Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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“SÓ SE RESOLVE A CRISE COM UMA POLITICA PATRIÓTICA E DE ESQUERDA”


A Dra. Anita Vilar é médica psiquiatra e pessoa envolvida em actividades políticas e sociais, como é o caso da Ordem dos Médicos, onde é membro da distrital. Teve uma infância repartida entre o modernismo de Angola e a tacanhez de Trás os Montes. Recorda-se do seu primeiro amor e do primeiro emprego em plena “abrilada de 69”, em Coimbra. Para si a solução para a crise passa por uma politica patriótica e de esquerda e tem esperança que o Homem encontre um caminho mais justo e humanizado para o mundo. Não acredita em Deus.

 

 

Como foi a sua infância?

Teve coisas boas e outras menos boas como a separação dos meus pais. Nasci em Benguela, Angola e morei em Nova Lisboa, até aos 15 anos. Depois vim para Portugal e fomos morar para Vila Real de Trás os Montes. Foi um choque tremendo ao nível dos usos e costumes locais e que eu não estava nada habituada. Deixei de usar calças, de andar de bicicleta e de tratar os rapazes por “tu”, entre outras coisas. Encontrei uma sciedade muito conservadora. Só víamos televisão no café e nunca íamos sózinhas, eu e a minha prima. Tivemos que aprender as driblar os mais velhos

 

O primeiro amor…

Foi na 3ª classe. Uma paixão assolapada. Tinha 9 anos. Limitávamo-nos a trocar uns olhares. Ah, ainda demos uns beijinhos (risos)...

 

E o primeiro emprego…

Como médica nos Hospitais da Universidade de Coimbra, depois de acabar o meu curso de medicina. Foi em Abril de 1969, na chamada “abrilada”, uma altura muito conturbada e complicada

Como é a sua casa? Como a define?

Um apartamento modesto e confortável, decorado ao meu gosto e jeito. Não é uma casa museu. É o meu sossego. Tenho livros em todos os lados e alguns instrumentos musicais que colecciono. A minha casa é o local onde repouso, convivo com a família,recebo amigos, leio, oiço a música que gosto e preparo muito trabalho.

 

O que pensa do mundo?

Neste momento, vive dificuldades grandes devido à fase em que se encontra o capitalismo. Contudo, penso que há muitos motivos de esperança e confiança de que a Humanidade irá encontrar um caminho mais justo,solidário e sem exploração. Preocupa-me a fome, a exploração dos que trabalham e os perigos relativos à paz.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, no geral penso que sim. Há coisas que, certamente, ficaram por realizar. Uma delas foi a de não ter seguido uma carreira de pianista

 

Como se resolve a crise?

Com uma política patriótica e de esquerda porque se não houver uma rotura com esta política de recessão e submissão ao estrangeiro, a crise não se resolve.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou ateia e costumo dizer que acredito na Humanidade. O Homem criou Deus porque se sentia muito pequenino neste mundo e teve necessidade de explicar os fenómenos naturais que o conhecimento não permitia explicare. A morte, o desconhecido, o inexplicável foram as razões para que o homem criasse um ser sobrenatural, invisivel e poderoso.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nunca coloquei a mim própria essa questão porque em cada momento da nossa vida decidimos julgando que estamos a fazer o melhor. Portanto, não mudaria nada

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou médica psiquiatra e mantenho a minha actividade política e associativa. Sou membro dos orgãos distritais da Ordem dos Médicos, do Conselho Nacional do MDM.Fui eleita para a Assembleia Municipal. No futuro, ? Quer dizer quando eu tiver os noventa? Olhe, não sei se emigro para o Canadá (risos)...

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Barcelona

 

Um livro

Nenhum Homem é estrangeiro (Joseph North)

 

Uma música

7ª Sinfonia de Beethoven

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Sardinha assada à setubalense

 

Um conceito

Coerência

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:18

Olá gostaria de obter o contacto de email da entrevistada para fins de participação de um projecto na área da sexualidade na pessoa com deficiência.

Se fosse possível agradecia imenso.

Obrigado pela atenção

Anónimo a 22 de Setembro de 2017 às 16:16

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