Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Out 13

 

“O RIO SADO É O NOSSO PARAÍSO”

 

O engenheiro João Barbas é uma figura simpática e alegre que nos faz lembrar o rio Sado, onde tem dois Galeões do Sal, prontos para viajarem em rota de cruzeiro todos os dias. É Alentejano de Portalegre, mas veio para Setúbal, ainda menino e moço. Aqui ganhou amigos, frequentou a escola e conheceu o seu primeiro amor. Hoje mora em Vila Fresca de Azeitão, para fugir ao rebuliço da cidade quando o descanso também se recomenda. O Sado é o seu paraíso e projeta perpetuar as suas embarcações no futuro

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Portalegre, mas vim para Setúbal, com 5 anos de idade para uma casa nas Fontaínhas. Fiz o ensino primário na escola do “Sousa”. Tinha muitos amigos com quem hoje ainda me dou muito bem. Na maioria eram filhos de pescadores. No fundo as Fontaínhas, eram uma zona de varinos oriundos da Murtosa e de Ovar. Jogávamos à bola numa zona a que chamávamos de “praia”, onde hoje é o Porto de Setúbal. Aos domingos de manhã, quando não íam para a pesca, os pescadores jogavam futebol entre eles e à tarde íam ver o Vitória de Setúbal

 

O primeiro amor…

Foi uma paixão mesmo assolapada, no 1º ano de Liceu. Era uma rapariga do Barreiro, a Climénia. Ainda hoje somos amigos

 

E o primeiro emprego…

Quando saí do Técnico, como engenheiro estagiário na Electrónica Signetis. Ganhava dois contos e quinhentos por mês

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma pequena casa com 2 assoalhadas e que fica em Vila Fresca de Azeitão, fora do rebuliço da cidade

 

O que pensa do mundo?

Isto podia ser melhor. Há muita injustiça, fome e sofrimento e não há necessidade que isto aconteça. A natureza é magnífica e o Homem o seu pior predador

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

O nosso percurso é feito de coincidências. O meu faz-me pensar que fiz algo de positivo. Os últimos 23 anos foram extraordinários porque consegui conjugar a paixão do mar e da vela com a preservação do património marítimo que era o meu principal objectivo

 

Como se resolve a crise?

Não tenho essa pretensão, nem tenho grandes sugestões. Acho que nos falta tornar as coisas mais simples

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

É um mistério. Nasci católico mas não sou praticante. Se olharmos para a grandeza do universo ficamos atordoados ao pensar como tudo terá sido criado

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Creio que não. A vida para mim é mais um conjunto de coincidências que temos que saber gerir a cada momento

 

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou proprietário da empresa Troia Cruze, que tem 2 Galeões do Sal, que fazem cruzeiros no nosso paraíso que é o rio Sado. No futuro quero manter esta atividade e perpetuar as minhas embarcações

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Cabo Verde

 

Um livro

Os velhos marinheiros (Jorge Amado)

 

Uma música

Tombe la neige (Adamo)

 

Um ídolo

Tabarly (navegador francês)

 

Um prato

Tomatada de cação

 

Um conceito

Fazer as coisas simples

 

publicado por Joaquim Gouveia às 07:51

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