Entrevistas de JoaQuim Gouveia

09
Nov 11

RUI  DO CABO

“CONHECI E AMEI A MÃE CORAGEM”

 

Rui do Cabo é um dos nomes que desponta a cada dia no mundo do fado. Guitarrista e fadista é nestas vertentes plurais que faz hoje a sua vida com a experiência adquirida ao longo de vários anos como entertainer e cantor de música popular. Não guarda grandes memórias de infância mas identifica o seu primeiro amor, numa altura em que o coração bateu mais rápido pela primeira vez. Sente-se recompensado pela vida e se pudesse jamais teria sido empresário. 

Eis um homem que acredita que tudo que será seu já lhe está destinado.

 

Como foi a sua infância?

- Não tenho grandes recordações de infância. Perdi o meu pai quando tinha quatro anos e talvez esse facto me roubasse alguma expectativa no facto de ser criança. Recordo-me essencialmente do Stella Maris, em Setúbal, onde frequentei a creche e parte da Escola Primária, que concluí nos Foros do Trapo, no Montijo. Sei que era uma criança muito activa mas não guardo grandes memórias.

Como eram os seus pais?

- Como lhe disse o meu pai faleceu quando eu era muito novo. Deixou-me de herança uma guitarra e esta paixão que nutro pelo fado. A minha mãe foi uma lutadora. Éramos três irmãos, todos rapazes e ela teve que trabalhar no duro para nos sustentar e fazer de nós homens dignos. A minha mãe merece a nossa melhor homenagem . Após a morte do meu pai lutou sempre sozinha. Foi a minha mãe coragem.

O primeiro amor…

- Ah, o primeiro amor. Boa pergunta. Acho que tinha para aí uns dez anos. Era a Marta, muito bonita. Estava completamente apaixonado. Ía para casa da minha vizinha escrever-lhe cartas de amor. Mas a verdade é que a Marta, não me deu bola e, assim, esta minha primeira paixão não foi correspondida. Foi a primeira vez que o meu coração bateu mais depressa (risos).

E o primeiro emprego…

- Esse foi na Casa Elmano Mendes, na baixa de Setúbal, que vendia chapéus. Tinha catorze anos. Foi uma experiência muito divertida para um rapazito. Achava muita piada quando tinha que medir a cabeça dos clientes.

O que pensa do mundo?

- É uma esfera muito diversificada, muito complexa e complicada. Não há livros nem ensinamentos que decifrem os seus desígnios. Prefiro viver este mundo no seu dia a dia avançando conforme o tempo avança sem me preocupar muito em compreendê-lo.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Sem dúvida. Faço o que mais gosto que é criar e recriar a arte. Sinto-me perfeitamente recompensado.

A família, que importância?

- Esse é que é o verdadeiro mundo que nos acompanha a cada momento, sempre presente, nos bons e maus momentos.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Nem uma coisa nem outra. Acredito que há uma força na natureza que alimentamos ao longo das nossas vidas e que, por vezes, nos ajuda a tornar as coisas mais simples. Apenas isso!

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Talvez alguns hábitos, decisões e percursos. Nunca teria sido empresário, por exemplo.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou guitarrista e fadista e pretendo continuar esta carreira desenvolvendo ao máximo a guitarra portuguesa e chegando profissionalmente o mais longe possível.

 

 CAIXA ALTA

 

Um destino

- Hollywood

 Um livro

- O Principezinho

 Uma música

- We are de world

 Um ídolo

-O meu pai

Um prato

- Açorda alenteja

Um conceito

- Tudo que há-de ser meu já me está destinado

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 11:07

LUIS GONELHA

 “QUERO DEVOLVER NOTORIEDADE A SETÚBAL”

 

Luis Gonelha é o responsável máximo da concelhia de Setúbal do Partido Socialista. Foi deputado na Assembleia da República, seguindo, quase as pisadas do pai, Maldonado Gonelha, figura importante entre os socialistas. Ateu convicto acha que a criação do Homem se deveu a evolução genética. Para si falta solidariedade entre os líderes mundiais e é povo quem mais sofre com esse facto. Quer devolver notoriedade a Setúbal, cidade que elege como destino preferido. Não dispensa a sardinha assada e tem no guarda-redes Bento, o seu maior ídolo

 

Como foi a sua infância?

- Foi feliz com muita brincadeira de rua como a bola, o pião, o prego, o berlinde, eu sei lá. Fui criado no bairro dos Pinheirinhos, em Setúbal. Tinha muitos amigos. Ainda hoje nos reunimos pelo Natal, em almoço de confraternização. Na escola era um aluno razoável, um pouco irrequieto. Tinha uma boa vida familiar. O meu pai foi ministro por duas vezes e deputado na Assembleia da República, tudo após o vinte e cinco de Abril. A minha mãe cuidava de mim e do meu irmão. Acho que tive uma infância própria de quem mora num bairro de cidade.

O primeiro amor...

- Talvez com catorze anos. Era uma vizinha muita gira com quem brincava. Mas nunca namorámos. Eu gostava bastante dela. Hoje somos bons amigos.

E o primeiro emprego…

- Nas Minas de Aljustrel, como engenheiro estagiário na produção de mina. Andava lá bem no fundo da mina. Ganhava cerca de cento e cinquenta contos (setecentos e cinquenta euros).

Como é a sua casa, como a define?

- É uma vivenda familiar com piscina e barbecue para conviver com os amigos. É uma casa muito boa para os nossos filhos. O sitio é muito calmo e tranquilo que nos dá um enorme prazer.

O que pensa do mundo?

- Olho com alguma apreensão para o mundo actual não só pela crise económica e financeira mas também pelo crescendo de falta de valores. Falta solidariedade entre os líderes mundiais. Hoje o centro das atenções deslocou-se para a parte financeira. Nota-se uma grande falta de humanismo.

Como se ultrapassa a crise?

- De duas formas: primeiro centrar novamente o ser humano nas prioridades políticas de governação. Depois a política tem que sobrepôr-se novamente a uma entidade abstracta que é a economia.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Só profissionalmente. Ainda há um longo caminho que a sociedade tem que percorrer e eu quero contribuir para isso. Portugal, ainda tem muita pobreza e enquanto assim for não nos podemos sentir realizados humanamente.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Não acredito num ente superior, sou ateu. O Homem apareceu no planeta Terra, pela sua evolução genética. Deus é, apenas, uma criação do Homem.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Nunca fiz nada de que me pudesse arrepender. Talvez tivesse evitado algumas discussões sobre divergências fúteis que nunca levam a nada 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Depois da minha passagem como deputado do Partido Socialista, na Assembleia da República regressei às Estradas de Portugal, como quadro técnico superior. Sou presidente da concelhia de Setúbal do PS. O meu grande projecto de futuro passa por tentar que a gestão política de Setúbal, seja diferente e que devolva ao concelho a notoriedade que outrora já teve.

  

CAIXA ALTA

 

Um destino

- Setúbal

Um livro

- O monge e o venerável

Uma música

- We are de champions

Um ídolo

- Bento

Um prato

- Sardinha assada

Um conceito

 - Humildade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 11:00

LUIS ALELUIA

 “A MINHA VIDA É UMA LUTA CONSTANTE”

 

Luis Aleluia ficou imortalizado na figura do irrequieto e traquinas Menino Tonecas. Actor há mais de trinta anos começou a carreira no Teatro de Animação de Setúbal e é hoje proprietário de uma empresa de espectáculos. Para Aleluia, o Homem criou Deus para arcar com as suas asneiras. A sua casa é o refúgio onde sonha voar mais alto e a Zita, o seu grande amor de sempre. Adora arroz de cabidela e a visão que tem do mundo é que está cada vez mais redondo e egoísta. Não esquece o livro da infãncia “Meu pé de laranja lima”

 

 Como foi a sua infância?

- Despreocupada!.. Dividida entre o Bairro Santos Nicolau, a “Quinta das àguas da Bela Vista”, As praias de Vila Maria... Naquela altura o nosso mundo era mais pequeno.

O primeiro amor...

- O mesmo de hoje, a Zita! O meu outro lado, mais assertivo e prático. A metade perfeita que falta aos sonhadores, que é como me considero.

E o primeiro emprego…

- Actor no Teatro de Animação de Setúbal. Devia ganhar sete contos e quinhentos, em moeda antiga. E contínuo nesta profissão, com o Teatro a fazer-me companhia, não só como actor mas também como produtor.

Como é a sua casa, como a define?

- Acolhedora. É o meu refúgio. Um ninho onde sonho que posso voar sempre mais alto!

O que pensa do mundo?

- Está cada vez está mais “redondo”, mais fechado sobre si mesmo, egoísta e cruel.

Como se ultrapassa a crise?

- Dizem alguns “experts” que por vezes, é com fogo que se apaga o fogo. que, aliás, é o que, de certo modo, se anda para aí a fazer que é combater a crise arranjando outras. Só espero que no rescaldo não sejam os que sempre tiveram pouco para queimar que acabem por se queimar ainda mais.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- A minha vida é um luta constante rumo à perfeição e ao bem- estar. A isso obriga-me também a profissão que escolhi, pelo que, no dia em que me sentir realizado humana e profissionalmente, rendo-me.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus? 

- Foi o homem quem criou Deus para que alguém pudesse arcar com as culpas das asneiras que o homem faz.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- O sexo! Tenho noção que , com o que sei hoje, algumas “performances” sexuais poderiam ter corrido muito melhor!

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou actor profissional e faço a gestão artística e comercial dos projectos da CARTAZ, que é a minha empresa de espectáculos. Ao mesmo tempo dou uma “mãozinha” na Casa do Artista promovendo a animação sócio- cultural. E estudo Ciências da Comunicação, na Universidade Nova. Quanto ao Futuro, para além da conclusão da licenciatura, gostava que ele me continuasse a trazer a realização dos projectos pessoais e profissionais, como tem acontecido até no passado.

 

CAIXA ALTA

 

Um destino

- Cabo Verde (Ilha da Boavista)

Um livro

- Meu pé de laranja lima

Uma música

- No teu poema

Um ídolo

- Padre Américo

Um prato

- Arroz de cabidela

Um conceito

 - Nada é por acaso, mesmo que o acaso dê em nada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:54

CELESTINA NEVES

 “AS FREGUESIAS SÃO AS CATEDRAIS DA DEMOCRACIA”

 

 Celestina Neves é autarca em Azeitão e gosta do cargo que ocupa pela proximidade que isso implica junto dos seus concidadãos. Católica frequentou um colégio de freiras na Guarda, cidade onde conheceu o seu primeiro amor às escondidas das religiosas. Em criança teve toda a liberdade para brincar mas aos dezoito anos já leccionava em Oleiros, no ensino básico. O mundo traz-lhe preocupações acrescidas pelo facto de ser avó. Pede desculpa se foi injusta mas acredita que nunca o terá sido de forma consciente ou deliberada. Nèlson Mandela é o seu ídolo maior.

 

Como foi a sua infância?

- Foi muito feliz. Sou natural de Ourondo (Covilhã), onde morei até aos dez anos. Na altura já existia parque infantil, jardins e ringue de patinagem onde eu brincava muito. Tinha toda a liberdade do mundo para brincar. Ourondo é uma terra com muita água, onde passam dois rios, um é o Zêzere.

O primeiro amor...

- Estava num colégio de freiras, na Guarda e deveria ter quinze anos. Foi um amor platónico por um rapaz que também gostava de mim. As freiras nunca descobriram.

E o primeiro emprego…

- Professora do ensino básico, em Oleiros, com dezoito anos. Tinha quatro turmas e trinta e oito alunos. Ganhava cerca de dois mil e cem escudos, na antiga moeda.

- Como é a sua casa, como a define?

-É um lar muito familiar, tranquilo, com muito amor, solidariedade e respeito pelas diferenças de cada um.

O que pensa do mundo?

- Talvez porque já sou avó preocupa-me bastante. Os nossos filhos tiveram uma vida bastante facilitada. Os pais foram uma autêntica almofada. Eles foram levados ao colo. Agora a pergunta coloca-se ao nível dos nossos netos. Os nossos filhos, já adultos e pais não conseguem dar-lhes a mesma vida, ser a mesma almofada. Estou bastante preocupada com o futuro deles.

Como se ultrapassa a crise?

- Com trabalho, sem dúvida. Mas também com maior justiça social e mais solidariedade. As riquezas do mundo não podem continuar nas mãos de meia dúzia. Infelizmente o poder ainda está concentrado numa pequena minoria.

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

- Muito. Atingi os meus objectivos. Fui lutadora naquilo em que acreditava, nas boas causas. Profissionalmente tive uma vida cheia. A vida de autarca de junta de freguesia preenche-me pela proximidade que se tem com os cidadãos e os seus problemas e anseios. Dá-nos, muitas vezes, a possibilidade de resolver questões no imediato. As freguesias são a catedral da democracia.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Sou crente, portanto, acho que Deus criou o Homem. A minha crença surge pela educação que recebi na infância e, vida fora, descobri que a fé é um suporte na nossa vida. Por outro lado penso que o mundo não poderá ser obra do acaso.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Nada. Não estou arrependida de coisa alguma. Posso ter feito mal a alguém mas nunca o fiz de forma consciente ou deliberada. Se fui injusta sou a primeira a pedir desculpas. 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou presidente da Junta de Freguesia de S. Lourenço, em Vila Nogueira de Azeitão. No futuro vou continuar o meu trabalho por aqui e ser, cada vez mais, melhor pessoa, melhor mãe, avó e amiga.

 

CAIXA ALTA

 

Um destino

- África

Um livro

- A mãe

Uma música

- Qualquer uma dos Beatles

Um ídolo

-Nélson Mandela

Um prato

- Cozido à portuguesa

Um conceito

- Solidariedade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:49

CARLOS ALMEIDA

 “FUI PAI NO DIA EM QUE AS TORRES GÉMEAS CAÍRAM”

 

Carlos Almeida é um homem disponível para o seu partido. Autarca por convicção política tenta mudar o quotidiano das pessoas para melhor. Acha que a toga da advocacia consigo ficou bem representada e surpreende-se pelo facto do mundo parecer estar a recuar a meados do último século no que toca a justiça e igualdade. Foi o Homem quem criou Deus, porque tinha necessidade de explicar-se a si próprio. Admirador de Lenine, gosta de chocos com tinta e elege a Moita, como o seu principal destino. O amor só aconteceu aos vinte e cinco anos

 

Como foi a sua infância?

- Foi agradável. Proporcionou-me conhecer sítios distintos por força da profissão do meu pai que trabalhava na Fábrica de Cerâmica Lusitânia e deslocava-se para vários pontos do país. Assim passei pelo Barreiro, Moita, Portalegre e Setúbal. Foi uma infância muito viajada sempre a conhecer novos locais e gentes. No entanto aprendi a brincar sózinho pelo facto de morarmos nas imediações das fábricas e longe dos centros urbanos. Na escola era muito bom aluno e tanto assim era que da primária apenas eu e outro colega atingimos a formatura.

O primeiro amor...

- Não me deixava apaixonar. Talvez fosse uma defesa. O primeiro amor aconteceu muito tarde quando já tinha vinte e cinco anos. Foi o amor de um professor por uma aluna. Devo dizer que ela na altura já era maior de idade.

E o primeiro emprego…

- Com catorze anos como explicador de várias disciplinas. Talvez ganhasse à volta dos sete euros e meio na nova moeda.

Como é a sua casa, como a define?

- É o meu refúgio. É onde guardo maior parte dos meus quadros (sou artista plástico). Passo muitas horas no meu escritório pejado de livros e à volta do computador a desenvolver trabalho autárquico e de advocacia.

O que pensa do mundo?

- Penso que o mundo me surpreendeu muito nos últimos anos e pela negativa. É um mundo com muita desigualdade e injustiça, realidades que julgava ultrapassadas.  Parece que estamos nos medos do século vinte.

Como se ultrapassa a crise?

- Da mesma maneira que ela foi ultrapassada em meados do século passado, pela luta dos povos, pela sua emancipação, dignidade e direitos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Sim. Consegui descobrir em mim a capacidade para ser um bom pedagogo. Por outro lado sou um advogado que deixou a toga bem representada e como eleito tenho feito o possível para tentar transformar o quotidiano das pessoas, para melhor. Como homem fui pai no dia em que caíram as torres gémeas na América. Paradoxalmente esse foi um dia muito feliz para mim.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Para mim foi o Homem quem criou Deus, porque lhe fazia muita falta para fornecer uma explicação lógica para a sua ignorância em relação à sua própria existência e, mais tarde, para legitimar o exercício do poder. 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Teria procurado ter concluído a minha formação académica mais cedo.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

 - Sou presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, em Setúbal e acessor do grupo parlamentar do Partido Comunista, na Assembleia da República. De futuro continuo disponível para o meu partido até achar que tenho condições para corresponder.

 

CAIXA ALTA

 

Um destino

- Moita

Um livro

- A palavra

Uma música

- Grândola vila morena

Um ídolo

- Lenine

Um prato

- Chocos com tinta

Um conceito

 - Quem sabe faz a hora não espera acontecer

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:42

 

ADILO COSTA

“ESFORÇO-ME POR SER COERENTE”

 

O Dr. Adilo Costa é vereador no município de Palmela. Nasceu no Sabugal, mas cedo rumou à vila de Sesimbra e pouco depois a Setúbal. Oriundo de família numerosa tem várias recordações de infância e um primeiro amor não correspondido. Comunista por convicção é um homem de fé sendo crente em Deus, apesar de não rezar nem frequentar missas. O seu maior ídolo foi o seu avô materno, homem de luta. Pensa que a crise nacional se resolve com a reestruturação da dívida e apela ao desenvolvimento do país com trabalho e riqueza

 

Como foi a sua infância?

- Feliz. Era o menino da família, o filho mais novo. Lembro-me que brincava muito. Morei no Sabugal, onde nasci, em Sesimbra e em Setúbal. A vida em Sesimbra era muito gira. Tenho recordações da venda do peixe espada na praia e da forma peculiar como vivia a comunidade piscatória. Curiosamente frequentei sempre as escola Conde de Ferreira, tanto em Sesimbra como em Setúbal. Era um bom aluno. Comia sempre peixe muito fresquinho porque o meu avô era pescador. Éramos uma família numerosa. 

O primeiro amor...

- Foi no bairro onde morava. No Rio da Figueira, em Setúbal. Até criei um clube de futebol para ficar mais tempo por ali perto dela, para tentar namorá-la. Só que nunca fui correspondido. Uma desgraça... 

E o primeiro emprego…

- No Parque de Campismo da Toca do Pai Lopes, em Setúbal, com dezasseis anos, como recepcionista. Ganhava cerca de mil escudos. 

Como é a sua casa, como a define?

-É o meu castelo. Sempre me senti bem na minha casa porque estou entre os meus. É uma casa muito aberta à família e aos amigos. É acolhedora e tranquila, muito ampla. 

O que pensa do mundo?

- Em determinada altura pensei que já tinha visto tudo. Não foi bem assim. Passei o milénio e  isso foi positivo. Surpreende-me que estejamos a recuar quase dois séculos em termos de condições de vida e direitos. Mas também pode significar o fim desta economia tão dependente de interesses. Mas temos que lutar para que isso aconteça.

Como se ultrapassa a crise?

- A nível nacional só com a reestruturação da dívida como, aliás, tem sido apontado por alguns Prémio Nobel da economia. Depois desenvolvendo economicamente o país criando trabalho e riqueza. O problema é que o povo não tem mais por onde pagar. 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Nunca nos sentimos realizados. Esforço-me por ser coerente. Tenho, ainda, muitos projectos para o futuro.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Uma pergunta muito difícil. Sou um comunista que acredita em Deus. No entanto não sou um católico praticante daqueles que reza muito e vai à missa. Tenho a minha fé. 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Sou muito autocrítico. Algumas atitudes mais radicais certamente hoje não as tomaria. Foram próprias da juventude e da inexperiência.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou vereador dos pelouros da cultura, desporto, educação e intervenção social na Câmara de Palmela e advogado mas não exerço nesta altura. Tenho muitos projectos profissionais para o futuro tanto na área da advocacia como no movimento associativo.

 

CAIXA ALTA

 

Um destino

- Praia da Arrifana 

Um livro

- Subterrâneos da liberdade

Uma música

- Os vampiros 

Um ídolo

-O meu avô materno

 Um prato

- Caldeirada

 Um conceito

- O carácter, a dignidade e a honra formam o Homem e são a melhor demonstração da sua emancipação

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:37

 

ANTÓNIO APARÍCIO

 “ESTAMOS DE FÉRIAS NESTE MUNDO”

 

 António Aparício queria recuar trinta anos no tempo para continuar a jogar futebol. De resto não mudaria mais nada na sua vida onde tem um excelente casamento, muitos amigos e um óptimo clima profissional. Natural do Paúl (Covilhã), elege a sua terra natal como o seu destino preferido. Deus criou o Homem que não percebe que está de férias neste mundo que destrói e complica com guerras. A sua mulher foi o primeiro e único amor. Da infância recorda os tempos em que com os pai emigrou para França

 

Como foi a sua infância?

- Foi gira. Normal para aquele tempo. Era um brincalhão embora nunca fosse bom aluno na escola. Aos 11 anos fui para França, com os meus pais e a adaptação foi um pouco complicada. Tive que aprender a língua, os costumes. Era uma vida diferente.

 Como eram os seus pais?

- Deram-me muito carinho, amor e dedicação. Foram os melhores pais do mundo. O meu pai era electricista na EDP e a minha mãe era doméstica. Criaram cinco filhos. Foi obra! O meu pai tem oitenta e um anos e ainda toca saxofone e ensaia o rancho folclórico lá do Paúl.

O primeiro amor…

 - Foi a minha mulher. Começámos a namorar tinha eu 18 anos. Foi sempre o amor da minha vida.

E o primeiro emprego…

 - Foi em França, numa fábrica de peças para automóveis.

O que pensa do mundo?

- Está complicadissimo. Acho que estamos de férias neste mundo e as pessoas não as sabem aproveitar. Deveria de existir mais compreensão. As guerras não levam a lado algum.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Sinto pois. Tenho um bom casamento, uma filha, amigos, um emprego e estou no meu Vitória de Setúbal. Que mais posso pedir?...

A família, que importância?

 - Muita. È fundamental, a base do equilíbrio, o nosso sustento. Se estivermos bem em casa  com os nossos estamos bem em todo o lado.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Foi Deus quem criou o Homem. Os meus pais ensinaram-me isso e nunca duvidei porque os nossos pais são os nossos heróis. Continuo a seguir nessa aprendizagem.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Se pudesse voltava trinta anos atrás mas para continuar a jogar futebol. De resto não mudaria mais nada.

 Que faz no presente e que projectos para o futuro?

 - Sou técnico de vendas no concessionário Citroen de Setúbal e vice-presidente no Vitória de Setúbal, para a área do futebol. Não tenho mais planos para o meu futuro.

 

 CAIXA ALTA

 

 Um destino

 - Paúl (Covilhã)

 Um livro

 - A opereta dos vadios

Uma música

 - She

Um ídolo

 -O meu pai

Um prato

 - Sardinhas assadas

 Um conceito

 - Ter uma boa família, amigos e sentir bem é meio caminho andado

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:32

MARIA AMÉLIA ANTUNES

 “O MUNDO CORRE O RISCO DE SE TUMULTUAR”

 

A Dra. Maria Amélia Antunes é presidente da Câmara Municipal do Montijo. Oriunda da Beira Alta, não esquece a professora que a preparou para a admissão ao Liceu Nacional de Viseu e recorda, com carinho tempos de criança passados entre as brincadeiras e a ajuda nas tarefas do campo. Realizou o sonho de ser advogada e diz ser autarca para contribuir para o bem estar colectivo. Começou a trabalhar com quinze anos e dedicou a sua vida a causas e convicções. Define-se como workaólica (trabalhadora incansável) e acredita que o mundo e a crise só mudarão com a reposição de valores morais e sociais.

 

Como foi a sua infância?

- Foi uma infância irreverente numa aldeia da Beira Alta, Pinheiro de Azere, no concelho de Santa Comba Dão, até aos 11 anos de idade. Tenho gratas recordações da minha professora da quarta classe que me preparou muito bem para fazer o exame de admissão ao Liceu Nacional de Viseu, em 1963. De resto, brinquei bastante com os meus amigos como jogar á bola, saltar à corda, às escondidas, eu sei lá. Mas também já ajudava a minha mãe, os meus avós e as minhas tias nas tarefas rurais como ir buscar água á fonte, tratar dos animais. Tinha uma cabra á qual tirava o leite para beber. Foi muito divertido.

O primeiro amor...

- Foi com um colega da aldeia. Eu já lá não morava. Tinha 14 anos e ía lá passar férias. Ele até me escreveu uma carta a pedir namoro e acabámos mesmo por namorar de forma inocente, claro.

E o primeiro emprego…

- Fui assalariada rural, com 15 anos, na quinta do senhor João Esteves de Oliveira, na Atalaia e ganhava 25 escudos. Ajudava nas tarefas agrícolas.

Como é a sua casa, como a define?

- O meu porto de abrigo. É lá que eu tenho a minha vida. É acolhedora, tranquila e com muitos papéis e livros para arrumar (risos). Fica no Montijo.

O que pensa do mundo?

 - É uma grande questão nos dias que correm. O mundo corre o risco de se tumultuar, isto é, não é seguro, não dá confiança e limita a esperança em algo melhor. No entanto, noutros momentos da humanidade, que também foram difíceis, o Homem conseguiu superar as dificuldades. Estamos num tempo de mudança que, espero, seja para melhor.

Como se ultrapassa a crise?

 - Pelo retorno aos valores humanos, particularmente, aos da solidariedade, igualdade e justiça social sendo que o valor supremo, para mim, é o da liberdade que coexiste dentro e fora de nós. Há outra valor que é a responsabilidade individual e colectiva.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Estou bem comigo mas confesso que, desde que me conheço, sempre quis ser advogada não para enriquecer mas com um profundo sentimento de justiça. Realizei esse meu objectivo e, felizmente, fui bem sucedida tomando, paralelamente, a consciência da necessidade de participar cívica e politicamente na sociedade. Daí que hoje seja presidente do município do Montijo. Todavia mantenho o desejo de continuar a contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada. Estou de bem comigo e com a vida.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Muito complicado. Nunca abordei esse assunto dessa forma. Respeito as duas correntes.

 Se o mundo terminasse amanhã o que faria hoje?

 - Reunia a família e os amigos para terminarmos juntos. Mas isso, felizmente, não vai acontecer.

A idéia que os outros têm de si corresponde àquilo que lhes tenta transmitir? Como se define?

 - As pessoas que me conhecem bem devem ter uma imagem correcta daquilo que sou e lhes transmito. Acho que sou uma pessoa responsável, workaólica, teimosa, persistente, de convicções e causas.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Continuava a desenvolver o trabalho que tenho realizado com a consciência da relatividade das coisas.

 

 CAIXA ALTA

 

 Um destino

 - Nova Iorque

 Um livro

- Os subterrâneos da liberdade

 Uma música

- Diamond´s and rust

 Um ídolo

- Mário Soares

 Um prato

- Caldeirada à pescador

 Um conceito

 - Honestidade

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:23

RICARDO

 “HÁ POUCAS NOTÍCIAS POSITIVAS”

 

Ricardo assume-se como um homem transparente, sem rancores nem segredos, amigo do seu amigo. Teve uma infância feliz onde nada lhe faltou e isso é o que mais quer proporcionar aos seus dois filhos. Sente-se um homem realizado mas, ao mesmo tempo, preocupado com quem mais sofre nesta sociedade onde, diz, é necessário cada um dar mais de si para que a riqueza não seja palavra vã. A sua alcunha é o Labreca e assim ficou conhecido num meio que já lhe deu enormes alegrias como o título de vice campeão europeu, em futebol. Cristo sacrificou-se pelo Homem que, se explica através de Deus

 

 Como foi a sua infância?

 - Foi uma infância feliz, nunca me faltou nada. Os meus pais sempre trabalharam para que nada faltasse, nem a mim, nem ao meu irmão, que é mais novo. No fundo uma bola era tudo o que desejavamos para sermos felizes. Na escola fui sempre muito bom aluno até ao 12º ano. Tenho gratas recordações de alguns professores. Depois fiz as brincadeiras normais de qualquer criança como jogar á bola, ao pião, o ferrinho, eu sei lá. Com 10 anos fui jogar no União da Graça, já como guarda redes. A minha alcunha era o Labreca. Ainda hoje os meus amigos me chamam assim. Depois transitei para os Unidos, onde fui campeão distrital em infantis. Éramos os melhores jogadores da região. Finalmente, ainda como jovem, ingressei no Montijo, onde fui juvenil e junior.

 O primeiro amor...

 - Foi a minha mulher. Tínhamos oito anos quando nos conhecemos na mesma ama que já dizia que nos havia de ver casados. E acertou. Apesar de, mais tarde, a escola nos ter separado acabámos por namorar e casar.

 E o primeiro emprego…

 - A distribuir folhetos por todo o país para a GrafisDecor. Ganhava 4 a 5 contos por dia. O dinheiro que juntava era para ir de férias. Comecei com 16 anos.

 Como é a sua casa, como a define?

 - Uma casa de família, muito alegre, graças a Deus, com muita gente. Tenho 2 filhos, o Tiago, com 8 anos e o Ricardo, com 2. Eles são a principal alegria da nossa casa. É uma casa tranquila num sítio pacato de Azeitão.

 

 O que pensa do mundo?

 - O panorama não é famoso. Os mais necessitados estão a fazer muitos sacrifícios. Isto tem que dar uma volta grande. Eu sou optimista mas vejo que isto não está bem. No entanto, penso que as coisas um dia vão fluir mais positivamente, com mais trabalho e emprego e, talvez, a riqueza seja maior.

 Como se ultrapassa a crise?

 - Segundo dizem esta é a pior das crises. Todos os dias a informação, os media, nos mostram tragédias e miséria. Há poucas notícias positivas. Temos que puxar pelas coisas boas, trabalhando, indo à luta. As pessoas não podem sofrer tanto. Quem trabalha cada vez tem menos e os que governam têm mais. Já existem pessoas que roubam para comer.

 Sente-se realizado humana e profissionalmente?

 - Nunca me queixo. Quero sempre mais, chegar sempre mais longe. Quero ter novas experiências positivas. Nunca estou contente. As relações pessoais são as que nos tornam maiores em termos de riqueza. Não gosto da ingratidão, da falsidade e da inveja. Temos todos que dar um bocadinho mais de nós. Acho que podemos, sempre, ser melhores.

 Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Eu não estava cá, não me lembro. Sou católico não muito praticante. Acho que foi o Homem quem criou Deus. Jesus Cristo foi um homem que se sacrificou por nós, para sermos melhores. Deus é uma necessidade que assiste ao Homem para se explicar a si próprio.

  Se o mundo terminasse amanhã o que faria hoje?

 - Nem quero pensar nisso. Prefiro não saber. O tempo que temos por cá é muito limitado e nunca sabemos quando termina.

 A idéia que os outros têm de si corresponde àquilo que lhes tenta transmitir? Como se define?

 - Nem toda a gente. Quem me conhece sabe quem eu sou. No fundo sou um homem transparente que não guarda segredos nem rancores. Quando me magoam prefiro ignorar. Eu respeito as pessoas . Tenho alguns amigos e muitos conhecidos.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Já escrevi o livro, plantei a árvore e tenho os filhos. Quero continuar a ser feliz com a minha família. Acho que não mudaria nada. Não faço idéia.

 


CAIXA ALTA

 

 Um destino

 - Algarve

 Um livro

 - O meu “Ricardo diário do sonho”

  Uma música

 - More than words

  Um ídolo

 - O meu pai

  Um prato

 - Arroz de pato

  Um conceito

 - Honestidade

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:16

VITOR RAMALHO

“O MUNDO É INJUSTO E ESTÁ A PREMIAR OS MEDÍOCRES”

 

O Dr. Vitor Ramalho é presidente da Fundação Inatel e da Federação de Setúbal do Partido Socialista. Define-se como um sonhador e gostaria de ver os poetas a comandar o mundo. Detesta os medíocres e os resignados e acredita que o mundo está em rotura e que irá mudar para melhor com o aparecimento de homens e mulheres de coragem. Nasceu em Angola e fala com paixão de Caala, sua cidade Natal. Foi responsável pela iniciativa do acordo de Bicesse e tem pena de não poder contribuir ainda mais, politicamente, para o bem estar de Portugal. Gosta de muamba e define-se como um entre biliões de seres humanos.

  

Como foi a sua infância?

 

 - Foi passada em África. Nasci no planalto central de Angola, numa pequena terra chamada Caala, onde estive até aos dezassete anos. As imagens que tenho da minha meninice são fortes, um arco-íris das chuvas tropicais, as brincadeiras com os meninos de várias cores, a natureza, a escola onde tive dois professores na primária que me ensinaram a ler e a escrever. A minha terra deu várias figuras públicas como Vitor de Sá Machado, o Camilo e o França, que foram jogadores do Sporting e da Académica de Coimbra. Aliás, o França chegou a Chefe General Maior das Forças Armadas angolanas com o nome de guerra N’Dalo. O Raúl Ouro Negro e outros. Foi uma infância feliz na companhia dos meus pais (mãe angolana e pai das Caldas da Rainha) e do meu irmão, que é mais velho.

O primeiro amor...

  - Uma coisa de miúdos. Aconteceu nos primeiros anos de Liceu, na antiga Nova Lisboa. Senti que estava apaixonado pelas brincadeiras e atitudes que temos diante do primeiro amor. Ela é hoje uma das mais prestigiadas advogadas de Angola e ficou sempre em Luanda.

 E o primeiro emprego…

 - Nas Construções Técnicas, na altura a maior empresa de obras públicas do país e a maior escola de formação técnica neste dominio, que existia. Fez as obras mais significativas de Portugal, antes do 25 de Abril, de 74. Entrei como licenciado em direito, com vinte e um anos.

Como é a sua casa, como a define?

  - Não é uma casa que exiba a toda a gente. Gosto dela e das minhas coisas. Tem quadros pintados por mim e desenhos que também faço. Acho que é uma casa absolutamente normal.

 O que pensa do mundo?

  - Penso que é injusto e está a premiar os medíocres incluindo os bandidos que hoje dominam a economia e as finanças, com agiotas sem valor. Mas vai mudar para melhor como sempre sucedeu na história da humanidade com a rotura e com homens e mulheres de coragem que surgem sempre nestas alturas. Tenho pena deste mundo dominado pelo dinheiro e política subordinada às finanças e aos mercados. Acredito no ser humano.

 Como se ultrapassa a crise?

  - Vai-se ultrapassar: a Europa começou a ser forçada a perceber que tinha de resolver o problema da Grécia, sob pena de sucumbir e vai fazê-lo apoiando-a financeiramente. A seguir a banca vai ser recapitalizada o que vai dar uma certa estabilidade. Finalmente surgirá a rotura mais tarde para recompôr tudo isto, caso não se vá ao fundo das questões.

 Sente-se realizado humana e profissionalmente?

  - Sim, nunca desisto daquilo que acho justo e correcto. Posso olhar-me ao espelho. Profissionalmente gostava de ter dado um melhor contributo político maior ao país. A minha idade já não me deve permitir que dê o quanto acho que ainda poderia dar. Embora, com alguma vaidade, diga que fiz coisas importantes para o país. Foi através do meu contributo, e de mais quatro luso-angolanos, por exemplo, que houve a paz para Angola em Bicesse.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Foi o Homem quem criou Deus. Nós estamos hoje a 17 milhões de anos luz do termo do universo que, como sabe está sempre em expansão, Deus também o estará. Logo foi o Homem quem o criou. Por isso o mundo é tão injusto, porque também humano e nunca se saberá qual será o centro dele. O centro está em toda e qualquer parte. Tudo é centro.

Se o mundo terminasse amanhã o que faria hoje?

 - A mesma coisa. Era totalmente inútil mudar de vida.

Que lhe falta realizar?

  - Tudo. A vida é um recomeço permanente. Gostava de voltar a ver um mundo onde os poetas tivessem força, o sonho comandasse porque não há outra verdade tão pungente como a de Gedeão: “o sonho comanda a vida”. Tudo nasceu do sonho.

A idéia que os outros têm de si corresponde àquilo que lhes tenta transmitir? Como se define?

  - Não faço idéia. Não me julgo a mim próprio. Só tem grandes amigos quem tem grandes inimigos. Os amorfos não têm nem uma coisa nem outra. Quem não quer mudar são os resignados. Sou um entre biliões de seres humanos. Ninguém me é indiferente embora na política abomine a mediocridade e a intriga, hoje tão em voga pela queda dos valores.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Acho que não mudaria nada. A vida que tracei até hoje tem feito sentido. Não penso que a minha vida poderia ter sido melhor se tivesse feito coisas diferentes.

 

CAIXA ALTA 

 

Um destino 

- Caala

 Um livro

 - O Processo

Uma música

 - A dança do fogo

Um ídolo 

 - Gandhi

Um prato

  - Muamba

Um conceito

 - Liberdade

 

 


 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:03

Novembro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO