Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Out 14

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“O MUNDO ESTÁ TORNAR-SE IMPREVISÍVEL”

 

O Eng. Luis Rodrigues é vereador na Câmara Municipal de Setúbal, em representação do PSD. As suas origens remontam a Turquel – Alcobaça, mas viveu entre a Cova da Piedade e o Seixal, onde hoje reside. No colégio, ainda criança completou o ensino básico sempre com notas a merecer destaque no quadro de honra. O seu primeiro emprego apenas lhe deu experiência e na sua casa tem um painel com a representação do Cabo das Tormentas. Acredita que o mundo está em mudança acelerada e que a sede de poder origina ganância e desigualdades no mundo ocidental. É católico e crente em Deus. Se pudesse voltar atrás nada mudaria na sua vida e acredita que a crise nos acompanha há mais de um século. O seu livro preferido são “Os Maias”, de Eça de Queirós.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na maternidade Magalhães Coutinho, onde estive na incubadora durante 15 dias. Depois fui para casa dos meus avós paternos na Cova da Piedade. Com 3 meses fui para o Feijó e aos 3 anos para o Fogueteiro. Fiquei lá até aos 13. A minha origem é de Turquel – Alcobaça. Brincava muito na rua, andava de bicicleta. Frequentei o colégio Novo Dia, onde concluí o ensino primário. Estive sempre no Quadro de Honra do colégio. Os meus pais eram pequenos empresários. A fábrica deles ardeu completamente o que tornou a nossa vida um pouco mais difícil.

 

O primeiro amor…

Foi no colégio, com 8 anos e ela nem sabia. Chamava-se Kity e morava na Cova da Piedade.

 

E o primeiro emprego…

Num gabinete de engenharia e arquitetura em Almada. Fazia arquivo e, mais tarde comecei a desenhar. Tinha horário de trabalho mas não ganhava nada a não ser experiência.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É demasiadamente grande. Tem o que preciso e fica no Seixal. Está perto da família. É confortável. A decoração foi feita por mim e pela minha mulher. Os meus filhos moram connosco. Tenho um painel na entrada de uma parte interior (no hall), com a imagem do Cabo das Tormentas, desenhado pelo Pedro Fortuna, da Quinta do Anjo.

 

O que pensa do mundo?

Neste momento está numa mudança aceleradissima que nós não conseguimos compreender e acompanhar. Para os ocidentais há cada vez menos fronteiras. Há cada vez mais desigualdades, ganância e sede de poder. O mundo está a tornar-se imprevisível. Por outro lado o ocidente que era o centro do mundo diminuiu a sua grande influência e tende a equilibrar-se com o resto do globo. Nós, ocidentais queríamos criar o mundo à nossa imagem e esse espirito não está a ser assimilado pelo resto dos países. O ocidente está numa encruzilhada porque tem poder e não está a saber usá-lo à escala global onde, por exemplo, a situação na Ucrânia está a ser mais que evidente.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca me sinto realizado. Apesar de ter muita experiência é importante uma busca contínua. Se a nível pessoal estivermos num bom plano tudo o resto é enfrentado de forma mais fácil. O refúgio no trabalho não resolve nada.

 

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Como se resolve a crise?

Acho que “Os Maias”, de Eça de Queirós continua muito atual. E aconselho toda a gente a ler até ao fim. Aquele povo somos nós. A crise acompanha-nos há mais de um século. Ainda não encontrámos forma para a resolver mas tenho esperança que cada um de nós tenha força, motivação e coragem para contribuir para a sua resolução. No entanto, como povo passamos de um estado de grande depressão a grande euforia.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem. Sou católico. Entendo que tem que haver mais alguma coisa para além disto. Eu tenho espiríto e alma. Aliás, todos temos.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada de significativo. Pequenas coisas apenas. Seria sempre quem sou.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou vereador na Câmara Municipal de Setúbal, conselheiro nacional do PSD, faço parte da plataforma “Forum democracia e sociedade”, sou engenheiro civil, gestor de uma pequena carpintaria, marido e pai. O futuro a Deus pertence. Tento fazer o melhor naquilo que faço.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Timor

 

Um livro

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma música

Surrender (Cheap Trik)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Codorniz estufada

 

Um conceito

Justiça, solidariedade e amizade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:17

01
Out 14

 

“O MUNDO É UMA OBRA PRIMA DA NATUREZA”

 

O Dr. Mário Nery é um homem muito conhecido no meio palmelense pela sua conduta associativista e participativa no meio social da vila. Nasceu em Setúbal, no antigo hospital da Misericórdia, cresceu e brincou nas ruas que dão acesso ao castelo e conheceu um amor inocente na viragem dos 7 para os 8 anos. Aos 13 começou a trabalhar na antiga Socel, como paquete mas a tropa sugeriu-lhe novos desafios. Tem do mundo a ideia de que é uma obra prima da natureza e sobre Deus, tem dúvidas sobre a manutenção do mistério ou se é preferível cessá-lo em definitivo. Para si a resolução de qualquer tipo de crise constitui uma verdadeira utopia regenerativa. Não mudaria nada na sua vida porque sabe que as circunstãncias também a moldam. Gosta de ervilhas com ovos e a justiça é um conceito pelo qual nutre o maior respeito.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, no Hospital do Espírito Santo, vulgo da Misericórdia. Nos primeiros tempos de vida, o amor dos meus pais e os cuidados que me dispensaram compensaram de sobremaneira as enormes dificuldades financeiras porque passaram. A minha mãe operária conserveira e o meu pai empregado na Lota de Setúbal, mostraram-me desde sempre a dignidade na pobreza em conciliação permanente com o privilégio de andar calçado porque o Sindicato da Indústria Conserveira, me dava sapatos e me facultava livros para alinhavar as primeiras letras. A minha infância vivida entre o “Vise”, a Palhavã e o Castelo de São Filipe, com permanentes descidas à cidade, foi intensa, plena de aventuras e cheia de vida.

 

E o primeiro amor…

Hoje uma imagem sem rosto, lembro a Nazaré. Teria os meus 7 ou 8 anos. Era minha vizinha num  páteo da Rua do Castelo, rodeado de meia dúzia de casas iluminadas a petróleo. Brincávamos muito, partilhando inocências. Penso que seria a mais bonita do meu imaginário da altura

 

E o primeiro emprego...

Com 13 anos, quase 14. 1º dia na Socel – Sociedade Industrial de Celuloses, hoje Portucel. De calções às 8 da manhã, em frente à “Luísa Todi” levado pela minha mãe à carrinha conduzida pelo Domingos Luzio, tendo como anfitriões no “pão de forma” o Domingos Ribeiro e o José Carlos da Malha Ferreira. Aguardavam-me três meses da função de paquete, sucedendo-se cerca de 7 anos na secção de pessoal e depois a contabilidade. A tropa mudou o rumo profissional e social da minha vida, sugerindo novos desafios que haveriam de perdurar para sempre.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Trata-se do sítio onde, preferencialmente no meu escritório,  sonho acordado, acelero e sou travado por conselhos prudentes, compartilho a mesa com as pessoas que amo e onde a contragosto sou obrigado a gastar algum tempo de vida a dormir. Não propriamente o corpo da casa, mas especialmente a sua alma, sugere-me todos os dias ao sair de casa  uma vontade indómita de voltar, ao porto seguro que sempre a mesma representa.

 

O que pensa do mundo?

Obra prima da natureza. Aqui e acolá mal e bem frequentado. O mal e o bem, a ganância e a generosidade, a mentira e a verdade, a injustiça e a justiça, a desigualdade e a igualdade, constituem entre outras circunstancias da vida, um desafio permanente à regeneração humana e à procura de uma oportunidade que permita a germinação da felicidade. 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Estou longe de qualquer tipo de realização humana, quer como pessoa, académica ou profissional.

Apoiado na essência da inspiração rotária faço do meu dia a dia um desafio permanente  à procura de oportunidades para exercer o primado da justiça, do amor, da fraternidade e da competência. Nem sempre sou abençoado com o privilégio de ter sucesso, mas não desisto.

 

 

 

Como se resolve a crise?

Que crise, digo eu. Seja qual for o contexto em que se insira a palavra crise, a minha resposta é: não sei! Todavia estou convicto, sem qualquer tipo de certeza que, atentos ao conhecimento de hoje, a resolução de qualquer tipo de crise constitui uma verdadeira utopia regenerativa que alimentará, inexoravelmente, a vontade de descobertas da humanidade de forma permanente e progressiva.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Reza a ciência que a origem do mundo, se deve ao Big Bang, de sons e silencios onde quimicamente a explosão de átomos e moléculas haveriam de formar o que conhecemos como mundo. Porém continua, designadamente no CERN na Suiça, a pesquisa permanente e activa do mistério da vida. Tenho dúvidas, se para a felicidade do homem, será melhor a manutenção do mistério ou a sua cessação. Quanto a Deus ter criado o homem e a natureza, reverencio-me por respeito a um domínio onde não sei penetrar.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Partilho da ideia de que uma coisa é prever outra coisa é saber. Saber o futuro seria acabar com uma boa parte do encanto da vida, seria cercear o desafio da esperança no devir. Se pudesse voltar a trás, óbviamente que algumas coisas não essenciais mudaria na minha vida. Estruturalmente não mudaria nada. E depois há as circunstâncias… que nos direccionam para o que queremos e por vezes para o que não queremos…

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Director de empresa e consultor jurídico. Continuar a trabalhar até que o corpo e a alma mo permitam. Ver a minha neta crescer.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Praia dos Carneiros (Recife – Brasil)

 

Um livro

Mal-entendidos (Nuno Lobo Antunes)

 

Uma música

Grácias à la vida (Violetta Parra)

 

Um ídolo

São tantos que os consagro ao esplendor da vida

 

Um prato

Ervilhas com ovos

 

Um conceito

Justiça. Dar a cada um o que merece e lhe pertence

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:39

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