Entrevistas de JoaQuim Gouveia

05
Out 13

“GOSTAVA DE CONSOLIDAR MAIS OS MEUS 35 ANOS DE CARREIRA”



 

LUIS PORTELA (cantor)

 

“GOSTAVA DE CONSOLIDAR MAIS OS MEUS 35 ANOS DE CARREIRA”

 

Luis Portela é um dos mais mediáticos cantores setubalenses. Reparte o palco com uma loja de vestuário porque as cantigas e a moda são actividades que lhe conferem muito gozo e prazer. Teve uma infância difícil e começou a trabalhar no duro, nas obras na Bélgica. A sua casa é confortável e está decorada a seu gosto, nada de exuberância, como faz questão de afirmar. Pensa que o mundo é o espelho egoísta do Homem e a crise só se resolve com emprego e mais economia. É crente mas não tem explicação para Deus.

 

Como foi a sua infância?

- Complicada. Os meus pais separaram-se tinha eu apenas 5 anos e fiquei com a minha mãe e o meu irmão. A minha mãe trabalhava bastante embora o meu pai também ajudasse. Mas não estávamos juntos. Não vivi em fartura, nem riqueza. Foram tempos difíceis. Frequentei a escola dos Pinheirinhos e mais tarde a Comercial (Sebastião da Gama), onde tirei o 5º ano. Depois o meu pai levou-me para a Bélgica para trabalhar nas obras. Foi uma infância e uma adolescência muito difícil.

 

O primeiro amor...

- Aconteceu aos 14 anos. Foi muito giro. Nessa altura tudo é bonito, até o lado mais infantil das coisas, próprio da idade. Era uma rapariga normal, gira, que conheci nos bailaricos. Uns beijinhos, uma troca de palavras e pouco mais.

 

E o primeiro emprego…

- Nas obras, na Bélgica, com o meu pai. Ganhava-se 40/50 escudos por dia. Hoje falamos em cêntimos...

 

Como é a sua casa, como a define?

- Humilde. Não há exuberância. Confortável partilhando o essencial para nos sentirmos bem. Está decorada ao meu gosto. Vivo nesta casa desde os meus 6 anos. Foi o meu pai que a construíu. Tenho uma enorme ligação e um sentimento muito forte por ela.

 

O que pensa do mundo?

- Acho que é o espelho do egoísmo do Homem que só pensa na riqueza, no gozo e no poder. Se o mundo fosse mais humanizado estaríamos bem melhor, sem miséria, nem desemprego, por exemplo.

 

Como se ultrapassa a crise?

- Primeiro temos que encontrar os culpados da crise e chamá-los à responsabilidade. Porque é que os que não contribuem para a crise a sofrem na pele? Não se resolve a crise com desemprego e falta de economia. Na minha loja, quando vendo pouco é, precisamente, quando faço um maior esforço para apresentar mais colecção para chamar o público.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Faço as coisas que adoro, a música e a moda. Estas actividades dão-me mais prazer que segurança financeira neste momento, devido à crise.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Não tenho bases para explicar esse fenómeno. Sou crente, tenho fé independentemente do nome que se dá a algo que estará acima de nós no Universo. Não perfilho qualquer opção religiosa mas respeito todas.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Talvez alguns erros que tenha cometido. A vida está sempre a ensinar-nos. Profissionalmente se voltasse atrás teria feito a mesma coisa porque me dá muita alegria e prazer ser cantor e pequeno comerciante na área da moda e pronto a vestir.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

 

- Como disse sou cantor e comerciante. O futuro está complicado devido ao rumo que a vida está a levar. Gostava de consolidar mais a minha carrreira e ter mais reconhecimento pelos meus 35 anos de estrada e palco.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

- New Iork

 

Um livro

- As portas da Atlântida (Guy Tarade)

 

Uma música

- Woman (john Lennon)

 

Um ídolo

-Fredy Mercury

 

Um prato

- Cozido à portuguesa

 

Um conceito

- Ser feliz e tentar incutir nos mais próximos a verdade e a alegria de viver

 

publicado por Joaquim Gouveia às 16:37

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