Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jan 14

 

 

“A CRISE ULTRAPASSA-SE COM ENTENDIMENTO”

 

entrevista de Helena galvão Pacheco

 

Custódio Pinto nasceu em Setúbal, na freguesia de S. Julião, há 84 anos. Bancário de profissão, foi monitor de natação nos seus tempos livres e ensinou centenas de pessoas a nadar, não só no Clube Naval Setubalense, como em outras instituições. Custódio Pinto recebeu várias medalhas de mérito e reconhecimento, entre elas figura a distinção atribuída pelo Governo Civil de Setúbal em 1991. Aliás, medalhas e outras honras é o que não falta no seu vasto currículo, pelo seu empenho e dedicação ao desenvolvimento da natação. Há dois anos atrás, o Instituto de Socorros a Náufragos homenageou-o pelos salvamentos que efectuou. Colaborador assíduo da imprensa escrita setubalense, foi o impulsionador da criação da Comissão de Antigos Alunos da Escola Primária Conde de Ferreira.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância dura e feliz ao mesmo tempo. Em plena Segunda Guerra, e com 9 anos de idade, perdi o meu pai. Viviam-se tempos difíceis, a minha era doméstica e houve necessidade de recorrer às filas para adquirir géneros alimentícios.

Também recordo com felicidade as brincadeiras de rua, e no recreio da escola, com os meus irmãos e amigos. Jogava-se ao berlinde, peão, eixo, arco, corda e brinquei muito com o io-io.

 

O primeiro Amor…

Foi a minha primeira mulher. Conhecemo-nos no casamento da filha dos meus patrões.

 

E o primeiro emprego…

Tinha entre sete ou oito anos de idade. Saía da escola e ia ajudar o meu pai num armazém de peixe da lota, onde se preparavam as celhas e as talhas de sal para a venda do peixe.

O meu pai dava-me uma féria que ia de cinco a oito tostões.

 

Como define a sua casa?

 A minha casa é o meu ninho, muito acolhedora. É o meu mundo onde me sinto feliz. A minha sala guarda as minhas memórias e recordações do passado.

 

 O que pensa do mundo?

Vejo o mundo de duas formas: por um lado é uma tristeza ver as pessoas tão ambiciosas pelo dinheiro. Por outro, assiste-se a um grande desenvolvimento tecnológico e industrial. No entanto, em relação ao turismo o nosso país já podia estar muito mais desenvolvido. Noto a diferença quando viajo para o estrangeiro.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente

Consegui vencer muitas batalhas como a criação da Escola de Natação dos Bancários, da comissão dos antigos alunos da Escola Primária Conde de Ferreira mas continuo a lutar pela transformação do Forte de Albarquel em centro náutico. Um espaço que está completamente abandonado e pelo qual tenho pedido a intervenção das entidades oficiais.

 

Como se resolve a crise?

Precisamos de gente competente e não vejo ninguém à altura desde 1974. Precisamos de mais união política e entendimento. Temos que mudar.

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem que criou Deus?

Sou católico mas não praticante. Estou convencido que existiu alguém soberano que terá criado o ser humano. Uma grande força que chamamos Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Fazia tudo o que fiz e tudo o que fiz foi em defesa e benefício da vida e da minha cidade de Setúbal.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Estou reformado mas continuarei a lutar pela recuperação do Forte de Albarquel que poderia dar um excelente centro náutico ou até mesmo uma unidade hoteleira.

Estou a pensar escrever um livro. 

 

CAIXA DE PALAVRAS

 

Um destino

Canadá

 

Um livro

Serra Mãe (Sebastião da Gama)

 

Uma Música

Rio Azul (do Chico da Cana)

 

Um ídolo

Os meus pais

 

Um prato

Sardilhas assadas

 

Um Conceito

Honestidade

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:23

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