Entrevistas de JoaQuim Gouveia

06
Jan 18

“SEMPRE ME ENTREGUEI COM LEALDADE E EMPENHO”

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Carlos Pésinho nasceu em Setúbal mas radicou-se na vila de Palmela, onde foi autarca. Aos cinco anos de idade já sabia ler e escrever e dar o lanche a um colega que passava necessidades. Seriedade, honestidade e solidariedade fazem parte do seu estatuto de integridade. É um apaixonado pela leitura. Diz que é necessário esperar pelas gerações vindouras para acabar com as crises e que o mundo está bastante conturbado. Não se arrepende do percurso que trilhou. Hoje está reformado mas muito ativo. Álvaro Cunhal é o seu ídolo, gosta de ouvir Carlos do Carmo e não dispensa um bom cozido à portuguesa.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, na freguesia de Sta. Maria da Graça. Recordo-me bastante do meu avô Flávio Pésinho, que me ensinou os princípios da seriedade, da honestidade e do respeito. Frequentei as aulas de uma mestra que me ensinou a ler e a escrever de tal maneira que aos 5 anos de idade já lia o jornal “O Setubalense”, ao meu avô e depois já era eu quem corrigia os testes dos meus colegas. Tinha muitos amigos. Lembro-me que dava o meu lanche a um sobrinho da mestra que tinha muitas necessidades. Brincava com os rapazes da minha rua ao berlinde, futebol e outros jogos.

 

O primeiro amor...

Era a filha de um marítimo, muito bonita. Eu devia ter 12 anos e ela era um pouco mais velha. Fui correspondido mas o namoro não durou muito tempo.

 

O primeiro emprego...

Na oficina automóvel do meu tio. Ganhava 20 escudos por semana.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa acolhedora e agradável. É o meu refúgio onde me sinto bastante bem.

 

O que pensa do mundo?

Está bastante conturbado. Infelizmente não há líderes à altura para o apaziguamento. Mas há exceções e quero falar das nossas famílias, da minha e dos meus filhos. Somos um exemplo de solidariedade e fraternidade.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

A cem por cento. De todas as mudanças que fiz não me arrependo de nenhuma. Sempre me entreguei com lealdade e empenho.

  

Como se resolve a crise?

É necessária uma nova mentalidade das gerações vindouras. Pelo menos é nisso que deposito esperança.

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Descendo de uma família católica mas hoje coloco reservas à existência de um deus que não ilumina os Homens para o desarmamento e para o fim da fome no mundo.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tal como referi numa questão anterior não mudaria nada. Tudo o que fiz foi de acordo com a minha consciência.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Estou reformado mas não parado. Faço caminhadas, leio, escrevo, faço bricolage e convivo com a família e os amigos.

 

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Um destino

Trilogia: Palmela, Setúbal e Algarve

 

Livro

Rumo à vitória (Álvaro Cunhal)

 

Uma música

Canoas do Tejo (Carlos do Carmo)

 

Um ídolo

Álvaro Cunhal

 

Um prato

Cozido à portuguesa

 

Um conceito

Seriedade, honestidade e solidariedade

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

“O IMPORTANTE NÃO É O DESTINO MAS A VIAGEM”

Foto.jpgO Dr. Arlindo Mota é um beirão radicado em Setúbal, desde há muitos anos. Frequentou a escola dos Ferroviários, em Moscavide, onde morou na infância. Ali conheceu Vitor Constâncio e, mais tarde, nos seus tempos académicos privou com diversas personalidades da política e da cultura nacional. Foi sócio de uma livraria onde conheceu o seu primeiro emprego. Não arrisca previsões sobre o mundo e pensa que a grande dúvida está no posicionamento da sociedade perante a inteligência artificial. Adora a obra de José Afonso e de Aquilino Ribeiro. É adepto da chanfana beirã, não tem ídolos e o seu destino preferido é Itália.

 

Como foi a sua infância?

Nasci no Troviscal, Oliveira do Bairro. A minha família foi morar para Lisboa, quando eu tinha um ano de idade. Morávamos em Campolide, onde estudei na escola dos Ferroviários, onde fui um bom aluno. O meu pai acompanhava-me muito nos estudos. Praticava basquetebol e ginástica. Recordo-me de brincadeiras como o jogo da carica, berlinde e o andar ao arco, entre outros. Fui colega do Victor Constâncio, que também frequentava a mesma escola.

 

O primeiro amor...

Tenho um pequeno texto sobre o tema. Foi um amor pueril, próprio da idade.

 

O primeiro emprego...

Fui sócio de uma livraria em Moscavide, que depois passou para perto da Portugália e que se chamava “A corda”.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um apartamento de classe média, confortável, onde tenho um escritório privado.

 

O que pensa do mundo?

A minha vida é como a metáfora da escada em caracol onde em cada degrau o mundo se torna mais vasto e eventualmente menos próximo. Pensamos que o que era preto é cinzento e o branco tem máculas. Isto significa o preço da maturidade. Hoje são mais os fatores de opacidade que os de transparência. O mundo hoje é muito mais complexo onde é difícil arriscar qualquer previsão.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto que tenho tido uma vida extremamente preenchida onde tive oportunidade de conhecer muita gente de qualidade. Mas entendo todos estes percursos como o importante não é o destino mas a viagem.

  

Como se resolve a crise?

Há crise em todos os momentos. Tendo uma visão da história sempre houve crises. Os valores e as economias alteram-se. Estamos a viver um momento de inquietação, de positividade, um momento em que as pessoas se sentem cansadas e não sabem porquê. Hoje estamos numa sociedade líquida. Neste momento o grande desafio é perceber como é que a sociedade se vai posicionar perante a inteligência artificial.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Não tenho convicções absolutas. Estou numa posição de reflecção permanente relativamente ao fenómeno que é a existência de um ser sobrenatural sendo que tal facto, existência ou não existência, não altera os meus valores. Não tenho certezas mas mantenho uma visão de grande compreensão sobre um fenómeno humano que é o da religiosidade.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tive a angústia de viver um período muito difícil mas muito rico da nossa história. Atravessei uma ditadura estando do lado do “não”. Fui dirigente estudantil. Vivi o fim do fascismo e o começo da democracia de Abril. Vivi o aparecimento dos partidos políticos. Obviamente mudava alguma coisa mas teria que ter o poder que é atribuído a Deus. No fundamental creio que tive uma vida coerente e empenhada pautada em valores de índole simultaneamente rural e cosmopolita.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou presidente da Universidade Sénior de Setúbal. Sempre fui um construtor de projetos. Valorizo as instituições a que pertenço e aprofundo os diversos projetos de escrita ficcionais ou de investigação em que estou permanentemente empenhado.

 

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Um destino

Itália

 

Livro

A grande casa de Romarigães (Aquilino Ribeiro)

 

Uma música

A obra de José Afonso

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Chanfana Beirã

 

Um conceito

Honestidade, transparência e coerência no respeito pelos outros

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:46

“ESTIVE SEMPRE LIGADO ÀS INSTITUIÇÕES, ÀS PESSOAS E À CIDADE”

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António Alves sente-se um homem realizado na plenitude da sua vida profissional e pessoal. Sente que sempre esteve ligado às instituições, às pessoas e à cidade de Setúbal, através dos inúmeros cargos que desempenhou vida fora. Nasceu em Vendas Novas, mas rumou à nossa cidade, com apenas três anos de idade. Frequentou a antiga escola do Sousa e o Colégio Frei Agostinho da Cruz. Viajou pelo mundo mas sempre privilegiou o regresso a casa e à cidade. É um homem de fé mas acredita que é necessário ter cuidado com as novas tecnologias que podem abalar a fé do Homem.

 

Como foi a sua infância?

Tive uma infância feliz, embora a época difícil que se vivia não ajudasse muito. Nasci em Vendas-Novas, em 1932. Vim para Setúbal com 3 anos de idade e não mais saí daqui. Frequentei a antiga Escola Primária do Sousa, onde fui bom aluno. Tirei o curso Geral de Comércio e frequentei o Colégio Frei Agostinho da Cruz para fazer exame ao Instituto Comercial de Lisboa. Fui sempre criança de brincar na rua com os muitos amigos que sempre tive (jogávamos á bola, ao eixo-rebaldeixo e outras brincadeiras da época). Tenho 2 irmãos. Naquela tempo a cidade tinha cêrca de 30 mil habitantes e todos nos conhecíamos.

 

O primeiro amor…

Foi um namoro de criança que se perdeu nas brincadeiras do tempo…

 

E o primeiro emprego…

Foi como responsável por dois barcos pesqueiros pertença do grupo Banco Borges & Irmão. Foi uma experiência dignificante onde conheci e senti os problemas e a vida difícil dos nossos pescadores.  Quanto a vencimento não tenho presente o valor.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa acolhedora no centro da cidade. Tem uma decoração simples, que sempre esteve a cargo da minha mulher


O que pensa do Mundo?

Penso muito mal. A europa deveria ser uma UNIÃO de países que justificasse uma vida económica mais coesa, mais solidaria e, portanto, mais calma e melhor. O Mundo e os blocos que o constituem vai passar por alguns desentendimentos face á China, a Rússia, é Índia e ao Brasil, com Angola na peugada.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Totalmente. Acho que também tive alguma sorte no caminho. Toda a minha vida esteve ligada á água, desde os tempos de escola em que tomava banho na doca. Quando chegou a idade mais adulta, fui director do Clube Naval Setubalense e quando trabalhei no Grupo CUF a minha ligação profissional foi com navios e o Cais das Fábricas do Barreiro. Na sequência fui Administrador da Socarmar, empesa operadora de Cargas e Descargas de navios no Porto de Lisboa e, aqui em Setubal, como Administrador da Setefrete, empresa de Operações Portuárias. Como vê sempre actividades ligadas ao mar (água).

 

Como se resolve a crise?

Tudo seria evitado se não tivéssemos entrado na União Europeia, embora considere que, hoje, já não era possível vivermos fora dela.Em minha opinião a Europa devia ter-nos ajudado a minorar a crise mas optou por nos fazer exigências que não podíamos nem podemos aceitar. Devíamos ser respeitados pelos países que estão connosco na EU, com soluções mais solidárias (empréstimos a juros comportáveis e aceitáveis) que nos permitissem desenvolver investimentos e desenvolvimento económico e a criação de postos de trabalho, para dignidade das pessoas que tiveram de estender a mão á caridade.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou um Homem de Fé e acredito que há algo muito superior a nós a quem chamamos Deus. Mas o Homem sempre quis ser livre e mostrar que está de passagem pela Terra para a desenvolver e melhorar a condição humana. Mas, lembro, que se deverá ter todo o cuidado com o Mundo actual. É necessário ter cuidado com as novas tecnologias porque a nossa Fé pode vir a ser abalada e aí, nem Deus nos salvará. Então quem nos salvará?

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Arrependo-me apenas de não ter completado os meus estudos pós colégio. De resto não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estive sempre ligado ás pessoas, ás Instituições e á cidade através da minha participação em variadíssimas Associações de Solidariedade Social, Desportivas, Culturais e de Ensino. Hoje faço parte de uma Associação Cívica “POR SETÚBAL”.  Fui Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Distrito de Setúbal. Estive no Vitória Futebol Clube, no Clube Naval Setubalense. Na acividade política desempenhei vários cargos: Presidente da Junta de Freguesia da Anunciada. Deputado Municipal por inerência de funções. Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal (Cargos que exerci graciosamente, dispensando os honorários ou avenças a favor desses Organismos). Exerci, também, o cargo de Deputado á AR.



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Um destino:

 Portugal

 

Um Livro:

 Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

 

Uma Música:

 O Coro dos Escravos (Giussepe Verdi)

 

Um Ídolo:

Helmut Kohl

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Honestidade/Solidariedade

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:40

01
Fev 16

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

 

“O Homem é cada vez mais o lobo de si próprio”

 

O Dr. Chumbita Nunes é, no presente, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados. Natural de Soure, cedo se habituou às vivências na cidade de Setúbal, onde passava as férias grandes escolares em casa dos avós. Começou a trabalhar com 24 anos a dar aulas de educação fisíca. Tem do mundo a ideia de que está muito inseguro e que o Homem é cada vez mais o lobo se si próprio. Quando era jovem quis ser padre, ideia que não foi bem aceite pelos pais. Para si a crise resolve-se com valores e com seriedade. Já foi presidente do Vitória de Setúbal e gostava de terminar o trabalho então iniciado. O seu pai é o seu ídolo.

 

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Soure, no distrito de Coimbra. O meu pai também era natural de Soure e a minha mãe era setubalense. Sou filho único. Tive uma infância feliz. Os meus pais poderam dar-me uma boca educação, uma boa vida e o curso de direito. Desde muito novo todos os anos vinha a Setúbal, no período das férias grandes. Na minha infância tive muitos amigos com quem brincava bastante com as brincadeiras habituais da época. Fui um bom aluno na escola e disputava sempre a fita amarela que era a do melhor aluno. Nunca reprovei. Sempre fui uma criança muito ativa.

O primeiro amor…

A filha de um juíz de Soure. Tinha 13 anos. A miúda era muito gira e muito evoluída para a época. Foi a primeira vez que o meu coração bateu mais forte.

E o primeiro emprego…

A dar aulas de educação física, com 24 anos em Ílhavo. Penso que ganhava 3000 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tenho uma vivenda porque sempre gostei de casas com muito espaço. Nos apartamentos sinto-me limitado. Tem muita luz, um quintal e um jardim. Deito-me com o piar das corujas e acordo com o trinar dos pássaros. É uma casa muito tranquila, o meu refúgio em conjunto com o meu escritório.

O que pensa do mundo?

Está muito complicado. Que me lembre nunca vi tanta insegurança e intranquilidade no mundo. As pessoas não têm tempo para elas próprias. É uma sociedade que nos consome sem piedade. Cada vez o Homem é mais o lobo de si próprio. No entanto há muita beleza no mundo só que acaba por se esbater nestes conflitos e no medo que hoje em dia sentimos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, totalmente realizado. Profissionalmente já fiz quase tudo o que havia a fazer. Humanamente também porque sempre fui uma pessoa solidária e de coração aberto. Tenho um grupo de amigos muito interessante. Sou um sortudo na vida, acho que nasci com um condão, nunca passei fome nem conheci privações.

 

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Como se resolve a crise?

Com valores e seriedade. Acho que a solução para os grandes problemas deveria passar pela responsabilização cívil e criminal dos políticos que, entretanto, penso deveriam ganhar bem. A outra alternativa é que alguém que já tivesse ocupado qualquer cargo político não poder voltar a candidatar-se. Deveria ser tudo gente nova da sociedade cívil. Sem vícios, sem rotinas e limpos.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Tenho uma tradição católica. Quando tinha 15 anos quis ir para padre, cheguei a saber a missa toda em latim. Gostava muito do pão com queijo que o padre nos dava a seguir à catequese. Os meus pais não aceitaram a ideia. Eu queria ir para o Seminário mas acabei por desistir da ideia. Hoje, Deus para mim é um ser metafísico e acho que o Homem o criou para justificar alguns dos seus pensamentos e a sua forma de estar na vida.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez não me tivesse casado tão cedo na primeira vez, apesar de ter duas filhas fantásticas desse casamento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogado, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados e presidente do Conselho Vitoriano. Penso que ainda tenho algumas coisas para fazer na minha vida. Gostaria de acabar o projeto que comecei no Vitória de Setúbal. Nunca viro as costas aos clubes. Por outro lado quero arranjar uma empresa dedicada ao setor de desporto em toda a sua plenitude. Para além disso pretendo manter a minha atividade na advocacia.

 

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Um destino

Petersburgo

Um livro

Viagem ao mundo da droga (Charles Duchaussois)

Uma música

Tears in Heaven (Eric Clapton)

Um ídolo

O meu pai

Um prato

Bacalhau à Gomes de Sá

Um conceito

Servir o próximo

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:57

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“Falta respeito pelas religiões”  

 

Maria Dores Amado é uma poetisa alentejana a quem a vida lhe ofereceu a possibilidade de ser útil na ajuda aos filhos, aos netos e aos amigos. Desde há muito radicada em Setúbal teve uma passagem por África, que lhe deixou profundas saudades Começou a trabalhar aos 15 anos aproveitando as férias escolares para ganhar algum dinheiro. O falecido marido foi o amor de toda a sua vida depois de se cruzarem num colégio em Santiago do Cacém. Para si o mundo carece de respeito pelas religiões, afinal as grandes responsáveis pelas guerras. A crise resolve-se evitando-se ordenados e reformas chorudas. Quer, a breve trecho, lançar o seu primeiro livro de poesia. Honestidade é o seu lema de vida.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Alvalade do Sado e como o meu pai era funcionário dos Serviços Hidráulicos do Tejo andámos deslocados por várias localidades como Comporta e Azinheira de Barros, onde fui batizada. Foi uma infância muito boa. Sou filha única. A família era muito unida. Dava-me muito com os meus avós de ambos os lados. Recordo as férias nas Caldas de Monchique. Na escola nunca reprovei. Entrei diretamente para a segunda classe.

O primeiro amor…

Foi o primeiro e o único, o meu falecido marido. Como fui estudar para Santiago do Cacém conhemo-nos num colégio. Tinha 14 anos.

E o primeiro emprego…

Aos 15 anos como analista colorista e depois como analista química durante os 3 meses das férias do colégio no laboratória da fábrica ECA.

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho. É uma casa grande onde habito sozinha. Tem uma decoração antiga mas a meu gosto.

O que pensa do mundo?

O mundo e as pessoas não se entendem. Faz falta respeito pelas religiões porque daí é que sempre nasceram as grandes guerras. Gosto de cá andar mas acho que se o Homem fosse mais humano tudo isto seria melhor, com mais altruísmo e menos egoísmo.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Enquanto trabalhei senti-me realizada com o meu trabalho e com a minha profissão. Como pessoa não tenho de que me queixar, vivo a vida conforme posso. Tenho os meus filhos criados e esse foi sempre o meu grande objetivo.

 

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Como se resolve a crise?

Colocando um fim aos grandes ordenados, ás grandes reformas e aos excessos de dinheiros “exportados”.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu penso que o Homem veio da natureza e aperfeiçoou-se. Se esse aperfeiçoamento foi feito pela mão de Deus omnipotente não está esclarecido. Não sei, nem eu nem ninguém.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não somos seres perfeitos mas no geral não me arrependo do caminho que tracei pelo que, à partida, não mudaria nada.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformada, ajudo os meus filhos e os netos e escrevo alguma poesia. Sou tesoureira do Núcleo de Poesia de Setúbal. No futuro quero editar um livro de poesia que está praticamente pronto. Até agora só tenho participado em antologias.

 

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Um destino

Lourenço Marques (Maputo)

Um livro

Só o amor é infinito (Lauro Trévisan)

Uma música

Non son degno di te (Gianni Morandi)

Um ídolo

Não tenho

Um prato

Arroz de maçã raineta

Um conceito

Honestidade

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO"

 

“DEVÍAMOS VIVER 400 ANOS”

 

Mário Narciso é um setubalense nascido num bairro tipico da cidasde e que viveu a sua infância rodeado de amigos e brincadeiras. Hoje é o melhor treinador do mundo na modalidade de futebol de praia, título que conquistou com mérito e esforço. A sua mulher foi o primeiro e único amor. Nos laboratórios da Portucel iniciou-se no mundo laboral. Para si o mundo é belo mas com contrastes evidentes de injustiça praticada pelo Homem a quem atribui, ainda, a necessidade de ter criado Deus, para os seus momentos de maior desespero. Gostava de viver 400 anos porque diz que a nossa passagem pela vida é demasiadamente curta. O seu ídolo é Jaime Graça e não dispensa uns bons salmonetes grelhados com molho de fígados.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na segunda azinhaga do Mal Talhado, no bairro da Conceição. Com dois anos fui morar para o Bairro de Troino, na antiga Rua Direita e mais tarde para o bairro Santos Nicolau. A vida nessa altura era difícil mas não posso dizer que tive uma infância má. Fui filho único. Lembro-me de repartir o lanche com alguns amigos. Andei numa escola particular até à quarta classe e com 9 anos entrei para o ciclo preparatório. Era um bom aluno. Brincava muito, jogava Hóquei sem patins, à bola, andávamos nos quintas do bairro da Conceição a jogar ás escondidas e outras brincadeiras.

O primeiro amor…

Foi a minha mulher. Começámos a namorar com 14 anos. Acho que foi amor à primeira vista. Comecei a reparar nela porque era muito bonita.

E o primeiro emprego…

Na Portucel, como auxiliar de laboratório. Penso que ganhava à volta de 600 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tem tudo o que necessitamos. Também tenho trabalhado para isso. Sou muito de estar em casa e portanto, procuro que seja cómoda e tranquila.

O que pensa do mundo?

Há muita injustiça. As coisas estão mal divididas. Devia de existir uma maior homogeneidade. Há diferenças muito grandes entre uns que têm excesso e outros que nem sequer têm para comer. Mas também existem coisas boas. Há pessoas com bons sentimentos e solidárias. Para mim o mundo é belo. Acho que cada um de nós devia viver 400 anos porque a nossa passagem por cá é muito curta. As preocupações que temos com o futuro não se justificam porque o futuro é muito curto.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Como homem sinto-me realizado. Acho que sou solidário e amigo e isso é fundamental para que me sinta de bem comigo e, neste momento, estou, na verdade, muito bem comigo próprio. Profissionalmente acho que ainda não cheguei aos limites das minhas capacidades. Em termos profissionais sou muito ambicioso e quero sempre mais. Daí ainda não me sentir completamente realizado.

 

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Como se resolve a crise?

Não é o povo que conseguirá resolver o problema, mas terão que ser outras pessoas que se prepararam academicamente. Damos as nossas opiniões mas quem tem capacidade para tal é que será capaz de resolver a crise.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Sou científico e na essência da humanidade há uma evolução do próprio Homem desde os primátas até aos nossos dias. O Homem criou Deus porque sentiu necessidade de se agarrar a algo em momentos de desespero.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Penso que ajudaria algumas pessoas que já precisaram de mim e que na altura pensei que não as conseguia ajudar e afinal talvez, com mais esforço da minha parte, o tivesse conseguido.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou seleccionador nacional de futebol de praia e cobrador do Vitória de Setúbal. No futuro quero manter estas atividades enquanto me sentir bem.

 

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Um destino

Galapinhos

Um livro

Pappilon (Henri Charriére)

Uma música

We are the champion (Queen)

Um ídolo

Jaime Graça

Um prato

Salmonetes grelhados com molho de fígados

Um conceito

Ir em frente sem pisar ninguém

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:49

22
Jan 16

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 *Advogada/escritora/poetisa

 

COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

“SOMOS UMA PARTÍCULA DO AMOR DE DEUS”

 

A Dra. Maria do Rosário Batista é uma conceituada advogada da nossa cidade. Também escreve prosa e poesia. Gosta de viajar e guarda memórias muito presentes da sua infância vivida no bairro da Conceição, com amigos e muita brincadeira nas ruas e nos quintais. Andou na escola das meninas do bairro porque na altura o ensino separava as raparigas e os rapazes. Foi a primeira menina a usar calças por baixo da bata e por isso a catequista pregou-lhe um “sermão”. Acredita que somos partículas do amor de Deus e que a nossa passagem pelo mundo é evolutiva. Pensa que a crise se resolverá em breve e porque é otimista gosta de viver um dia de cada vez.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, nas casas do bairro da Conceição. Tive uma infância tranquila na companhia dos meus pais e de dois irmãos mais velhos. Lembro-me de muitos amigos como o Eduardo Correia e as suas irmãs gémeas, com quem brincava bastante. Naquela altura brincávamos na rua e nos quintais. Frequentei a escola das meninas do meu bairro. A diretora, a D. Luisa Serra, que era a minha professora era uma pessoa severa, dava muitas reguadas. Apanhei poucas porque era bem comportada. Eu era a única menina que já usava calças por baixo da bata. Uma vez a catequista mandou-me sair da catequese e tirar as calças. Dizia que na igreja só o padre é que as usava.

O primeiro amor…

Foi o meu marido. Tinha 14 anos e conheci-o na Escola Comercial. Era alto e muito bonito. Os meus olhos caíram ali mas, pelos vistos, ele também já reparava em mim.

E o primeiro emprego…

Aos 18 anos, na FASEM, que era um empresa de jantes para automóveis. Não sei bem quanto ganhava mas lembro-me que era bastante para a época.

Como é a sua casa? Como a define?

É um pouco de mim. Tem muita luz, muitas janelas. Sinto-me lá muito bem até porque toda a decoração foi concebida por mim e pelo meu marido. Tem muito espaço, um jardim grande com muitas flores e árvores. Ali sinto a natureza. No entanto, devido à minha atividade profissional passo pouco tempo em casa mas quando lá estou sinto-me muito bem. Tenho alguns animais.

O que pensa do mundo?

Vejo o mundo como um local (planeta), onde todos nos encontramos a experenciar com o objetivo de evoluirmos. Acredito que é assim dentro da minha parte espiritual. Este é um mundo de provas e expiações, onde há sofrimento, mais para uns, menos para outros de acordo com a sua própria evolução. Tenho pena que não seja um mundo melhor mas acho que todos estamos a contribuir para que venha a ser. O nosso objetivo é o de sermos felizes mas nem sempre se consegue.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Acho que nunca me irei sentir completamente realizada. Há ainda muito por fazer. Quando sentimos que já estamos realizados perdemos a vontade de lutar e conquistar coisas importantes. Já atingi muitas realizações mas há sempre outros apelos que me fazem sentir que há algo mais para ainda fazer.

Como se resolve a crise?

Também queria saber... Não sou economista, nem política. Penso que estamos a viver um ciclo que trará uma solução mais agradável para toda a gente. Os políticos são Homens e os Homens ainda têm tantos defeitos... Logo torna-se tudo mais difícil. Mas acredito que a solução irá aparecer. Sou otimista!

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Para mim Deus é o princípio inteligente de todo o universo. Ele criou tudo onde se inclui o Homem. Somos seus filhos e uma partícula do seu amor.

 

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Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não mudaria nada embora reconheça que poderia fazer algumas coisas de forma diferente. Não me arrependo de nada do que fiz porque tudo tem contribuído para o meu crescimento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogada e empresária. Nesta altura estou a trabalhar na área da nutrição e estou a gostar imenso. Para além disso escrevo, pinto e viajo. Pretendo manter tudo isto no futuro e, essencialmente, ser feliz.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Maldivas

Um livro

Diário de um mago (Paulo Coelho)

Uma música

Amor i love you (Marisa Monte)

Um ídolo

Jesus Cristo

Um prato

Peixe assado

Um conceito

Viver um dia de cada vez

publicado por Joaquim Gouveia às 10:38

22
Mar 15

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“NÃO BEIJEI O ANEL DO BISPO”

 

Entrevista de Joaquim Gouveia

 

Brissos Lino é um pastor protestante que diria “obrigado!”, se encontrasse Jesus Cristo. Nasceu em Lisboa, no Alto do Pina e guarda felizes recordações da sua infância onde, aos 6 anos, evitou beijar o anel ao Bispo, quando este visitou a escola que frequentava. Para si o Homem nasceu para se realizar através de um trabalho criativo e deve, de igual forma, contemplar o descanso. A sua casa é um refúgio e tem do mundo a ideia de que está doente devido à ganância do poder. A crise resolve-se com uma diplomacia forte a nível europeu e com mais sensibilidade social a nível nacional. Não conhece Auschwitz mas não tem dúvidas que é o retrato do quanto pode o Homem atentar contra o seu semalhante. Não tem ídolos e o 5 e o 10 são as suas estrelas da sorte.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Lisboa, no bairro Alto do Pina. O meu pai era funcionário da Carris e a minha mãe empregada doméstica. Lembro-me das minhas brincadeiras com os meus amigos, aos cowboys, os carrinhos de rolamentos, as caricas, enfim brincadeiras na rua. Na escola recordo-me que um dia recebemos a visita da Bispo. Toda a gente lhe beijou o anel. Eu achei aquilo estranho e esgueirei-me e evitei aquele beijo. Tinha 6 anos. Também me lembro de um sapateiro que havia na minha rua e da criançada lhe arreliar a cabeça ao ponto de ele ficar irritado e correr atrás de nós. Só muito mais tarde, já com 18 anos comecei a vir a Setúbal, para namorar a minha mulher.

Não há amor como o primeiro?

O meu primeiro amor foi a minha mulher com quem sou casado há 40 anos. Outras paixonetas anteriores na realidade não foram amor. Neste caso não houve amor como o primeiro e único.

O Homem nasceu para trabalhar?

Diria como o Agostinho da Silva: “O Homem nasceu para criar”. Dentro do trabalho o Homem pode ser criativo. Acho que nascemos para nos realizarmos através de um trabalho criativo.

Minha casa, meu tesouro...

A minha família é o meu tesouro e a minha casa o meu refúgio.

O que pensa do mundo?

Penso que está muito doente devido à ganância e à pulsão do poder. Por outro lado a natureza é uma coisa fantástica e a relação entre as pessoas pode ser altamente estruturante quando saudável. Sou um otimista e estou convencido que ainda há coisas boas para vir e os problemas se vão resolvendo.

Mais vale tarde que nunca?

Penso que sim mas depende das situações, ou seja, tudo deve ter o seu timing certo.

Como se resolve a crise?

Em dois planos. No europeu através de alianças e de uma diplomacia forte no sentido de influenciar a Europa para desenvolver políticas de crescimento em vez do primado financeiro. No caso português através de uma governação competente e sensibilidade social.

... e ao 7º dia Deus descansou!...

O relato da criação é simbólico. Acredito que Deus criou o universo mas não em 7 dias solares. A ideia de descanso é um princípio que é estabelecido para que as pessoas compreendam que não podem só trabalhar.

Pelo sonho é que vamos?

Sim. Sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança. Todas as grandes realizações aconteceram porque alguém as sonhou como um ideal e uma possibilidade e, depois trabalhou para as concretizar.

 Que lhe pede o seu coração?

Que seja mais solidário, compreensivo e mais paciente com os que me rodeiam e, por outro lado, que eu seja, também, exigente, com os que têm poder e denunciador das injustiças.

 

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CAIXA DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo, se o encontrasse?

Dizia obrigado!

Conhece Auschwitz?

Não. É o retrato cru das possibilidades do Homem para a prática do mal e o desrespeito pelo semelhante.

Um ídolo

Não tenho

Três objetos indispensáveis

Escova de dentes, computador e telemóvel

A chave do Euromilhões...

11,13,20,24,38 * 5-10

-

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:50

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“A Rádio é a grande paixão da minha vida”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

Jorge Moreira, setubalense radialista há mais de 30 anos na cidade que o viu nascer. Aos 20 anos iniciou a sua carreira militar na Força Aérea em Tancos, tendo seguido para a Base das Lajes nos Açores onde esteve mais de dois anos. Em janeiro de 1980 sofre um acidente na Base Aérea do Montijo, que deixaria marcas definitivas na sua locomoção. 

Após longa recuperação, resolve participar num “casting” da então Rádio Voz de Setúbal, onde nasceu o programa intitulado “Côco Louco”, que fez subir aos palcos de Setúbal grandes nomes da música popular portuguesa como Marco Paulo, Tony Carreira, Trio Odemira, Dino Meira entre outros. No início dos anos 90 recebeu o troféu “Jogos da Rádio”, promovido pela revista dirigida na altura por António Sala.

Jorge Moreira é, actualmente, locutor na Rádio Jornal de Setúbal onde faz um programa de discos pedidos.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz vivida com os meus amigos, divertíamos com jogos de rua como o “Toque das canas” ou o “Lá vai alho”, “Cinco castelos”, “Jogo da malha”, “Peão”, jogos que hoje estão esquecidos. Hoje não há nada disto, foi tudo esquecido e a vida é outra. Já não se vêem crianças a jogar na rua, por causa dos computadores. Na adolescência, fazíamos bailes particulares e lembro-me de um ter sido muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

O primeiro amor deixa marca e quando se gosta muito, ainda marca mais. O primeiro namoro a sério foi com a mulher dos meus filhos.

O Homem nasceu para trabalhar?         

O homem precisa de se distrair, não pode viver só para trabalhar. Gosto de conviver com os amigos, de dar o meu passeio, adoro pesca porque alivia-me o stress e gosto muito de ouvir música.

Minha casa, meu tesouro…

 Sou muito caseiro, gosto muito de estar em casa. É o meu refúgio. Gosto de ver televisão, adoro cozinhar e considero-me um bom cozinheiro.

O que pensa do Mundo?

O mundo está louco. Os homens não se entendem. Em alguns países, pede-se a paz e a união. Para quê tanta maldade? Estamos cá de passagem, porque não havemos de nos amar uns aos outros, dar-nos bem? Estou farto de ver jovens que se entregam ao terrorismo e matam inocentes. Os idosos e as crianças são as maiores vítimas deste estado a que o mundo chegou. Estou cansado de ver os telejornais que só falam de notícias de desentendimento. Em África, há países onde muitas crianças passam fome e doenças difíceis de tratar. O mundo está louco com a falta de entendimento. Gostava que houvesse paz.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando é que é tarde? Nada é que é nada! Desde que se faça algo para trazer benefícios, é sempre tempo de o fazer.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou crente e penso que Deus não descansou, está entre nós. Há alguém que domina isto. As coisas não acontecem por acaso. E se algo de errado nos acontece, é porque estava destinado ser assim.

Pelo sonho é que vamos?

Sonho quase todos os dias e por vezes com situações que acabam por me acontecer. Mas o melhor sonho é o de acordar todos os dias bem disposto e estar pronto para mais um dia de vida.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para ter cuidado com ele. Quando bate mais forte, costumo falar com o meu coração para corresponder aos meus desejos e tenho sempre respostas positivas.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Pedia-lhe que transmitisse aos homens para que se entendessem mais, para que houvesse mais amor e compreensão.

Conhece Auschwitz?

A vergonha da humanidade. Não quero conhecer. Homens, mulheres, crianças e idosos, foram torturados e sofreram muito por causa de um homem que queria dominar o mundo. Como foi possível isto acontecer.

Um Ídolo

Demis Roussus.

Três objectos indispensáveis

Chave de casa,  óculos e dinheiro.

A chave do Euromilhões

1-3-6-19-21 Estrelas 3 e 6

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:48

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“A ambição é o motor para aquilo que queremos ser.”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

José Belchior é presidente da junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra. Nasceu em Alvalade do Sado, mas aos 3 anos de idade veio para Setúbal com os pais em busca de uma nova vida. Aqui cresceu e fez a sua formação. O seu percurso como autarca inicia-se com o convite do anterior presidente da junta para o suceder, numa freguesia com componente urbana e rural.

Sempre praticou desporto, mas hoje encontra na agricultura um escape, que proporciona momentos para por as ideias em ordem.

 

Como foi a sua infância?

Uma infância boa dentro de uma família pobre mas feliz. Os meus pais tudo fizeram para me transmitir uma boa vida para que eu vivesse bem. Fui muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

Estou casado há 40 anos, e foi o meu primeiro e amor, deste casamento nasceu uma filha linda.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem não nasceu só para trabalhar. A vida não é só isto. O Homem tem de ter as suas horas de lazer, tem de ter tempo para dedicar a sua família e para dedicar aos seus amigos e à comunidade.

Minha casa, meu tesouro…

Concordo plenamente. Depois de um dia de trabalho exaustivo, o conforto do lar sabe muito bem.

O que pensa do Mundo?

O Mundo podia ir muito melhor, se não fossem os problemas que somos confrontados todos os dias. Olhamos para um lado e vê-mos situações de riqueza extrema e por outro lado, pobreza extrema. O Mundo seria muito melhor se as guerras não existissem, se não houvesse tanta desigualdade social, se os homens fossem mais compreensivos e mais tolerantes. Não fazemos nada para termos o Mundo que temos, mas a ele não podemos fugir.

Mais vale tarde do que nunca?

Em parte sim. Isto é como o ditado que diz “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”. Se eu poder resolver uma situação hoje não vou deixar que essa situação se resolva amanhã.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico mas perdoem-me porque às vezes pergunto-me a mim próprio será que Deus descansou, será que Deus nos acompanha todos os dias, será que não anda um pouco distraído? Se é que Deus existiu ou existe mesmo, acho que não descansou.

Somos confrontados com vários tipos de catástrofes a nível mundial e a humanidade debate-se com tantos problemas que comentamos será que Deus existe e será que não vê este tipo de situação? Mas quando estamos aflitos: Ai valha-nos Deus!

Pelo sonho é que vamos?

 Vou mais pela ambição, é o motor que nos transmite aquilo que nós queremos ser e por vezes temos que fazer força para conseguir os nossos objectivos e essa força só nos é transmitida pela ambição. A minha ambição enquanto presidente de junta de freguesia é a de dotar os meus fregueses de melhores condições de vida para que digam que vale a pena viver na minha freguesia. É isto que me move e a ambição torna-se um sonho. Ambição e sonho andam de mãos dadas.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para que todos os dias tudo corra bem. Gerir os destinos de uma freguesia não é fácil. Todos os dias deparamo-nos com situações diferentes e deveríamos contar com elas mas aparece sempre uma que vem baralhar a situação. Por vezes é como um baralho de cartas que parece ser um “volte face”. O meu coração pede-me, mediante esses problemas, que eu tenha capacidade de resposta para as soluções.

A nível pessoal o meu coração pede-me saúde para eu ver crescer os meus netos e a minha família de um modo geral, pede-me saúde para ver crescer tudo o que conquistei até hoje.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Sendo católico, e peço desculpa aos católicos, mas diria que Jesus anda um pouco distraído, que tem de estar mais alerta e mais ativo, derivado às desigualdades sociais. Eu não posso tolerar e ver de um lado riqueza excessiva e por outro a  pobreza excessiva. Não posso tolerar que haja situações que hoje vemos na terra de Jesus Cristo que o povo mártir, estou-me a referir à Palestina e a Israel, não posso tolerar as guerras. Não posso tolerar que nos países mais desfavorecidos como no Haiti aconteçam as maiores catástrofes, com tantas crianças abandonadas e a viver miseravelmente que ali aconteça um sismo como ocorreu. Penso que Jesus Cristo deveria estar mais atento. Era isto que lhe gostaria de transmitir.

Conhece Auschwitz?

Não conheço mas gostaria de conhecer para ver o mal que foi feito ao ser humano, para “in loco” ver a crueldade que aquele campo representa em termos de crueldade que foi implantada aquelas pessoas, as atrocidades que foram cometidas à população judaica naquela altura. Esperemos que novos “Auschwitz” não voltem a acontecer na humanidade e aqui voltando à pergunta anterior que Jesus Cristo esteja atento para que novos “Auchwitz” não voltem a acontecer.

Um Ídolo

O meu pai. Por aquilo que eu hoje sou, pela formação que me deu como homem. Lembro-me que quando andava na escola primária o meu pai ajudou-me a aprender a tabuada em 3 dias. Devo tudo ao meu pai e à minha mãe.

Três objectos indispensáveis

A carteira, o telemóvel e a chave de casa.

A chave do Euromilhões

Não jogo no Euromilhões. Não faz parte de mim. Passa-me completamente ao lado.

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:45

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