Entrevistas de JoaQuim Gouveia

09
Nov 13

 

“Gostava de ser Santo”


Entrevista de Helena Galvão

 

Nasceu em Almada, em Agosto de 1974 e é o mais novo de quatro irmãos. Entra para o Seminário aos dezoito anos e está há oito na paróquia de Nossa Senhora da Anunciada, em Setúbal. Considera o mundo uma maravilha incompleta que só Jesus consegue preencher. Desde menino que ambiciona ser santo, dependendo disso a sua realização humana. Recorda com muito carinho a professora da primária

 

Como foi a sua infância?

Recordo a minha infância com um sorriso como se fosse algo muito bom, tenho muito boas recordações de andar a “galdeirar”. A minha mãe era cabeleireira em casa, e fazia os trabalhos de casa a correr para ir brincar para a rua. Tenho muito boas recordações da minha professora primária, que se chamava Angélica. Foi uma infância feliz, e por ser o mais novo de quatro irmãos era o mais mimado, e senti que os meus três irmãos me abriram o caminho para saídas e viagens

 

O primeiro Amor…

Tive várias paixões de adolescência e juventude mas aos dezasseis anos ao perceber o amor de Deus por mim, descobri o amor. Depois aos dezoito anos entrei para o seminário. O meu grande amor é a Igreja

 

E o primeiro emprego…

Começei a trabalhar com treze anos, no verão em que fiz quatorze, num café em Corroios. Tirava bicas e imperiais, servia às mesas e ao balcão. Depois trabalhei numa loja de colchões ortopédicos. Vendia colchões, almofadas e poltronas

 

 

Como define a sua casa?

Gosto da minha casa, é suficiente para mim e para a minha irmã e quando lá vai alguém para ficar connosco, há sempre lugar para mais um, nem que seja para acampar, na sala ou no quarto de algum de nós. Mas o facto do quarto estar voltado a norte faz com que seja gelado. Sinto falta de ver o mar. Os meus pais tinham uma casa entre a Trafaria e a Costa de Caparica, com um horizonte fabuloso. O mar ajuda-me a descansar e a serenar.

 

 

O que pensa do mundo?

O mundo é uma maravilha, seja mundo planeta terra/universo, seja mundo comunidade humana. No entanto, é uma maravilha que está incompleta, tem um buraco que só é preenchido por Jesus. Na prespectiva de comunidade humana, o ser humano é a imagem e semelhança de Deus, somos fabulosos e temos coisas fantásticas. E enquanto continuarmos teimosos, casmurros a voltar as costas a Deus continuaremos “à pancada uns com os outros”.

O ser humano corre o risco de entrar na casmurrice e na teimosia de obstinadamente continuar a querer voltar as costas a Jesus e não é de admirar que a gente se mate, se falcatrue, se vigarize e fale mal uns dos outros.

O mundo já é bom mas tornar-se-ia ainda melhor se abrissemos o coração a Jesus

 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Poderei sentir-me realizado quando for santo. É uma ambição que tenho desde pequeno. Quando eu percebo que as pessoas se aproximam de mim e encontram Jesus, sinto-me realizado. Quando as pessoas se aproximam de mim e encontram simplesmente o presidente do Centro Paroquial para tentar encontrar um trabalho para alguém e colocar o pai no lar ou o filho no infantário, não me sinto realizado.  Se se aproximam de mim e descobrem em mim Jesus, sinto-me realizado. Profissionalmente, é mais uma vocação, é a minha vida. A minha realização profissional e humana no meu caso coincide.

 

Como se resolve a crise?

Já o Papa Bento XI, dizia que a crise é uma crise moral, uma crise de valores porque deixámo-nos de respeitar uns aos outros. Quando esta crise for ultrapassada, a crise económica deixa de existir. Quando nos olharmos  como seres humanos e irmãos a crise começa-se a resolver. Enquanto os paises mais ricos e mais industrializados continuarem a olhar para os paises mais pobres com a atitude de tentar sacar seja madeira, seja diamantes, seja texteis a baixo custo, e como uma oportunidade para explorar, continuará a haver terrorismo. Se os paises mais desenvolvidos pensassem “ vou-te ajudar a crescer e a arrebitar” seriam dois paises a enriquecer. A nível particular passa-se o mesmo

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem que criou Deus?

Foi Deus que criou o Homem, sem dúvida. Quando olhamos para a Sagrada Escritura fica claro que o Homem não conseguiria criar Deus, inventar Deus. O judeísmo e as várias igrejas cristãs reconhecem que Deus, nunca poderia ter sido criado pelo Homem. Um Deus que se preocupa, um Deus atencioso, um Deus que escuta, que ama e perdoa não é de todo criado pelo Homem. Nós criaríamos deuses à nossa imagem e semelhança, como os deuses dos gregos, dos romanos. Há muitas religiões que inventam divindades à nossa imagem e que nós percebemos nelas traços humanos. No Deus que se revela ao povo de Israel, e depois plenamente em Jesus Cristo, percebemos a questão ao contrário. Nós é que deveríamos ter em nós traços de Deus e essa é que é a parte difícil. Amar, perdoar, ser misericordioso, ser alegre, pacífico são traços de Deus e não dos homens

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Eu mudaria todas as faltas de paciência, os palavrões e todas as vezes em que eu dei motivo às pessoas para se chatearem comigo. E desde miúdo pequeno que dei motivos aos meus pais, aos meus irmãos e aos meus colegas. Não ganhamos nada com isso. Tenho recordações em que ajudei a chatear alguém. Provoquei mágoas nos outros, chamo a isso pecado

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Aqui na paróquia gostava de ter mais casais e que não se divorciassem. O divórcio é um cancro terrível. E gostava que os casais tivessem mais filhos. É bom sinal. Vejo que quantos mais filhos o casal tiver, as crianças e os casais são mais felizes. A família está pelas ruas da amargura. Falta perdão. As pessoas têm que se habituar a perdoar e a não se vingar. Perdoar o marido, perdoar a mulher, a sogra, a cunhada. As pessoas não estão habituadas a perdoar, não foram educadas e treinadas para perdoar. Todos nós nos ofendemos mutuamente, diáriamente, e enquanto as pessoas não se habituarem a perdoar isto vai de mal a pior

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Terra Santa

 

Um livro

Jesus e o teu corpo

 

Uma Música

Qualquer música dos U2

 

Um ídolo

Santo António de Lisboa

 

Um prato

Qualquer coisa com natas

 

Um Conceito

A Alegria

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 05:36

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