Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Out 13

 

“OS NOSSOS POLÍTICOS ESTÃO A SER TEIMOSOS”

 

Amílcar Caetano repartiu a sua infância entre Setúbal e o Pinhal Novo. Começou a namorar aos 13 anos com o único amor da sua vida. Na antiga e saudosa loja “Formiga” conheceu o seu primeiro emprego. É professor de matemática na secundária da Bela Vista e tem do mundo a idéia de que é uma casa com muitos moradores que não sabem cuidar dela. Resolvia a crise não pagando a dívida e começando este país do zero. Para si o Homem criou Deus, para que mandasse nele

 

Como foi a sua infância?

Foi uma constante volta entre Setúbal e Pinhal Novo, pelo fato de o meu pai ser carteiro. Quando fundou o grupo de música popular “Terno de Ouros” ficámos definitivamente no Pinhal Novo, onde frequentei os três últimos anos da instrução primária, embora tenha feito amigos na Fonte Nova foi no Pinhal Novo que se cimentaram os meus amigos e as minhas brincadeiras. Foi uma infância bem passada, como a criançada era muita, além de imitarmos o Terno D’Ouros brincavamos aos ranchos, marchas e passagens de modelos com a malta, eram as nossas brincadeiras preferidas, toda a malta alinhava. Em frente à minha casa existia uma vinha muito grande onde costumávamos brincar.

 

O primeiro amor…

Foi o primeiro e único com a mulher com quem casei, a Joana Caetano. Começámos a namorar aos 13 anos.

 

E o primeiro emprego…

Na antiga loja de confeções “Formiga”, que ficava ao lado do mercado do Livramento, em Setúbal. Não me lembro quanto ganhava até porque era a minha avó materna que recebia o ordenado porque eu “estragava” muito dinheiro em roupa sapatos e discos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho, o sítio onde me sinto mais seguro e onde gosto muito de viver. Saio o estritamento necessário. De resto estou em casa, gosto de receber os meus amigos e de cosinhar para eles.

 

O que pensa do mundo?

É uma casa muito bonita. Só é pena que tenha tanta gente, tantos moradores que nem sempre têm os cuidados necessários para cuidar bem dela, esquecendo-se que somos seus dependentes.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto que sim. Acho que já fiz, praticamente, tudo aquilo a que me propus em jovem. Falta-me, no entanto, escrever um livro, para além de outros projetos que tenho em carteira.

 

Como se resolve a crise?

Não pagando a dívida, tal como os gregos fizeram. Isto nunca mais vai estar pago. Deveríamos começar do zero. Os nossos políticos estão a ser teimosos. A nossa dívida é impossível de pagar.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Embora seja católico por cultura familiar, acho que foi o Homem quem criou Deus. O Homem sempre teve necessidade de justificar o injustificável e, assim, nada melhor que arranjar uma entidade suprema não só que mandasse nele como também tomasse conta do seu destino. Até os agnósticos nas horas de aflição, inconscientemente, chamam por Deus! Contudo acredito em Jesus!

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudava. Não me tinha divorciado

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou professor de matemática na Escola Secundária da Bela Vista. Acabei de escrever uma revista à portuguesa para encenar muito possívelmente na Capricho Setubalense. Continuo ligado às marchas populares. No futuro quero manter todas estas atividades. A doença obrigou-me a adiar alguns projetos. O fato de ter sido avô para mim é, nesta altura, uma prioridade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Grécia

 

Um livro

Pappilon (Henri Charrière)

 

Uma música

Marcha do Vitória de Setúbal

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Bacalhau de qualquer maneira

 

Um conceito

Dignidade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 21:02

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