Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jan 18

“O IMPORTANTE NÃO É O DESTINO MAS A VIAGEM”

Foto.jpgO Dr. Arlindo Mota é um beirão radicado em Setúbal, desde há muitos anos. Frequentou a escola dos Ferroviários, em Moscavide, onde morou na infância. Ali conheceu Vitor Constâncio e, mais tarde, nos seus tempos académicos privou com diversas personalidades da política e da cultura nacional. Foi sócio de uma livraria onde conheceu o seu primeiro emprego. Não arrisca previsões sobre o mundo e pensa que a grande dúvida está no posicionamento da sociedade perante a inteligência artificial. Adora a obra de José Afonso e de Aquilino Ribeiro. É adepto da chanfana beirã, não tem ídolos e o seu destino preferido é Itália.

 

Como foi a sua infância?

Nasci no Troviscal, Oliveira do Bairro. A minha família foi morar para Lisboa, quando eu tinha um ano de idade. Morávamos em Campolide, onde estudei na escola dos Ferroviários, onde fui um bom aluno. O meu pai acompanhava-me muito nos estudos. Praticava basquetebol e ginástica. Recordo-me de brincadeiras como o jogo da carica, berlinde e o andar ao arco, entre outros. Fui colega do Victor Constâncio, que também frequentava a mesma escola.

 

O primeiro amor...

Tenho um pequeno texto sobre o tema. Foi um amor pueril, próprio da idade.

 

O primeiro emprego...

Fui sócio de uma livraria em Moscavide, que depois passou para perto da Portugália e que se chamava “A corda”.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um apartamento de classe média, confortável, onde tenho um escritório privado.

 

O que pensa do mundo?

A minha vida é como a metáfora da escada em caracol onde em cada degrau o mundo se torna mais vasto e eventualmente menos próximo. Pensamos que o que era preto é cinzento e o branco tem máculas. Isto significa o preço da maturidade. Hoje são mais os fatores de opacidade que os de transparência. O mundo hoje é muito mais complexo onde é difícil arriscar qualquer previsão.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto que tenho tido uma vida extremamente preenchida onde tive oportunidade de conhecer muita gente de qualidade. Mas entendo todos estes percursos como o importante não é o destino mas a viagem.

  

Como se resolve a crise?

Há crise em todos os momentos. Tendo uma visão da história sempre houve crises. Os valores e as economias alteram-se. Estamos a viver um momento de inquietação, de positividade, um momento em que as pessoas se sentem cansadas e não sabem porquê. Hoje estamos numa sociedade líquida. Neste momento o grande desafio é perceber como é que a sociedade se vai posicionar perante a inteligência artificial.

 

Foto criança.jpg

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Não tenho convicções absolutas. Estou numa posição de reflecção permanente relativamente ao fenómeno que é a existência de um ser sobrenatural sendo que tal facto, existência ou não existência, não altera os meus valores. Não tenho certezas mas mantenho uma visão de grande compreensão sobre um fenómeno humano que é o da religiosidade.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tive a angústia de viver um período muito difícil mas muito rico da nossa história. Atravessei uma ditadura estando do lado do “não”. Fui dirigente estudantil. Vivi o fim do fascismo e o começo da democracia de Abril. Vivi o aparecimento dos partidos políticos. Obviamente mudava alguma coisa mas teria que ter o poder que é atribuído a Deus. No fundamental creio que tive uma vida coerente e empenhada pautada em valores de índole simultaneamente rural e cosmopolita.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou presidente da Universidade Sénior de Setúbal. Sempre fui um construtor de projetos. Valorizo as instituições a que pertenço e aprofundo os diversos projetos de escrita ficcionais ou de investigação em que estou permanentemente empenhado.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Itália

 

Livro

A grande casa de Romarigães (Aquilino Ribeiro)

 

Uma música

A obra de José Afonso

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Chanfana Beirã

 

Um conceito

Honestidade, transparência e coerência no respeito pelos outros

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:46

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