Entrevistas de JoaQuim Gouveia

08
Nov 11

 

 

PIEDADE FERNANDES

“NEM SEMPRE O MEU VALOR É RECONHECIDO”

 

Piedade Fernandes é fadista de reconhecidos méritos tanto pelo nosso distrito como nas principais catedrais do fado na capital. Não guarda memórias da infância pela austeridade imposta pela mãe. Habituou-se a ver o mundo dependurada na janela do seu quarto. Não se arrepende de nada do que já realizou na vida, antes prefere estar abertas a novos conceitos espirituais e  prosseguir com o seu trabalho. Diz, ainda e com mágoa que a imagem que as pessoas têm de si é a de uma mulher rica. Isso não corresponde à sua verdade

 

Como foi a sua infância?

- Numa família tradicional. Nasci em Lisboa mas fui morar para o Barreiro. Curiosamente não brincava nem me divertia. A minha mãe implantou-me uma meninice, e até juventude, com  muita disciplina, quase militar. Não podia sair de casa nem me afastar do meu quarto onde me punha à janela a ver as outras crianças a brincar na rua.. A minha mãe era superprotectora e isso não me permitiu ter uma infância igual à dos meus amigos.

 Como eram os seus pais?

- Como lhe disse a minha mãe impunha muita disciplina, era muito austera. Ao fim e ao cabo também ela foi criada dessa forma. O meu pai era liberal e poeta, um homem de esquerda. Parecia haver um choque tremendo entre os dois mas a verdade é que se amavam, estimavam e compreendiam-se.

 O primeiro amor…

- Foi um rapaz do Porto, que vinha passar férias perto da minha casa. Tinha uma bicicleta muito gira que só queria emprestar a mim. Até aos meus quinze anos limitei-me a contemplá-lo da minha janela. Só depois falámos e chegámos a beijar-nos. Mas os nossos feitios eram incompatíveis. Ficou uma bonita amizade. 

E o primeiro emprego…

- Num atelier de arquitectura em Lisboa, que era de um amigo do meu pai, como desenhadora praticante, ainda no tempo dos grafos.

 O que pensa do mundo?

- Está em mudança cíclica. Isto acontece desde sempre. Mas hoje a culpa é mais do Homem porque já mexe com a natureza e a altera a seu belo prazer interagindo de uma forma muito negativa. 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

- Ás vezes. Como cantora nem sempre o meu valor, empenho e esforço são reconhecidos. A imagem que as pessoas têm de mim é que sou uma mulher rica. Como professora estou desapontada. Exigem-nos coisas que nem sempre passam pelo dever de ensinar que deve ser, afinal, o nosso principal objectivo.

 A família, que importância?

- É o meu pilar. Sem equilíbrio profissional é difícil manter um bom nível e isso mexe muito comigo.

 Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Acho que há uma energia que se pode transformar em matéria e dar origem a planetas, à àgua, etc.. Acredito no espírito das pessoas, que isto não acaba aqui, que há outra dimensão. Estou aberta a este tipo de consciência espiritual.

 Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Não me arrependo de nada do que fiz na minha vida. Nunca fiz nada de mal nem prejudiquei ninguém. Sofri, talvez, de alguma ingenuidade por falta de experiência.

 Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou professora de Educação Visual e fadista. Gostava de editar um CD com poemas feitos por mim. Gostava, ainda, de me poder dedicar à pintura. Quero ter mais tempo disponível para apreciar as coisas, a vida e a família.

 

CAIXA ALTA

 

Um destino

- África Litoral

 Um livro

- Código Da Vinci

 Uma música

- No teu poema

 Um ídolo

-Da Vinci

 Um prato

- Macarrão

 Um conceito

- Só o amor é a verdade, tudo o resto é efémero

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 23:02

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