Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jun 14

 

“ESTAMOS SEMPRE A TEMPO DE MUDAR”

 

Margarida Piedade é uma jovem com um talento natural para subir ao palco e cantar o fado, ou desfilar cantando nas marchas populares ou, ainda, dar de si numa boa revista à portuguesa. Nasceu no seio de uma família bem conhecida em Setúbal, a família que comercializa a famosa e saborosa “Bolacha Piedade”. Trabalha no Hospital de Santiago, onde é técnica administrativa. Tem inúmeras recordações da sua meninice passada entre brincadeiras e a escola lá para os lados do bairro de Tróino. Pensa que o Homem desvaloriza um mundo que é belo e sabe que ainda tem muito para aprender e para dar nesta vida.

 

Como foi a sua infância?

Foi muito feliz e tranquila. Sou uma setubalense de gema, fui criada no bairro de Tróino, pelos meus avós e pela minha tia que cuidavam de mim porque os meus pais trabalhavam. Ainda hoje é o local onde melhor me sinto e admito ser muito bairrista, aquelas ruas e gentes têm magia...  Andei na escola primária do Viso e ainda hoje recordo a minha professora a D. Ana Mantas, assim como na catequese e nos escuteiros da Anunciada. Adorava brincar pelas ruas do bairro com uma amiga de infância chamada Carina, ir à feira com a minha família até porque a casa da minha bisavó era junto ao Largo da Palmeira. Era uma altura maravilhosa era feita numa padaria na Rua da Brasileira e eu adorava ir para lá com a minha avó Delfina, Graças a  Deus tenho uma família muito unida, espírito esse que foi incutido pela minha bisavó Maria Piedade. Outra das coisas que eu gostava muito de fazer era de ir ver os jogos do Vitória com o meu pai. Agradeço-lhe ter feito de mim uma pessoa com muito orgulho na nossa cidade e de tudo o que dela provém. Ele sempre me disse: “se não formos nós a defender o que é nosso não hão-de ser os de fora que o farão por nós”.

 

O primeiro amor...

Devia de ter uns 4 anos.. Era uma rapaz mais velho que eu e os nossos pais eram amigos. A minha mãe conta-me que dormia com a fotografia dele debaixo da almofada, andava sempre apaixonada.

 

O primeiro emprego...

A fazer bolacha Piedade pois claro! Era o meu trabalho de Verão e levava-o muito a sério.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Moro num apartamento em Setúbal, simples mas bastante acolhedor onde respiro o ar do rio e da serra. É o meu refúgio onde recarrego energias para o dia-a-dia.

 

O que pensa do mundo?

Penso que o mundo é belo demais para o Homem o desvalorizar tanto...

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não, mal de mim se já estivesse realizada. Ainda sou muito jovem e quero muito mais da vida. O ser humano quer sempre mais. Gosto de viver um dia de cada vez com os pés bem assentes no chão. Não sou pessoa de fazer grandes planos. Certamente que ainda haverá muita coisa reservada para mim.

 

 

Como se resolve a crise?

Uma boa questão. Estamos a passar por muitas crises e para mim a pior é a que está na base de todas as outras e acaba por desencadeá-las, a crise de valores. Infelizmente, e na minha opinião a tendência é para piorar. As pessoas estão cada vez mais egocêntricas. Tem de partir de nós, de dentro das nossas casas, da educação que damos aos nossos filhos, assim como na transmissão de valores.

 

Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Como católica que sou acredito que tenha sido Deus a criar o Homem.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudaria, mas não sei bem o quê, talvez algumas decisões que tomei. No entanto, se assim não tivesse sido não seria a pessoa que sou hoje. Sempre fiz o que achava correto, contudo estamos sempre a tempo de mudar ou pelo menos de tentar, basta haver força de vontade.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Trabalho há 7 anos num hospital como técnica administrativa, neste momento na área da medicina dentária. Por outro lado vou cantado que é isso que na realidade me realiza. Neste momento estou focada nas marchas populares que é algo que adoro fazer e me dedico com toda a minha alma. Este ano vou representar a marcha da ACTAS (Academia Cultural de Teatro e Artes de Setúbal). Adoro fazer revista à portuguesa entre outras coisas. Certamente que ainda hão-de surgir muitos projetos, sou muito feliz no palco.

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Punta Cana

 

Livro

”Casada à força” (Sameem Ali)

 

Uma música

 “Solamente Tu” (Pablo Albóran)

 

Um ídolo

A minha avó materna Delfina Piedade

 

Um prato

Massa de sapateira

 

Um conceito

“Nada na vida acontece por acaso”

 

publicado por Joaquim Gouveia às 06:56

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