Entrevistas de JoaQuim Gouveia

09
Nov 11

MARIA AMÉLIA ANTUNES

 “O MUNDO CORRE O RISCO DE SE TUMULTUAR”

 

A Dra. Maria Amélia Antunes é presidente da Câmara Municipal do Montijo. Oriunda da Beira Alta, não esquece a professora que a preparou para a admissão ao Liceu Nacional de Viseu e recorda, com carinho tempos de criança passados entre as brincadeiras e a ajuda nas tarefas do campo. Realizou o sonho de ser advogada e diz ser autarca para contribuir para o bem estar colectivo. Começou a trabalhar com quinze anos e dedicou a sua vida a causas e convicções. Define-se como workaólica (trabalhadora incansável) e acredita que o mundo e a crise só mudarão com a reposição de valores morais e sociais.

 

Como foi a sua infância?

- Foi uma infância irreverente numa aldeia da Beira Alta, Pinheiro de Azere, no concelho de Santa Comba Dão, até aos 11 anos de idade. Tenho gratas recordações da minha professora da quarta classe que me preparou muito bem para fazer o exame de admissão ao Liceu Nacional de Viseu, em 1963. De resto, brinquei bastante com os meus amigos como jogar á bola, saltar à corda, às escondidas, eu sei lá. Mas também já ajudava a minha mãe, os meus avós e as minhas tias nas tarefas rurais como ir buscar água á fonte, tratar dos animais. Tinha uma cabra á qual tirava o leite para beber. Foi muito divertido.

O primeiro amor...

- Foi com um colega da aldeia. Eu já lá não morava. Tinha 14 anos e ía lá passar férias. Ele até me escreveu uma carta a pedir namoro e acabámos mesmo por namorar de forma inocente, claro.

E o primeiro emprego…

- Fui assalariada rural, com 15 anos, na quinta do senhor João Esteves de Oliveira, na Atalaia e ganhava 25 escudos. Ajudava nas tarefas agrícolas.

Como é a sua casa, como a define?

- O meu porto de abrigo. É lá que eu tenho a minha vida. É acolhedora, tranquila e com muitos papéis e livros para arrumar (risos). Fica no Montijo.

O que pensa do mundo?

 - É uma grande questão nos dias que correm. O mundo corre o risco de se tumultuar, isto é, não é seguro, não dá confiança e limita a esperança em algo melhor. No entanto, noutros momentos da humanidade, que também foram difíceis, o Homem conseguiu superar as dificuldades. Estamos num tempo de mudança que, espero, seja para melhor.

Como se ultrapassa a crise?

 - Pelo retorno aos valores humanos, particularmente, aos da solidariedade, igualdade e justiça social sendo que o valor supremo, para mim, é o da liberdade que coexiste dentro e fora de nós. Há outra valor que é a responsabilidade individual e colectiva.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Estou bem comigo mas confesso que, desde que me conheço, sempre quis ser advogada não para enriquecer mas com um profundo sentimento de justiça. Realizei esse meu objectivo e, felizmente, fui bem sucedida tomando, paralelamente, a consciência da necessidade de participar cívica e politicamente na sociedade. Daí que hoje seja presidente do município do Montijo. Todavia mantenho o desejo de continuar a contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada. Estou de bem comigo e com a vida.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

 - Muito complicado. Nunca abordei esse assunto dessa forma. Respeito as duas correntes.

 Se o mundo terminasse amanhã o que faria hoje?

 - Reunia a família e os amigos para terminarmos juntos. Mas isso, felizmente, não vai acontecer.

A idéia que os outros têm de si corresponde àquilo que lhes tenta transmitir? Como se define?

 - As pessoas que me conhecem bem devem ter uma imagem correcta daquilo que sou e lhes transmito. Acho que sou uma pessoa responsável, workaólica, teimosa, persistente, de convicções e causas.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

 - Continuava a desenvolver o trabalho que tenho realizado com a consciência da relatividade das coisas.

 

 CAIXA ALTA

 

 Um destino

 - Nova Iorque

 Um livro

- Os subterrâneos da liberdade

 Uma música

- Diamond´s and rust

 Um ídolo

- Mário Soares

 Um prato

- Caldeirada à pescador

 Um conceito

 - Honestidade

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:23

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