Entrevistas de JoaQuim Gouveia

01
Out 14

 

“O MUNDO É UMA OBRA PRIMA DA NATUREZA”

 

O Dr. Mário Nery é um homem muito conhecido no meio palmelense pela sua conduta associativista e participativa no meio social da vila. Nasceu em Setúbal, no antigo hospital da Misericórdia, cresceu e brincou nas ruas que dão acesso ao castelo e conheceu um amor inocente na viragem dos 7 para os 8 anos. Aos 13 começou a trabalhar na antiga Socel, como paquete mas a tropa sugeriu-lhe novos desafios. Tem do mundo a ideia de que é uma obra prima da natureza e sobre Deus, tem dúvidas sobre a manutenção do mistério ou se é preferível cessá-lo em definitivo. Para si a resolução de qualquer tipo de crise constitui uma verdadeira utopia regenerativa. Não mudaria nada na sua vida porque sabe que as circunstãncias também a moldam. Gosta de ervilhas com ovos e a justiça é um conceito pelo qual nutre o maior respeito.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, no Hospital do Espírito Santo, vulgo da Misericórdia. Nos primeiros tempos de vida, o amor dos meus pais e os cuidados que me dispensaram compensaram de sobremaneira as enormes dificuldades financeiras porque passaram. A minha mãe operária conserveira e o meu pai empregado na Lota de Setúbal, mostraram-me desde sempre a dignidade na pobreza em conciliação permanente com o privilégio de andar calçado porque o Sindicato da Indústria Conserveira, me dava sapatos e me facultava livros para alinhavar as primeiras letras. A minha infância vivida entre o “Vise”, a Palhavã e o Castelo de São Filipe, com permanentes descidas à cidade, foi intensa, plena de aventuras e cheia de vida.

 

E o primeiro amor…

Hoje uma imagem sem rosto, lembro a Nazaré. Teria os meus 7 ou 8 anos. Era minha vizinha num  páteo da Rua do Castelo, rodeado de meia dúzia de casas iluminadas a petróleo. Brincávamos muito, partilhando inocências. Penso que seria a mais bonita do meu imaginário da altura

 

E o primeiro emprego...

Com 13 anos, quase 14. 1º dia na Socel – Sociedade Industrial de Celuloses, hoje Portucel. De calções às 8 da manhã, em frente à “Luísa Todi” levado pela minha mãe à carrinha conduzida pelo Domingos Luzio, tendo como anfitriões no “pão de forma” o Domingos Ribeiro e o José Carlos da Malha Ferreira. Aguardavam-me três meses da função de paquete, sucedendo-se cerca de 7 anos na secção de pessoal e depois a contabilidade. A tropa mudou o rumo profissional e social da minha vida, sugerindo novos desafios que haveriam de perdurar para sempre.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Trata-se do sítio onde, preferencialmente no meu escritório,  sonho acordado, acelero e sou travado por conselhos prudentes, compartilho a mesa com as pessoas que amo e onde a contragosto sou obrigado a gastar algum tempo de vida a dormir. Não propriamente o corpo da casa, mas especialmente a sua alma, sugere-me todos os dias ao sair de casa  uma vontade indómita de voltar, ao porto seguro que sempre a mesma representa.

 

O que pensa do mundo?

Obra prima da natureza. Aqui e acolá mal e bem frequentado. O mal e o bem, a ganância e a generosidade, a mentira e a verdade, a injustiça e a justiça, a desigualdade e a igualdade, constituem entre outras circunstancias da vida, um desafio permanente à regeneração humana e à procura de uma oportunidade que permita a germinação da felicidade. 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Estou longe de qualquer tipo de realização humana, quer como pessoa, académica ou profissional.

Apoiado na essência da inspiração rotária faço do meu dia a dia um desafio permanente  à procura de oportunidades para exercer o primado da justiça, do amor, da fraternidade e da competência. Nem sempre sou abençoado com o privilégio de ter sucesso, mas não desisto.

 

 

 

Como se resolve a crise?

Que crise, digo eu. Seja qual for o contexto em que se insira a palavra crise, a minha resposta é: não sei! Todavia estou convicto, sem qualquer tipo de certeza que, atentos ao conhecimento de hoje, a resolução de qualquer tipo de crise constitui uma verdadeira utopia regenerativa que alimentará, inexoravelmente, a vontade de descobertas da humanidade de forma permanente e progressiva.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Reza a ciência que a origem do mundo, se deve ao Big Bang, de sons e silencios onde quimicamente a explosão de átomos e moléculas haveriam de formar o que conhecemos como mundo. Porém continua, designadamente no CERN na Suiça, a pesquisa permanente e activa do mistério da vida. Tenho dúvidas, se para a felicidade do homem, será melhor a manutenção do mistério ou a sua cessação. Quanto a Deus ter criado o homem e a natureza, reverencio-me por respeito a um domínio onde não sei penetrar.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Partilho da ideia de que uma coisa é prever outra coisa é saber. Saber o futuro seria acabar com uma boa parte do encanto da vida, seria cercear o desafio da esperança no devir. Se pudesse voltar a trás, óbviamente que algumas coisas não essenciais mudaria na minha vida. Estruturalmente não mudaria nada. E depois há as circunstâncias… que nos direccionam para o que queremos e por vezes para o que não queremos…

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Director de empresa e consultor jurídico. Continuar a trabalhar até que o corpo e a alma mo permitam. Ver a minha neta crescer.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Praia dos Carneiros (Recife – Brasil)

 

Um livro

Mal-entendidos (Nuno Lobo Antunes)

 

Uma música

Grácias à la vida (Violetta Parra)

 

Um ídolo

São tantos que os consagro ao esplendor da vida

 

Um prato

Ervilhas com ovos

 

Um conceito

Justiça. Dar a cada um o que merece e lhe pertence

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:39

30
Set 14

 

“A CRISE NÃO CAIU DO CÉU. TEM RESPONSÁVEIS!”

 

A Dra. Ana Teresa Vicente foi presidente da Câmara Muncipal de Palmela, ao longo de doze anos. Agora é presidente da Assembleia Municipal. Nasceu em Setúbal, mas viveu e cresceu em Praias do Sado, onde frequentou a escola primária e experimentou a doutrina do antigo regime numa reguada que ainda hoje recorda como muito injusta. O seu primeiro emprego foi na Associação de Municípios. A sua casa é um refúgio muito especial, o seu destino preferido. Tem a ideia de que o mundo é um lugar perigoso e que, embora seja mulher de fé tem um visão pragmática sobre a sua criação. A crise, que não caiu do céu, como diz, tem responsáveis e resolve-se com politicas diferentes. Gosta de ler Isabel Allende e de ouvir Paulo de Carvalho.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, no hospital de S. Bernardo. Tive uma infância feliz em familia, com uns pais fantásticos e com um conceito de familia alargado. Era um bocadinho Maria rapaz. Cresci em Praias do Sado, com alguma liberdade. Gostava muito de brincar nas ruas. As nossas brincadeiras eram as tradicionais da época. Fiz a escola primária ainda em Praias do Sado. Lembro-me que era boa aluna, mas na 4ª classe, pela primeira vez apanhei uma reguada por um erro que dei, o que achei muito injusto, mas naquele tempo levava-se uma reguada por cada erro.

 

E o primeiro amor…

Como toda a gente, com a intensidade dos 15 anos. Foi um amor de verão, platónico, mas que durou algum tempo. Aconteceu na Comporta.

 

E o primeiro emprego...

Na Associação dos Municipios da Região de Setúbal, com 20 anos. Fui secretária do coordenador. O meu primeiro ordenado foram 40 e tal contos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Confortável, o meu castelo, o meu refúgio. Gosto muito de estar em casa. Adoro o regresso a casa. Gosto de conviver e receber a familia e os amigos.

 

O que pensa do mundo?

Penso que hoje o mundo atravessa, talvez, das suas fases mais dificies do ponto de vista dos fundamentalismos, do desenvolvimento que a humanidade teve e que nos exigiria outra tolerância sobre a vida, a própria humanidade, o planeta e a relação entre os povos. Fruto do dominio de alguns o mundo é hoje profundamente injusto e desequilibrado. Sou, no entanto uma pessoa cheia de esperança. Mas o mundo é um lugar perigoso.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Gosto do que sou, de quem sou e de tudo o que fiz. Tenho a sorte de ter tido atividades intensas e enriquecedoras do ponto de vista humano e politico. Mas acho que ainda não fiz tudo, nem do ponto de vista humano, nem profissional.

 

 

Como se resolve a crise?

Indiscutivelmente com políticas diferentes. A crise não caiu do céu, nem aceito a ideia de que todos contribuímos para a crise, como se diz por aí, porque “vivemos acima das nossas possibilidades”. Não concordo! A crise tem responsáveis.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

É uma questão de perspetiva e de fé. Tenho uma visão muito pragmática sobre a criação do mundo mais próxima de correntes científicas. Mas sou uma mulher de fé.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Em termos das grandes opções não mudaria nada. Se possível escolheria não ter alguns sofrimentos mas aprendi com eles.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Trabalho na Cooperativa, que é uma seguradora e que se chama Mútua dos Pescadores. Estou na área do desenvolvimento estratégico. Sou presidente da Assembleia Municipal de Palmela. No futuro está tudo em aberto. O mundo precisa da nossa participação e envolvimento. Estou disponível para projetos que valham a pena.

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

A minha casa

 

Um livro

Paula (Isabel Allende)

 

Uma música

E depois do adeus (Paulo de Carvalho)

 

Um ídolo

Anónimos

 

Um prato

Carapauzinhos com arroz de tomate

 

Um conceito

Estar bem com a consciência e tentar não magoar os outros

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:29

29
Set 14

 

Com o apoio HOTEL DO SADO

 

“SOU UM HOMEM DE SONHOS, EMOÇÕES E PAIXÕES”

 

O arquiteto Jorge Santana da Silva é figura bem conhecida na nossa cidade. Já foi presidente do Vitória de Setúbal e esse cargo conferiu-lhe popularidade a par com o de vereador que exerceu no mandato anterior no executivo camarário. É filho de Setúbal, nascido por cima da Tabacaria Loureiro, na mesma cama onde o pai nascera. É um homem de sonhos, emoções e paixões e não gosta de abordar o lado negativo da vida e do mundo. Adora a natureza e o seu trabalho como projetista de campos de golf. Acredita que Deus está entre as três piores coisas que o Homem inventou. Che Guevara é o seu ídolo e sente-se um homem livre.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na Avenida 5 de Outubro, por cima da tabacaria Loureiro, na cama onde também nasceu o meu pai. A minha tia-avó Carolina, era a parteira da cidade, a maioria dos partos eram feitos em casa naquela época. Não tive uma infância muito feliz. As minhas recordações até aos 10 anos não são muito boas. Vivi e cresci com a minha avó no bairro Salgado. O meu pai, o Luís do Notário era uma pessoa muito conhecida na cidade e a minha mãe era professora do ensino primário. Como estava colocada na escola de Aldeia Grande foi lá que fiz a primeira e a segunda classe, na sala dela. Depois fui para a Academia Luísa Tódi.

 

O primeiro amor...

Aconteceu durante umas férias no Luso. Deveria ter 15 anos. Ela era uma rapariga de Aveiro, a Clara Leite Ferreira. Os pais tinham uma casa na serra do Buçaco. Foi uma paixão que ainda durou algum tempo.

 

O primeiro emprego...

Na Junta Autónoma de Estradas, a contar carros nas estradas. Não me recordo de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É grande demais. Uma casa que projetei, num sítio que escolhi (Golf do Montado) e no melhor lote. Sinto-me muito bem em casa. Tem muita relva e uma frente que liga ao campo de golf. Tem, ainda, um lago mesmo em frente. A base da arquitetura é tradicional mas com um toque contemporâneo. Tem, também, uma piscina. É uma casa muito espaçosa.

 

O que pensa do mundo?

Sou um homem de sonhos, emoções e paixões, acredito que a vida é comandada por nós numa pequena parte mas, é bom que, também, nos deixemos comandar por ela. Este é o meu mundo. O mundo, no geral, tem coisas que me fascinam. Sou, também um homem da natureza. Não quero entrar pela parte negativa da questão. Sou sensível ao que é belo, particularmente, as belezas naturais.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente, sem dúvida. Sei que posso, ainda, fazer mais mas o que fiz basta-me para me sentir realizado. Como homem ainda não cheguei a atingir a tranquilidade que penso ser necessária para um dia partir em paz.

 

 

Como se resolve a crise?

Se soubesse como resolvê-la candidatava-me a primeiro-ministro. As crises são oportunidades mas enquanto as pessoas que comandam o nosso país não perceberem que o bem comum é mais importante que as suas barrigas e a loucura do dinheiro, vai ser muito difícil resolver a crise. Só podemos estar bem quando todos estivermos bem.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

O ser humano inventou muita coisa mas as suas três piores invenções são o trabalho obrigatório, o dinheiro e Deus. Tenho uma base católica mas não sou crente nos deuses em que a maioria dos Homens acredita.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Todos nós mudaríamos alguma coisa mas, sendo que atualmente sou fruto de tudo o que me aconteceu na vida e sei que seria uma pessoa diferente se me tivessem acontecido coisas diferentes. Acho que sou bom homem sabendo que poderia ser muito melhor.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou arquiteto de campos de golf. Pretendo continuar a minha atividade e mantenho a minha disponibilidade para as solicitações que os sonhos e as paixões me trazem.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Nova Zelândia

 

Livro

Dança de espadas (José Luís Neto)

 

Uma música

Construção (Chico Buarque)

 

Um ídolo

Che Guevara

 

Um prato

Salmonetes de Setúbal

 

Um conceito

Ser livre

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:35

26
Set 14

 

“DEUS É UM MITO QUE O HOMEM CRIOU”

 

Joaquim Palma é um empresário do ramo da panificação. Oriundo do concelho de Mértola, nasceu numa pequena aldeia alentejana, mas está radicado na nossa cidade desde há muito. Com 16 anos inscreveu-se como voluntário na Marinha e mais tarde arriscou em tornar-se empresário obtendo algum sucesso construindo uma vida com honestidade e desafogo. Tem do mundo a ideia de que a globalização apenas beneficia os grandes países. Quanto à resolução da crise pensa que os políticos devem olhar mais pelo povo e menos por si próprios e por quem os apoia. Solidariedade é o seu principal conceito na vida.

 

Como foi a sua infância?

Nasci numa pequena aldeia no concelho de Mértola, no Alentejo. Os meus pais eram pequenos agricultores. Recordo-me das brincadeiras com os meus amigos e, como gostava muito da vida do campo ajudava os meus pais e os meus tios. Tinha o vício da agricultura. Na escola fui um aluno razoável. Não tive a possibilidade de continuar os estudos para além da 4ª classe por dificuldade de transporte para Mértola, onde ficava a escola preparatória. Na altura não haviam carros na minha aldeia.

 

O primeiro amor...

Foi por uma rapariga lá da aldeia. Acho que tinha 12 anos. Foi amor à primeira vista. Andávamos à escola. Aquilo eram uns beijinhos e pouco mais.

 

O primeiro emprego...

Como voluntário na Marinha, com 16 anos. Ganhava 600 escudos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma vivenda em Aires, confortável, o meu refúgio e o local de encontro da família. Tenho duas filhas, ambas casadas que se reúnem lá em casa no Natal e noutras ocasiões de festa.

 

O que pensa do mundo?

Vejo as coisas muito difíceis. A globalização pode trazer algo de benéfico aos países mais desenvolvidos, mas a outros como o nosso não traz vantagens. Isto resulta numa desigualdade. Os países maiores é que decidem e, naturalmente, ficam com a melhor parte. Há um desequilíbrio social evidente. Não se vislumbram grandes perspetivas para os anos mais próximos.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Penso que sim. Fui empregado por conta de outrem durante muitos anos. Depois criei a minha empresa em 1988. Tornei-me um pequeno empresário com algum sucesso. Não estou arrependido. Como homem tenho um bom casamento, as minhas filhas e os meus netos. Sou um homem feliz.

 

 

Como se resolve a crise?

Quando existirem consensos, ou seja, quando os políticos passarem a respeitar-se e a respeitar os eleitores, o que agora não acontece. Estou de acordo que sejam os partidos políticos a governar mas deveriam pensar nos reais problemas das pessoas e do país e menos neles próprios e nas élites que os apoiam.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Deus é um mito que o Homem criou.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tenho uma ambição limitada à minha condição de pessoa humilde. Com as poucas possibilidades que tive consegui fazer a minha vida com desafogo e tranquilidade. Por isso talvez não mudasse grande coisa.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou empresário no ramo da panificação e faço parte dos órgãos sociais da Associação dos Industriais da Panificação de Lisboa. Pretendo continuar a apoiar a minha família e os amigos e, muito particularmente, os meus netos.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Cuba

 

Livro

A queda de gigantes (Ken Follet)

 

Uma música

Os Vampiros (Zeca Afonso)

 

Um ídolo

Vasco Gonçalves

 

Um prato

Bacalhau à Braz

 

Um conceito

Solidariedade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:16

25
Set 14

 

“TEMOS DE CONTRIBUIR PARA O BEM ESTAR DE TODOS”

 

O Dr. Adriano Tiago é médico fisiatra e presidente da Assembleia Geral da Associação dos Bombeiros de Palmela. Nasceu em Olho Marinho, localidade do concelho de Óbidos, mas com 25 anos já trabalhava no hospital de S. Bernardo, em Setúbal. Teve uma infância feliz. Frequentou o Externato Ramalho Ortigão, nas Caldas da Raínha e adorava brincadeiras tradicionais de rua com os amigos. Pensa que o Homem não é capaz de estragar o mundo porque este é quase  intemporal. O Homem colhe as consequências dos seus actos. Para si a crise resolve-se dando pequenos passos ao encontro do bem estar colectivo. A sua cama é o local onde se sente profundamente bem. Quer lançar o seu próprio moscatel e, quiçá, levar a sua Clínica para o rio Sado.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância muito feliz. Nasci numa pequena localidade do concelho de Óbidos, chamada Olho Marinho. Tive uma vivência familiar muito rica com muitos amigos à minha volta. A instrução primária foi feita na minha terra com bom aproveitamento. Gostava muito de brincar na rua ao pião, à malha, ao arco e jogar à bola. Com 10 anos fui para o Externato Ramalho Ortigão, nas Caldas da Rainha, em regime de semi-internato até ao 2º ano.

 

E o primeiro amor…

Foi a minha mulher. Tinha 20 anos. Se calhar foi mesmo amor à primeira vista.

 

E o primeiro emprego...

Médico com 25 anos. Ganhava 7.800 escudos no hospital de Setúbal.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o espaço onde eu melhor me sinto com tudo aquilo que é preciso para me sentir bem, onde praticamente só coisas boas acontecem. A minha cama é o local onde estou, em qualquer circunstância, profundamente bem.

 

O que pensa do mundo?

É um local onde existe quasi tudo e que nós frequentemente não sabemos aproveitar. Temos muita dificuldade em estragar o mundo, porque o mundo é quase intemporal ao nosso tempo de vida. Nós somos muito finito. Por muito mal que façamos ao mundo ele vai sobrevivendo e nós é que acabamos por sofrer as consequências. Vale a pena conhecer o “mundo” em todos os sentidos e fazer um pleno de emoções.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não. Acho que nunca me vou sentir realizado. O importante na vida é ir fazendo, caminhar, o durante. Realizado pressupõe um objetivo conseguido e muito limitativo. O grande objetivo é a satisfação. A minha resulta muito daquilo que posso fazer para melhorar a satisfação dos outros, embora saiba que o meu contributo será sempre pequeno.

 

 

Como se resolve a crise?

Acreditando que a crise é uma coisa importante e que mexe muito com as nossas vidas. Temos que dar pequenos passos para contribuir e potenciar o bem estar de todos.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Nem uma coisa, nem outra. Deus sem nós não é nada e nós sem Deus também não somos nada. O importante é o estado de alma de cada um. Admito que existe algo que me transcende, que não sei explicar mas que me é muito bom por companhia frequentemente.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou médico fisiatra e presidente da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Palmela. Quero lançar “O Tiagos moscatel superior”. Uma das possibilidades no futuro será colocar a Clinica Tiagos, a navegar no Sado.

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Arrábida

 

Um livro

Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach)

 

Uma música

Foi Deus (Amália Rodrigues)

 

Um ídolo

O meu avô paterno

 

Um prato

Feijoada à transmontana

 

Um conceito

Chegar todos os dias satisfeito à almofada

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:10

24
Set 14

 

“FALTA ESTIMA E COMPREENSÃO AO MUNDO”

 

Luís Filipe Martins é contrabaixista em vários projetos musicais. Está a terminar a sua licenciatura em jazz e criou um curso livre neste estilo musical na Academia Luísa Tódi, onde frequentou enquanto jovem, o ensino básico tendo conhecido a professora Maria Adelaide Rosado Pinto, que lhe ministrou algumas aulas. Por ali teve o primeiro contato com os palcos e percebeu que era por aí que tinha de continuar a sua vida. O seu primeiro emprego, no entanto, foi nos escritórios da antiga drogaria Pachecos, onde o seu pai tinha uma quota. Pensa que o mundo é belo mas não completo porque lhe falta a estima e a compreensão do Homem. Para si Deus é a atitude positiva das pessoas.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz. Nasci no hospital de S. Bernardo e vivi no bairro Salgado. Frequentei a pré-primária e a primária na Academia Luísa Todi. Lembro-me que fazia teatro e tínhamos aulas de canto coral com a saudosa Maria Adelaide Rosado Pinto. Comecei a pisar os palcos logo nessa altura e percebi que era por aí que tinha que continuar. As brincadeiras eram feitas na rua com os amigos. O meu avô tinha uma quinta nas Pontes e eu passava lá as vindimas. Costumava andar montado num macho que havia lá na quinta.

 

O primeiro amor...

Tive uma paixão por uma miúda do coro de S. Julião. Devia ter 14 anos. Não fui correspondido. Foi uma coisa de miúdas. Ela chama-se Micá. Era mais velha que eu. Não tive sorte.

 

O primeiro emprego...

A trabalhar na drogaria dos Pachecos, onde o meu pai tinha uma quota. Trabalhava no escritório. Tinha 14 anos. Não me recordo de quanto ganhava mas sei que era pouco.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o local onde tenho toda a minha vida. É uma casa boa. Tenho um estúdio onde estudo e trabalho. É todo o meu mundo. É confortável. Posso-me considerar uma pessoa com sorte. Todos os dias quando saio de casa dou graças pela minha sorte.

 

O que pensa do mundo?

Penso que temos a sorte de poder chegar a tanta coisa mas o Homem acaba por destruir tudo pela sua ânsia e pela ambição, o que lamento. Tenho uma ideia positiva do mundo que é belo embora não seja completo. Falta-lhe estima, entreajuda e compreensão.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sou uma pessoa que nunca se sente realizada com o que tem, quero sempre chegar mais longe e por isso continuo o estudar e a trabalhar. Talvez esteja mais próximo daquilo que ambiciono mas tenho receio do futuro.

 

 

Como se resolve a crise?

Passa por se apostar mais na cultura e na educação que são os pilares do desenvolvimento humano e social. As mentalidades têm que mudar cultivando-se cada vez mais. Também é preciso chamar as pessoas à razão e perceberem que tem de ser pró-ativas. A passividade é muito grande. Precisamos de ser mais ativos na vida social para termos sucesso.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Embora tivesse crescido num ambiente religioso, sou católico, mas acredito mais nas pessoas. Sei que há coisas que acontecem que não se explicam. Acho que nos criámos ao mesmo tempo. É uma dúvida que irei sempre manter. Deus para mim são as atitudes positivas das pessoas, a bondade, a estima, a consideração, etc..

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Teria arriscado em relação áquilo que gosto de fazer. Não teria perdido tempo com coisas menos importantes na minha vida.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou músico profissional, estou a acabar a licenciatura em jazz, contrabaixo, em Évora e pertenço a alguns grupos de música como a Orquestra Big Band da Humanitária de Palmela, Quarteto Fado Deolinda de Jesus, Quarteto Jazz Edgar Caramelo e Quarteto Jaqueline Mercado. Para o futuro criei um curso livre de jazz e música moderna na Academia Luísa Todi e pretendo manter a minha atividade em concertos e vários espetáculos.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Nova York

 

Livro

Mr. Pc – Vida e Obra de Paul Chambers (Rob Palmer)

 

Uma música

Eu não sei quem te perdeu (Pedro Abrunhosa)

 

Um ídolo

Eddie Gomez

 

Um prato

Sardinhas assadas de Setúbal

 

Um conceito

Procurar a felicidade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:12

22
Set 14

 

“NÃO HÁ VOLTA A DAR À CRISE”

 

Joaquim Milho é um eborense radicado desde há muito em Setúbal. Comerciante de marroquinaria e bijuteria na baixa urbana é ainda secretário-geral e vogal da Associação do Comércio, Indústria e Serviços do Distrito de Setúbal. O que se passa no mundo, nomeadamente, as guerras no médio oriente e a leste trazem-no preocupado. Pensa que a crise não tem solução porque existe quem lucre com ela. Para si o Homem criou Deus e sobre a sua própria vida diz que se pudesse voltar atrás nada mudaria. O seu ídolo é Nélson Mandela e tem por conceito respeitar os outros.

 

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Serpa, mas fui criado em Évora, onde vivi até aos 22 anos. Depois vim para Setúbal e por aqui me radiquei. Tive uma infância tranquila, bem definida familiarmente. Lembro-me que passava muito tempo dentro das oficinas de mecânica porque gostava de ver abrir e fechar os motores dos automóveis. Brinquei bastante com os meus amigos. Na escola fui um bom aluno.

 

O primeiro amor...

Aconteceu quando tinha 7 anos. Foi um amor de criança, platónico e não correspondido por uma menina que era minha vizinha. Amor a sério foi aos 15 anos com a minha mulher.

 

O primeiro emprego...

Comecei a trabalhar no comércio com apenas 14 anos, numa loja de marroquinaria, bijuteria e utilidades do meu pai. Fazíamos, também, algumas feiras.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Sou muito caseiro. Recolho a casa muito cedo, onde me sinto muito bem. É uma casa cómoda, tranquila, confortável, com 6 assoalhadas no bairro do Liceu. Tem móveis em madeira e a decoração foi feita pela minha mulher. Acho que tem o essencial para o nosso conforto.

 

O que pensa do mundo?

Preocupa-me muito porque vejo o mundo e a vida num aspeto humanista. Não tenho apetência política. O que se está a passar no mundo tráz-me preocupado. As convulsões no médio oriente por intolerância religiosa e o que se passa no leste. Fico incomodado com o que se passou na 2ª Guerra Mundial, com o extermínio dos judeus e com o que se passou na Bósnia e nos anos 70 no Camboja. Tudo isso mexe muito comigo. Também me incomoda a política em que se atiram as pessoas para a fome e para a miséria.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Sou uma pessoa realizada. Estou em paz comigo próprio e com os outros. Tenho um bom casamento, sou pai de dois filhos que muito amo e avô de 4 netos que adoro. Profissionalmente segui o curso que pretendia.

 

  

Como se resolve a crise?

A crise não se resolve porque interessa a alguém que está lucrar com ela. Acho que não há forma de dar volta à crise. Economicamente caímos nas mãos dos grandes grupos financeiros sem rosto.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

O Homem precisa de referências para viver e agarrar-se a elas. Deus é apenas uma referência a quem, também eu me agarro. Logo, foi o Homem quem criou Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada. Apenas teria sido mais atento, essencialmente, no aspeto profissional.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou comerciante na baixa de Setúbal e secretário-geral e vogal da Associação do Comércio, Indústria e Serviços do Distrito de Setúbal. No futuro quero manter-me no ativo e tentar melhorar o que está feito.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Miami

 

Livro

Os três cisnes selvagens (Jung Chang)

 

Uma música

Vinte anos (José Cid)

 

Um ídolo

Nélson Mandela

 

Um prato

Tudo desde que me saiba bem

 

Um conceito

Respeitar o próximo

 

publicado por Joaquim Gouveia às 16:35

19
Set 14

 

“GOSTAVA DE MELHORAR AS PRÁTICAS DO ENSINO”

 

José Manuel da Claudina é professor de matemática. A sua experiência leva-o a pensar que gostaria de contribuir para melhorar as práticas do ensino no país. Palmelão de gema cresceu e brincou na vila, no Largo de S. João e na Terra de Pão, onde deu pontapés na bola e brincou aos jogos tradicionais. É um homem caseiro e não se arrepende das grandes decisões que tomou na vida. Não concorda que o Homem, criado por Deus desequilibre o planeta em seu benefício. É membro dos órgãos sociais do Palmelense e do GACP e assim se quer manter por longos anos num contribuo direto e claro ao movimento associativo da vila que o viu nascer. Adora Beatles e gambas ao guilho.

 

Como foi a sua infância?

Sou palmelão, nascido e criado. Tive uma infância feliz com muitos amigos e brincadeiras de rua, no Largo de S. João e na Terra de Pão. Lembro das grandes futeboladas que fazíamos, bem como de outros jogos tradicionais da época. Fiz a escola primária aqui na vila. Um dos meus professores foi o senhor António Sanches. Fui um bom aluno.

 

O primeiro amor...

Devia ter uns 8 anos e foi com uma colega de escola, muito gira e elegante. Mas não passou de um amor platónico. Acho que ela nem sabia…

 

O primeiro emprego...

A trabalhar para as Festas das Vindimas, por altura das férias escolares. Tinha 15 anos. Trabalhava na colocação do arraial. Trabalhei 50 horas e ganhei 500 escudos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma boa casa onde gosto muito de estar. Sou considerado pela minha família como um indivíduo caseiro. É uma casa organizada, com os espaços bem definidos para que toda a gente se entenda.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está completamente ao contrário. Quando o Homem tem a necessidade de fabricar armamento químico para exterminar a sua própria raça está tudo dito. Na verdade, não tenho uma ideia muito positiva do mundo. O Homem mexe com a natureza em benefício próprio e isso desequilibra o planeta e com isso não posso estar de acordo. Mas, felizmente, nem tudo é mau. Precisamos fazer uma reciclagem ao ser humano.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Humanamente sim. Penso que já fiz aquilo a que me propus enquanto Homem. Só me falta publicar o livro. Profissionalmente, como pessoa ambiciosa que sou ainda não estou realizado. Gostava de poder contribuir com alguns dos meus conhecimentos para melhorar as práticas do ensino em Portugal.

 

 

Como se resolve a crise?

Com muito trabalho, com políticos sérios e honestos e com verdadeiros líderes que imponham a sua liderança naturalmente.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Foi Deus, quem criou o Homem. Infelizmente deixou muitas imperfeições. Como católico acredito, naturalmente, em Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Algumas mudaria porque a experiência ensina-nos que algumas coisas, talvez, não tivéssemos feito bem. Contudo não me arrependo das grandes e principais decisões que tomei na minha vida.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou professor de Matemática, na escola 2/3 de José Maria dos Santos, no Pinhal Novo. Sou, também, engenheiro civil no ativo. A nível associativo pertenço aos órgãos sociais do Palmelense Futebol Clube e do Grupo dos Amigos do Concelho de Palmela. No futuro quero manter as minhas atividades profissionais e continuar a contribuir para o movimento associativo da minha vila.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

México

 

Livro

Guerra e Paz (Leon Tolstoi)

 

Uma música

A day in the life (Beatlles)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Gambas ao guilho

 

Um conceito

Liberdade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:48

18
Set 14

 

“O QUE IMPORTA É RASGAR O PEITO E SER”

 

Ricardo Cardoso é um inventor da cultura, melhor, das culturas que divulga num programa radiofónio há 27 anos a transmitir conteúdos para gente que se cultiva na aprendizagem do saber. Para além disso participa em edições literárias e faz da sua vida uma aventura à descoberta do conhecimento, do enriquecimento das relações e da partilha familiar. Pertence ao Grupo de Teatro Espelho Mágico, onde é diretor e sente-se um homem de luta, plenamente na luta. Nasceu e brincou numa aldeia do ribatejo profundo e é companheiro presente ao lado do seu amor de toda a vida, a sua mulher. Evoca Charles Coster para falar do mundo e sobre Deus diz que é amor de uma grande harmonia. A crise resolve-se com o regresso aos valores do personalismo e das nações.

 

 

Como foi a sua infância?

Feliz e na direção do Homem novo. Trago nas veias o amor, sentido libertário e saberes duma terra da resistência chamada Couço, no Ribatejo profundo).

 

E o primeiro amor…

Se retirar do caminho os namoricos filhos da circunstância que é viver posso dizer claramente que Céu Campos foi e é o meu primeiro amor.

 

E o primeiro emprego...

Organizando a resposta a partir do vencimento, direi que foi coisa administrativa e aborrecida. Por outro lado, pensando na vocação, foi coisa bonita e ligada à animação cultural.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um sitio de onde brota a maneira de encarar o mundo a partir dos olhos dos componentes da familia. Teatro, música, poesia e litros de significados em movimento misturam mapas interiores com utopias vindas do Sol.

 

O que pensa do mundo?

Respondo assim: Ó respeitáveis enganadores que troçais de mim! Donde emerge a vossa política, enquanto o mundo for governado por vós? Das punhaladas e do assassínio! Charles Coster.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não creio que a realização humana, no sentido genuíno da tirada, seja possivel. Pode sair em sorte uma espécie de aproximação, não mais do que isso. Não sei se é bom, se é mau!? O que importa é rasgar o peito e ser. Profissionalmente? Todas as profissões insertas nesta sociedade de interesses contidos assentam em fundamentos tão elevados como mediocres. Assim...

 

 

Como se resolve a crise?

Com o regresso dos homens aos valores do personalismo e das nações.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

É óbvio que nesta era do Homem comum, negócio é tudo o que seja negociável, inclusivamente o Deus comercial, filho da ganância e do poder. Outra coisa é o Universo onde tudo acontece. Quem somos nós para reclamar direitos sobre a vida? Não passamos de poeira cósmica. Deixa-me dizer-te: Deus é amor e está presente na grande harmonia sem anéis ouro e literaturas.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Procuraria ser livre em vez de deprimido (nalgumas situações do viver). Ter ainda mais opinião própria.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Funciono para a nação e para mim. Sou director no GATEM - Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, escrevo a partir das minhas profundezas para algumas edições literárias de amIgos e companheiros de luta e mantenho no ar, vai para 27 anos, o programa radiofónico de cultura livre Arestas de Vento, agora na Popular FM. Há muito caminho, e o futuro faz-se caminhando na direcção do continente humano com a energia que me for possivel utilizar.

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Couço

 

Um livro

Escuta Zé Ninguém (Wilhelm Reich)

 

Uma música

Chegam palavras (Fernando Tordo)

 

Um ídolo

Agostinho da Silva

 

Um prato

Bacalhau no forno

 

Um conceito

És livre apenas num sentido: Livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse acima da autocritíca.

-

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:48

17
Set 14

 

“DEUS E O HOMEM CONFUNDEM-SE”

 

O Dr. Miranda Lemos sente-se feliz com o seu percurso de vida. Apesar de reformado contínua a exercer a sua especialidade de anestesista no Centro Hospitalar de Setúbal. A entrada na escola primária assustou-o e o nascimento do irmão trouxe-lhe a primeira grande alegria. Começou a trabalhar aos 18 anos como revisor de provas tipográficas. Tem do mundo a ideia de que é imperativo a absoluta necessidade da participação dos cidadãos por uma sociedade justa e solidária. Diz que tempo virá em que o Homem perceberá que é Deus e que Deus é o Homem. A verdade e a solidariedade são os valores que mais preza.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância normalíssima. Nasci em Lisboa, na Maternidade Alfredo da Costa, como não podia deixar de ser a um bom alfacinha. Tive a felicidade de ter os meus pais muito novos o que foi bom porque me acompanharam durante um período muito grande da minha vida quer nos jogos de infância, como na adolescência e já casado e com filhos. Depois, também eu tive a possibilidade de lhes dar conselhos, como homem maduro e ainda hoje vou a casa da minha mãe, uma “jovem com 88 anos. O meu primeiro grande temor foi a entrada na escola e a primeira alegria o nascimento do meu irmão.

 

O primeiro amor...

Foi platónico, intenso. Eu tinha 15 anos. Ela era uma jovem filha do merceeiro da aldeia onde eu ia passar as férias. Fui correspondido.

 

O primeiro emprego...

Revisor de provas tipográficas em Lisboa. Tinha 18 anos e era estudante. Ganhava 500 escudos por mês.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Minha. Aberta aos amigos, confortável, pequena, virada para dentro, no campo.

 

O que pensa do mundo?

Tinha um professor, Gomes da Costa, de química fisiológica que tinha uma frase que resume o que eu penso do mundo atualmente. “É mais fácil endireitarmos o mundo do que impedir que ele nos entorte a nós”. Apesar do cinismo desta frase tenho por imperativo a absoluta necessidade da participação empenhada de todos os cidadãos por uma sociedade justa e solidária.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Seria pretensioso da minha parte afirmar que me sinto realizado nessas duas vertentes. No entanto, posso afirmar que me sinto feliz com o meu percurso de vida e com quem me tem acompanhado e com quem eu vi crescer e meu deu o privilégio de merecer o título de pai.

 

 

Como se resolve a crise?

Qual crise?... A dos valores? A financeira? A económica? Acho que qualquer crise seria resolvida se conseguíssemos resolver a primeira, a dos valores.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Sem a existência do Homem, não existiria o conceito de Deus. Para mim tenho que Deus e o Homem, se confundem. Dê tempo ao tempo porque tempo virá em que o Homem perceberá que é Deus e que Deus é o Homem. A fé move montanhas e pena tenho eu de não ter fé.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nunca se pode voltar atrás. No entanto, se pudesse faria exatamente o que fiz até aqui.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Profissionalmente e apesar de estar reformado continuo a exercer a minha especialidade de anestesista no Centro Hospitalar de Setúbal. Para além disso estou a preparar a edição de um livro com textos de reflexão sobre a vida. Exerço com alegria as minhas competências de pai e avô. O futuro é feito dos desafios do dia a dia que procuro ultrapassar.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Casa dos meus pais na beira alta

 

Livro

 A cabana do pai Tomás (Harriet Beecher Stowe)

 

Uma música

Natalie (Charles Aznavour)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Rojões com morcela e grelos

 

Um conceito

Verdade e solidariedade

publicado por Joaquim Gouveia às 09:33

Fevereiro 2016
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO