Entrevistas de JoaQuim Gouveia

22
Mar 15

Foto1582.jpg

 

“NÃO BEIJEI O ANEL DO BISPO”

 

Entrevista de Joaquim Gouveia

 

Brissos Lino é um pastor protestante que diria “obrigado!”, se encontrasse Jesus Cristo. Nasceu em Lisboa, no Alto do Pina e guarda felizes recordações da sua infância onde, aos 6 anos, evitou beijar o anel ao Bispo, quando este visitou a escola que frequentava. Para si o Homem nasceu para se realizar através de um trabalho criativo e deve, de igual forma, contemplar o descanso. A sua casa é um refúgio e tem do mundo a ideia de que está doente devido à ganância do poder. A crise resolve-se com uma diplomacia forte a nível europeu e com mais sensibilidade social a nível nacional. Não conhece Auschwitz mas não tem dúvidas que é o retrato do quanto pode o Homem atentar contra o seu semalhante. Não tem ídolos e o 5 e o 10 são as suas estrelas da sorte.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Lisboa, no bairro Alto do Pina. O meu pai era funcionário da Carris e a minha mãe empregada doméstica. Lembro-me das minhas brincadeiras com os meus amigos, aos cowboys, os carrinhos de rolamentos, as caricas, enfim brincadeiras na rua. Na escola recordo-me que um dia recebemos a visita da Bispo. Toda a gente lhe beijou o anel. Eu achei aquilo estranho e esgueirei-me e evitei aquele beijo. Tinha 6 anos. Também me lembro de um sapateiro que havia na minha rua e da criançada lhe arreliar a cabeça ao ponto de ele ficar irritado e correr atrás de nós. Só muito mais tarde, já com 18 anos comecei a vir a Setúbal, para namorar a minha mulher.

Não há amor como o primeiro?

O meu primeiro amor foi a minha mulher com quem sou casado há 40 anos. Outras paixonetas anteriores na realidade não foram amor. Neste caso não houve amor como o primeiro e único.

O Homem nasceu para trabalhar?

Diria como o Agostinho da Silva: “O Homem nasceu para criar”. Dentro do trabalho o Homem pode ser criativo. Acho que nascemos para nos realizarmos através de um trabalho criativo.

Minha casa, meu tesouro...

A minha família é o meu tesouro e a minha casa o meu refúgio.

O que pensa do mundo?

Penso que está muito doente devido à ganância e à pulsão do poder. Por outro lado a natureza é uma coisa fantástica e a relação entre as pessoas pode ser altamente estruturante quando saudável. Sou um otimista e estou convencido que ainda há coisas boas para vir e os problemas se vão resolvendo.

Mais vale tarde que nunca?

Penso que sim mas depende das situações, ou seja, tudo deve ter o seu timing certo.

Como se resolve a crise?

Em dois planos. No europeu através de alianças e de uma diplomacia forte no sentido de influenciar a Europa para desenvolver políticas de crescimento em vez do primado financeiro. No caso português através de uma governação competente e sensibilidade social.

... e ao 7º dia Deus descansou!...

O relato da criação é simbólico. Acredito que Deus criou o universo mas não em 7 dias solares. A ideia de descanso é um princípio que é estabelecido para que as pessoas compreendam que não podem só trabalhar.

Pelo sonho é que vamos?

Sim. Sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança. Todas as grandes realizações aconteceram porque alguém as sonhou como um ideal e uma possibilidade e, depois trabalhou para as concretizar.

 Que lhe pede o seu coração?

Que seja mais solidário, compreensivo e mais paciente com os que me rodeiam e, por outro lado, que eu seja, também, exigente, com os que têm poder e denunciador das injustiças.

 

Foto criança.jpg

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo, se o encontrasse?

Dizia obrigado!

Conhece Auschwitz?

Não. É o retrato cru das possibilidades do Homem para a prática do mal e o desrespeito pelo semelhante.

Um ídolo

Não tenho

Três objetos indispensáveis

Escova de dentes, computador e telemóvel

A chave do Euromilhões...

11,13,20,24,38 * 5-10

-

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:50

Foto.jpg

 

“A Rádio é a grande paixão da minha vida”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

Jorge Moreira, setubalense radialista há mais de 30 anos na cidade que o viu nascer. Aos 20 anos iniciou a sua carreira militar na Força Aérea em Tancos, tendo seguido para a Base das Lajes nos Açores onde esteve mais de dois anos. Em janeiro de 1980 sofre um acidente na Base Aérea do Montijo, que deixaria marcas definitivas na sua locomoção. 

Após longa recuperação, resolve participar num “casting” da então Rádio Voz de Setúbal, onde nasceu o programa intitulado “Côco Louco”, que fez subir aos palcos de Setúbal grandes nomes da música popular portuguesa como Marco Paulo, Tony Carreira, Trio Odemira, Dino Meira entre outros. No início dos anos 90 recebeu o troféu “Jogos da Rádio”, promovido pela revista dirigida na altura por António Sala.

Jorge Moreira é, actualmente, locutor na Rádio Jornal de Setúbal onde faz um programa de discos pedidos.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz vivida com os meus amigos, divertíamos com jogos de rua como o “Toque das canas” ou o “Lá vai alho”, “Cinco castelos”, “Jogo da malha”, “Peão”, jogos que hoje estão esquecidos. Hoje não há nada disto, foi tudo esquecido e a vida é outra. Já não se vêem crianças a jogar na rua, por causa dos computadores. Na adolescência, fazíamos bailes particulares e lembro-me de um ter sido muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

O primeiro amor deixa marca e quando se gosta muito, ainda marca mais. O primeiro namoro a sério foi com a mulher dos meus filhos.

O Homem nasceu para trabalhar?         

O homem precisa de se distrair, não pode viver só para trabalhar. Gosto de conviver com os amigos, de dar o meu passeio, adoro pesca porque alivia-me o stress e gosto muito de ouvir música.

Minha casa, meu tesouro…

 Sou muito caseiro, gosto muito de estar em casa. É o meu refúgio. Gosto de ver televisão, adoro cozinhar e considero-me um bom cozinheiro.

O que pensa do Mundo?

O mundo está louco. Os homens não se entendem. Em alguns países, pede-se a paz e a união. Para quê tanta maldade? Estamos cá de passagem, porque não havemos de nos amar uns aos outros, dar-nos bem? Estou farto de ver jovens que se entregam ao terrorismo e matam inocentes. Os idosos e as crianças são as maiores vítimas deste estado a que o mundo chegou. Estou cansado de ver os telejornais que só falam de notícias de desentendimento. Em África, há países onde muitas crianças passam fome e doenças difíceis de tratar. O mundo está louco com a falta de entendimento. Gostava que houvesse paz.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando é que é tarde? Nada é que é nada! Desde que se faça algo para trazer benefícios, é sempre tempo de o fazer.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou crente e penso que Deus não descansou, está entre nós. Há alguém que domina isto. As coisas não acontecem por acaso. E se algo de errado nos acontece, é porque estava destinado ser assim.

Pelo sonho é que vamos?

Sonho quase todos os dias e por vezes com situações que acabam por me acontecer. Mas o melhor sonho é o de acordar todos os dias bem disposto e estar pronto para mais um dia de vida.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para ter cuidado com ele. Quando bate mais forte, costumo falar com o meu coração para corresponder aos meus desejos e tenho sempre respostas positivas.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Pedia-lhe que transmitisse aos homens para que se entendessem mais, para que houvesse mais amor e compreensão.

Conhece Auschwitz?

A vergonha da humanidade. Não quero conhecer. Homens, mulheres, crianças e idosos, foram torturados e sofreram muito por causa de um homem que queria dominar o mundo. Como foi possível isto acontecer.

Um Ídolo

Demis Roussus.

Três objectos indispensáveis

Chave de casa,  óculos e dinheiro.

A chave do Euromilhões

1-3-6-19-21 Estrelas 3 e 6

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:48

Foto.jpg

 

“A ambição é o motor para aquilo que queremos ser.”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

José Belchior é presidente da junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra. Nasceu em Alvalade do Sado, mas aos 3 anos de idade veio para Setúbal com os pais em busca de uma nova vida. Aqui cresceu e fez a sua formação. O seu percurso como autarca inicia-se com o convite do anterior presidente da junta para o suceder, numa freguesia com componente urbana e rural.

Sempre praticou desporto, mas hoje encontra na agricultura um escape, que proporciona momentos para por as ideias em ordem.

 

Como foi a sua infância?

Uma infância boa dentro de uma família pobre mas feliz. Os meus pais tudo fizeram para me transmitir uma boa vida para que eu vivesse bem. Fui muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

Estou casado há 40 anos, e foi o meu primeiro e amor, deste casamento nasceu uma filha linda.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem não nasceu só para trabalhar. A vida não é só isto. O Homem tem de ter as suas horas de lazer, tem de ter tempo para dedicar a sua família e para dedicar aos seus amigos e à comunidade.

Minha casa, meu tesouro…

Concordo plenamente. Depois de um dia de trabalho exaustivo, o conforto do lar sabe muito bem.

O que pensa do Mundo?

O Mundo podia ir muito melhor, se não fossem os problemas que somos confrontados todos os dias. Olhamos para um lado e vê-mos situações de riqueza extrema e por outro lado, pobreza extrema. O Mundo seria muito melhor se as guerras não existissem, se não houvesse tanta desigualdade social, se os homens fossem mais compreensivos e mais tolerantes. Não fazemos nada para termos o Mundo que temos, mas a ele não podemos fugir.

Mais vale tarde do que nunca?

Em parte sim. Isto é como o ditado que diz “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”. Se eu poder resolver uma situação hoje não vou deixar que essa situação se resolva amanhã.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico mas perdoem-me porque às vezes pergunto-me a mim próprio será que Deus descansou, será que Deus nos acompanha todos os dias, será que não anda um pouco distraído? Se é que Deus existiu ou existe mesmo, acho que não descansou.

Somos confrontados com vários tipos de catástrofes a nível mundial e a humanidade debate-se com tantos problemas que comentamos será que Deus existe e será que não vê este tipo de situação? Mas quando estamos aflitos: Ai valha-nos Deus!

Pelo sonho é que vamos?

 Vou mais pela ambição, é o motor que nos transmite aquilo que nós queremos ser e por vezes temos que fazer força para conseguir os nossos objectivos e essa força só nos é transmitida pela ambição. A minha ambição enquanto presidente de junta de freguesia é a de dotar os meus fregueses de melhores condições de vida para que digam que vale a pena viver na minha freguesia. É isto que me move e a ambição torna-se um sonho. Ambição e sonho andam de mãos dadas.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para que todos os dias tudo corra bem. Gerir os destinos de uma freguesia não é fácil. Todos os dias deparamo-nos com situações diferentes e deveríamos contar com elas mas aparece sempre uma que vem baralhar a situação. Por vezes é como um baralho de cartas que parece ser um “volte face”. O meu coração pede-me, mediante esses problemas, que eu tenha capacidade de resposta para as soluções.

A nível pessoal o meu coração pede-me saúde para eu ver crescer os meus netos e a minha família de um modo geral, pede-me saúde para ver crescer tudo o que conquistei até hoje.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Sendo católico, e peço desculpa aos católicos, mas diria que Jesus anda um pouco distraído, que tem de estar mais alerta e mais ativo, derivado às desigualdades sociais. Eu não posso tolerar e ver de um lado riqueza excessiva e por outro a  pobreza excessiva. Não posso tolerar que haja situações que hoje vemos na terra de Jesus Cristo que o povo mártir, estou-me a referir à Palestina e a Israel, não posso tolerar as guerras. Não posso tolerar que nos países mais desfavorecidos como no Haiti aconteçam as maiores catástrofes, com tantas crianças abandonadas e a viver miseravelmente que ali aconteça um sismo como ocorreu. Penso que Jesus Cristo deveria estar mais atento. Era isto que lhe gostaria de transmitir.

Conhece Auschwitz?

Não conheço mas gostaria de conhecer para ver o mal que foi feito ao ser humano, para “in loco” ver a crueldade que aquele campo representa em termos de crueldade que foi implantada aquelas pessoas, as atrocidades que foram cometidas à população judaica naquela altura. Esperemos que novos “Auschwitz” não voltem a acontecer na humanidade e aqui voltando à pergunta anterior que Jesus Cristo esteja atento para que novos “Auchwitz” não voltem a acontecer.

Um Ídolo

O meu pai. Por aquilo que eu hoje sou, pela formação que me deu como homem. Lembro-me que quando andava na escola primária o meu pai ajudou-me a aprender a tabuada em 3 dias. Devo tudo ao meu pai e à minha mãe.

Três objectos indispensáveis

A carteira, o telemóvel e a chave de casa.

A chave do Euromilhões

Não jogo no Euromilhões. Não faz parte de mim. Passa-me completamente ao lado.

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:45

21
Mar 15

Foto 1.jpg

 

“Quem não sonha não é feliz!”

Entrevista de Helena Galvão

Maria Eugénia Canito é  Coordenadora Serviço de Voluntariado da Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernardo. Foi professora de inglês no ensino privado e esteve sempre ligada ao voluntariado através da Associação S. Vicente de Paulo. Entrou para o Serviço de Voluntariado da Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernardo, quando há 22 anos atrás sentiu que tinha que retribuir o que recebeu, a propósito de um problema oncológico que enfrentou.

Coordena o voluntariado de cerca de 200 pessoas, sendo esta uma causa que abraça com o coração cheio de boa vontade. Salienta que nestas funções é preciso “doação, humildade e tolerância”. A professora Eugénia, como é tratada no dia-a-dia, revela-se uma mulher apaixonada pelo voluntariado e já não se imagina a fazer outra coisa na vida.

 

Como foi a sua infância?

Penso que durante a infância é quando acontece um grande desenvolvimento físico, mudanças de comportamento da pessoa e também a aquisição das bases de personalidade.

A infância de cada um de nós é um período da nossa vida que podemos recordá-la com alegria ou com tristeza, tudo depende do percurso de vida de cada um. Tive a sorte de ter sido sempre rodeada de pessoas que me incutiram valores preciosos, embora na infância se tenha alguma dificuldade em compreender a subjectividade dos adultos, mas seguindo esses valores faz com que eu ainda hoje tenha um pouco de criança bem vivida dentro de mim.

Não há Amor como o primeiro?

Quando acontece o primeiro Amor, não se pensa, não se resiste, não se dúvida… Por isso não se esquece!

O Homem nasceu para trabalhar?

Já dizia o grande pensador Agostinho da Silva: “O Homem não nasce para trabalhar, nasce para criar”. No entanto, ele do homem simples e humilde que foi na sua infância, tornou-se num pensador, tradutor, professor. Creio que ele trabalhou muito para atingir estes níveis de qualidade.

Minha casa, meu tesouro…

O meu lar é um presente precioso que eu ganhei! O meu lar é um doce lar!

Seria bom que fosse um lugar de Paz e Amor. Se pensássemos que a nossa vida por este mundo é passageira, talvez houvesse mais amor ao falar e mais paciência ao ouvir e não jogávamos fora as oportunidades que temos de ser felizes e fazer os outros felizes.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando nós somos persistentes para alcançar os nossos objectivos, com fé e esperança, mais tarde vem a bonança…

… e ao 7º dia Deus descansou…

 Descansou e acreditou que cada um de nós já poderia compôr a sua história de vida num mundo de felicidade.......Acreditou também que cada ser em si carregaria o dom de ser capaz de ser feliz.

 

Foto 2.jpg

 

Pelo sonho é que vamos?

“PELO SONHO É QUE VAMOS”. Faz parte do bonito poema do grande poeta Sebastião da Gama! Quem não sonha não é feliz, porque basta a nossa fé e esperança para sonharmos e talvez alcançarmos o que às vezes parece ser impossível.

Que lhe pede o seu coração?

Amor, Solidariedade e Paz.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Continua a dar sem esperar sem receber! Obrigada por seres meu amigo!

Conhece Auschwitz?

É um lugar triste e frio, apesar das suas varandas com flores.

Um Ídolo

Nelson Mandela

Três objectos indispensáveis

Telemóvel, transporte, um livro.

A chave do Euromilhões

Não jogo.

 

publicado por Joaquim Gouveia às 20:24

Foto.jpg

 

“Mudamos o mundo se mudarmos as pequenas coisas!”

Entrevista de Helena Galvão

António Milheiros é director do Jumbo de Setúbal. Nasceu em Évora em 1960 e aos quatro anos veio para Setúbal. Concluiu o MBA em Gestão, foi fuzileiro durante dois anos, o que lhe terá proporcionado, segundo diz, “disciplina e reflexão sobre o que queria para a vida”.

O seu primeiro emprego foi na Setcooper, loja junto à rodoviária, em 1979, e depois de cumprir tropa, assumiu a gerência da loja, com apenas 23 anos. Em 1987 foi convidado para a Coopset, loja da Terroa e em 1992 surge a oportunidade para a gestão de uma área de negócio, mercearia líquida, do Jumbo de Setúbal. Evoluiu gradualmente de responsável de departamento para a direcção das lojas de Alfragide e Amoreiras, em Lisboa.

Em 2010 regressa à loja de Setúbal como gestor, cargo que ocupa até hoje. Regozija-se por fazer parte de uma empresa que valoriza a experiência das pessoas, até porque o grupo francês reconhece a sua capacidade para liderar pessoas. Casado e pai de 3 filhos, tem como hobbie acompanhar os jogos do Vitória Futebol Clube, quando joga em casa. Gosta de ler pelo grande prazer. A leitura transporta-o para a realidade do livro. Lê essencialmente romance histórico e elege Eça de Queiroz, apreciando a forma como o escritor retrata a sociedade portuguesa da época.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância muito feliz, cresci no bairro do Viso, um bairro estigmatizado na altura mas eu não senti estigma nenhum. Uma infância com muitas brincadeiras e junto de pessoas amigas que me ajudaram a crescer. Tive a felicidade de também lá viver uma fase muito importante da adolescência. Tinha 13 anos quando aconteceu o 25 de abril, e formámos uma associação de moradores. As pessoas contribuíam com quotas, tínhamos dinheiro para gerir as acções que queríamos desenvolver. Fazíamos pinturas, concursos, excursões e proporcionávamos a ida a Lisboa de muitas pessoas do bairro para conhecer os monumentos e o jardim zoológico. Éramos miúdos de 15 e 16 anos com uma preocupação com os outros e de participar naquilo que é a vida comum, valor que hoje se perdeu. O 25 de abril foi gratificante por isso, fez as pessoas pensarem que o bem comum era importante e se todos trabalhassem em comum seria um benefício para todos.

Não há Amor como o primeiro?

Amor melhor que o primeiro é o segundo e melhor que o segundo é o terceiro. Na nossa vida temos vários amores. Seja a nossa mulher, os nossos filhos, a nossa família e até mesmo ao nosso emprego, às pessoas que trabalham connosco. Temos vários amores e todos os amores são bons. Uma vida só com um amor é muito pouco.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem nasceu para ser feliz, para se realizar e conquistar essa felicidade. O trabalho também faz parte dessa realização. É importante para nos sentirmos realizados, para termos uma acção com outras pessoas, para aprendermos e termos os nossos gostos, as nossas fases más, porque isso é a vida. O trabalho faz parte da nossa vida mas não é a nossa vida, senão os economistas é que mandam no mundo e esse caminho nunca trará grande felicidade.

Minha casa, meu tesouro…

É um refúgio. O papel da família é extremamente importante naquilo que é o nosso equilíbrio emocional. A família deixou de ter o valor que para mim deveria ter, como esse ponto de refúgio, para debatermos e falarmos das coisas abertamente sem qualquer dogma. Tenho 3 filhos e todos têm visão diferente dos problemas que ultrapassamos. Essa diferença é que dá riqueza, o facto de nós dentro de casa termos essa possibilidade de discutirmos as coisas e chegarmos a um consenso mesmo com ideias diferentes. A minha casa é o meu refúgio nesse sentido, porque dá-me esse equilíbrio emocional importante para ultrapassar o dia-a-dia que às vezes é agressivo.

 

O que pensa do Mundo?

Não tenho a visão de que a minha casa é um mundo, a minha casa é mesmo a minha casa. Temos um papel a desempenhar naquilo que é na nossa casa, no nosso emprego, na sociedade em que estamos inseridos e isso vai contribuir para que o mundo seja melhor. Ter uma ideia de que o mundo é tão grande, que eu quero mudar tudo, é impossível. Se mudarmos aquilo que está no nosso dia-a-dia, na maneira como lidamos com as pessoas, como encaramos os problemas, como os ajudamos a resolver, vamos conseguir que o mundo seja melhor. A minha visão é de que mudamos o mundo se mudarmos as pequenas coisas do dia-a-dia para que ele seja melhor.

Mais vale tarde do que nunca?

Nunca é tarde para fazermos as coisas melhor. O meu lema é que amanhã vou tentar fazer melhor daquilo que eu fiz hoje. Quando entro numa loja para motivar as minhas equipas e motivar-me a mim próprio penso que daqui a um ano as coisas têm que estar melhor do que estão hoje. Tenho a noção de que fazer melhor todos os dias, daqui a um ano as coisas serão diferentes. A leitura que faço, passado um ano, é de que consegui melhorar e o que não consegui, é para o próximo ano que eu tenho que conseguir. Esta autocrítica que temos que ter para connosco próprios, permite dizer que nunca é tarde para conseguirmos fazer melhor.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico e penso que Deus está sempre presente e nunca está a descansar com o povo que somos. Independentemente de sermos cristãos, muçulmanos ou de outra religião, se tivermos essa consciência, esse valor espiritual de que estamos neste mundo para tentarmos fazer as coisas melhor, estamos a concretizar aquilo que é a criação de Deus. Na minha perspectiva há muitas pessoas que consideram-se (católicas), mas têm muita dificuldade em praticar aquilo que são. Os preceitos cristãos sem os dogmas da igreja a mim não me dizem nada, como ter que ir à missa todas as semanas. Vou quando me apetece. Os meus filhos são baptizados, sou casado por igreja mas se decidisse que não me queria casar por igreja, o casamento tinha o mesmo valor. Não são os dogmas que têm que mandar mas a nossa vontade.

Pelo sonho é que vamos?

O sonho permite-nos pensar que as coisas podem melhorar. Sonhar é nesse sentido. Temos que ser rigorosos e disciplinados naquilo que queremos concretizar. O sonho é o que comanda a vida, como diz o poeta mas o sonho é que nos dá o objetivo que queremos alcançar. O meu sonho é ter 90 anos e sentir-me feliz ao pé da minha mulher. Se não fizer todos os dias para que isso aconteça, isso não irá acontecer. O facto de nós termos sonhos é importante. Temos é que focalizarmos na concretização desse sonho. Se tivermos um sonho que aponta num sentido e fizermos coisas completamente diferentes, não vamos concretizá-lo. Aquilo que nós queremos da nossa vida e aquilo que fazemos no dia-a-dia, se tivermos essa coerência é mais fácil concretizar os nossos sonhos. A dificuldade das pessoas é que têm um sonho mas não querem dar os passos para concretizá-lo.

Que lhe pede o seu coração?

Quando estamos a falar do coração estamos a falar de emoções e são muito importantes na nossa vida. Hoje analisamos tudo ao pormenor, os rácios, como fazemos as coisas, qual é o impacte que tem, ou seja, numericamente conseguimos medir quase tudo, menos as nossas emoções. Costumam perguntar-me como é que consigo ser do Vitória de Setúbal. Para mim é extremamente importante ser de um clube da minha cidade, ir ao estádio e ter aquela vivência com os meus amigos, porque isso é emoção e essa emoção não conseguimos definir. Se eu tiver que enumerar racionalmente ou numericamente as razões porque sou do Vitória de Setúbal, não consigo dizer. Nem haverá razões para ser, porque não é uma equipa campeã, é uma equipa que dá mais derrotas do que vitórias, mas o facto de ter esta ligação emocional para mim, como tenho considerado Setúbal e com aquilo que é a importância do meu contributo para a cidade, é algo que não consigo definir, mas para mim é extremamente importante. Mesmo quando estive fora da cidade de Setúbal a trabalhar, nunca deixei de acompanhar a cidade e a loja de Setúbal como se fosse a minha loja e o que estava no meu horizonte quase diário para resolver.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Perante Jesus Cristo não diria nada, teria muito para ouvir. Acredito em Jesus Cristo, existiu mesmo e historicamente está provado. A mensagem que nos deixou foi muito forte e perdura até aos dias de hoje. Ouviria o que Jesus teria para dizer, não lhe diria nada porque tenho muito a aprender com Ele, nem lhe pediria nada. Nós é que temos que construir aquilo que queremos. Acredito muito naquilo que é a minha vontade. O facto de ser cristão e de saber que Jesus existe para mim é importante e determinante para conseguir isso. Todos temos dias mais difíceis e dias mais fáceis e nos dias difíceis é importante termos alguém que nos dê esse conforto. A religião é quase que o “cimento” para consolidar as nossas vontades e os nossos desejos.

Conhece Auschwitz?

Ainda não visitei mas ainda vou visitar. Foi um marco, pela negativa, daquilo que a humanidade fez durante um período longo demais, porque morreram lá milhões de pessoas. É importante que hoje Auschwitz apareça como algo que não se pode repetir. A propósito do 70º aniversário do seu encerramento, alunos alemães foram visitar Auschwitz e um miúdo de cerca de 17/18 anos disse que na escola ensinam-lhes que Auschwitz é algo com o qual temos que aprender para que não se volte a repetir. É uma lição para a humanidade mas para hoje ainda e não só para há 70 anos atrás. Os alemães representam um povo que não tapa o que foi mau para a história da Alemanha e ainda bem que não passam um pincel por cima.

Um Ídolo

A ideia de ídolo é a de que alguém foi perfeito e eu não acredito que existam pessoas perfeitas. Referências tenho muitas, são pessoas do meu dia -a- dia com quem fui aprendendo.  O meu pai foi uma referência para mim na sua postura perante a vida. Profissionalmente, José Alves um antigo chefe, pela forma como transmitiu como as equipas têm que ser tratadas e pela motivação indispensável para que as coisas aconteçam. Os meus filhos são uma referência para mim por aquilo que me ensinam das novas tecnologias, mas também pela forma como vêem a vida e manifestam a preocupação de não sendo perfeitos, quererem fazer o melhor todos os dias.

Três objectos indispensáveis

Só o telemóvel.

A chave do Euromilhões

Nunca joguei.  Penso que o jogo do Euromilhões não faz parte daquilo que me emociona ou me dá prazer. O jogo que jogamos todos os dias, o do trabalho e da família é o jogo que eu gosto de jogar e que gosto de ganhar.

 

publicado por Joaquim Gouveia às 20:18

Março 2015
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
17
18
19
20

23
24
25
26
27
28

29
30
31


subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO