Entrevistas de JoaQuim Gouveia

18
Set 14

 

“O QUE IMPORTA É RASGAR O PEITO E SER”

 

Ricardo Cardoso é um inventor da cultura, melhor, das culturas que divulga num programa radiofónio há 27 anos a transmitir conteúdos para gente que se cultiva na aprendizagem do saber. Para além disso participa em edições literárias e faz da sua vida uma aventura à descoberta do conhecimento, do enriquecimento das relações e da partilha familiar. Pertence ao Grupo de Teatro Espelho Mágico, onde é diretor e sente-se um homem de luta, plenamente na luta. Nasceu e brincou numa aldeia do ribatejo profundo e é companheiro presente ao lado do seu amor de toda a vida, a sua mulher. Evoca Charles Coster para falar do mundo e sobre Deus diz que é amor de uma grande harmonia. A crise resolve-se com o regresso aos valores do personalismo e das nações.

 

 

Como foi a sua infância?

Feliz e na direção do Homem novo. Trago nas veias o amor, sentido libertário e saberes duma terra da resistência chamada Couço, no Ribatejo profundo).

 

E o primeiro amor…

Se retirar do caminho os namoricos filhos da circunstância que é viver posso dizer claramente que Céu Campos foi e é o meu primeiro amor.

 

E o primeiro emprego...

Organizando a resposta a partir do vencimento, direi que foi coisa administrativa e aborrecida. Por outro lado, pensando na vocação, foi coisa bonita e ligada à animação cultural.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um sitio de onde brota a maneira de encarar o mundo a partir dos olhos dos componentes da familia. Teatro, música, poesia e litros de significados em movimento misturam mapas interiores com utopias vindas do Sol.

 

O que pensa do mundo?

Respondo assim: Ó respeitáveis enganadores que troçais de mim! Donde emerge a vossa política, enquanto o mundo for governado por vós? Das punhaladas e do assassínio! Charles Coster.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não creio que a realização humana, no sentido genuíno da tirada, seja possivel. Pode sair em sorte uma espécie de aproximação, não mais do que isso. Não sei se é bom, se é mau!? O que importa é rasgar o peito e ser. Profissionalmente? Todas as profissões insertas nesta sociedade de interesses contidos assentam em fundamentos tão elevados como mediocres. Assim...

 

 

Como se resolve a crise?

Com o regresso dos homens aos valores do personalismo e das nações.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

É óbvio que nesta era do Homem comum, negócio é tudo o que seja negociável, inclusivamente o Deus comercial, filho da ganância e do poder. Outra coisa é o Universo onde tudo acontece. Quem somos nós para reclamar direitos sobre a vida? Não passamos de poeira cósmica. Deixa-me dizer-te: Deus é amor e está presente na grande harmonia sem anéis ouro e literaturas.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Procuraria ser livre em vez de deprimido (nalgumas situações do viver). Ter ainda mais opinião própria.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Funciono para a nação e para mim. Sou director no GATEM - Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, escrevo a partir das minhas profundezas para algumas edições literárias de amIgos e companheiros de luta e mantenho no ar, vai para 27 anos, o programa radiofónico de cultura livre Arestas de Vento, agora na Popular FM. Há muito caminho, e o futuro faz-se caminhando na direcção do continente humano com a energia que me for possivel utilizar.

 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Couço

 

Um livro

Escuta Zé Ninguém (Wilhelm Reich)

 

Uma música

Chegam palavras (Fernando Tordo)

 

Um ídolo

Agostinho da Silva

 

Um prato

Bacalhau no forno

 

Um conceito

És livre apenas num sentido: Livre da educação que te permitiria conduzires a tua vida como te aprouvesse acima da autocritíca.

-

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:48

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