Entrevistas de JoaQuim Gouveia

10
Jun 14

 

 

“DEUS É UM SER IMAGINÁRIO”

 

José Manuel Martins é um setubalense bem conhecido na cidade e proprietário do restaurante “Espaço Setúbal”, pertencendo ainda à família da famosa “Bolacha Piedade”. Viveu em Moçambique, até ao 25 de Abril de 74 e por lá conviveu com amigos que teve de deixar para sempre. Começou a trabalhar aos 18 anos, como monitor de tempos livres. Pensa que o mundo é egoísta e sofre da falta de escrúpulos. A sua casa é um refúgio onde guarda as suas pinturas e as poesias da mulher. Para si o Homem criou Deus, para lhe dar força e coragem. Gostava de vir a ter um hotel e Lasanha é a sua comida preferida.

 

Como foi a sua infância?

Nasci na Palhavã, no bairro da Anunciada. Tive uma infância feliz. Com 28 dias de vida fui com os meus pais para Moçambique e só regressámos após o 25 de Abril de 74. O meu pai era embarcado. No entanto vinha frequentemente a Setúbal visitar a família e os amigos. Na escola sempre fui um bom aluno e conclui o ensino primário com êxito. Tinha muitos amigos com quem brincava. Em Moçambique praticava-se muito desporto, nomeadamente o basquetebol.

 

O primeiro amor…

Foi a minha mulher. Tinha 16 anos. Nessa altura o coração disparou mais depressa, é verdade. De resto foram brincadeiras próprias da juventude.

 

E o primeiro emprego…

Como monitor de Tempos Livres no Stella Maris. Tinha 18 anos e devia ganhar uns 8 contos por mês.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Está feita para nos sentirmos bem. É a nossa imagem. Tem muito espaço, é confortável e um refúgio onde exponho as minhas pinturas e onde tenho um espaço próprio para mim e para a minha mulher fazer as suas poesias.

 

O que pensa do mundo?

É um mundo sem escrúpulos, onde não há tolerância, nem família. É um mundo muito só e egoísta, sem justiça, sem critérios, nem valores. Neste momento tenho uma ideia muito negativa do mundo.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim porque ao fim e ao cabo sei que queremos sempre atingir novas metas ,e nesse aspeto sempre trabalhei para atingir os meus objetivos. Não é fácil mas a minha maneira de ser permite-me superar as dificuldades.

 

 

Como se resolve a crise?

Mudando a mentalidade dos políticos. O egoísmo que eles mostram não lhes permite pensar no bem estar das pessoas nem nas dificuldades do povo.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Apesar de ser católico não praticante acho que foi o Homem quem criou Deus. Na Igreja nem tudo é correto. Eu sou um homem de fé. Deus é um ser imaginário que nós criámos para irmos buscar forças. Acredito nos Santos, que foram pessoas que sempre fizeram o bem e que nos confortam. A imagem de Nossa Senhora de Fátima dá-me muita força e coragem.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Essencialmente algumas coisas que agora faria de outra maneira. No fundo isto é a própria experiência da vida que nos ensina a fazer cada vez melhor e que nos dá a capacidade de vermos a vida de outra forma mais atualizada a cada momento.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou proprietário do restaurante “Espaço Setúbal” e faço parte da “Bolacha Piedade”. Não penso no futuro. Não faço projetos. Limito-me a viver o dia a dia. Gostava de vir a ter um hotel. Nos dias que correm quando acordamos se tiramos a “bola preta” é o fim...

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Itália

 

Um livro

Pappilon (Henri Charrière)

 

Uma música

Beatlles

 

Um ídolo

Vitória de Setúbal

 

Um prato

Lasanha

 

Um conceito

Tolerância. Sem ela não há vida.

publicado por Joaquim Gouveia às 06:00

Junho 2014
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
14

15
19
21

22
23
24
25
26
27
28

29


arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO