Entrevistas de JoaQuim Gouveia

19
Fev 14

 

Com o apoio “HOTEL DO SADO”

 

“ESTA É UMA CRISE SEM ROSTO”

 

Graziela Dias é atriz, mãe e mulher de corpo inteiro. Nasceu em terras do campo onde a liberdade da infância tinha um sabor muito especial. A sua avó materna influenciou a sua personalidade e mantém, ainda hoje, uma relação cordial com uma das suas professoras do ensino primário. O seu marido foi o primeiro e único amor de uma vida que, nesta altura, se constrói com as adversidades do dia a dia. Começou a trabalhar num fotógrafo, atrás do balcão e decidiu ser atriz, profissão que ama profundamente, ou como diz “ a minha casa é o teatro”. A crise fá-la acreditar que é necessário um 25 de Abril, em cada país

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal mas fui viver para a Venda do Alcaide, onde estive até casar. Tive uma infância muito feliz. Tenho muitas recordações dos meus avos. Os maternos viviam connosco e os paternos em Aljeruz. As minhas férias em passadas em Brejos do Assa, onde tinha muitos tios e primos por parte do meu pai. Havia muita alegria e brincadeira. Foi uma infância passada no campo com muita liberdade. As minhas avós marcaram-me profundamente. Muito do que sou acho que devo à minha avó materna. Na escola fui uma boa aluna. Recordo-me das minhas professoras e hoje ainda mantenho relação com uma delas.

 

O primeiro amor…

Foi o meu marido. Comecei a namorar com ele aos 16 anos. Não era muito ligada aos namoros. Era uma maria rapaz.

 

E o primeiro emprego…

Num fotógrafo na Fonte do Lavra. Era empregada de balcão. Tinha 18 anos. Não me recordo de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

A minha casa é apenas para dormir e pouco mais, por isso acho que o teatro é que é mesmo a minha casa.

 

O que pensa do mundo?

Ao chegar aos 52 anos esperava não ter que assistir aquilo que se está a passar no mundo. Vejo o mundo muito negro. No entanto tenho esperança de que as coisas se possam recompor, embora não seja fácil. Há uma grande crise de valores e um vazio enorme em cada um de nós. Só com uma rutura puderemos sair disto. Acho que há uma dor profunda no mundo que nos abala imenso. Acredito que isto terá inversão. Pensei que com o 25 de Abril, tudo fosse mais distribuído e que todos pudessemos viver mais dignamente.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Humanamente sim. Tive a sorte de encontrar o Zé Maria na minha vida, e ser mãe. Profissionalmente ainda há muito por fazer. As adversidades não nos deixam atingir uma maior realização.

 

Como se resolve a crise?

A crise é fabricada por alguns senhores que ganham com ela e fazem-nos passar essa mensagem. Eles vivem sem crise. As pessoas devem tomar consciência e estarem atentas ao que as rodeia e juntos podemos inverter toda esta situação. Secalhar precisamos de um 25 de Abril, em cada país. Esta é uma crise sem rosto. Há que fazer uma revolução mundial.

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Acho muito ingrato nascermos para morrermos. Tudo termina. Quero acreditar que há mais qualquer coisa para além disto. Não sei quem criou quem. Tenho as minhas dúvidas. Penso que há uma entidade superior.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Creio que não mudaria nada de significativo. Nunca pensei muito nesse assunto.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou atriz e produtora do Teatro Estudio FonteNova e do Festival Internacional de Teatro de Setúbal. No futuro vejo-me continuar a desenvolver estas profissões embora cada vez seja mais difícil. Vivemos em termos culturais um momento muito difícil.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Índia

 

Um livro

O espaço vazio (Peter Brook)

 

Uma música

Traz outro amigo também (José Afonso)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Sardinhas assadas

 

Um conceito

Viver um dia de cada vez tentando fazer alguém feliz

publicado por Joaquim Gouveia às 09:02

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