Entrevistas de JoaQuim Gouveia

08
Nov 11

 

 

ALEXANDRINA PEREIRA

“DÁ JEITO PENSAR QUE O HOMEM CRIOU DEUS”

 

Alexandrina Pereira é poetisa/escritora, uma mulher que não tem rodeios em assumir a felicidade que a vida lhe tem proporcionado. Á sua maneira tenta incutir essa felicidade nos que a rodeiam através de um olhar esclarecido sobre o mundo que idealizava mais justo e fraterno. Dá jeito acreditar numa força a quem chamam Deus e se pudesse acabava com as guerras que vão á cena em nome do Criador. Um absurdo, como diz. Zeca Afonso foi o seu maior ídolo e não dispensa um bom cozido à portuguesa. Eis a mulher, mãe e senhora das palavras

 

Como foi a sua infância?

- Com algumas privações mas muito feliz. Fui criada em Águas de Moura. Na escola detestava os números e adorava as letras. Ainda hoje é assim. Brincava bastante. Entrava em todas as peças de teatro na escola. Adorava dançar e cantar. Mantenho amigos desses tempos. O meio onde vivia era muito rural, trabalhava-se no campo de lés a lés. Éramos sete irmãos e eu era a filha mais nova. Os meus pais esforçaram-se para que nada nos faltasse.

 O primeiro amor...

- Foi o meu marido. Eu tinha quinze anos mas já o conhecia há mais tempo. O facto de trocarmos livros e de ele gostar muito de ler aproximou-nos, ficava seduzida. Temos trinta e oito anos de casamento. Sempre foi um bom rapaz. Destacava-se entre os outros.

E o primeiro emprego…

- Na fábrica de descasque de arroz onde o meu pai trabalhava. Não me lembro do ordenado mas devia de ser muito pouco. Na altura não se ganhava muito.

Como é a sua casa, como a define?

-O lugar onde toda a minha vida se concentra. Nela existe tudo com o que sempre sonhei: ser feliz com o meu casamento e com os meus dois filhos. Temos um excelente ambiente e harmonia. É uma casa sóbria, perfeitamente normal.

O que pensa do mundo?

- Desde sempre ocupei-me muito a pensar no mundo. Na palavra, na escrita, nas intervenções que faço tento que o mundo fique melhor, pelo menos para quem está mais próximo de mim. Mas sei que não o posso mudar. É um mundo conturbado, violento e egoísta. As guerras em nome de Deus, por exemplo, não têm qualquer razão de existir. São um absurdo.

Como se ultrapassa a crise?

- Fico confusa quando penso nisso. Infelizmente parece não haver motivação para se ultrapassar através do trabalho. Não há apoios e incentivos para os empreendedores. Falta colocar em prática uma medida que faça com que a economia cresça através do emprego. Isso é fundamental.

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

- Sim, a vida tem sido boa para mim, sinto-me feliz. Também dou bastante de mim para complementar essa felicidade nos outros. No entanto sinto alguma impaciência pelo facto de haver muito por fazer nesse capítulo.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Para os crentes foi Deus quem criou o Homem. No entanto, também dá jeito pensar o contrário. Há momentos em que acredito que há algo superior a nós, que nos domina e nos comanda. Somos habituados a chamar Deus a essa força.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Todos nós pensamos que poderíamos mudar alguma coisa. Apesar disso eu não mudaria nada. O que está feito... feito está.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou mãe e esposa. Escrevo prosa e poesia e edito livros de minha autoria. As minhas vertentes culturais e sociais são muito activas. Tenho vários projectos que só não avançam mais rapidamente por falta de apoios. De qualquer forma estou a preparar o lançamento de um livro de poesia e dois de literatura infantil para início do próximo ano. O livro de poesia será ilustrado com pinturas de Sebastião Fortuna e fotos do Paulo Alexandre, tudo gente de Palmela.

 

CAIXA  ALTA

 

Um destino

- Florença

Um livro

- Desculpa lá, mãe

Uma música

- Bolero de Ravel

Um ídolo

-Zeca Afonso

Um prato

- Cozido à portuguesa

Um conceito

- Fidelidade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 23:21

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