Entrevistas de JoaQuim Gouveia

01
Fev 16

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

 

“O Homem é cada vez mais o lobo de si próprio”

 

O Dr. Chumbita Nunes é, no presente, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados. Natural de Soure, cedo se habituou às vivências na cidade de Setúbal, onde passava as férias grandes escolares em casa dos avós. Começou a trabalhar com 24 anos a dar aulas de educação fisíca. Tem do mundo a ideia de que está muito inseguro e que o Homem é cada vez mais o lobo se si próprio. Quando era jovem quis ser padre, ideia que não foi bem aceite pelos pais. Para si a crise resolve-se com valores e com seriedade. Já foi presidente do Vitória de Setúbal e gostava de terminar o trabalho então iniciado. O seu pai é o seu ídolo.

 

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Soure, no distrito de Coimbra. O meu pai também era natural de Soure e a minha mãe era setubalense. Sou filho único. Tive uma infância feliz. Os meus pais poderam dar-me uma boca educação, uma boa vida e o curso de direito. Desde muito novo todos os anos vinha a Setúbal, no período das férias grandes. Na minha infância tive muitos amigos com quem brincava bastante com as brincadeiras habituais da época. Fui um bom aluno na escola e disputava sempre a fita amarela que era a do melhor aluno. Nunca reprovei. Sempre fui uma criança muito ativa.

O primeiro amor…

A filha de um juíz de Soure. Tinha 13 anos. A miúda era muito gira e muito evoluída para a época. Foi a primeira vez que o meu coração bateu mais forte.

E o primeiro emprego…

A dar aulas de educação física, com 24 anos em Ílhavo. Penso que ganhava 3000 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tenho uma vivenda porque sempre gostei de casas com muito espaço. Nos apartamentos sinto-me limitado. Tem muita luz, um quintal e um jardim. Deito-me com o piar das corujas e acordo com o trinar dos pássaros. É uma casa muito tranquila, o meu refúgio em conjunto com o meu escritório.

O que pensa do mundo?

Está muito complicado. Que me lembre nunca vi tanta insegurança e intranquilidade no mundo. As pessoas não têm tempo para elas próprias. É uma sociedade que nos consome sem piedade. Cada vez o Homem é mais o lobo de si próprio. No entanto há muita beleza no mundo só que acaba por se esbater nestes conflitos e no medo que hoje em dia sentimos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, totalmente realizado. Profissionalmente já fiz quase tudo o que havia a fazer. Humanamente também porque sempre fui uma pessoa solidária e de coração aberto. Tenho um grupo de amigos muito interessante. Sou um sortudo na vida, acho que nasci com um condão, nunca passei fome nem conheci privações.

 

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Como se resolve a crise?

Com valores e seriedade. Acho que a solução para os grandes problemas deveria passar pela responsabilização cívil e criminal dos políticos que, entretanto, penso deveriam ganhar bem. A outra alternativa é que alguém que já tivesse ocupado qualquer cargo político não poder voltar a candidatar-se. Deveria ser tudo gente nova da sociedade cívil. Sem vícios, sem rotinas e limpos.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Tenho uma tradição católica. Quando tinha 15 anos quis ir para padre, cheguei a saber a missa toda em latim. Gostava muito do pão com queijo que o padre nos dava a seguir à catequese. Os meus pais não aceitaram a ideia. Eu queria ir para o Seminário mas acabei por desistir da ideia. Hoje, Deus para mim é um ser metafísico e acho que o Homem o criou para justificar alguns dos seus pensamentos e a sua forma de estar na vida.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez não me tivesse casado tão cedo na primeira vez, apesar de ter duas filhas fantásticas desse casamento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogado, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados e presidente do Conselho Vitoriano. Penso que ainda tenho algumas coisas para fazer na minha vida. Gostaria de acabar o projeto que comecei no Vitória de Setúbal. Nunca viro as costas aos clubes. Por outro lado quero arranjar uma empresa dedicada ao setor de desporto em toda a sua plenitude. Para além disso pretendo manter a minha atividade na advocacia.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Petersburgo

Um livro

Viagem ao mundo da droga (Charles Duchaussois)

Uma música

Tears in Heaven (Eric Clapton)

Um ídolo

O meu pai

Um prato

Bacalhau à Gomes de Sá

Um conceito

Servir o próximo

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:57

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“Falta respeito pelas religiões”  

 

Maria Dores Amado é uma poetisa alentejana a quem a vida lhe ofereceu a possibilidade de ser útil na ajuda aos filhos, aos netos e aos amigos. Desde há muito radicada em Setúbal teve uma passagem por África, que lhe deixou profundas saudades Começou a trabalhar aos 15 anos aproveitando as férias escolares para ganhar algum dinheiro. O falecido marido foi o amor de toda a sua vida depois de se cruzarem num colégio em Santiago do Cacém. Para si o mundo carece de respeito pelas religiões, afinal as grandes responsáveis pelas guerras. A crise resolve-se evitando-se ordenados e reformas chorudas. Quer, a breve trecho, lançar o seu primeiro livro de poesia. Honestidade é o seu lema de vida.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Alvalade do Sado e como o meu pai era funcionário dos Serviços Hidráulicos do Tejo andámos deslocados por várias localidades como Comporta e Azinheira de Barros, onde fui batizada. Foi uma infância muito boa. Sou filha única. A família era muito unida. Dava-me muito com os meus avós de ambos os lados. Recordo as férias nas Caldas de Monchique. Na escola nunca reprovei. Entrei diretamente para a segunda classe.

O primeiro amor…

Foi o primeiro e o único, o meu falecido marido. Como fui estudar para Santiago do Cacém conhemo-nos num colégio. Tinha 14 anos.

E o primeiro emprego…

Aos 15 anos como analista colorista e depois como analista química durante os 3 meses das férias do colégio no laboratória da fábrica ECA.

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho. É uma casa grande onde habito sozinha. Tem uma decoração antiga mas a meu gosto.

O que pensa do mundo?

O mundo e as pessoas não se entendem. Faz falta respeito pelas religiões porque daí é que sempre nasceram as grandes guerras. Gosto de cá andar mas acho que se o Homem fosse mais humano tudo isto seria melhor, com mais altruísmo e menos egoísmo.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Enquanto trabalhei senti-me realizada com o meu trabalho e com a minha profissão. Como pessoa não tenho de que me queixar, vivo a vida conforme posso. Tenho os meus filhos criados e esse foi sempre o meu grande objetivo.

 

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Como se resolve a crise?

Colocando um fim aos grandes ordenados, ás grandes reformas e aos excessos de dinheiros “exportados”.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu penso que o Homem veio da natureza e aperfeiçoou-se. Se esse aperfeiçoamento foi feito pela mão de Deus omnipotente não está esclarecido. Não sei, nem eu nem ninguém.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não somos seres perfeitos mas no geral não me arrependo do caminho que tracei pelo que, à partida, não mudaria nada.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformada, ajudo os meus filhos e os netos e escrevo alguma poesia. Sou tesoureira do Núcleo de Poesia de Setúbal. No futuro quero editar um livro de poesia que está praticamente pronto. Até agora só tenho participado em antologias.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Lourenço Marques (Maputo)

Um livro

Só o amor é infinito (Lauro Trévisan)

Uma música

Non son degno di te (Gianni Morandi)

Um ídolo

Não tenho

Um prato

Arroz de maçã raineta

Um conceito

Honestidade

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO"

 

“DEVÍAMOS VIVER 400 ANOS”

 

Mário Narciso é um setubalense nascido num bairro tipico da cidasde e que viveu a sua infância rodeado de amigos e brincadeiras. Hoje é o melhor treinador do mundo na modalidade de futebol de praia, título que conquistou com mérito e esforço. A sua mulher foi o primeiro e único amor. Nos laboratórios da Portucel iniciou-se no mundo laboral. Para si o mundo é belo mas com contrastes evidentes de injustiça praticada pelo Homem a quem atribui, ainda, a necessidade de ter criado Deus, para os seus momentos de maior desespero. Gostava de viver 400 anos porque diz que a nossa passagem pela vida é demasiadamente curta. O seu ídolo é Jaime Graça e não dispensa uns bons salmonetes grelhados com molho de fígados.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na segunda azinhaga do Mal Talhado, no bairro da Conceição. Com dois anos fui morar para o Bairro de Troino, na antiga Rua Direita e mais tarde para o bairro Santos Nicolau. A vida nessa altura era difícil mas não posso dizer que tive uma infância má. Fui filho único. Lembro-me de repartir o lanche com alguns amigos. Andei numa escola particular até à quarta classe e com 9 anos entrei para o ciclo preparatório. Era um bom aluno. Brincava muito, jogava Hóquei sem patins, à bola, andávamos nos quintas do bairro da Conceição a jogar ás escondidas e outras brincadeiras.

O primeiro amor…

Foi a minha mulher. Começámos a namorar com 14 anos. Acho que foi amor à primeira vista. Comecei a reparar nela porque era muito bonita.

E o primeiro emprego…

Na Portucel, como auxiliar de laboratório. Penso que ganhava à volta de 600 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tem tudo o que necessitamos. Também tenho trabalhado para isso. Sou muito de estar em casa e portanto, procuro que seja cómoda e tranquila.

O que pensa do mundo?

Há muita injustiça. As coisas estão mal divididas. Devia de existir uma maior homogeneidade. Há diferenças muito grandes entre uns que têm excesso e outros que nem sequer têm para comer. Mas também existem coisas boas. Há pessoas com bons sentimentos e solidárias. Para mim o mundo é belo. Acho que cada um de nós devia viver 400 anos porque a nossa passagem por cá é muito curta. As preocupações que temos com o futuro não se justificam porque o futuro é muito curto.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Como homem sinto-me realizado. Acho que sou solidário e amigo e isso é fundamental para que me sinta de bem comigo e, neste momento, estou, na verdade, muito bem comigo próprio. Profissionalmente acho que ainda não cheguei aos limites das minhas capacidades. Em termos profissionais sou muito ambicioso e quero sempre mais. Daí ainda não me sentir completamente realizado.

 

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Como se resolve a crise?

Não é o povo que conseguirá resolver o problema, mas terão que ser outras pessoas que se prepararam academicamente. Damos as nossas opiniões mas quem tem capacidade para tal é que será capaz de resolver a crise.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Sou científico e na essência da humanidade há uma evolução do próprio Homem desde os primátas até aos nossos dias. O Homem criou Deus porque sentiu necessidade de se agarrar a algo em momentos de desespero.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Penso que ajudaria algumas pessoas que já precisaram de mim e que na altura pensei que não as conseguia ajudar e afinal talvez, com mais esforço da minha parte, o tivesse conseguido.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou seleccionador nacional de futebol de praia e cobrador do Vitória de Setúbal. No futuro quero manter estas atividades enquanto me sentir bem.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Galapinhos

Um livro

Pappilon (Henri Charriére)

Uma música

We are the champion (Queen)

Um ídolo

Jaime Graça

Um prato

Salmonetes grelhados com molho de fígados

Um conceito

Ir em frente sem pisar ninguém

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:49

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