“NÃO ME ARREPENDO DE NADA DO QUE FIZ”
Jorge Mares é figura bem conhecida na vila de Palmela, onde nasceu em 1959. Antigo autarca do concelho é hoje técnico de proteção civil, atividade que, confessa, o atrai bastante. Brincou de forma “artesanal” nas ruas da vila e o seu primeiro amor foi uma rapariga de Azeitão, embora não esconda que era uma criança tímida. O mundo para si é como uma casa que tem que ser cuidada para não se arruinar e Deus, é um ser divino que respeita. A crise resolve-se através da preocupação em dar bem estar ao ser humano
Como foi a sua infância?
Acho que tive uma infância normal. Nasci em Palmela, no ano de 59. Nesse tempo as brincadeiras eram outras. Hoje é tudo electrónico. Jogávamos ao arco, ao berlinde, ao pião, tudo jogos artesanais. Na escola fui um aluno normal. Andei nas escolas do S. João, no lado masculino do ensino primário de Palmela
O primeiro amor…
Foi na escola secundária com uma miúda de Azeitão. Deveria ter 17 anos. Mas eu era pouco namoradeiro porque era tímido
E o primeiro emprego…
Foi na Sapec, em Setúbal., como especialista no fabrico de adubo. Não me recordo bem de quanto ganhava mas sei que foi um dos melhores ordenados que já auferi
Como é a sua casa? Como a define?
É uma casa confortável com tudo o que é necessário para a felicidade e bem estar. Tem uma decoração entre o moderno e o rústico. Sinto-me muito bem na minha casa
O que pensa do mundo?
Vejo-o neste momento como uma casa que tem o lado bom para a vida e o lado menos bom. É uma casa que se não for bem tratada pode ser arruinada e isso não nos oferece as melhores condições para lá vivermos
Sente-se realizado humana e profissionalmente?
Não. Sinto que ando numa procura incessante para me realizar. Ainda não atingi nem quero atingir essa meta. Tenho que fazer o meu caminho
Como se resolve a crise?
Resolve-se com as pessoas tendo sempre a perspectiva de que nada se pode concretizar sem que o ser humano seja a preocupação central de qualquer governo
Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?
Acho que Deus criou o Homem mas o Homem ao longo da sua existência tem também construído os seus próprios deuses e alimentado, também, a existência desse ser divino que todos nós consideramos ser o nosso Deus
Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?
Acho que não mudaria nada. Não me arrependo de nada do que fiz. Nem tudo foi bom, é certo mas, no geral não me arrependo do que sou nem do que fiz
Que faz no presente e que projectos para o futuro?
Sou técnico de protecção civil, actividade que muito me atrai porque o cidadão tem que se sentir seguro e a minha perspectiva é de que a sociedade só pode ter qualidade de vida se houver segurança. O futuro a Deus pertence
CAIXA DAS PALAVRAS
Um destino
Nova Iorque
Um livro
Padre Gabriel Malogrida. O último condenado ao Fogo da Inquisição (Daniel Pires)
Uma música
A vaca de fogo (Madredeus)
Um ídolo
Eusébio
Um prato
Carne de porco à alentejana
Um conceito
Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti