Entrevistas de JoaQuim Gouveia

07
Out 13

 

“TENHO UMA IDÉIA UM POUCO NEGATIVA DO MUNDO”

 

Fernando Tomé é figura por demais conhecida na nossa região. Exímio jogador de futebol militou em equipas de nomeada como o Vitória de Setúbal e o Sporting Clube de Portugal. Mais tarde abraçou a carreira de treinador e foi ainda coordenador do futebol juvenil do Vitória sadino. Diz que nasceu em berço de ouro, morou num palácio e cumpriu a máxima “filho de peixe sabe nadar”. Não sabe se o Homem criou Deus ou se foi o inverso e também não tem solução para a crise que afirma ser também de valores. Agora, na reforma, sente-se, finalmente, a gozar as férias que nunca teve

 

 

Como foi a sua infância?

Foi, como costumo dizer, em berço de ouro. O meu pai era jogador profissional de futebol e em 1948 protagonizou a transferência mais cara do futebol português saíndo do Académico do Porto, para o Sporting da Covilhã, o que lhe rendeu bom dinheiro. No Porto, onde nasci vivíamos num pálácio que era do meu padrinho, um industrial dos lanifícios, muito rico e conceituado que dava pelo nome de José Gabriel do Santos Júnior. O meu pai ganhava bem e, portanto, tive uma infância muito feliz onde nada me faltou

 

O primeiro amor…

Tive três namoradas chamadas Elisabete e fui casar com uma Júlia, há 42 anos. O primeiro amor foi como uma dessas Elisabete, aos 15 anoss, no Bairro Santos Nicolau

 

E o primeiro emprego…

Na estação da BP, na Avenida 5 de Outubro. Fazia um pouco de tudo, desde gasolineiro, a arrumador de carros ou até mesmo cobrador, etc..

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa própria. Já lá moro há 38 anos. Fica nos Arcos, ao Montalvão, onde era o antigo campo do Vitória. É uma casa confortável. Ali criámos os nossos dois filhos, gémeos, uma rapaz e uma rapariga.

 

O que pensa do mundo?

Penso nos meus netos. Vivemos numa sociedade de hipocrisia e de muita maldade e os mais novos vão sofrer bastante no futuro. Tenho uma idéia um pouco negativa do mundo. Países que eu conheci que eram belos têm-se degradado. É um mundo em permanente conflito.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

O ser humano nunca se sente realizado, procura sempre algo mais, novos desafios. A minha satisfação é ter cumprido as metas a que me propus social e profissionalmente.

 

Como se resolve a crise?

Temos o hábito de dizer que não somos politicos embora tenhamos um pouco de tudo. Isso não é verdade. Todos temos, também, um pouco de politícos porque temos idéias e opiniões. Não sei como se resolve esta crise que para além de financeira também é uma crise de valores. E isso está implicíto.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico não praticante mas respeito todas as religiões. Todos nós temos um deus mas não sei quem criou quem

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Tive a actividade profissional que sempre ambicionei. No fundo cumpri o provérbio “filho de peixe sabe nadar”. Casei com a mulher da minha vida e tivemos dois filhos maravilhosos que já nos deram 3 neros que adoramos, claro

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Agora é que ando a gozar as minhas férias. Nunca as tive por força da minha condição de jogador de futebol (Vitória de Setúbal, Sporting C.P. e Uniáo de Leiria) e depois como treinador de várias equipas. Nos últimos 18 anos fui, ainda, coordenador do futebol juvenil do Vitória. Agora, na reforma, tento a proveitar as férias da melhor maneira

 

 

Um destino

Israel

 

Um livro

Um livro sobre basquetebol do prof. Jorge Araújo, que me deu muitas dicas que transportei para o futebol

 

Uma música

Yellow submarine (Beatles)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Raia à pescador

 

Um conceito

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje

publicado por Joaquim Gouveia às 21:16

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