Entrevistas de JoaQuim Gouveia

16
Out 13

 

“NUNCA ESTOU REALIZADO. TENHO DESAFIOS CONSTANTES”

 

Fernando Ferreira é um antigo atleta do Vitória de Setúbal, clube onde é hoje treinador de atletismo. Nasceu á beira Sado mas cedo rumou à cidade de Évora, terra extremamente calma e onde, na altura, nada se passava. Por isso teve uma infância pouco activa. O seu primeiro emprego foi em Sines, numa empresa norte-americana. Para si o mundo é desequilibrado e a crise só se resolve fechando as fronteiras ao mercado chinês

 

Como foi a sua infância?

Extremamente calma. Saí de Setúbal com apenas 5 anos e fui morar para Évora, onde estive até aos 12. Em Évora, não se passava nada. Era calmo demais. Foi lá que fiz a escola primária e brinquei com alguns amigos. Passei com distinção no exame da 4ª classe

 

O primeiro amor…

Foi uma alentejana colega de Liceu. Namorámos cerca de 3 meses. Depois como regressei a Setúbal, o namoro acabou

 

E o primeiro emprego…

Fui gerente de terra da empresa norte-america Texaco, que estava a fazer uma perfuração ao largo de Sines. Ganhava sete contos e quinhentos

Como é a sua casa? Como a define?

É o local de sossego, de convívio, de família

 

O que pensa do mundo?

Socialmente existem grandes diferenças que se vão repercutindo a nível económico. Também pelo lado humano as diferenças são bem visíveis não só pela cultura e religião mas, essencialmente, pela ecnomia. É um mundo desequilibrado. Veja-se o que se está a passar no mediterrâneo com barcos cheios de pessoas que procuram outro tipo de vida

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca estou realizado. Tenho desafios constantes, tanto a nível pessoal como profissional

 

Como se resolve a crise?

A do nosso país talvez através do fecho das fronteiras ao mercado chinês. Quando comecei na minha vida profissional, há 39 anos, podia adquirir camisolas listadas, tipo Vitória de Setúbal, com facilidade porque tinha 3 fábricas na cidade que as confecionavam e mais algumas dezenas espalhadas pelo país. Atualmente essas camisolas Vêm da China e as fábricas nacionais desapareceram

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

A ciência um dia irá explicar o aparecimento e evolução do Homem. Há várias teorias mas falta a prova científica. Para mim há um ser supremo

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não mudava nada. Apenas teria concluído os estudos

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou comerciante. Tenho uma loja de artigos de desporto na baixa de Setúbal. Sou ainda treinador de atletismo do Vitória de Setúbal. No futuro quero continuar como empresário, pelo menos enquanto a crise me permitir. Por outro lado pretendo dar sequência ao meu trabalho de cidadania na área do desenvolvimento do desporto/atletismo na nossa cidade

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Paris

 

Um livro

Livros sobre atletismo

 

Uma música

The long and the wilding road (Beatlles)

 

Um ídolo

Professor Moniz Pereira

 

Um prato

Choco frito à setubalense

 

Um conceito

Respeito

publicado por Joaquim Gouveia às 21:05

 

“OS NOSSOS POLÍTICOS ESTÃO A SER TEIMOSOS”

 

Amílcar Caetano repartiu a sua infância entre Setúbal e o Pinhal Novo. Começou a namorar aos 13 anos com o único amor da sua vida. Na antiga e saudosa loja “Formiga” conheceu o seu primeiro emprego. É professor de matemática na secundária da Bela Vista e tem do mundo a idéia de que é uma casa com muitos moradores que não sabem cuidar dela. Resolvia a crise não pagando a dívida e começando este país do zero. Para si o Homem criou Deus, para que mandasse nele

 

Como foi a sua infância?

Foi uma constante volta entre Setúbal e Pinhal Novo, pelo fato de o meu pai ser carteiro. Quando fundou o grupo de música popular “Terno de Ouros” ficámos definitivamente no Pinhal Novo, onde frequentei os três últimos anos da instrução primária, embora tenha feito amigos na Fonte Nova foi no Pinhal Novo que se cimentaram os meus amigos e as minhas brincadeiras. Foi uma infância bem passada, como a criançada era muita, além de imitarmos o Terno D’Ouros brincavamos aos ranchos, marchas e passagens de modelos com a malta, eram as nossas brincadeiras preferidas, toda a malta alinhava. Em frente à minha casa existia uma vinha muito grande onde costumávamos brincar.

 

O primeiro amor…

Foi o primeiro e único com a mulher com quem casei, a Joana Caetano. Começámos a namorar aos 13 anos.

 

E o primeiro emprego…

Na antiga loja de confeções “Formiga”, que ficava ao lado do mercado do Livramento, em Setúbal. Não me lembro quanto ganhava até porque era a minha avó materna que recebia o ordenado porque eu “estragava” muito dinheiro em roupa sapatos e discos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho, o sítio onde me sinto mais seguro e onde gosto muito de viver. Saio o estritamento necessário. De resto estou em casa, gosto de receber os meus amigos e de cosinhar para eles.

 

O que pensa do mundo?

É uma casa muito bonita. Só é pena que tenha tanta gente, tantos moradores que nem sempre têm os cuidados necessários para cuidar bem dela, esquecendo-se que somos seus dependentes.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto que sim. Acho que já fiz, praticamente, tudo aquilo a que me propus em jovem. Falta-me, no entanto, escrever um livro, para além de outros projetos que tenho em carteira.

 

Como se resolve a crise?

Não pagando a dívida, tal como os gregos fizeram. Isto nunca mais vai estar pago. Deveríamos começar do zero. Os nossos políticos estão a ser teimosos. A nossa dívida é impossível de pagar.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Embora seja católico por cultura familiar, acho que foi o Homem quem criou Deus. O Homem sempre teve necessidade de justificar o injustificável e, assim, nada melhor que arranjar uma entidade suprema não só que mandasse nele como também tomasse conta do seu destino. Até os agnósticos nas horas de aflição, inconscientemente, chamam por Deus! Contudo acredito em Jesus!

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudava. Não me tinha divorciado

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou professor de matemática na Escola Secundária da Bela Vista. Acabei de escrever uma revista à portuguesa para encenar muito possívelmente na Capricho Setubalense. Continuo ligado às marchas populares. No futuro quero manter todas estas atividades. A doença obrigou-me a adiar alguns projetos. O fato de ter sido avô para mim é, nesta altura, uma prioridade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Grécia

 

Um livro

Pappilon (Henri Charrière)

 

Uma música

Marcha do Vitória de Setúbal

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Bacalhau de qualquer maneira

 

Um conceito

Dignidade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 21:02

 

“DEVÍAMOS APOSTAR MAIS A SÉRIO NO TURISMO”

 

Gonçalo Ferreira é saxofonista profissional. A sua infância foi vivida na aldeia de Vendas de Azeitão, em tempos de brincadeiras felizes e saudáveis. Foi eletricista, nas férias escolares, afinal o seu primeiro emprego. O mundo, para si é uma confusão total entre as desigualdades e os desequilibrios e a crise resolvia-se procurando o dinheiro que foi roubado ao povo. Depois colocava o país na rota do turismo. Acredita que há uma força superior que nos une mas não sabe se é divina

 

Como foi a sua infância?

Foi feliz em plena aldeia de Vendas de Azeitão, com os meus amigos e muitas brincadeiras felizes e saudáveis. Na escola fui um aluno razoável. Tive uma infância marcada pela família e pelos seus valores. O meu avô tinha uma fazenda na Aldeia Grande, onde eu também costumava brincar

 

O primeiro amor…

Não me lembro de quem terá sido. Sempre tive muitas namoradas. Sou um homem de grandes paixões

 

E o primeiro emprego…

Foi com 13 anos como ajudante de eletricista, nas férias escolares

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu espaço, o meu refúgio. Tem uma decoração confortável com alguns objetos de valor sentimental

 

O que pensa do mundo?

É uma confusão total, onde as desigualdades e os desequilíbrios são cada vez maiores. Qualquer dia o Homem quer e não tem nada. Estamos a caminhar para um mundo bastante autista em que as pessoas apenas olham para si próprias. Devíamos ser mais solidários

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Já realizei muitas das metas a que me propus. No entanto ainda existem muitas outras para cumprir. No geral sinto-me realizado

 

Como se resolve a crise?

Em Portugal, seria procurando o dinheiro que foi roubado ao povo. Depois com o pouco que temos (e que até é muito...), deveriamos apostar mais a sério no turismo. Somos um país com mar, serras, belezas naturais e ótimas condições para que o turismo seja devidamente aproveitado e explorado como fonte de riqueza, aproveitando as sinergias para o bem coletivo e o desenvolvimento do próprio país

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O Homem sempre teve necessidade de ter uma crença superior para se reger. Existe uma força superior que nos une. Se essa força é divina ou não, ainda não o sabemos

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Sabendo o que sei hoje talvez mudasse alguma coisa mas reconheço que os erros que possa ter cometido me serviram de aprendizagem

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou músico profissional, saxofonista. No futuro pretendo manter-me nesta atividade

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Moçambique

 

Um livro

Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach)

 

Uma música

Cinema paraíso (Enio Morricone)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Choco guisado com batatas

 

Um conceito

Amizade

publicado por Joaquim Gouveia às 20:56

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