Entrevistas de JoaQuim Gouveia

09
Nov 11

RICARDO

 “HÁ POUCAS NOTÍCIAS POSITIVAS”

 

Ricardo assume-se como um homem transparente, sem rancores nem segredos, amigo do seu amigo. Teve uma infância feliz onde nada lhe faltou e isso é o que mais quer proporcionar aos seus dois filhos. Sente-se um homem realizado mas, ao mesmo tempo, preocupado com quem mais sofre nesta sociedade onde, diz, é necessário cada um dar mais de si para que a riqueza não seja palavra vã. A sua alcunha é o Labreca e assim ficou conhecido num meio que já lhe deu enormes alegrias como o título de vice campeão europeu, em futebol. Cristo sacrificou-se pelo Homem que, se explica através de Deus

 

 Como foi a sua infância?

 - Foi uma infância feliz, nunca me faltou nada. Os meus pais sempre trabalharam para que nada faltasse, nem a mim, nem ao meu irmão, que é mais novo. No fundo uma bola era tudo o que desejavamos para sermos felizes. Na escola fui sempre muito bom aluno até ao 12º ano. Tenho gratas recordações de alguns professores. Depois fiz as brincadeiras normais de qualquer criança como jogar á bola, ao pião, o ferrinho, eu sei lá. Com 10 anos fui jogar no União da Graça, já como guarda redes. A minha alcunha era o Labreca. Ainda hoje os meus amigos me chamam assim. Depois transitei para os Unidos, onde fui campeão distrital em infantis. Éramos os melhores jogadores da região. Finalmente, ainda como jovem, ingressei no Montijo, onde fui juvenil e junior.

 O primeiro amor...

 - Foi a minha mulher. Tínhamos oito anos quando nos conhecemos na mesma ama que já dizia que nos havia de ver casados. E acertou. Apesar de, mais tarde, a escola nos ter separado acabámos por namorar e casar.

 E o primeiro emprego…

 - A distribuir folhetos por todo o país para a GrafisDecor. Ganhava 4 a 5 contos por dia. O dinheiro que juntava era para ir de férias. Comecei com 16 anos.

 Como é a sua casa, como a define?

 - Uma casa de família, muito alegre, graças a Deus, com muita gente. Tenho 2 filhos, o Tiago, com 8 anos e o Ricardo, com 2. Eles são a principal alegria da nossa casa. É uma casa tranquila num sítio pacato de Azeitão.

 

 O que pensa do mundo?

 - O panorama não é famoso. Os mais necessitados estão a fazer muitos sacrifícios. Isto tem que dar uma volta grande. Eu sou optimista mas vejo que isto não está bem. No entanto, penso que as coisas um dia vão fluir mais positivamente, com mais trabalho e emprego e, talvez, a riqueza seja maior.

 Como se ultrapassa a crise?

 - Segundo dizem esta é a pior das crises. Todos os dias a informação, os media, nos mostram tragédias e miséria. Há poucas notícias positivas. Temos que puxar pelas coisas boas, trabalhando, indo à luta. As pessoas não podem sofrer tanto. Quem trabalha cada vez tem menos e os que governam têm mais. Já existem pessoas que roubam para comer.

 Sente-se realizado humana e profissionalmente?

 - Nunca me queixo. Quero sempre mais, chegar sempre mais longe. Quero ter novas experiências positivas. Nunca estou contente. As relações pessoais são as que nos tornam maiores em termos de riqueza. Não gosto da ingratidão, da falsidade e da inveja. Temos todos que dar um bocadinho mais de nós. Acho que podemos, sempre, ser melhores.

 Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Eu não estava cá, não me lembro. Sou católico não muito praticante. Acho que foi o Homem quem criou Deus. Jesus Cristo foi um homem que se sacrificou por nós, para sermos melhores. Deus é uma necessidade que assiste ao Homem para se explicar a si próprio.

  Se o mundo terminasse amanhã o que faria hoje?

 - Nem quero pensar nisso. Prefiro não saber. O tempo que temos por cá é muito limitado e nunca sabemos quando termina.

 A idéia que os outros têm de si corresponde àquilo que lhes tenta transmitir? Como se define?

 - Nem toda a gente. Quem me conhece sabe quem eu sou. No fundo sou um homem transparente que não guarda segredos nem rancores. Quando me magoam prefiro ignorar. Eu respeito as pessoas . Tenho alguns amigos e muitos conhecidos.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Já escrevi o livro, plantei a árvore e tenho os filhos. Quero continuar a ser feliz com a minha família. Acho que não mudaria nada. Não faço idéia.

 


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 - Honestidade

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:16

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