Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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“A ambição é o motor para aquilo que queremos ser.”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

José Belchior é presidente da junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra. Nasceu em Alvalade do Sado, mas aos 3 anos de idade veio para Setúbal com os pais em busca de uma nova vida. Aqui cresceu e fez a sua formação. O seu percurso como autarca inicia-se com o convite do anterior presidente da junta para o suceder, numa freguesia com componente urbana e rural.

Sempre praticou desporto, mas hoje encontra na agricultura um escape, que proporciona momentos para por as ideias em ordem.

 

Como foi a sua infância?

Uma infância boa dentro de uma família pobre mas feliz. Os meus pais tudo fizeram para me transmitir uma boa vida para que eu vivesse bem. Fui muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

Estou casado há 40 anos, e foi o meu primeiro e amor, deste casamento nasceu uma filha linda.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem não nasceu só para trabalhar. A vida não é só isto. O Homem tem de ter as suas horas de lazer, tem de ter tempo para dedicar a sua família e para dedicar aos seus amigos e à comunidade.

Minha casa, meu tesouro…

Concordo plenamente. Depois de um dia de trabalho exaustivo, o conforto do lar sabe muito bem.

O que pensa do Mundo?

O Mundo podia ir muito melhor, se não fossem os problemas que somos confrontados todos os dias. Olhamos para um lado e vê-mos situações de riqueza extrema e por outro lado, pobreza extrema. O Mundo seria muito melhor se as guerras não existissem, se não houvesse tanta desigualdade social, se os homens fossem mais compreensivos e mais tolerantes. Não fazemos nada para termos o Mundo que temos, mas a ele não podemos fugir.

Mais vale tarde do que nunca?

Em parte sim. Isto é como o ditado que diz “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”. Se eu poder resolver uma situação hoje não vou deixar que essa situação se resolva amanhã.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico mas perdoem-me porque às vezes pergunto-me a mim próprio será que Deus descansou, será que Deus nos acompanha todos os dias, será que não anda um pouco distraído? Se é que Deus existiu ou existe mesmo, acho que não descansou.

Somos confrontados com vários tipos de catástrofes a nível mundial e a humanidade debate-se com tantos problemas que comentamos será que Deus existe e será que não vê este tipo de situação? Mas quando estamos aflitos: Ai valha-nos Deus!

Pelo sonho é que vamos?

 Vou mais pela ambição, é o motor que nos transmite aquilo que nós queremos ser e por vezes temos que fazer força para conseguir os nossos objectivos e essa força só nos é transmitida pela ambição. A minha ambição enquanto presidente de junta de freguesia é a de dotar os meus fregueses de melhores condições de vida para que digam que vale a pena viver na minha freguesia. É isto que me move e a ambição torna-se um sonho. Ambição e sonho andam de mãos dadas.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para que todos os dias tudo corra bem. Gerir os destinos de uma freguesia não é fácil. Todos os dias deparamo-nos com situações diferentes e deveríamos contar com elas mas aparece sempre uma que vem baralhar a situação. Por vezes é como um baralho de cartas que parece ser um “volte face”. O meu coração pede-me, mediante esses problemas, que eu tenha capacidade de resposta para as soluções.

A nível pessoal o meu coração pede-me saúde para eu ver crescer os meus netos e a minha família de um modo geral, pede-me saúde para ver crescer tudo o que conquistei até hoje.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Sendo católico, e peço desculpa aos católicos, mas diria que Jesus anda um pouco distraído, que tem de estar mais alerta e mais ativo, derivado às desigualdades sociais. Eu não posso tolerar e ver de um lado riqueza excessiva e por outro a  pobreza excessiva. Não posso tolerar que haja situações que hoje vemos na terra de Jesus Cristo que o povo mártir, estou-me a referir à Palestina e a Israel, não posso tolerar as guerras. Não posso tolerar que nos países mais desfavorecidos como no Haiti aconteçam as maiores catástrofes, com tantas crianças abandonadas e a viver miseravelmente que ali aconteça um sismo como ocorreu. Penso que Jesus Cristo deveria estar mais atento. Era isto que lhe gostaria de transmitir.

Conhece Auschwitz?

Não conheço mas gostaria de conhecer para ver o mal que foi feito ao ser humano, para “in loco” ver a crueldade que aquele campo representa em termos de crueldade que foi implantada aquelas pessoas, as atrocidades que foram cometidas à população judaica naquela altura. Esperemos que novos “Auschwitz” não voltem a acontecer na humanidade e aqui voltando à pergunta anterior que Jesus Cristo esteja atento para que novos “Auchwitz” não voltem a acontecer.

Um Ídolo

O meu pai. Por aquilo que eu hoje sou, pela formação que me deu como homem. Lembro-me que quando andava na escola primária o meu pai ajudou-me a aprender a tabuada em 3 dias. Devo tudo ao meu pai e à minha mãe.

Três objectos indispensáveis

A carteira, o telemóvel e a chave de casa.

A chave do Euromilhões

Não jogo no Euromilhões. Não faz parte de mim. Passa-me completamente ao lado.

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:45

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