Entrevistas de JoaQuim Gouveia

02
Jul 14

 

Com o apoio: Hotel do Sado

 

“O MUNDO VAI NUMA DIREÇÃO ESQUISITA”

 

Marcos Santos é tenor com carreira de destaque nos Estados Unidos, onde reside. Nasceu no bairro do Liceu, frequentou o Externato Diocesano Sebastião da Gama e brincou com amigos nos tempos em que a meninice lhe concedeu privilégios tal como uma infância feliz. O seu primeiro amor aconteceu aos 15 anos, embora não fosse inteiramente correspondido. Tem do mundo a ideia de que vai numa direção esquisita e pensa que a crise resolve-se com a mudança da mentalidade do povo. Já pisou os grandes palcos mundiais e cantou para a Imperatriz do Japão. Como bom setubalense que é, o tema “Rio Azul” é da sua predileção

 

Como foi a sua infância?

Nasci no bairro do Liceu e estudei no Externato Diocesano Sebastião da Gama. Logo aí as minhas aptidões artisticas foram experimentadas. Cantava bastante em todas as festas. Eu era o primeiro a memorizar as canções e mais depressa do que a própria tabuada. Brincava ao pião, aos berlindes, ás escondidas, enfim, brincadeiras próprias da época. Andava de bicicleta. Vendia os talões do totobola que eram de borla, aos amigos que achavam graça e lá me compravam.

 

O primeiro amor…

Aos 15 anos. Era uma bailarina da Academia de Dança Contemporânea. Apaixonei-me por ela ao longo de 5 anos. Foi uma paixão assolapada mas não foi totalmente correspondida.

 

E o primeiro emprego…

Foi na Torralta, em Tróia, como operador telefónico. Tinha 18 anos. Ganhava à volta de 60 contos, e com os primeiros ordenados comprei uma aparelhagem na saudosa Artiflash.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Tenho 3 casas: uma em Boston, outra em Lisboa e uma no Ribatejo. Uma desarrumação constante. Anda sempre tudo em rotação.

 

O que pensa do mundo?

Vai numa direção esquisita. É uma sociedade que se inclina cada vez mais para o materialismo e para o artificialismo. As pessoas têm medo de dizer que as coisas não estão bem na vida delas. Vive-se para a beleza exterior.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Sinto que tenho explorado a minha voz ao máximo e já cantei em sítios onde nunca pensei que viesse a cantar como o Carnegie Hall e para a Imperatriz do Japão. A nível pessoal tenho um excelente casamento com uma excelente mulher.

 

 

Como se resolve a crise?

Mudando a mentalidade das pessoas e do povo. A ideia de um estado social que nos dá tudo nos dias de hoje está ultrapassada. As pessoas pensam que têm apenas direitos mas esquecem-se que também têm deveres. Somos um povo extremamente trabalhador e brioso mas precisamos de uma direção mais capaz e correta. Falta-nos empreendedorismo para nos mandarmos para a frente como nos tempos das descobertas. Hoje as pessoas lamentam-se demasiadamente.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Acredito que Deus criou o Homem. Sou católico e acredito que há vida para além desta noutro plano e que falta fé ao Homem e à nossa sociedade. Penso que será uma visão demasiado egoísta considerar que só existe este plano que é material.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nos meus ultimos 10 anos não mudava nada. Nos outros sim. Talvez tivesse partido mais cedo para fora e descoberto outras oportunidades e outras pessoas.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou a acabar o doutoramento em canto/interpretação, tenho um recital este mês no Palácio Fronteira, em Lisboa, em Novembro darei concertos em Nova York e Boston e em Janeiro do próximo ano realizarei um concerto no Forum Luísa Todi, na minha cidade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Índia

 

Um livro

Equador (Miguel de Sousa Tavares)

 

Uma música

Rio Azul (Mário Regalado/Laureano Rocha)

 

Um ídolo

Luciano Pavarotti

 

Um prato

Bacalhau

 

Um conceito

Nunca deixes para amanhã o que podes fazer hoje

publicado por Joaquim Gouveia às 21:43

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