltar a candidatar-se. Deveria ser tudo gente nova da sociedade cívil. Sem vícios, sem rotinas e limpos.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Tenho uma tradição católica. Quando tinha 15 anos quis ir para padre, cheguei a saber a missa toda em latim. Gostava muito do pão com queijo que o padre nos dava a seguir à catequese. Os meus pais não aceitaram a ideia. Eu queria ir para o Seminário mas acabei por desistir da ideia. Hoje, Deus para mim é um ser metafísico e acho que o Homem o criou para justificar alguns dos seus pensamentos e a sua forma de estar na vida.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez não me tivesse casado tão cedo na primeira vez, apesar de ter duas filhas fantásticas desse casamento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogado, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados e presidente do Conselho Vitoriano. Penso que ainda tenho algumas coisas para fazer na minha vida. Gostaria de acabar o projeto que comecei no Vitória de Setúbal. Nunca viro as costas aos clubes. Por outro lado quero arranjar uma empresa dedicada ao setor de desporto em toda a sua plenitude. Para além disso pretendo manter a minha atividade na advocacia.

 

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Um destino

Petersburgo

Um livro

Viagem ao mundo da droga (Charles Duchaussois)

Uma música

Tears in Heaven (Eric Clapton)

Um ídolo

O meu pai

Um prato

Bacalhau à Gomes de Sá

Um conceito

Servir o próximo

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:57

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“Falta respeito pelas religiões”  

 

Maria Dores Amado é uma poetisa alentejana a quem a vida lhe ofereceu a possibilidade de ser útil na ajuda aos filhos, aos netos e aos amigos. Desde há muito radicada em Setúbal teve uma passagem por África, que lhe deixou profundas saudades Começou a trabalhar aos 15 anos aproveitando as férias escolares para ganhar algum dinheiro. O falecido marido foi o amor de toda a sua vida depois de se cruzarem num colégio em Santiago do Cacém. Para si o mundo carece de respeito pelas religiões, afinal as grandes responsáveis pelas guerras. A crise resolve-se evitando-se ordenados e reformas chorudas. Quer, a breve trecho, lançar o seu primeiro livro de poesia. Honestidade é o seu lema de vida.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Alvalade do Sado e como o meu pai era funcionário dos Serviços Hidráulicos do Tejo andámos deslocados por várias localidades como Comporta e Azinheira de Barros, onde fui batizada. Foi uma infância muito boa. Sou filha única. A família era muito unida. Dava-me muito com os meus avós de ambos os lados. Recordo as férias nas Caldas de Monchique. Na escola nunca reprovei. Entrei diretamente para a segunda classe.

O primeiro amor…

Foi o primeiro e o único, o meu falecido marido. Como fui estudar para Santiago do Cacém conhemo-nos num colégio. Tinha 14 anos.

E o primeiro emprego…

Aos 15 anos como analista colorista e depois como analista química durante os 3 meses das férias do colégio no laboratória da fábrica ECA.

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho. É uma casa grande onde habito sozinha. Tem uma decoração antiga mas a meu gosto.

O que pensa do mundo?

O mundo e as pessoas não se entendem. Faz falta respeito pelas religiões porque daí é que sempre nasceram as grandes guerras. Gosto de cá andar mas acho que se o Homem fosse mais humano tudo isto seria melhor, com mais altruísmo e menos egoísmo.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Enquanto trabalhei senti-me realizada com o meu trabalho e com a minha profissão. Como pessoa não tenho de que me queixar, vivo a vida conforme posso. Tenho os meus filhos criados e esse foi sempre o meu grande objetivo.

 

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Como se resolve a crise?

Colocando um fim aos grandes ordenados, ás grandes reformas e aos excessos de dinheiros “exportados”.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu penso que o Homem veio da natureza e aperfeiçoou-se. Se esse aperfeiçoamento foi feito pela mão de Deus omnipotente não está esclarecido. Não sei, nem eu nem ninguém.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não somos seres perfeitos mas no geral não me arrependo do caminho que tracei pelo que, à partida, não mudaria nada.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformada, ajudo os meus filhos e os netos e escrevo alguma poesia. Sou tesoureira do Núcleo de Poesia de Setúbal. No futuro quero editar um livro de poesia que está praticamente pronto. Até agora só tenho participado em antologias.

 

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Um destino

Lourenço Marques (Maputo)

Um livro

Só o amor é infinito (Lauro Trévisan)

Uma música

Non son degno di te (Gianni Morandi)

Um ídolo

Não tenho

Um prato

Arroz de maçã raineta

Um conceito

Honestidade

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO"

 

“DEVÍAMOS VIVER 400 ANOS”

 

Mário Narciso é um setubalense nascido num bairro tipico da cidasde e que viveu a sua infância rodeado de amigos e brincadeiras. Hoje é o melhor treinador do mundo na modalidade de futebol de praia, título que conquistou com mérito e esforço. A sua mulher foi o primeiro e único amor. Nos laboratórios da Portucel iniciou-se no mundo laboral. Para si o mundo é belo mas com contrastes evidentes de injustiça praticada pelo Homem a quem atribui, ainda, a necessidade de ter criado Deus, para os seus momentos de maior desespero. Gostava de viver 400 anos porque diz que a nossa passagem pela vida é demasiadamente curta. O seu ídolo é Jaime Graça e não dispensa uns bons salmonetes grelhados com molho de fígados.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na segunda azinhaga do Mal Talhado, no bairro da Conceição. Com dois anos fui morar para o Bairro de Troino, na antiga Rua Direita e mais tarde para o bairro Santos Nicolau. A vida nessa altura era difícil mas não posso dizer que tive uma infância má. Fui filho único. Lembro-me de repartir o lanche com alguns amigos. Andei numa escola particular até à quarta classe e com 9 anos entrei para o ciclo preparatório. Era um bom aluno. Brincava muito, jogava Hóquei sem patins, à bola, andávamos nos quintas do bairro da Conceição a jogar ás escondidas e outras brincadeiras.

O primeiro amor…

Foi a minha mulher. Começámos a namorar com 14 anos. Acho que foi amor à primeira vista. Comecei a reparar nela porque era muito bonita.

E o primeiro emprego…

Na Portucel, como auxiliar de laboratório. Penso que ganhava à volta de 600 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tem tudo o que necessitamos. Também tenho trabalhado para isso. Sou muito de estar em casa e portanto, procuro que seja cómoda e tranquila.

O que pensa do mundo?

Há muita injustiça. As coisas estão mal divididas. Devia de existir uma maior homogeneidade. Há diferenças muito grandes entre uns que têm excesso e outros que nem sequer têm para comer. Mas também existem coisas boas. Há pessoas com bons sentimentos e solidárias. Para mim o mundo é belo. Acho que cada um de nós devia viver 400 anos porque a nossa passagem por cá é muito curta. As preocupações que temos com o futuro não se justificam porque o futuro é muito curto.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Como homem sinto-me realizado. Acho que sou solidário e amigo e isso é fundamental para que me sinta de bem comigo e, neste momento, estou, na verdade, muito bem comigo próprio. Profissionalmente acho que ainda não cheguei aos limites das minhas capacidades. Em termos profissionais sou muito ambicioso e quero sempre mais. Daí ainda não me sentir completamente realizado.

 

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Como se resolve a crise?

Não é o povo que conseguirá resolver o problema, mas terão que ser outras pessoas que se prepararam academicamente. Damos as nossas opiniões mas quem tem capacidade para tal é que será capaz de resolver a crise.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Sou científico e na essência da humanidade há uma evolução do próprio Homem desde os primátas até aos nossos dias. O Homem criou Deus porque sentiu necessidade de se agarrar a algo em momentos de desespero.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Penso que ajudaria algumas pessoas que já precisaram de mim e que na altura pensei que não as conseguia ajudar e afinal talvez, com mais esforço da minha parte, o tivesse conseguido.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou seleccionador nacional de futebol de praia e cobrador do Vitória de Setúbal. No futuro quero manter estas atividades enquanto me sentir bem.

 

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Um destino

Galapinhos

Um livro

Pappilon (Henri Charriére)

Uma música

We are the champion (Queen)

Um ídolo

Jaime Graça

Um prato

Salmonetes grelhados com molho de fígados

Um conceito

Ir em frente sem pisar ninguém

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:49

22
Jan 16

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 *Advogada/escritora/poetisa

 

COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

“SOMOS UMA PARTÍCULA DO AMOR DE DEUS”

 

A Dra. Maria do Rosário Batista é uma conceituada advogada da nossa cidade. Também escreve prosa e poesia. Gosta de viajar e guarda memórias muito presentes da sua infância vivida no bairro da Conceição, com amigos e muita brincadeira nas ruas e nos quintais. Andou na escola das meninas do bairro porque na altura o ensino separava as raparigas e os rapazes. Foi a primeira menina a usar calças por baixo da bata e por isso a catequista pregou-lhe um “sermão”. Acredita que somos partículas do amor de Deus e que a nossa passagem pelo mundo é evolutiva. Pensa que a crise se resolverá em breve e porque é otimista gosta de viver um dia de cada vez.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, nas casas do bairro da Conceição. Tive uma infância tranquila na companhia dos meus pais e de dois irmãos mais velhos. Lembro-me de muitos amigos como o Eduardo Correia e as suas irmãs gémeas, com quem brincava bastante. Naquela altura brincávamos na rua e nos quintais. Frequentei a escola das meninas do meu bairro. A diretora, a D. Luisa Serra, que era a minha professora era uma pessoa severa, dava muitas reguadas. Apanhei poucas porque era bem comportada. Eu era a única menina que já usava calças por baixo da bata. Uma vez a catequista mandou-me sair da catequese e tirar as calças. Dizia que na igreja só o padre é que as usava.

O primeiro amor…

Foi o meu marido. Tinha 14 anos e conheci-o na Escola Comercial. Era alto e muito bonito. Os meus olhos caíram ali mas, pelos vistos, ele também já reparava em mim.

E o primeiro emprego…

Aos 18 anos, na FASEM, que era um empresa de jantes para automóveis. Não sei bem quanto ganhava mas lembro-me que era bastante para a época.

Como é a sua casa? Como a define?

É um pouco de mim. Tem muita luz, muitas janelas. Sinto-me lá muito bem até porque toda a decoração foi concebida por mim e pelo meu marido. Tem muito espaço, um jardim grande com muitas flores e árvores. Ali sinto a natureza. No entanto, devido à minha atividade profissional passo pouco tempo em casa mas quando lá estou sinto-me muito bem. Tenho alguns animais.

O que pensa do mundo?

Vejo o mundo como um local (planeta), onde todos nos encontramos a experenciar com o objetivo de evoluirmos. Acredito que é assim dentro da minha parte espiritual. Este é um mundo de provas e expiações, onde há sofrimento, mais para uns, menos para outros de acordo com a sua própria evolução. Tenho pena que não seja um mundo melhor mas acho que todos estamos a contribuir para que venha a ser. O nosso objetivo é o de sermos felizes mas nem sempre se consegue.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Acho que nunca me irei sentir completamente realizada. Há ainda muito por fazer. Quando sentimos que já estamos realizados perdemos a vontade de lutar e conquistar coisas importantes. Já atingi muitas realizações mas há sempre outros apelos que me fazem sentir que há algo mais para ainda fazer.

Como se resolve a crise?

Também queria saber... Não sou economista, nem política. Penso que estamos a viver um ciclo que trará uma solução mais agradável para toda a gente. Os políticos são Homens e os Homens ainda têm tantos defeitos... Logo torna-se tudo mais difícil. Mas acredito que a solução irá aparecer. Sou otimista!

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Para mim Deus é o princípio inteligente de todo o universo. Ele criou tudo onde se inclui o Homem. Somos seus filhos e uma partícula do seu amor.

 

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Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não mudaria nada embora reconheça que poderia fazer algumas coisas de forma diferente. Não me arrependo de nada do que fiz porque tudo tem contribuído para o meu crescimento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogada e empresária. Nesta altura estou a trabalhar na área da nutrição e estou a gostar imenso. Para além disso escrevo, pinto e viajo. Pretendo manter tudo isto no futuro e, essencialmente, ser feliz.

 

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Um destino

Maldivas

Um livro

Diário de um mago (Paulo Coelho)

Uma música

Amor i love you (Marisa Monte)

Um ídolo

Jesus Cristo

Um prato

Peixe assado

Um conceito

Viver um dia de cada vez

publicado por Joaquim Gouveia às 10:38

22
Mar 15

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“NÃO BEIJEI O ANEL DO BISPO”

 

Entrevista de Joaquim Gouveia

 

Brissos Lino é um pastor protestante que diria “obrigado!”, se encontrasse Jesus Cristo. Nasceu em Lisboa, no Alto do Pina e guarda felizes recordações da sua infância onde, aos 6 anos, evitou beijar o anel ao Bispo, quando este visitou a escola que frequentava. Para si o Homem nasceu para se realizar através de um trabalho criativo e deve, de igual forma, contemplar o descanso. A sua casa é um refúgio e tem do mundo a ideia de que está doente devido à ganância do poder. A crise resolve-se com uma diplomacia forte a nível europeu e com mais sensibilidade social a nível nacional. Não conhece Auschwitz mas não tem dúvidas que é o retrato do quanto pode o Homem atentar contra o seu semalhante. Não tem ídolos e o 5 e o 10 são as suas estrelas da sorte.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Lisboa, no bairro Alto do Pina. O meu pai era funcionário da Carris e a minha mãe empregada doméstica. Lembro-me das minhas brincadeiras com os meus amigos, aos cowboys, os carrinhos de rolamentos, as caricas, enfim brincadeiras na rua. Na escola recordo-me que um dia recebemos a visita da Bispo. Toda a gente lhe beijou o anel. Eu achei aquilo estranho e esgueirei-me e evitei aquele beijo. Tinha 6 anos. Também me lembro de um sapateiro que havia na minha rua e da criançada lhe arreliar a cabeça ao ponto de ele ficar irritado e correr atrás de nós. Só muito mais tarde, já com 18 anos comecei a vir a Setúbal, para namorar a minha mulher.

Não há amor como o primeiro?

O meu primeiro amor foi a minha mulher com quem sou casado há 40 anos. Outras paixonetas anteriores na realidade não foram amor. Neste caso não houve amor como o primeiro e único.

O Homem nasceu para trabalhar?

Diria como o Agostinho da Silva: “O Homem nasceu para criar”. Dentro do trabalho o Homem pode ser criativo. Acho que nascemos para nos realizarmos através de um trabalho criativo.

Minha casa, meu tesouro...

A minha família é o meu tesouro e a minha casa o meu refúgio.

O que pensa do mundo?

Penso que está muito doente devido à ganância e à pulsão do poder. Por outro lado a natureza é uma coisa fantástica e a relação entre as pessoas pode ser altamente estruturante quando saudável. Sou um otimista e estou convencido que ainda há coisas boas para vir e os problemas se vão resolvendo.

Mais vale tarde que nunca?

Penso que sim mas depende das situações, ou seja, tudo deve ter o seu timing certo.

Como se resolve a crise?

Em dois planos. No europeu através de alianças e de uma diplomacia forte no sentido de influenciar a Europa para desenvolver políticas de crescimento em vez do primado financeiro. No caso português através de uma governação competente e sensibilidade social.

... e ao 7º dia Deus descansou!...

O relato da criação é simbólico. Acredito que Deus criou o universo mas não em 7 dias solares. A ideia de descanso é um princípio que é estabelecido para que as pessoas compreendam que não podem só trabalhar.

Pelo sonho é que vamos?

Sim. Sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança. Todas as grandes realizações aconteceram porque alguém as sonhou como um ideal e uma possibilidade e, depois trabalhou para as concretizar.

 Que lhe pede o seu coração?

Que seja mais solidário, compreensivo e mais paciente com os que me rodeiam e, por outro lado, que eu seja, também, exigente, com os que têm poder e denunciador das injustiças.

 

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CAIXA DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo, se o encontrasse?

Dizia obrigado!

Conhece Auschwitz?

Não. É o retrato cru das possibilidades do Homem para a prática do mal e o desrespeito pelo semelhante.

Um ídolo

Não tenho

Três objetos indispensáveis

Escova de dentes, computador e telemóvel

A chave do Euromilhões...

11,13,20,24,38 * 5-10

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publicado por Joaquim Gouveia às 12:50

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“A Rádio é a grande paixão da minha vida”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

Jorge Moreira, setubalense radialista há mais de 30 anos na cidade que o viu nascer. Aos 20 anos iniciou a sua carreira militar na Força Aérea em Tancos, tendo seguido para a Base das Lajes nos Açores onde esteve mais de dois anos. Em janeiro de 1980 sofre um acidente na Base Aérea do Montijo, que deixaria marcas definitivas na sua locomoção. 

Após longa recuperação, resolve participar num “casting” da então Rádio Voz de Setúbal, onde nasceu o programa intitulado “Côco Louco”, que fez subir aos palcos de Setúbal grandes nomes da música popular portuguesa como Marco Paulo, Tony Carreira, Trio Odemira, Dino Meira entre outros. No início dos anos 90 recebeu o troféu “Jogos da Rádio”, promovido pela revista dirigida na altura por António Sala.

Jorge Moreira é, actualmente, locutor na Rádio Jornal de Setúbal onde faz um programa de discos pedidos.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz vivida com os meus amigos, divertíamos com jogos de rua como o “Toque das canas” ou o “Lá vai alho”, “Cinco castelos”, “Jogo da malha”, “Peão”, jogos que hoje estão esquecidos. Hoje não há nada disto, foi tudo esquecido e a vida é outra. Já não se vêem crianças a jogar na rua, por causa dos computadores. Na adolescência, fazíamos bailes particulares e lembro-me de um ter sido muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

O primeiro amor deixa marca e quando se gosta muito, ainda marca mais. O primeiro namoro a sério foi com a mulher dos meus filhos.

O Homem nasceu para trabalhar?         

O homem precisa de se distrair, não pode viver só para trabalhar. Gosto de conviver com os amigos, de dar o meu passeio, adoro pesca porque alivia-me o stress e gosto muito de ouvir música.

Minha casa, meu tesouro…

 Sou muito caseiro, gosto muito de estar em casa. É o meu refúgio. Gosto de ver televisão, adoro cozinhar e considero-me um bom cozinheiro.

O que pensa do Mundo?

O mundo está louco. Os homens não se entendem. Em alguns países, pede-se a paz e a união. Para quê tanta maldade? Estamos cá de passagem, porque não havemos de nos amar uns aos outros, dar-nos bem? Estou farto de ver jovens que se entregam ao terrorismo e matam inocentes. Os idosos e as crianças são as maiores vítimas deste estado a que o mundo chegou. Estou cansado de ver os telejornais que só falam de notícias de desentendimento. Em África, há países onde muitas crianças passam fome e doenças difíceis de tratar. O mundo está louco com a falta de entendimento. Gostava que houvesse paz.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando é que é tarde? Nada é que é nada! Desde que se faça algo para trazer benefícios, é sempre tempo de o fazer.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou crente e penso que Deus não descansou, está entre nós. Há alguém que domina isto. As coisas não acontecem por acaso. E se algo de errado nos acontece, é porque estava destinado ser assim.

Pelo sonho é que vamos?

Sonho quase todos os dias e por vezes com situações que acabam por me acontecer. Mas o melhor sonho é o de acordar todos os dias bem disposto e estar pronto para mais um dia de vida.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para ter cuidado com ele. Quando bate mais forte, costumo falar com o meu coração para corresponder aos meus desejos e tenho sempre respostas positivas.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Pedia-lhe que transmitisse aos homens para que se entendessem mais, para que houvesse mais amor e compreensão.

Conhece Auschwitz?

A vergonha da humanidade. Não quero conhecer. Homens, mulheres, crianças e idosos, foram torturados e sofreram muito por causa de um homem que queria dominar o mundo. Como foi possível isto acontecer.

Um Ídolo

Demis Roussus.

Três objectos indispensáveis

Chave de casa,  óculos e dinheiro.

A chave do Euromilhões

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publicado por Joaquim Gouveia às 12:48

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“A ambição é o motor para aquilo que queremos ser.”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

José Belchior é presidente da junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra. Nasceu em Alvalade do Sado, mas aos 3 anos de idade veio para Setúbal com os pais em busca de uma nova vida. Aqui cresceu e fez a sua formação. O seu percurso como autarca inicia-se com o convite do anterior presidente da junta para o suceder, numa freguesia com componente urbana e rural.

Sempre praticou desporto, mas hoje encontra na agricultura um escape, que proporciona momentos para por as ideias em ordem.

 

Como foi a sua infância?

Uma infância boa dentro de uma família pobre mas feliz. Os meus pais tudo fizeram para me transmitir uma boa vida para que eu vivesse bem. Fui muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

Estou casado há 40 anos, e foi o meu primeiro e amor, deste casamento nasceu uma filha linda.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem não nasceu só para trabalhar. A vida não é só isto. O Homem tem de ter as suas horas de lazer, tem de ter tempo para dedicar a sua família e para dedicar aos seus amigos e à comunidade.

Minha casa, meu tesouro…

Concordo plenamente. Depois de um dia de trabalho exaustivo, o conforto do lar sabe muito bem.

O que pensa do Mundo?

O Mundo podia ir muito melhor, se não fossem os problemas que somos confrontados todos os dias. Olhamos para um lado e vê-mos situações de riqueza extrema e por outro lado, pobreza extrema. O Mundo seria muito melhor se as guerras não existissem, se não houvesse tanta desigualdade social, se os homens fossem mais compreensivos e mais tolerantes. Não fazemos nada para termos o Mundo que temos, mas a ele não podemos fugir.

Mais vale tarde do que nunca?

Em parte sim. Isto é como o ditado que diz “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”. Se eu poder resolver uma situação hoje não vou deixar que essa situação se resolva amanhã.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico mas perdoem-me porque às vezes pergunto-me a mim próprio será que Deus descansou, será que Deus nos acompanha todos os dias, será que não anda um pouco distraído? Se é que Deus existiu ou existe mesmo, acho que não descansou.

Somos confrontados com vários tipos de catástrofes a nível mundial e a humanidade debate-se com tantos problemas que comentamos será que Deus existe e será que não vê este tipo de situação? Mas quando estamos aflitos: Ai valha-nos Deus!

Pelo sonho é que vamos?

 Vou mais pela ambição, é o motor que nos transmite aquilo que nós queremos ser e por vezes temos que fazer força para conseguir os nossos objectivos e essa força só nos é transmitida pela ambição. A minha ambição enquanto presidente de junta de freguesia é a de dotar os meus fregueses de melhores condições de vida para que digam que vale a pena viver na minha freguesia. É isto que me move e a ambição torna-se um sonho. Ambição e sonho andam de mãos dadas.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para que todos os dias tudo corra bem. Gerir os destinos de uma freguesia não é fácil. Todos os dias deparamo-nos com situações diferentes e deveríamos contar com elas mas aparece sempre uma que vem baralhar a situação. Por vezes é como um baralho de cartas que parece ser um “volte face”. O meu coração pede-me, mediante esses problemas, que eu tenha capacidade de resposta para as soluções.

A nível pessoal o meu coração pede-me saúde para eu ver crescer os meus netos e a minha família de um modo geral, pede-me saúde para ver crescer tudo o que conquistei até hoje.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Sendo católico, e peço desculpa aos católicos, mas diria que Jesus anda um pouco distraído, que tem de estar mais alerta e mais ativo, derivado às desigualdades sociais. Eu não posso tolerar e ver de um lado riqueza excessiva e por outro a  pobreza excessiva. Não posso tolerar que haja situações que hoje vemos na terra de Jesus Cristo que o povo mártir, estou-me a referir à Palestina e a Israel, não posso tolerar as guerras. Não posso tolerar que nos países mais desfavorecidos como no Haiti aconteçam as maiores catástrofes, com tantas crianças abandonadas e a viver miseravelmente que ali aconteça um sismo como ocorreu. Penso que Jesus Cristo deveria estar mais atento. Era isto que lhe gostaria de transmitir.

Conhece Auschwitz?

Não conheço mas gostaria de conhecer para ver o mal que foi feito ao ser humano, para “in loco” ver a crueldade que aquele campo representa em termos de crueldade que foi implantada aquelas pessoas, as atrocidades que foram cometidas à população judaica naquela altura. Esperemos que novos “Auschwitz” não voltem a acontecer na humanidade e aqui voltando à pergunta anterior que Jesus Cristo esteja atento para que novos “Auchwitz” não voltem a acontecer.

Um Ídolo

O meu pai. Por aquilo que eu hoje sou, pela formação que me deu como homem. Lembro-me que quando andava na escola primária o meu pai ajudou-me a aprender a tabuada em 3 dias. Devo tudo ao meu pai e à minha mãe.

Três objectos indispensáveis

A carteira, o telemóvel e a chave de casa.

A chave do Euromilhões

Não jogo no Euromilhões. Não faz parte de mim. Passa-me completamente ao lado.

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:45

21
Mar 15

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“Quem não sonha não é feliz!”

Entrevista de Helena Galvão

Maria Eugénia Canito é  Coordenadora Serviço de Voluntariado da Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernardo. Foi professora de inglês no ensino privado e esteve sempre ligada ao voluntariado através da Associação S. Vicente de Paulo. Entrou para o Serviço de Voluntariado da Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernardo, quando há 22 anos atrás sentiu que tinha que retribuir o que recebeu, a propósito de um problema oncológico que enfrentou.

Coordena o voluntariado de cerca de 200 pessoas, sendo esta uma causa que abraça com o coração cheio de boa vontade. Salienta que nestas funções é preciso “doação, humildade e tolerância”. A professora Eugénia, como é tratada no dia-a-dia, revela-se uma mulher apaixonada pelo voluntariado e já não se imagina a fazer outra coisa na vida.

 

Como foi a sua infância?

Penso que durante a infância é quando acontece um grande desenvolvimento físico, mudanças de comportamento da pessoa e também a aquisição das bases de personalidade.

A infância de cada um de nós é um período da nossa vida que podemos recordá-la com alegria ou com tristeza, tudo depende do percurso de vida de cada um. Tive a sorte de ter sido sempre rodeada de pessoas que me incutiram valores preciosos, embora na infância se tenha alguma dificuldade em compreender a subjectividade dos adultos, mas seguindo esses valores faz com que eu ainda hoje tenha um pouco de criança bem vivida dentro de mim.

Não há Amor como o primeiro?

Quando acontece o primeiro Amor, não se pensa, não se resiste, não se dúvida… Por isso não se esquece!

O Homem nasceu para trabalhar?

Já dizia o grande pensador Agostinho da Silva: “O Homem não nasce para trabalhar, nasce para criar”. No entanto, ele do homem simples e humilde que foi na sua infância, tornou-se num pensador, tradutor, professor. Creio que ele trabalhou muito para atingir estes níveis de qualidade.

Minha casa, meu tesouro…

O meu lar é um presente precioso que eu ganhei! O meu lar é um doce lar!

Seria bom que fosse um lugar de Paz e Amor. Se pensássemos que a nossa vida por este mundo é passageira, talvez houvesse mais amor ao falar e mais paciência ao ouvir e não jogávamos fora as oportunidades que temos de ser felizes e fazer os outros felizes.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando nós somos persistentes para alcançar os nossos objectivos, com fé e esperança, mais tarde vem a bonança…

… e ao 7º dia Deus descansou…

 Descansou e acreditou que cada um de nós já poderia compôr a sua história de vida num mundo de felicidade.......Acreditou também que cada ser em si carregaria o dom de ser capaz de ser feliz.

 

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Pelo sonho é que vamos?

“PELO SONHO É QUE VAMOS”. Faz parte do bonito poema do grande poeta Sebastião da Gama! Quem não sonha não é feliz, porque basta a nossa fé e esperança para sonharmos e talvez alcançarmos o que às vezes parece ser impossível.

Que lhe pede o seu coração?

Amor, Solidariedade e Paz.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Continua a dar sem esperar sem receber! Obrigada por seres meu amigo!

Conhece Auschwitz?

É um lugar triste e frio, apesar das suas varandas com flores.

Um Ídolo

Nelson Mandela

Três objectos indispensáveis

Telemóvel, transporte, um livro.

A chave do Euromilhões

Não jogo.

 

publicado por Joaquim Gouveia às 20:24

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“Mudamos o mundo se mudarmos as pequenas coisas!”

Entrevista de Helena Galvão

António Milheiros é director do Jumbo de Setúbal. Nasceu em Évora em 1960 e aos quatro anos veio para Setúbal. Concluiu o MBA em Gestão, foi fuzileiro durante dois anos, o que lhe terá proporcionado, segundo diz, “disciplina e reflexão sobre o que queria para a vida”.

O seu primeiro emprego foi na Setcooper, loja junto à rodoviária, em 1979, e depois de cumprir tropa, assumiu a gerência da loja, com apenas 23 anos. Em 1987 foi convidado para a Coopset, loja da Terroa e em 1992 surge a oportunidade para a gestão de uma área de negócio, mercearia líquida, do Jumbo de Setúbal. Evoluiu gradualmente de responsável de departamento para a direcção das lojas de Alfragide e Amoreiras, em Lisboa.

Em 2010 regressa à loja de Setúbal como gestor, cargo que ocupa até hoje. Regozija-se por fazer parte de uma empresa que valoriza a experiência das pessoas, até porque o grupo francês reconhece a sua capacidade para liderar pessoas. Casado e pai de 3 filhos, tem como hobbie acompanhar os jogos do Vitória Futebol Clube, quando joga em casa. Gosta de ler pelo grande prazer. A leitura transporta-o para a realidade do livro. Lê essencialmente romance histórico e elege Eça de Queiroz, apreciando a forma como o escritor retrata a sociedade portuguesa da época.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância muito feliz, cresci no bairro do Viso, um bairro estigmatizado na altura mas eu não senti estigma nenhum. Uma infância com muitas brincadeiras e junto de pessoas amigas que me ajudaram a crescer. Tive a felicidade de também lá viver uma fase muito importante da adolescência. Tinha 13 anos quando aconteceu o 25 de abril, e formámos uma associação de moradores. As pessoas contribuíam com quotas, tínhamos dinheiro para gerir as acções que queríamos desenvolver. Fazíamos pinturas, concursos, excursões e proporcionávamos a ida a Lisboa de muitas pessoas do bairro para conhecer os monumentos e o jardim zoológico. Éramos miúdos de 15 e 16 anos com uma preocupação com os outros e de participar naquilo que é a vida comum, valor que hoje se perdeu. O 25 de abril foi gratificante por isso, fez as pessoas pensarem que o bem comum era importante e se todos trabalhassem em comum seria um benefício para todos.

Não há Amor como o primeiro?

Amor melhor que o primeiro é o segundo e melhor que o segundo é o terceiro. Na nossa vida temos vários amores. Seja a nossa mulher, os nossos filhos, a nossa família e até mesmo ao nosso emprego, às pessoas que trabalham connosco. Temos vários amores e todos os amores são bons. Uma vida só com um amor é muito pouco.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem nasceu para ser feliz, para se realizar e conquistar essa felicidade. O trabalho também faz parte dessa realização. É importante para nos sentirmos realizados, para termos uma acção com outras pessoas, para aprendermos e termos os nossos gostos, as nossas fases más, porque isso é a vida. O trabalho faz parte da nossa vida mas não é a nossa vida, senão os economistas é que mandam no mundo e esse caminho nunca trará grande felicidade.

Minha casa, meu tesouro…

É um refúgio. O papel da família é extremamente importante naquilo que é o nosso equilíbrio emocional. A família deixou de ter o valor que para mim deveria ter, como esse ponto de refúgio, para debatermos e falarmos das coisas abertamente sem qualquer dogma. Tenho 3 filhos e todos têm visão diferente dos problemas que ultrapassamos. Essa diferença é que dá riqueza, o facto de nós dentro de casa termos essa possibilidade de discutirmos as coisas e chegarmos a um consenso mesmo com ideias diferentes. A minha casa é o meu refúgio nesse sentido, porque dá-me esse equilíbrio emocional importante para ultrapassar o dia-a-dia que às vezes é agressivo.

 

O que pensa do Mundo?

Não tenho a visão de que a minha casa é um mundo, a minha casa é mesmo a minha casa. Temos um papel a desempenhar naquilo que é na nossa casa, no nosso emprego, na sociedade em que estamos inseridos e isso vai contribuir para que o mundo seja melhor. Ter uma ideia de que o mundo é tão grande, que eu quero mudar tudo, é impossível. Se mudarmos aquilo que está no nosso dia-a-dia, na maneira como lidamos com as pessoas, como encaramos os problemas, como os ajudamos a resolver, vamos conseguir que o mundo seja melhor. A minha visão é de que mudamos o mundo se mudarmos as pequenas coisas do dia-a-dia para que ele seja melhor.

Mais vale tarde do que nunca?

Nunca é tarde para fazermos as coisas melhor. O meu lema é que amanhã vou tentar fazer melhor daquilo que eu fiz hoje. Quando entro numa loja para motivar as minhas equipas e motivar-me a mim próprio penso que daqui a um ano as coisas têm que estar melhor do que estão hoje. Tenho a noção de que fazer melhor todos os dias, daqui a um ano as coisas serão diferentes. A leitura que faço, passado um ano, é de que consegui melhorar e o que não consegui, é para o próximo ano que eu tenho que conseguir. Esta autocrítica que temos que ter para connosco próprios, permite dizer que nunca é tarde para conseguirmos fazer melhor.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico e penso que Deus está sempre presente e nunca está a descansar com o povo que somos. Independentemente de sermos cristãos, muçulmanos ou de outra religião, se tivermos essa consciência, esse valor espiritual de que estamos neste mundo para tentarmos fazer as coisas melhor, estamos a concretizar aquilo que é a criação de Deus. Na minha perspectiva há muitas pessoas que consideram-se (católicas), mas têm muita dificuldade em praticar aquilo que são. Os preceitos cristãos sem os dogmas da igreja a mim não me dizem nada, como ter que ir à missa todas as semanas. Vou quando me apetece. Os meus filhos são baptizados, sou casado por igreja mas se decidisse que não me queria casar por igreja, o casamento tinha o mesmo valor. Não são os dogmas que têm que mandar mas a nossa vontade.

Pelo sonho é que vamos?

O sonho permite-nos pensar que as coisas podem melhorar. Sonhar é nesse sentido. Temos que ser rigorosos e disciplinados naquilo que queremos concretizar. O sonho é o que comanda a vida, como diz o poeta mas o sonho é que nos dá o objetivo que queremos alcançar. O meu sonho é ter 90 anos e sentir-me feliz ao pé da minha mulher. Se não fizer todos os dias para que isso aconteça, isso não irá acontecer. O facto de nós termos sonhos é importante. Temos é que focalizarmos na concretização desse sonho. Se tivermos um sonho que aponta num sentido e fizermos coisas completamente diferentes, não vamos concretizá-lo. Aquilo que nós queremos da nossa vida e aquilo que fazemos no dia-a-dia, se tivermos essa coerência é mais fácil concretizar os nossos sonhos. A dificuldade das pessoas é que têm um sonho mas não querem dar os passos para concretizá-lo.

Que lhe pede o seu coração?

Quando estamos a falar do coração estamos a falar de emoções e são muito importantes na nossa vida. Hoje analisamos tudo ao pormenor, os rácios, como fazemos as coisas, qual é o impacte que tem, ou seja, numericamente conseguimos medir quase tudo, menos as nossas emoções. Costumam perguntar-me como é que consigo ser do Vitória de Setúbal. Para mim é extremamente importante ser de um clube da minha cidade, ir ao estádio e ter aquela vivência com os meus amigos, porque isso é emoção e essa emoção não conseguimos definir. Se eu tiver que enumerar racionalmente ou numericamente as razões porque sou do Vitória de Setúbal, não consigo dizer. Nem haverá razões para ser, porque não é uma equipa campeã, é uma equipa que dá mais derrotas do que vitórias, mas o facto de ter esta ligação emocional para mim, como tenho considerado Setúbal e com aquilo que é a importância do meu contributo para a cidade, é algo que não consigo definir, mas para mim é extremamente importante. Mesmo quando estive fora da cidade de Setúbal a trabalhar, nunca deixei de acompanhar a cidade e a loja de Setúbal como se fosse a minha loja e o que estava no meu horizonte quase diário para resolver.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Perante Jesus Cristo não diria nada, teria muito para ouvir. Acredito em Jesus Cristo, existiu mesmo e historicamente está provado. A mensagem que nos deixou foi muito forte e perdura até aos dias de hoje. Ouviria o que Jesus teria para dizer, não lhe diria nada porque tenho muito a aprender com Ele, nem lhe pediria nada. Nós é que temos que construir aquilo que queremos. Acredito muito naquilo que é a minha vontade. O facto de ser cristão e de saber que Jesus existe para mim é importante e determinante para conseguir isso. Todos temos dias mais difíceis e dias mais fáceis e nos dias difíceis é importante termos alguém que nos dê esse conforto. A religião é quase que o “cimento” para consolidar as nossas vontades e os nossos desejos.

Conhece Auschwitz?

Ainda não visitei mas ainda vou visitar. Foi um marco, pela negativa, daquilo que a humanidade fez durante um período longo demais, porque morreram lá milhões de pessoas. É importante que hoje Auschwitz apareça como algo que não se pode repetir. A propósito do 70º aniversário do seu encerramento, alunos alemães foram visitar Auschwitz e um miúdo de cerca de 17/18 anos disse que na escola ensinam-lhes que Auschwitz é algo com o qual temos que aprender para que não se volte a repetir. É uma lição para a humanidade mas para hoje ainda e não só para há 70 anos atrás. Os alemães representam um povo que não tapa o que foi mau para a história da Alemanha e ainda bem que não passam um pincel por cima.

Um Ídolo

A ideia de ídolo é a de que alguém foi perfeito e eu não acredito que existam pessoas perfeitas. Referências tenho muitas, são pessoas do meu dia -a- dia com quem fui aprendendo.  O meu pai foi uma referência para mim na sua postura perante a vida. Profissionalmente, José Alves um antigo chefe, pela forma como transmitiu como as equipas têm que ser tratadas e pela motivação indispensável para que as coisas aconteçam. Os meus filhos são uma referência para mim por aquilo que me ensinam das novas tecnologias, mas também pela forma como vêem a vida e manifestam a preocupação de não sendo perfeitos, quererem fazer o melhor todos os dias.

Três objectos indispensáveis

Só o telemóvel.

A chave do Euromilhões

Nunca joguei.  Penso que o jogo do Euromilhões não faz parte daquilo que me emociona ou me dá prazer. O jogo que jogamos todos os dias, o do trabalho e da família é o jogo que eu gosto de jogar e que gosto de ganhar.

 

publicado por Joaquim Gouveia às 20:18

10
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“O MUNDO ESTÁ TORNAR-SE IMPREVISÍVEL”

 

O Eng. Luis Rodrigues é vereador na Câmara Municipal de Setúbal, em representação do PSD. As suas origens remontam a Turquel – Alcobaça, mas viveu entre a Cova da Piedade e o Seixal, onde hoje reside. No colégio, ainda criança completou o ensino básico sempre com notas a merecer destaque no quadro de honra. O seu primeiro emprego apenas lhe deu experiência e na sua casa tem um painel com a representação do Cabo das Tormentas. Acredita que o mundo está em mudança acelerada e que a sede de poder origina ganância e desigualdades no mundo ocidental. É católico e crente em Deus. Se pudesse voltar atrás nada mudaria na sua vida e acredita que a crise nos acompanha há mais de um século. O seu livro preferido são “Os Maias”, de Eça de Queirós.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na maternidade Magalhães Coutinho, onde estive na incubadora durante 15 dias. Depois fui para casa dos meus avós paternos na Cova da Piedade. Com 3 meses fui para o Feijó e aos 3 anos para o Fogueteiro. Fiquei lá até aos 13. A minha origem é de Turquel – Alcobaça. Brincava muito na rua, andava de bicicleta. Frequentei o colégio Novo Dia, onde concluí o ensino primário. Estive sempre no Quadro de Honra do colégio. Os meus pais eram pequenos empresários. A fábrica deles ardeu completamente o que tornou a nossa vida um pouco mais difícil.

 

O primeiro amor…

Foi no colégio, com 8 anos e ela nem sabia. Chamava-se Kity e morava na Cova da Piedade.

 

E o primeiro emprego…

Num gabinete de engenharia e arquitetura em Almada. Fazia arquivo e, mais tarde comecei a desenhar. Tinha horário de trabalho mas não ganhava nada a não ser experiência.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É demasiadamente grande. Tem o que preciso e fica no Seixal. Está perto da família. É confortável. A decoração foi feita por mim e pela minha mulher. Os meus filhos moram connosco. Tenho um painel na entrada de uma parte interior (no hall), com a imagem do Cabo das Tormentas, desenhado pelo Pedro Fortuna, da Quinta do Anjo.

 

O que pensa do mundo?

Neste momento está numa mudança aceleradissima que nós não conseguimos compreender e acompanhar. Para os ocidentais há cada vez menos fronteiras. Há cada vez mais desigualdades, ganância e sede de poder. O mundo está a tornar-se imprevisível. Por outro lado o ocidente que era o centro do mundo diminuiu a sua grande influência e tende a equilibrar-se com o resto do globo. Nós, ocidentais queríamos criar o mundo à nossa imagem e esse espirito não está a ser assimilado pelo resto dos países. O ocidente está numa encruzilhada porque tem poder e não está a saber usá-lo à escala global onde, por exemplo, a situação na Ucrânia está a ser mais que evidente.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca me sinto realizado. Apesar de ter muita experiência é importante uma busca contínua. Se a nível pessoal estivermos num bom plano tudo o resto é enfrentado de forma mais fácil. O refúgio no trabalho não resolve nada.

 

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Como se resolve a crise?

Acho que “Os Maias”, de Eça de Queirós continua muito atual. E aconselho toda a gente a ler até ao fim. Aquele povo somos nós. A crise acompanha-nos há mais de um século. Ainda não encontrámos forma para a resolver mas tenho esperança que cada um de nós tenha força, motivação e coragem para contribuir para a sua resolução. No entanto, como povo passamos de um estado de grande depressão a grande euforia.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem. Sou católico. Entendo que tem que haver mais alguma coisa para além disto. Eu tenho espiríto e alma. Aliás, todos temos.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada de significativo. Pequenas coisas apenas. Seria sempre quem sou.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou vereador na Câmara Municipal de Setúbal, conselheiro nacional do PSD, faço parte da plataforma “Forum democracia e sociedade”, sou engenheiro civil, gestor de uma pequena carpintaria, marido e pai. O futuro a Deus pertence. Tento fazer o melhor naquilo que faço.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Timor

 

Um livro

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma música

Surrender (Cheap Trik)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Codorniz estufada

 

Um conceito

Justiça, solidariedade e amizade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:17

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