Entrevistas de JoaQuim Gouveia

27
Nov 13

 

“HÁ FALTA DE ESPÍRITO HUMANISTA”

 

Isaurindo Abegão, nasceu em Estremoz, mas diz-lhe filho de Setúbal desde há 64 anos. O seu primeiro amor aconteceu aos 16 anos e no seu primeiro emprego aprendeu os segredos do electricista-auto. Diz que o mundo é a maior desilusão que um ser humano pode ter e como é judeísta acredita que o Homem é criação de Deus, embora admitindo que existem “más obras”. Durante muitos anos desenvolveu atividade no ramo da mediação imobiliária. Hoje está reformado e aproveita o tempo para conviver com os seus amigos. Se pudesse voltar atrás mudaria tudo na sua vida

 

Como foi a sua infância?

Foi muito feliz. Sou alentejano, nasci em Estremoz e sou filho de Setúbal, há 64 anos. Vim para cá com sete anos de idade. A minha mãe era criada de servir em casa do Governador Civil e eu vivi à custa das esmolas que me davam todos os dias e que era um almoço e um jantar. Fiz a escola primária ainda em Estremoz

 

O primeiro amor…

Chamava-se Julieta e era irmã de um amigo meu. Eu tinha 16 anos. Foi um namoro que ainda durou bastante tempo até ter conhecido a minha mulher

 

E o primeiro emprego…

Nas oficinas do Custódio & Sérgio. Era aprendiz de eletricista-auto e ajudante do conhecido Rogério Ângelo. Ganhava sete escudos e cinquenta por semana

Como é a sua casa? Como a define?

É um apartamento arrendado. É a casa de um português pobre onde passa a maior parte do seu tempo.

 

O que pensa do mundo?

È a maior desilusão que um ser humano pode ter. Há muita falta de espírito humanista. As pessoas são escravas de uma sociedade muito pouco societária

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

A realização é uma meta inatingível. Aprendemos todos os dias que o tempo não está acabado. Penso que não há ninguém realizado

 

Como se resolve a crise?

Com desenvolvimento sustentável, emprego, trabalho e rigor e a não eliminação dos ricos mas sim a eliminação da pobreza e da miséria. Através de um socialismo tipo Champalimaud, em que ninguém precisa de ninguém e todos tenham o suficiente. Tão rico é o que lhe sobra como aquele que lhe basta  

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem. Sou judeísta. O Homem é uma criação de Deus, que não tem culpa de, por vezes, ter feito uma má obra

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudaria tudo. Faria tudo aquilo que não fiz e rejeitaria fazer muita coisa que fiz

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformado. O meu tempo é dedicado à leitura, ao convívio com os meus amigos e à dádiva à sociedade a que pertenço. O valor amizade é um pilar na minha vida. Sou um homem livre e de bons costumes e a obra não está completa enquanto cá andamos

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Israel

 

Um livro

As três irmãs chinesas

 

Uma música

Os índios da meia praia (José Afonso)

 

Um ídolo

Martin Luther King

 

Um prato

Todos

 

Um conceito

Não queiras para ti o que desejas aos outros

publicado por Joaquim Gouveia às 09:22

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