Entrevistas de JoaQuim Gouveia

20
Mai 18

“LUTO CONTRA A ACOMODAÇÃO”

 

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O Engenheiro Henrique Soares é um homem desde há muito ligado á atividade vitivinícola da nossa região. É presidente da comissão que gere o setor e tem um conhecimento demasiadamente alargado da realidade da vinha, do vinho e do meio rural regional. Nasceu em Vila Franca de Xira, onde conheceu uma envolvência com o campo e a natureza muito intensos. Acredita que Portugal é um oásis no mundo mas com vários problemas sociais por resolver. Não gosta de se instalar e diz que luta conta a acomodação. Chile e Argentina são destinos de eleição e o seu ídolo presente é Fernando Santos, técnico da seleção nacional.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Vila Franca de Xira. Tive uma infância muito feliz, com muito contato com a natureza, com o ar livre e com muito campo. Isso tornou-me uma pessoa mais otimista. Pela infância que tive consigo ver o lado positivo das coisas, das pessoas e da vida. Não hipervalorizo os problemas. Vivi junto da natureza. Na escola fui um bom aluno. Completei a 4ª classe no ano da revolução de 74. Foi uma primária muito exigente. Tive muitos amigos e muitas brincadeiras muito ligadas à festa brava que é tradição lá na terra.

 

O primeiro amor…

Foi algures no início de um verão nos anos 80. Um namoro de verão apenas isso.

 

E o primeiro emprego…

Na quinta da aldeia de Subserra, em Vila Franca. Fazia um pouco de tudo como apanhar fruta, tratar dos animais ou caiar muros. Não me recordo de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu porto seguro. É acolhedora, tranquila, um refúgio. A decoração é ao gosto da minha mulher mas sinto-me muito bem. Fica numa pequena aldeia de Azeitão.


O que pensa do Mundo?

Sou uma pessoa com muitas viagens no passaporte, em particular nos anos 90. O mundo é demasiadamente grande. Penso numa perspetiva daquilo que posso fazer para que ele fique melhor para quem vem depois de nós. Nessa perspetiva Portugal é um oásis mas onde ainda existem vários problemas sociais. Isso é o que mais me preocupa.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Tento não me sentir instalado. Luto contra a acomodação. Não posso dizer que me sinto realizado. Sinto algum grau de realização mas ainda há muito que gostaria de fazer e de realizar.

 

Como se resolve a crise?

Com um somatório de atitudes e realidades. Com preocupação e solidariedade entre todos. Estamos sempre em crise.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi Deus quem criou o Homem. É nisso que acredito. Sou crente e batizado.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

De vez em quando temos que olhar pelo retrovisor mas para mim o mais importante é olhar para a frente. A minha vida está feita até aqui. Pensar nisso é perder tempo e energia.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, diretor da ADREPES e membro da Associação Casa da Baía de Setúbal. Os meus projetos estão ligados a esta zona vitivinícola e ao seu desenvolvimento.



CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Chile e Argentina

 

Um Livro:

Quando Portugal ardeu (Miguel Carvalho)

 

Uma Música:

A matter of trust (Billy Joel)

 

Um Ídolo:

Fernando Santos

 

Um prato:

Salmonetes grelhados

 

Um conceito:

Sempre que se fecha uma porta abre-se algures uma janela

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:19

“O MUNDO ESTÁ CADA VEZ MAIS COMPLICADO

 

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O Comandante Rafael Rodrigues é um angolano radicado no nosso país desde há muito. Se pudesse voltar atrás talvez nunca tivesse feito tal opção pois é grande o amor que sente por Angola. Teve uma infância feliz e o seu primeiro amor revelou-se no 2º ano de Liceu. Coisa própria de jovens. Pensa que o mundo está complicado em resultado dos maus líderes que têm aparecido um pouco por todo o lado. Sente-se um homem realizado na vida. Sobre a crise acredita que é necessária uma civilização assente na competição dos valores humanos e da solidariedade. Para si foi o Homem, que criou Deus, para justificar os seus atos.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Angola. Vivi em Benguela, até vir para Portugal. Tenho memórias muito ricas no aspecto da solidariedade, camaradagem, amizade e sociabilização. Entrávamos na casa uns dos outros como se fosse na nossa. Na escola fui um aluno razoável. Era amigo de todas as crianças. Toda a gente gostava de conviver comigo. Brincávamos à macaca, futebol, ao prego e outros jogos.

 

O primeiro amor...

No segundo ano do liceu. Foi um amor que começou por ser platónico mas que depois esvaneceu. Foi um primeiro despertar do sentimento de gostar do sexo oposto.

 

O primeiro emprego...

No Banco Comercial de Angola, como caixa. Ganhava à volta de 10 contos na altura.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o espaço onde me sinto bem e onde me recomponho em termos psicológicos e físicos.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está cada vez mais complicado e que resulta dos maus líderes que os países escolhem como é o exemplo do Trump, que só por si é um foco de conflito. Temos exemplos próximos de perca de valores morais de políticos mais interessados no poder pelo poder.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto-me sim. Na parte humana tenho uma família com 4 filhos e 6 netos que me completam. Profissionalmente tive sempre oportunidade de escolher o que queria fazer nunca sendo servil, tendo liberdade de escolha do meu rumo.

  

Como se resolve a crise?

Com uma civilização não assente na competição mas em valores humanos, de solidariedade e em valores em que o ser humano está em primeiro lugar e acima dos interesses económicos.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Foi o Homem que criou Deus, para encontrar explicação para o muito de bom e mau que o próprio Homem faz.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez a opção de ter vindo para Portugal, ficando em Angola, apesar de todas as contingências em termos de guerra e da destruição da muita riqueza que Angola tinha.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Estou reformado depois de 576 meses de serviço público. Dou formação na área da segurança em Cabo Verde, de forma gratuita com os custos pagos pelos hotéis que me convidam. Faz parte da minha condição de voluntário a favor de um povo desfavorecido.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Seychelles

 

Livro

O triunfo dos porcos (George Orwell)

 

Uma música

When a man loves a woman  (Percy Sledge)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Cabrito assado no forno com arroz de açafrão

 

Um conceito

Projetar o melhor e esperar o pior

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:08

11
Abr 18

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" O MUNDO ESTÁ EM REGENERAÇÃO "

 

Joel Silva é um homem de fé e de paz. É presidente de uma associação espirita de Setúbal e defende que é na partilha, na solidariedade e na fraternidade que o mundo tem que pulsar a bem de todos. Pensa que Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança e a todos deu por igual. Nasceu nas Praias do Sado, trabalhou bastante ao lado dos pais e sente uma enorme felicidade quando se fala de família e bem estar. Para si o mundo está em regeneração e a mensagem de Jesus Cristo tem que finalmente ser entendida.

 

Como foi a sua infância?

Nasci nas Praias do Sado, onde estudei até à 3ª classe. A quarta terminei na escola do Sousa, em Setúbal. Foi uma infância integrada numa família humilde que quis proporcionar um futuro melhor aos filhos. Foi uma vida de trabalho no campo. Ajudava bastante os meus pais nos meus tempos livres. Não tive muita brincadeira porque o tempo era pouco. A minha mãe era regente escolar que era um posto criado no antigo regime pra combater o analfabetismo na falta de professores mas não tinha grandes compensações.

 

O primeiro amor…

Aconteceu nas viagens de comboio para o ciclo preparatório em Setúbal. Eu vinha das Praias do Sado e ela embarcava na Cachofarra e vínhamos juntos até à escola. Foi um namoro de juventude.

 

E o primeiro emprego…

Na Iluminadora do Sado. Não me recordo quanto ganhava na época.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa num sítio pacato, em Aires, perto do campo e muito tranquila. Vivo só com a minha esposa. É o nosso porto de abrigo.


O que pensa do Mundo?

Está a evoluir para dar possibilidade a quem se interessar pela solidariedade e fraternidade. Há um novo andamento do planeta que está em regeneração e quem conseguir perceber a mensagem de Jesus Cristo poderá acompanhar essa regeneração.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me realizado embora não em tudo o que tenha ambicionado fazer mas entendo que nem tudo é como nós queremos, nada acontece por acaso e temos que aceitar as coisas sem dramas e sem obsessões tentando sempre atingir os objetivos a que nos propusemos. Amo tudo o que faço sempre na ajuda ao próximo.

 

Como se resolve a crise?

É não vivermos no materialismo e devermos olharmo-nos coletivamente como filhos de Deus. Assim teremos as mesmas oportunidades porque a todos foi dado por igual.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi Deus quem criou o Homem, à sua imagem e semelhança.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tentava começar a preocupar-me mais com o próximo na ajuda e na fraternidade.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da Associação Espirita Luz e Amor, de Setúbal e tesoureiro na loja social Aires Fonte de Boa Vontade. Pretendo dar continuidade a estes projetos e estar sempre atento à realidade da família





CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Caraíbas

 

Um Livro:

O evangelho segundo o Espirito Santo (Alan Kardec)

 

Uma Música:

Hino à Paz

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Peixe grelhado

 

Um conceito:

É difícil viver neste mundo mas vale a pena se soubermos viver

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 13:43

05
Abr 18

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 “O MUNDO É UM LUGAR BOM PARA SE VIVER”

* COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO

 

José Pedro Calheiros é um empresário - técnico de turismo muito empenhado na valorização de um sector que tem a certeza está em crescimento e trás riqueza ao nosso país. Aos 27 anos fundou a sua própria empresa, a SAL – Sistemas de Ar Livre e, desde então, nunca mais parou nesta sua aventura de ser um agente de turismo largamente credenciado e conhecedor dos produtos locais e nacionais. Não é crente em qualquer religião preferindo ser católico cultural e agnóstico conceptual. Acredita que o mundo é um lugar muito bom para se viver cheio de pessoas boas.

 

Como foi a sua infância?

Tive uma infância muito feliz. A minha família era muito equilibrada com elevados padrões morais. Senti uma vivacidade social motivada pelo facto de eu ter apenas seis anos quando se deu o 25 de abril de 1974. Frequentei a antiga escola do bairro Salgado, onde fui um aluno daqueles que se sentavam nas primeiras carteiras. A minha professora primária ainda é viva e chama-se Maria Mercês Monteiro. Morávamos na Avenida Bento Gonçalves, entre o Quebedo e o Aranguês. Aliás, a minha família foi a primeira a viver naquela avenida. Tinha sempre muitos amigos com quem brincava bastante. Lembro-me de brincar com o filho do Pedroto, que era o treinador de futebol do Vitória. A minha família tinha uma casa na Aldeia Grande, onde passávamos as férias de verão. O ambiente familiar era de exceção positiva.

 

O primeiro amor…

Aconteceu quando tinha cerca de 20 anos dentro do grupo de jovens paroquianos de S. Sebastião. As coisas evoluíram naturalmente como é normal nessas idades.

 

E o primeiro emprego…

Nunca tive emprego. Nunca enviei o meu currículo para qualquer empresa. Fundei a minha própria firma quando tinha 27 anos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um espaço acolhedor e que tento que seja o mais organizado possível e com as ofertas básicas para a vida sem luxos. Não tenho o culto da casa.


O que pensa do Mundo?

É um lugar bom para se viver em que a maior parte das pessoas são boas, comprometidas e que lutam pela construção de uma felicidade global. No entanto a visão e o imediatismo que temos hoje do mundo leva a acreditar que ele é muito pior do que o é na realidade.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Completamente. Do ponto de vista humano estou de bem comigo próprio e com as pessoas que me rodeiam e com as outras que nem conheço. Profissionalmente tenho a melhor profissão do mundo. Trabalho num sector absolutamente apaixonante onde o prazer, o divertimento e a motivação têm sido uma constante. Não há pessoas más a trabalhar no turismo.

 

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Como se resolve a crise?

Precisamos de menos Estado, maior boa vontade com a iniciativa privada e com a criação de riqueza e um combate severo à corrupção e compadrio e uma maior produtividade no desenvolvimento profissional.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou cristão e católico do ponto de vista cultural e agnóstico do ponto de vista conceptual. Não tenho qualquer crença na existência de algo a mais que a materialização do corpo.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Penso que não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Atualmente tenho em mãos responsabilidades diversas na área da estruturação de produtos turísticos de natureza e um trabalho intenso na consolidação do turismo de Portugal, como fator de criação de riqueza. É esta a linha que pretendo seguir num futuro próximo.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

 Portugal

 

Um Livro:

1984 (George Orwell)

 

Uma Música:

One more kiss diar (Don Percivel e Vangelis)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Couve lombarda com salsichas

 

Um conceito:

Trabalho e criação de riqueza

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 19:42

06
Jan 18

“CONSIDERO-ME UMA PESSOA FELIZ”

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Carla Lança é fadista por amor à arte. Gostava de ser artista profissional mas por enquanto esse objetivo não é fácil de concretizar. Por isso tem o seu emprego porque ninguém vive apenas dos sonhos. Nasceu e cresceu num bairro social de Setúbal, onde a palavra solidariedade encontra raízes profundas. A sua casa é um porto de abrigo que alberga uma família unida e cúmplice. Pensa que o mundo está cheio de invejas e energias negativas. Sente-se cansada de certas pessoas e se lhe for possível quer viver até aos 100 anos. Gostava de gravar um disco só com temas inéditos. Adora o Brasil, gosta de ler Nicholas Spark e não dispensa bacalhau com broa.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz. Tenho boas recordações. Nasci e cresci num bairro social onde existia preocupação entre os moradores e solidariedade. Os vizinhos socorriam-se. Lembro-me de andar de porta em porta para angariar dinheiro para o funeral de uma vizinha. Na escola fui boa aluna. Nunca dei problemas aos meus pais. Eles estiveram sempre muito presentes. O meu pai faleceu quando eu tinha 18 anos mas lembro-me de ele ser um homem muito presente. Brincávamos na rua. Fazíamos fogueiras pelos santos populares.

 

O primeiro amor...

Aos 15 anos. Não foi uma experiência agradável mas, no entanto, fez-me crescer.

 

O primeiro emprego...

Na Grula, em Palmela. Ganhava quarenta e seis contos. Quando recebi o primeiro ordenado não sabia o que fazer a tanto dinheiro.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o melhor cantinho do mundo, o meu porto de abrigo. É uma casa simples onde reina o amor e a compreensão. Somos uma família cúmplice.

 

O que pensa do mundo?

Estou cansada de certas pessoas. Falta-me a paciência. Acho que há muita energia negativa, muita inveja e muita falta de tolerância. Adoro viver e quero chegar até aos 100 anos. A vida é bonita mas as pessoas nem sempre a sabem viver na plenitude. Considero-me uma pessoa feliz.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Profissionalmente não. Se pudesse fazer do fado a minha profissão então estaria realizada. Como pessoa estou realizada. Gosto muito de mim. Não sou perfeita mas faço de tudo para evoluir e ser feliz.

  

Como se resolve a crise?

A económica não se resolve porque há muitos interesses. Acredito que também há uma crise de valores e essa também não se resolve. As pessoas são muito materialistas e egoístas.

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Tenho a minha fé. Sou crente apesar das questões que levanto relativamente a Deus. Acredito numa força superior.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudaria a minha entrega a certas e determinadas pessoas e situações. Penso que deveria ter investido mais na minha formação académica.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou fadista e trabalho numa empresa do ramo alimentar. Quero levar a minha carreira o mais longe possível. Gostava de voltar a gravar um disco, desta vez só com temas inéditos. A nível profissional tenho esperança de encontrar uma situação mais favorável.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Brasil

 

Livro

As palavras que nunca te direi (Nicholas Spark)

 

Uma música

Aguenta coração (José Augusto)

 

Um ídolo

A minha filha

 

Um prato

Bacalhau com broa

 

Um conceito

Viver cada momento

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 17:50

“HOJE TEMOS UMA CONSCIÊNCIA MAIS HUMANITÁRIA”

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O Dr. Horácio Pena é um investigador cultural do município de Setúbal. Teve uma infância tranquila com a aprendizagem do gosto pela leitura e pelo saber incutido pelas suas professoras do ensino primário. Frequentou o seminário e viveu num convento mas a sua falta de convicção católica impediu-o de se tornar padre. Pensa que é o Homem quem cria os seus próprios deuses. Como é otimista acredita que o mundo está em progresso e que hoje pensamos de forma mais adulta que os nossos antepassados. Gosta da obra de Eugénio de Andrade e elege “Requiem”, de Mozart, como a sua música de eleição.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Sintra, onde passei a minha infância até aos 10 anos. Recordo-me da frequência do ensino primário, da minha escola e das professoras que me marcaram muito positivamente. Elas despertaram em mim muito desejo e interesse pela cultura, a busca do saber. Na altura já me juntava aos grupos que gostavam de leitura. Estavam em voga os livros dos “Sete” e dos “Cinco” da Enid Blyton. Fui um bom aluno na área das letras. Lembro-me das festas anuais pelo primeiro de maio, que é a grande festa da aldeia de Granja do Marquês, onde vivia. Recordo-me que havia o cinema ambulante com projeções dos filmes nas paredes caiadas.

 

O primeiro amor...

Foi a leitura.

 

O primeiro emprego...

Na Câmara de Setúbal. Comecei por ganhar sete contos e quinhentos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

O meu reduto. O local mais importante depois de um dia de trabalho. É uma casa acolhedora, com o conforto necessário.

 

O que pensa do mundo?

Como sou otimista penso que o mundo está em progresso. Hoje pensamos de uma maneira mais adulta do que os nossos antepassados, temos maior consciência que aqueles que nos antecederam. Temos uma consciência mais humanitária.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

A realização é como o mundo em que vivemos, é um acontecer diário. Nunca estamos realizados nem felizes mas temos momentos de realização e felicidade. Nunca nada está completo.

  

Como se resolve a crise?

Continuando uma revolução de mentalidades o que nunca aconteceu mesmo depois do 25 de Abril de 74, como lembrou o poeta Eugénio de Andrade.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

O Homem cria deuses. São projeções dos nossos desejos, anseios e necessidades. Temos necessidade de deuses para a nossa completude e ausência de afetos e orientações perante a dúvida existencial.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Regressaria às minhas ambiências religiosas (voltaria ao seminário e ao convento).

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou técnico superior do departamento de cultura do município de Setúbal. Faço investigação histórica. No futuro quero voltar a ler muito.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Norte de Portugal

 

Livro

A obra de Eugénio de Andrade

 

Uma música

Requiem (Mozart)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Bacalhau cozido com batatas

 

Um conceito

Respeito

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 17:47

“TENHO UMA OBRA LITERÁRIA DE QUE ME ORGULHO”

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Pedro Marquês de Sousa terá sido porventura a última criança a ter nascido em Vila Fresca de Azeitão, pelo menos no dizer de sua mãe. Oficial do exército é professor na Academia Militar e autor de vários livros sobre temas como a música ou as Grandes Guerras. Recorda o 25 de Abril de 1974, como uma data importante e positiva na sua vida. No entanto não está otimista com a evolução do mundo e da sociedade atual. É crente em Jesus Cristo e diz que foi o Homem quem criou a figura de Deus. Gosta de Dire Straits e admira a figura do General Humberto Delgado.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Vila Fresca de Azeitão. A minha mãe diz que fui o último a nascer aqui. Depois de mim as crianças começaram a nascer no hospital de Setúbal. Frequentei a escola da Avó Céu, onde fiz a instrução primária e concluí a quarta classe com o exame feito na escola de Palmela. Passava os dias inteiros na escola e não brincava tanto como as outras crianças. No entanto penso que fui um bom aluno. Recordo-me do dia 25 de Abril de 1974, todas as suas envolvências e que o meu pai, que era músico militar na Marinha, acabou por ficar dois dias retido no quartel em prevenção. Foi uma data de grande entusiasmo que me marcou bastante pela positiva.

 

O primeiro amor…

Foi em Azeitão, com uma rapariga mais jovem. Foi um amor inocente. Não teve consequências.

 

E o primeiro emprego…

No exército com 18 anos. Fui para a Academia Militar.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É bonita, uma realização que tive hà 15 anos atrás. Não imaginava que podia viver nos Picheleiros. É uma casa acolhedora que tem uma lareira. Gosto muito da sala onde passo muito tempo. É uma casa familiar. Tenho coincidências boas com a mudança para esta casa que para nós era nova, desde o nascimento do nosso segundo filho à minha promoção a Major no exército.


O que pensa do Mundo?

Estou muito pessimista. Sinto uma sociedade apática. As elites, os responsáveis políticos e públicos vivem uma certa apatia. A sociedade vive de forma passiva com a ausência de ideologias inspiradoras. Precisávamos de acreditar nalguma coisa que nos desse entusiasmo em torno de um ideal. A sociedade e as empresas desvalorizam a pessoa. Os modelos económicos pagam mal e dispensam as pessoas. Tudo isto me preocupa porque amanhã não há empregos. A tecnologia e os modelos económicos desprezam as pessoas.

 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

No exército encontrei um caminho de realização. Sou professor da escola onde se formam os oficias do exército e da GNR. Tenho uma obra literária de que me orgulho. No entanto sou um eterno insatisfeito. Ainda há caminhos a cumprir.

 

Como se resolve a crise?

Centrar as preocupações e prioridades nas pessoas alterando o pensamento dominante que é a economia cega que pretende o lucro a todo custo. As pessoas são muito mal pagas.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Sou crente mas não em Deus, como entidade abstrata e distante mas na figura de Jesus Cristo, que pagou com a vida o seu pensamento.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Penso que não mudaria nada. Acredito na minha intuição.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou oficial do exército e professor na Academia Militar. Em breve talvez passe à reserva. Quero desenvolver a investigação nas áreas da história local, da música e militar.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Paris

 

Um Livro:

Serra Mãe (Sebastião da Gama)

 

Uma Música:

Brothers in arms (Dire Straits)

 

Um Ídolo:

General Humberto Delgado

 

Um prato:

Cozido à portuguesa

 

Um conceito:

Carpe Dien (Aproveita o dia)

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:39

“PRECISAMOS DE BONS LÍDERES”

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Paulo Alexandre é empresário de artes gráficas. Desde muito cedo tinha o desejo de enveredar pela via empresarial. Pensa que trilhou um bom caminho dentro dos valores e ensinamentos que colheu. Nasceu e cresceu no bairro de Troino, onde brincou e conheceu os primeiros amigos. Se pudesse voltar atrás aplicar-se-ia nos estudos porque quer ter um grau de conhecimento mais alargado para olhar o futuro com mais segurança.  Pensa que o mundo está perigoso e que a crise só se resolve com trabalho e criatividade. Não tem ídolos mas adora os U2.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, a 27 de Dezembro de 1965, na rua Vasco da Gama, no bairro de Troino, onde vivi até aos 9 anos. Estudei na escola Conde de Ferreira. Lembro-me que brincava na rua, na Avenida Luísa Todi e na Fonte Nova. Jogávamos futebol, ao berlinde e palmilhávamos toda a barreira do Outeiro da Saúde. Tínhamos sempre motivos para as aventuras que construíamos nessas brincadeiras. Na altura estava em moda o livro dos “Cinco”

 

O primeiro amor...

Terá sido na escola primária com uma menina mas não fui correspondido.

 

O primeiro emprego...

Foi um castigo do meu pai. Meteu-me a trabalhar na oficina de automóveis “Custódio & Sérgio”, onde ele trabalhava. Tinha 15 anos. Não me recordo de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Está sempre limpa e arrumada facto que prezo muito. Isso vem da minha mulher. É uma casa acolhedora e estimamos muito todas as coisas. Está decorada de uma forma moderna com poucos móveis e bibelôs mas é confortável. Tenho fotos familiares na sala. É um local onde me sinto muito bem.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está muito perigoso. Os valores perderam-se ao longo dos tempos. Há uma disputa muito frenética pela ascensão ao poder sem olhar a meios. Nos últimos 8 anos tenho conhecido pessoas que vão contra tudo isto. São pessoas que preservam os valores, que são solidários e tem sido com elas que tenho feito boas amizades.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Sinto que aquilo que construí ate agora foi com base no que aprendi e nos valores onde me revejo. Tento agora ajudar os amigos sempre que me for possível sabendo que a vida dá muitas voltas.

  

Como se resolve a crise?

Com muito trabalho, com muita seriedade, ideias inovadoras e muita criatividade. Acredito que os portugueses são capazes de dar a volta. Precisamos de bons líderes.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Fui criado no seio de uma família católica mas que mais tarde se converteu á igreja evangélica. No meu entender foi Deus quem criou o Homem. Sou crente.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Desde criança que tinha o objetivo de ser empresário. Olhando para trás talvez me tivesse aplicado um pouco mais nos estudos. De resto penso que tenho trilhado um bom caminho. 

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou empresário gráfico. Nos últimos 2 anos tenho participado em muitas formações profissionais. Quero ter um grau de conhecimento mais alargado o que faz com que possa pensar no futuro com mais segurança.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Nova York

 

Livro

Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes

 

Uma música

Boy (U2)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Salmonetes grelhados

 

Um conceito

Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:28

“TODOS NÓS TEMOS UM PAPEL NESTE MUNDO”

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Nuno Gil é um estudioso da gastronomia, nomeadamente a doçaria sendo proprietário da Confeitaria S. Julião. Tem recordações muito gratas dos tempos de infância onde conheceu muitos amigos e brincou pelas ruas da vila de Palmela. Para si a crise é psicológica, não palpável e tem a ver com a educação e a responsabilidade de cada um. É crente em Deus, a quem atribui a criação da Terra, dos animais e da natureza. Para si aquilo que vivemos hoje é o que sonhámos ontem. O bife com batatas fritas da sua avó é o seu prato preferido.

 

Como foi a sua infância?

Recordo-me que morava pertíssimo da escola primária. Lembro-me bem das minhas professoras e dos meus colegas. Tenho muitas recordações das nossas brincadeiras que eram todas feitas na rua. Naquela altura as nossas mães eram domésticas e passavam muito tempo connosco. Haviam sempre muitas crianças nas ruas de Palmela, rapazes e raparigas. Há cerda de dois anos realizámos um jantar de amigos de rua e recordámos os tempos de crianças.

 

O primeiro amor…

Sempre fui um homem de paixões. Mas o meu primeiro amor foi por uma menina da escola primária. Foi um amor inocente. Ainda hoje somos amigos.

 

E o primeiro emprego…

Na Marinha, era maquinista naval. Tinha 20 anos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Devido á minha situação profissional saio de casa muito cedo e regresso muito tarde. É uma casa boa, acolhedora, com todas as comodidades, compatível, confortável e simples. Tenho lá o meu aconchego.


O que pensa do Mundo?

Podia ser melhor se todos nós fizéssemos a nossa parte que tem a ver com a nossa educação e a responsabilidade com que cada um de nós deve ver o mundo e deve ter para com ele. Se olharmos em nosso redor vemos uma perfeição de Deus. Não devemos estragar o mundo. Hoje o mundo está diferente.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Ainda não. Estou muito longe da perfeição. Contudo reconheço que todos nós temos um papel neste mundo. Este é o meu. Sou uma pessoa multifacetada. Tenho essa capacidade idealista e quando faço algo é para que seja por gosto e paixão.

 

Como se resolve a crise?

Não existe crise. Acho que a crise é psicológica, é algo invisível, é um sentimento que se espalha entre as pessoas. A crise não se vê, não é palpável. A crise tem a ver com a educação e a responsabilidade de cada um e a forma de gerir os seus bens.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi Deus que criou o Homem. Sou crente. Deus é um ser perfeito que criou a Terra, os animais e a natureza. Deus é um sistema perfeito e o Homem é imperfeito.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Em questões profissionais mudaria tudo porque deixei o destino decidir o meu destino. Se fosse hoje seria eu a desenhar o meu destino. O que vivemos hoje é aquilo que sonhámos ontem.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Faço o que gosto de fazer. O meu trabalho está relacionado com a gastronomia, nomeadamente, a doçaria. Sou um estudioso. Oiço os mais antigos e transmito já os meus conhecimentos. Sou proprietário da Confeitaria São Julião. No futuro quero continuar a desenvolver esta atividade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Madeira

 

Um Livro:

O poder está entre nós

 

Uma Música:

Porque queramos vernos (Matias Damásio)

 

Um Ídolo:

O meu pai

 

Um prato:

Bife com batatas fritas da minha avó

 

Um conceito:

O amor vence tudo

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:21

“ACREDITO QUE NÃO SOMOS EFÉMEROS”

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Nuno Batalha é músico na banda da Armada e dirige vários coros em Setúbal. Começou muito cedo na aprendizagem da música, arte pela qual é apaixonado e tem dedicado a sua vida. Entrou para os quadros permanentes da Marinha, com apenas 18 anos de idade, já com o 8º grau de conservatório. Pensa que o mundo carece de mais atitude e ação e que o Homem não é efémero. Não sabe como resolver a crise mas é feliz porque gere bem as suas finanças. O seu destino preferido é Bora Bora e adora leitão á bairrada.

 

Como foi a sua infância?

Tive uma infância muito feliz. Tive também o meu primeiro contato com a música na Sociedade Humanitária de Palmela, vila onde morava. Comecei logo aos 6 anos e aos 8 já tocava na banda filarmónica dessa sociedade. Na verdade, eu queria tocar clarinete, mas como tinha a mão pequena não conseguia e por isso tive de tocar requinta durante bastante tempo. Na escola fui um excelente aluno em termos de aproveitamento. Quando cheguei à primária já lia, escrevia e fazia contas. Talvez por isso, em termos de comportamento não fui um excelente exemplo. De resto, tinha imensos amigos e, para além da música, o meu passatempo preferido era jogar futebol.

 

O primeiro amor…

Foi uma vizinha. Tinha 10 anos. Brincávamos aos namorados.

 

E o primeiro emprego…

Foi a Marinha. Com 18 anos, depois de terminar o 12º ano de escolaridade e o 8º grau de conservatório. Os meus pais permitiram que optasse por continuar a estudar ou ir trabalhar. Como o gosto pela música já era muito intrínseco optei por concorrer a uma vaga na Banda da Armada, para onde entrei para os quadros permanentes.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um espaço familiar e acolhedor que por questões de trabalho acaba quase por ser um dormitório por passar lá muito menos tempo do que gostaria. No entanto é um espaço imprescindível na minha vida onde tenho oportunidade de refletir sobre os projetos profissionais e pessoais.


O que pensa do Mundo?

Acho que carece de mais atitude e ação do que de teorização sobre a melhoria de vida do ser humano. O desenvolvimento da nossa humanidade não acompanhou o desenvolvimento intelectual. Existe demasiada gente prepotente, egocêntrica e invejosa.

 

 

 

 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Diz-se que todo o ser humano deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Acho que prescindo do livro. No entanto, ainda me falta percorrer um longo caminho. A minha atividade profissional permite ao público apenas o bem-estar momentâneo. Adorava que esse efeito fosse mais duradouro nas pessoas. Dessa forma sentiria que a minha contribuição para a humanidade seria bem mais significativa.

 

Como se resolve a crise?

Não sei. É suficientemente gratificante para mim saber gerir bem as minhas finanças.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Acredito que não somos efémeros. Sou crente.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria absolutamente nada. Se voltasse atrás as minhas experiências e vivências seriam as mesmas, portanto tomaria exatamente as mesmas opções.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou músico da Banda da Armada. Dirijo o Coral Infantil de Setúbal, o Coro Feminino TuttiEncantus, o Coro do Município de Setúbal, sou maestro adjunto do Coro Setúbal Voz e colaboro com a Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal. Para além disso tenho duas filhas. O futuro vou construindo com base na minha felicidade e na felicidade das minhas filhas.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Bora Bora

 

Um Livro:

Um (Richard Bach)

 

Uma Música:

Sinfonia nº 8 (Mahler)

 

Um Ídolo:

Não idolatro

 

Um prato:

Leitão à Bairrada

 

Um conceito:

“Inside my heart is breaking, my make-up may be flaking but my smile still stays on”

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:17

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