Entrevistas de JoaQuim Gouveia

16
Nov 13

 

“Perdeu-se o espírito de entreajuda”


Discjokey há vinte anos em Setúbal, nasceu na capital do Sado há 35 anos e foi criado no bairro do Viso. De origens humildes e muito bem disposto com a vida, viu no seu avô paterno o seu herói que lhe deu a mão quando mais precisou.

Considera que a ganância pelo poder adoece o mundo e que as pessoas estão mais egoístas. A comemorar vinte anos de carreira, prepara-se para apresentar o “filme” da sua vida: “20 anos, 20 momentos”

 

Como foi a sua infância?

A minha infância foi passada em duas zonas da cidade de Setúbal. Fui criado no bairro do Viso, mas os grandes momentos da minha infância foram passados no bairro Santos Nicolau, onde residia a família da minha mãe. Foi aí que eu conheci os meus primeiros amigos, onde tive as minhas primeiras brincadeiras, onde saltei um muro pela primeira vez e fui muito feliz

 

O primeiro Amor…

Foi uma colega de escola, frequentava o ciclo, tinha cerca de onze ou doze anos, era uma menina filha de um casal amigo dos meus pais.

 

E o primeiro emprego…

Tinha dezasseis anos, fui convidado por um amigo para fazer um trabalho de discjokey num bar em Tróia, precisamente na fase crítica da Torralta. Foi um trabalho de cerca de seis meses

 

Como define a sua casa?

Não é a casa dos meus sonhos mas é a minha casa. Era a casa da minha avó e vivo lá há 35 anos. E como prova de amor a essa casa, ainda hoje moro lá com a minha mulher e o meu filho. É onde me sinto bem, onde eu tenho o meu mundo, onde estão as boas e as más recordações. Já lá perdi duas pessoas muito queridas da minha vida

 

O que pensa do mundo?

Vejo o mundo doente como não o via há trinta anos atrás. Os grandes governantes deste mundo põem-no doente. No século XX, existiram grandes ditadores, senhores muito bons e senhores muito maus. Este mundo nunca esteve de boa saúde, esteve sempre com alguma doença. Teve a primeira Grande Guerra, a segunda e a terceira penso que a vivemos desde que a segunda acabou. As pessoas que o governam mantêm o mundo doente, mas penso que entre eles existe meia dúzia de cabeças que seriam capazes de levar o mundo a bom porto. No entanto, a ganância pelo poder faz com que os bons não o transportem para um mundo melhor. Sinto que há cura porque há já pessoas que olham o mundo de maneira diferente

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não me sinto ainda realizado profissionalmente. Com trinta e cindo anos, vinte de carreira como discjokey, falta-me realizar ainda muitas coisas. A minha profissão é de horizontes abertos, estou sempre a aprender, nunca me considerei dono e senhor da razão, nem sou o senhor que sabe tudo e mais alguma coisa. Os que começam agora a sua carreira como disckjokey tomam-me como uma referência. Mas sou capaz de aceitar as mais diferentes críticas, das mais variadas idades. Ainda tenho muito a aprender.Ao nível pessoal, gostava de ser pai outra vez, mas de uma menina

 

Como se resolve a crise?

Se deixarmos de dizer a palavra crise, ela resolve-se. A crise não existe. A comunicação social deturpa a palavra crise de uma forma que faz com que as pessoas andem assustadas e fez com que os portugueses perdessem os valores de há três anos a esta parte. Perderam-se valores como a educação, deixaram de olhar para o próximo e começaram a olhar mais para dentro. Antigamente, ajudavam-se mais uns aos outros. Falta-lhes o espírito de entre-ajuda. Perdeu-se o lema dos mosqueteiros de “um por todos e todos por um”. Hoje é cada um por si

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem que criou Deus?

Esta questão faz lembrar a típica questão de quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha. Mas penso que foi Deus que criou o Homem, embora não seja crente em Deus. Acredito que houve uma força superior, e que existiu uma pessoa que fez com que todas as histórias fossem possíveis e fosse escrito um livro chamado Bíblia.  Deus criou o Homem mas o Homem já tentou transformar esse ser Superior. Como dizem os ditados antigos, “Jesus da Nazaré disse que o Homem tentou virar os tempos, mas Eu com o tempo virarei a vontade contra os Homens”. Tudo isto faz-me confusão. Acredito mais na Nossa Senhora de Fátima, porque há testemunhas que a Senhora apareceu. Se Deus na realidade existisse não havia tanta desgraça por esse mundo fora. Não havia tanta morte, tanta fome, tanta tragédia, não explodiam aviões nas torres

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não me arrependo nada do que fiz até hoje, com excepção de ter enganado a minha atual mulher durante algum tempo. Se pudesse voltava atrás, passava uma “borracha” gigante e apagava aquele tempo em que as hormonas falaram mais alto. Apagava esse momento da minha vida e o tempo que estive separado dela até nos reunirmos para realizarmos a nossa vida que já dura há dezoito anos. Quanto ao resto não mudava nem uma vírgula

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Estive ligado à SetúbalTV, durante dois anos, de onde trouxe uma “bagagem” enorme para os próximos tempos. Comemoro nos próximos meses, e até setembro do próximo ano, os meus vinte anos como discjokey. Em Setúbal, não é qualquer discjokey que consegue chegar a esta marca com a visibilidade que eu tenho. Vinte é um número gordo e merece ser comemorado de maneira diferente. Pensei em por em prática os conhecimentos que adquiri na SetúbalTV, os quais devo ao Luís Mestre, director do canal web. Resolvi fazer um documentário sobre a minha carreira. Começa precisamente em 1994, em Tróia, e que vai ser apresentado ao público em Setembro de 2014. Vamos passar em revista os vinte momentos mais altos da minha carreira, sem esquecer o nascimento do meu filho. Mas o cansaço da noite, a barba branca e os cabelos brancos não me vão permitir fazer mais vinte anos como discjokey, mas não garanto que não faça dezanove

 

 

CAIXA DE PALAVRAS

 

Um destino

Londres

 

 

Um livro

Anjos e Demónios

 

Uma Música

End Game (Megadeth)

 

Um ídolo

O meu avô paterno

 

Um prato

Caldeirada de choco

 

Um Conceito

Vive e deixa morrer

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 05:26

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