Entrevistas de JoaQuim Gouveia

01
Fev 16

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“Falta respeito pelas religiões”  

 

Maria Dores Amado é uma poetisa alentejana a quem a vida lhe ofereceu a possibilidade de ser útil na ajuda aos filhos, aos netos e aos amigos. Desde há muito radicada em Setúbal teve uma passagem por África, que lhe deixou profundas saudades Começou a trabalhar aos 15 anos aproveitando as férias escolares para ganhar algum dinheiro. O falecido marido foi o amor de toda a sua vida depois de se cruzarem num colégio em Santiago do Cacém. Para si o mundo carece de respeito pelas religiões, afinal as grandes responsáveis pelas guerras. A crise resolve-se evitando-se ordenados e reformas chorudas. Quer, a breve trecho, lançar o seu primeiro livro de poesia. Honestidade é o seu lema de vida.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Alvalade do Sado e como o meu pai era funcionário dos Serviços Hidráulicos do Tejo andámos deslocados por várias localidades como Comporta e Azinheira de Barros, onde fui batizada. Foi uma infância muito boa. Sou filha única. A família era muito unida. Dava-me muito com os meus avós de ambos os lados. Recordo as férias nas Caldas de Monchique. Na escola nunca reprovei. Entrei diretamente para a segunda classe.

O primeiro amor…

Foi o primeiro e o único, o meu falecido marido. Como fui estudar para Santiago do Cacém conhemo-nos num colégio. Tinha 14 anos.

E o primeiro emprego…

Aos 15 anos como analista colorista e depois como analista química durante os 3 meses das férias do colégio no laboratória da fábrica ECA.

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho. É uma casa grande onde habito sozinha. Tem uma decoração antiga mas a meu gosto.

O que pensa do mundo?

O mundo e as pessoas não se entendem. Faz falta respeito pelas religiões porque daí é que sempre nasceram as grandes guerras. Gosto de cá andar mas acho que se o Homem fosse mais humano tudo isto seria melhor, com mais altruísmo e menos egoísmo.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Enquanto trabalhei senti-me realizada com o meu trabalho e com a minha profissão. Como pessoa não tenho de que me queixar, vivo a vida conforme posso. Tenho os meus filhos criados e esse foi sempre o meu grande objetivo.

 

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Como se resolve a crise?

Colocando um fim aos grandes ordenados, ás grandes reformas e aos excessos de dinheiros “exportados”.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu penso que o Homem veio da natureza e aperfeiçoou-se. Se esse aperfeiçoamento foi feito pela mão de Deus omnipotente não está esclarecido. Não sei, nem eu nem ninguém.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não somos seres perfeitos mas no geral não me arrependo do caminho que tracei pelo que, à partida, não mudaria nada.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformada, ajudo os meus filhos e os netos e escrevo alguma poesia. Sou tesoureira do Núcleo de Poesia de Setúbal. No futuro quero editar um livro de poesia que está praticamente pronto. Até agora só tenho participado em antologias.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Lourenço Marques (Maputo)

Um livro

Só o amor é infinito (Lauro Trévisan)

Uma música

Non son degno di te (Gianni Morandi)

Um ídolo

Não tenho

Um prato

Arroz de maçã raineta

Um conceito

Honestidade

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

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