Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jun 14

 

Com o apoio: “HOTEL DO SADO”

 

“DEVERIA TER FICADO NO LUXEMBURGO”

 

Acácio Guerriro é o presidente do Rancho Folclórico das Praias do Sado. Nasceu em Alcácer do Sal, mas veio para Setúbal, com poucos meses de vida. A sua mulher foi mesmo o seu primeiro e único amor. Foi sapateiro, castigo, como diz, imposto por não querer andar na escola. Fala da sua casa para dizer que é confortável e humilde. Do mundo tem uma visão algo preocupada entendendo que teremos que esperar pelo menos mais 50 anos para que as coisas tomem um novo e mais justo e equilibrado rumo. Está arrependido de ter regressado a Portugal, depois de ter imigrado para o Luxemburgo , onde estava muito bem. É ilusionista nos tempos livres e gostava de construir um Centro de Dia em Praias do Sado, para os mais idosos

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Alcácer do Sal mas vim para Setúbal, com poucos meses de vida porque o meu pai trabalhava no talho do Noé, na Rua Antão Girão, onde morávamos. Tenho duas irmãs. Sempre fui muito ligado ao teatro e na minha infância representei e ainda andei, também, ligado aos grupos folclóricos. Tinha muitos amigos com quem brincava bastante. Na escola não fui um bom aluno. Eu era um grande “bandido”, só queria andar aos pássaros e ao banho no rio, quando voltámos a Alcácer.

 

O primeiro amor…

Penso que foi a minha mulher. Tinha 17 anos. Foi um amor à primeira vista num baile em Alcácer do Sal. Depois começámos a namorar e casámos.

 

E o primeiro emprego…

Fui sapateiro. Chorava todo o dia. Era castigo por não querer andar na escola. Ganhava uns trocos para ir ao cinema.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa humilde, sem luxos mas com conforto. É o meu refúgio, uma casa de família onde guardo as minhas relíquias. É confortável.

 

O que pensa do mundo?

Penso que cada vez isto está pior porque os Homens não se entendem. Cada vez há mais desigualdades e injustiças. Vejo o mundo um bocado complicado. Vamos ter que esperar pelo menos mais 50 anos para que o mundo possa mudar para melhor.

 

Sente-se realizadoa humana e profissionalmente?

Sim, graças a Deus. Com o associativismo, com a família e os amigos que é a base fundamental da vida. Gostaria de ter feito muito mais mas o que fiz já me permite sentir de alguma forma um homem realizado.

 

 

Como se resolve a crise?

Com trabalho e com empenho. Não é com o aumento de impostos que a crise se resolve. O desenvolvimento de um país passa pela sua produtividade.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Penso que Deus criou o Homem para que este fizesse tudo quanto é bom, só que o Homem ainda não o sabe fazer.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez tivesse ficado no Luxemburgo. Acho que regressar a Portugal foi a maior asneira que fiz. Regressei pelo contentamento com o 25 de Abril, mas foi um engano. Eu estava lá muito bem. Também as saudades fizeram-me regressar. Hoje poderia estar melhor. Estou arrependido.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformado. Sou presidente do Rancho Folclórico das Praias do Sado. Nos meus tempos livres sou ilusionista e tento contribuir social e culturalmente para a nossa cidade. Gostaria de construir um Centro de Dia para os idosos das Praias do Sado.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Portugal

 

Um livro

Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco)

 

Uma música

Mocidade, mocidade (António Calvário)

 

Um ídolo

Os meus netos

 

Um prato

Caldeirada à setubalense

 

Um conceito

Dignidade e respeito pelos outros e pela vida

publicado por Joaquim Gouveia às 09:54

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