Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Fev 14

 

“A EUROPA ESTÁ A PERDER O SEU EX-LIBRIS”

 

Maria do Carmo é uma das mais antigas militantes do PS de Setúbal. No entanto confessa ter sofrido dissabores com a política da qual nunca se serviu. Começou a trabalhar numa livraria e diz que é dos mais belos trabalhos que existe. Natural de Santana da Serra, em pleno Alentejo cedo rumou para Lisboa e finalmente, redicou-se na cidade do Sado. Acha que a Europa está a perder o seu ex-libris de educação, liberdade e atenção aos mais idosos. Sobre a crise portuguesa escreveu um poema, entretanto, premiado na casa do Professor. Sente-se uma mulher realizada com o trabalho. É crente num ser superior mas não é católica. Acredita que há muitos interesses dentro do Vaticano, embora considere que oPpapa Francisco, está a realizar um bom trabalho

 

Como foi a sua infância?

Nasci no Alentejo, na aldeia de Santana da Serra, concelho de Ourique, distrito de Beja. Estive lá até aos 7 anos e depois fui para Lisboa com a minha mãe, onde fiquei até casar aos 19 anos. Fiz a primeira classe ainda em Santana da Serra e as restantes fiz na escola da Calçada da Tapada. Fui sempre boa aluna. Era muito brincalhona. Obrigava os meus irmãos a comer papas para poder ficar com os bonecos que saíam na Farinha 33 e na Farinha Predilecta. Eu não as comia porque não gostava das papas. A minha mãe ralhava bastante comigo. Sempre fui uma rapariga com muitas amigas.

 

O primeiro amor…

Aos 14 anos namorei um rapaz só porque ele era giro e todas as raparigas tinham um namorado. Foi a primeira paixoneta. Era o Manel. Foi um deslumbramento.

 

E o primeiro emprego…

Com 14 anos fui trabalhar para uma livraria. Adorei. A profissão de livreiro é das mais belas que existe. Acho que ganhava 100 escudos. No entanto para ganhar mais algum dinheiro dava explicações a dois miúdos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu mundo. É uma casa muito grande. Faz parte de mim. Teria muito desgosto se um dia tivesse que a deixar. Foi decorada por mim. Acho que tenho jeito e gosto para a decoração.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está muito mal. A manipulação das pessoas e a falta de respeito pelos mais carenciados, principalmente na Europa, que está a perder a sua coesão social que era, afinal, o seu principal ex-libris, a educação, a liberdade, a atenção aos mais idosos. Os governantes só pensam no lucro e não no bem estar das populações. Sobre Portugal escrevi um poema entitulado “O Mar” que foi premiado na Casa do Professor. É um poema que faz um apelo aos nossos feitos e aos Homens do antigamente.

  

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente sempre me senti realizada. Fiz o que gostei. Humanamente sinto-me desiludida até mesmo na política. Sou das militantes do PS mais antigas de Setúbal. Tenho tido alguns dissabores porque nunca me servi da política, mas, ao contrário servi-a. Sempre apoiei propostas de outros partidos que achei que eram boas para a nossa cidade.

 

Como se resolve a crise?

Só se resolve com o investimento público. Sem uma economia a crescer não há nada que a resolva. A dívida pública aumentou e vivemos pior. Logo não é assim que se resolve a crise.

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Não sei. Tenho muitas dúvidas. Sou cristã mas não sou católica. Acredito que há um ser superior mas não acredito na Igreja. Acho que o Papa Francisco tem feito um bom trabalho mas há muitos interesses dentro do próprio Vaticano.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez tivesse tirado um curso superior. Tirei vários cursos mas nunca me licenciei. Preferi a estabilidade e a atenção à família.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformada. Sou voluntária de honra da Liga dos Amigos do Hospital de S. Bernado e suplente na sua direção, presto serviço no Centro de Estudos Bocageanos e sou membro do centro de investigação Manuel Medeiros, na UNISETI. Sou ainda frequentadora desta universidade sénior. No futuro quero manter todas estas atividades e continuar a escrever e a editar os meus livros. Estou envolvida na criação da Casa da Poesia de Setúbal. Vou participando em várias antologias poéticas. O CEB editou recentemente o meu livro de poesia “O rio que eu canto” em homenagem ao Rio Sado.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Quénia

 

Um livro

As memórias de Adriano (Marguerite Iurcenar)

 

Uma música

Bolero (Ravel)

 

Um ídolo

Nelson Mandela

 

Um prato

Sardinhas assadas

 

Um conceito

A minha liberdade termina onde começa a dos outros.

publicado por Joaquim Gouveia às 10:52

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