Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Out 13

 

“VIVEMOS PARA UM MUNDO IMAGINÁRIO”

 

José António Contradanças, que assina como José – António Chocolate, é um dos mais reconhecidos poetas da nossa região. Alentejano de Santa Eulália confessa ter tido uma infância alegre com muita brincadeira. Aos 10 anos recebeu o epíteto de “poeta da escola”. O seu primeiro ordenado foram 500 escudos a fazer letra de caligrafia francesa. Sente-se um homem equilibrado e diz que a crise resolve-se atacando os privilégios. Elege a cidade de Setúbal, como o seu destino preferido e não tem ídolos. Acredita no destino

 

 

Como foi a sua infância?

Alegre por ser filho e neto único. Nasci em Santa Eulália, Elvas. O meu pai era trabalhador rural e a minha mão costureira. Eram os dois analfabetos mas honestos e trabalhadores. Brinquei a tudo, tudo servia de brincadeira, sempre na rua como convinha. Tinha muitos amigos. Na escola fui um bom aluno e aos 10 anos já era o poeta entre os alunos. Nessa altura ganhei uma bolsa de estudo no ciclo preparatório. Foi uma infância muito feliz

 

O primeiro amor…

Também por volta dos dez anos, com a Carolina que viria a casar com o meu melhor amigo. Foi um namoro de crianças. Ela era muito engraçada

 

E o primeiro emprego…

Ganhei os meus primeiros 500 escudos, em 1971, a fazer pastas com letra de caligrafia francesa para os processos do Regime Especial da Segurança Social para os trabalhadores rurais. Era muito dinheiro na altura


Como é a sua casa? Como a define?

Tenho várias por força da minha actividade e pela ligação à minha terra. Gosto de recuperar casas. No entanto, a casa da minha identidade fica numa quinta em Santa Eulália. É uma casa tipíca com as cores do Alentejo, o branco, o amarelo de ocre e o azul nas janelas e portadas. A decoração é rústica com algum mobiliário típico alentejano

 

O que pensa do mundo?

Penso que o mundo actual é um ente global indiferenciado e cada vez mais homogeneizado em que se vão esbatendo as diferenças culturais e onde prevalece a lei da finança e da economia, Vivemos para um mundo imaginário. Tudo é uma ambição

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me equilibrado. Acredito que a vida é feita de equílibrios dinâmicos. Temos que procurar a novidade e novos objectivos

 

Como se resolve a crise?

Com coragem de atacar os privilégios sem hesitações. Em Portugal, isso são coisas com nome e assinatura. Não devemos andar com paninhos de água quente. A crise resolve-se com equidade e justiça. Os governantes não atacam as diferenças, preferem atuar de forma fácil e sob a velha máxima de resolver os problemas à custa da classe média, dos assalariados e dos pensionistas

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Ambas as coisas. Há uma relação estreita entre as duas. Houve sempre a idéia de que o Homem se sentia inferior e um produto de uma força divina, dum Deus Supremo. E, assim, foi criando um deus que o criou a ele próprio. Acredito nesse Deus divino. Sou espiritual e entendo a religiosidade humana

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Pensando bem, nada. A vida é um puzzle que se vai construindo. Mudando uma peça tudo se poria em causa. Ademais acredito no destino e, pelos vistos é este o meu destino por muito que o torça ou force

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou assessor da Administração do Porto de Sines e sou poeta, esposo, pai e avô. Tudo isto é para manter. No futuro quero continuar ligado a projectos culturais e sociais com utilidade para os meus e para a terra que me viu nascer

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Setúbal

 

Um livro

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma música

Carmina Burana (Carl Off)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Cozido de grão com carnes cheias e hortelã viva (fresca)

 

Um conceito

Fazer o bem sem olhar a quem

publicado por Joaquim Gouveia às 12:19

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