Entrevistas de JoaQuim Gouveia

17
Out 13

 

“O PAPA FRANCISCO É UM PRESENTE DO DESTINO”

 

Sousa Pinto é um antigo autarca do município de Setúbal. Nos últimos tempos dedicou-se à escrita de livros romanceados e ao Coaching. Nasceu perto do Quartel do 11, frequentou a extinta escola do “Sousa” e a sua brincadeira preferida era jogar à bola. O seu primeiro amor aconteceu aos nove anos quando se apaixonou pela professor da 1ª classe da sala do lado. Pensa que o Papa Francisco é um presente do destino e critíca os políticos que nos últimos 20 anos fizeram o país viver acima das suas possibilidades

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância normal. Nasci em Setúbal, em plena baixa da cidade perto do antigo Quartel do 11. Jogava à bola todos os dias e todos dias fugiamos da polícia. Andei na antiga escola do “Sousa”, onde fiz a instrução primária. Sou filho único. Considero que tive uma infância muito feliz até porque nunca tive momentos desagradáveis

 

O primeiro amor…

Curiosamente foi aos 9 anos quando andava na 3ª classe. Um amor platónico pela professora da 1ª classe que dava aulas na sala ao lado da minha

 

E o primeiro emprego…

Fui vendedor de marcas de eletrodomésticos de alta qualidade no grupo “AC Santos”, em 1972, onde vendia a marca Toshiba, em todo o distrito e no alentejo. Já ganhava muito bem nessa altura

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um refúgio onde me encontro e reencontro e onde ganho energias e gosto de estar a ler, a pensar, a escrever e até a passear porque é uma casa muito grande

 

O que pensa do mundo?

Está a atravessar um ciclo muito complicado. A crise financeira não explica tudo. Ela arrasta consigo uma crise de valores e de princípios norteadores. Alguma coisa vai ter de acontecer para corrigir e ordenar o pensamento humano. O Papa Francisco, não terá aparecido por acaso. É um homem com uma profunda lucidez e é um presente do destino

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Prefiro dizer que me sinto resolvido comigo mesmo. Uma pessoa realizada é uma pessoa morta que não tem mais objectivos nem metas. Gosto de ter objectivos para cumprir todos os dias. Gosto de fazer descobertas diárias

 

Como se resolve a crise?

Esta crise apareceu por artificialismo financeiro que também atingiu Portugal. Só que o nosso país também foi atingido pelo artificialismo político e social. Quer dizer que estivemos durante 20 anos a ser governados por um populismo demagógico que nos convenceu de que tínhamos condições para viver acima das nossas possibilidades, gente visivel e absolutamente preparada para conduzir os destinos dos povos sendo que algumas são até colecionadores de mestrados e doutoramentos, mas mostraram não entender nem gostar das pessoas que governaram. Tenho a certeza de que vamos dar a volta. E quem tiver dúvidas consulte a História de Portugal

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico e por isso acho que Deus criou o Homem

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Claro que sim. A vida é uma sucessão de escolhas. Se calhar voltaria a fazer a maioria das coisas que fiz e outras tentava emendar

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Divido o meu tempo entre a escrita e o Coaching. E é isso que quero continuar a fazer no futuro

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Veneza

 

Um livro

A Bíblia

 

Uma música

Dr. Jivago (Maurice Jarre)

 

Um ídolo

O meu avô

 

Um prato

Sardinhas assadas

 

Um conceito

Viver entre a eficiência e a eficácia

 

publicado por Joaquim Gouveia às 20:12

 

“NÃO ME ARREPENDO DE NADA DO QUE FIZ”

 

Jorge Mares é figura bem conhecida na vila de Palmela, onde nasceu em 1959. Antigo autarca do concelho é hoje técnico de proteção civil, atividade que, confessa, o atrai bastante. Brincou de forma “artesanal” nas ruas da vila e o seu primeiro amor foi uma rapariga de Azeitão, embora não esconda que era uma criança tímida. O mundo para si é como uma casa que tem que ser cuidada para não se arruinar e Deus, é um ser divino que respeita. A crise resolve-se através da preocupação em dar bem estar ao ser humano

 

Como foi a sua infância?

Acho que tive uma infância normal. Nasci em Palmela, no ano de 59. Nesse tempo as brincadeiras eram outras. Hoje é tudo electrónico. Jogávamos ao arco, ao berlinde, ao pião, tudo jogos artesanais. Na escola fui um aluno normal. Andei nas escolas do S. João, no lado masculino do ensino primário de Palmela

 

O primeiro amor…

Foi na escola secundária com uma miúda de Azeitão. Deveria ter 17 anos. Mas eu era pouco namoradeiro porque era tímido

 

E o primeiro emprego…

Foi na Sapec, em Setúbal., como especialista no fabrico de adubo. Não me recordo bem de quanto ganhava mas sei que foi um dos melhores ordenados que já auferi

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa confortável com tudo o que é necessário para a felicidade e bem estar. Tem uma decoração entre o moderno e o rústico. Sinto-me muito bem na minha casa

 

O que pensa do mundo?

Vejo-o neste momento como uma casa que tem o lado bom para a vida e o lado menos bom. É uma casa que se não for bem tratada pode ser arruinada e isso não nos oferece as melhores condições para lá vivermos

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não. Sinto que ando numa procura incessante para me realizar. Ainda não atingi nem quero atingir essa meta. Tenho que fazer o meu caminho

 

Como se resolve a crise?

Resolve-se com as pessoas tendo sempre a perspectiva de que nada se pode concretizar sem que o ser humano seja a preocupação central de qualquer governo

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Acho que Deus criou o Homem mas o Homem ao longo da sua existência tem também construído os seus próprios deuses e alimentado, também, a existência desse ser divino que todos nós consideramos ser o nosso Deus

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não mudaria nada. Não me arrependo de nada do que fiz. Nem tudo foi bom, é certo mas, no geral não me arrependo do que sou nem do que fiz

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou técnico de protecção civil, actividade que muito me atrai porque o cidadão tem que se sentir seguro e a minha perspectiva é de que a sociedade só pode ter qualidade de vida se houver segurança. O futuro a Deus pertence

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Nova Iorque

 

Um livro

Padre Gabriel Malogrida. O último condenado ao Fogo da Inquisição (Daniel Pires)

 

Uma música

A vaca de fogo (Madredeus)

 

Um ídolo

Eusébio

 

Um prato

Carne de porco à alentejana

 

Um conceito

Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti

publicado por Joaquim Gouveia às 11:31

 

“A CRISE ESTÁ A PROVOCAR UM REGRESSO AOS VALORES”

 

Helena Almeida é locutora na Rádio Sim, A paixão pela rádio começou muito cedo e, pelos vistos é para continuar vida fora ou como diz, “quero continuar a dar música às pessoas”. Nasceu em Setúbal, na rua da Brasileira, onde também nasceu a cantora lírica Luisa Tódi. Para si a crise resolve-se arregaçando as mangas e tendo ideias giras. A sua casa é um coração onde recebe o abraço dos filhos e do marido. Adora o Alentejo e pensa que o mundo está a mudar, tal como as pessoas

 

Como foi a sua infância?

Muito feliz, sempre acarinhada pelos meus pais e pela fanília. Nasci em Setúbal, na rua onde, também , nasceu a Luisa Tódi. Andei na escola primária do Bairro do Peixe Frito. Na adolescência fui a primeira rapariga a ser eleita presidente da associação de estudantes

 

O primeiro amor…

Foi no ciclo preparatório com 11 anos. Nunca fui muito namoradeira

 

E o primeiro emprego…

Na Rádio Voz de Setúbal em 1989. Na altura ganhava 19 contos

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu refúgio depois de um dia stressante de trabalho. É como um coração em que sinto o abraço e o carinho dos meus filhos e do meu marido

 

O que pensa do mundo?

Penso que está a mudar, tal como as pessoas. A crise está a provocar como que um regresso aos valores que não são estritamente monetários, ou seja, valores como a solidariedade, a amizade e a fraternidade

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me realizada como mulher e mãe. Tenho a família que gosto, a profissão que gosto e a vida que gosto

 

Como se resolve a crise?

Arregaçando as mangas e tendo ideias giras como é o caso deste “Gente Gira da Região”

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem, para nós percebermos que somos pecadores, que muitas vezes traímos os amigos mas, ao mesmo tempo, percebermos, também, que temos muito para dar

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada. Todos os erros são uma aprendizagem para o futuro

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou locutora na Rádio Sim, uma rádio destinada a pessoas com mais de cinquenta anos e que são verdadeiras enciclopédias de vida. No futuro pretendo continuar a dar música às pessoas

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Alentejo

 

Um livro

Estoua ler a biografia da Irmã Lúcia

 

Uma música

Aguarela (toquinho)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Cozido à portuguesa

 

Um conceito

Amor

publicado por Joaquim Gouveia às 09:42

16
Out 13

 

“NUNCA ESTOU REALIZADO. TENHO DESAFIOS CONSTANTES”

 

Fernando Ferreira é um antigo atleta do Vitória de Setúbal, clube onde é hoje treinador de atletismo. Nasceu á beira Sado mas cedo rumou à cidade de Évora, terra extremamente calma e onde, na altura, nada se passava. Por isso teve uma infância pouco activa. O seu primeiro emprego foi em Sines, numa empresa norte-americana. Para si o mundo é desequilibrado e a crise só se resolve fechando as fronteiras ao mercado chinês

 

Como foi a sua infância?

Extremamente calma. Saí de Setúbal com apenas 5 anos e fui morar para Évora, onde estive até aos 12. Em Évora, não se passava nada. Era calmo demais. Foi lá que fiz a escola primária e brinquei com alguns amigos. Passei com distinção no exame da 4ª classe

 

O primeiro amor…

Foi uma alentejana colega de Liceu. Namorámos cerca de 3 meses. Depois como regressei a Setúbal, o namoro acabou

 

E o primeiro emprego…

Fui gerente de terra da empresa norte-america Texaco, que estava a fazer uma perfuração ao largo de Sines. Ganhava sete contos e quinhentos

Como é a sua casa? Como a define?

É o local de sossego, de convívio, de família

 

O que pensa do mundo?

Socialmente existem grandes diferenças que se vão repercutindo a nível económico. Também pelo lado humano as diferenças são bem visíveis não só pela cultura e religião mas, essencialmente, pela ecnomia. É um mundo desequilibrado. Veja-se o que se está a passar no mediterrâneo com barcos cheios de pessoas que procuram outro tipo de vida

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca estou realizado. Tenho desafios constantes, tanto a nível pessoal como profissional

 

Como se resolve a crise?

A do nosso país talvez através do fecho das fronteiras ao mercado chinês. Quando comecei na minha vida profissional, há 39 anos, podia adquirir camisolas listadas, tipo Vitória de Setúbal, com facilidade porque tinha 3 fábricas na cidade que as confecionavam e mais algumas dezenas espalhadas pelo país. Atualmente essas camisolas Vêm da China e as fábricas nacionais desapareceram

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

A ciência um dia irá explicar o aparecimento e evolução do Homem. Há várias teorias mas falta a prova científica. Para mim há um ser supremo

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não mudava nada. Apenas teria concluído os estudos

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou comerciante. Tenho uma loja de artigos de desporto na baixa de Setúbal. Sou ainda treinador de atletismo do Vitória de Setúbal. No futuro quero continuar como empresário, pelo menos enquanto a crise me permitir. Por outro lado pretendo dar sequência ao meu trabalho de cidadania na área do desenvolvimento do desporto/atletismo na nossa cidade

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Paris

 

Um livro

Livros sobre atletismo

 

Uma música

The long and the wilding road (Beatlles)

 

Um ídolo

Professor Moniz Pereira

 

Um prato

Choco frito à setubalense

 

Um conceito

Respeito

publicado por Joaquim Gouveia às 21:05

 

“OS NOSSOS POLÍTICOS ESTÃO A SER TEIMOSOS”

 

Amílcar Caetano repartiu a sua infância entre Setúbal e o Pinhal Novo. Começou a namorar aos 13 anos com o único amor da sua vida. Na antiga e saudosa loja “Formiga” conheceu o seu primeiro emprego. É professor de matemática na secundária da Bela Vista e tem do mundo a idéia de que é uma casa com muitos moradores que não sabem cuidar dela. Resolvia a crise não pagando a dívida e começando este país do zero. Para si o Homem criou Deus, para que mandasse nele

 

Como foi a sua infância?

Foi uma constante volta entre Setúbal e Pinhal Novo, pelo fato de o meu pai ser carteiro. Quando fundou o grupo de música popular “Terno de Ouros” ficámos definitivamente no Pinhal Novo, onde frequentei os três últimos anos da instrução primária, embora tenha feito amigos na Fonte Nova foi no Pinhal Novo que se cimentaram os meus amigos e as minhas brincadeiras. Foi uma infância bem passada, como a criançada era muita, além de imitarmos o Terno D’Ouros brincavamos aos ranchos, marchas e passagens de modelos com a malta, eram as nossas brincadeiras preferidas, toda a malta alinhava. Em frente à minha casa existia uma vinha muito grande onde costumávamos brincar.

 

O primeiro amor…

Foi o primeiro e único com a mulher com quem casei, a Joana Caetano. Começámos a namorar aos 13 anos.

 

E o primeiro emprego…

Na antiga loja de confeções “Formiga”, que ficava ao lado do mercado do Livramento, em Setúbal. Não me lembro quanto ganhava até porque era a minha avó materna que recebia o ordenado porque eu “estragava” muito dinheiro em roupa sapatos e discos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho, o sítio onde me sinto mais seguro e onde gosto muito de viver. Saio o estritamento necessário. De resto estou em casa, gosto de receber os meus amigos e de cosinhar para eles.

 

O que pensa do mundo?

É uma casa muito bonita. Só é pena que tenha tanta gente, tantos moradores que nem sempre têm os cuidados necessários para cuidar bem dela, esquecendo-se que somos seus dependentes.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto que sim. Acho que já fiz, praticamente, tudo aquilo a que me propus em jovem. Falta-me, no entanto, escrever um livro, para além de outros projetos que tenho em carteira.

 

Como se resolve a crise?

Não pagando a dívida, tal como os gregos fizeram. Isto nunca mais vai estar pago. Deveríamos começar do zero. Os nossos políticos estão a ser teimosos. A nossa dívida é impossível de pagar.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Embora seja católico por cultura familiar, acho que foi o Homem quem criou Deus. O Homem sempre teve necessidade de justificar o injustificável e, assim, nada melhor que arranjar uma entidade suprema não só que mandasse nele como também tomasse conta do seu destino. Até os agnósticos nas horas de aflição, inconscientemente, chamam por Deus! Contudo acredito em Jesus!

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Mudava. Não me tinha divorciado

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou professor de matemática na Escola Secundária da Bela Vista. Acabei de escrever uma revista à portuguesa para encenar muito possívelmente na Capricho Setubalense. Continuo ligado às marchas populares. No futuro quero manter todas estas atividades. A doença obrigou-me a adiar alguns projetos. O fato de ter sido avô para mim é, nesta altura, uma prioridade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Grécia

 

Um livro

Pappilon (Henri Charrière)

 

Uma música

Marcha do Vitória de Setúbal

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Bacalhau de qualquer maneira

 

Um conceito

Dignidade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 21:02

 

“DEVÍAMOS APOSTAR MAIS A SÉRIO NO TURISMO”

 

Gonçalo Ferreira é saxofonista profissional. A sua infância foi vivida na aldeia de Vendas de Azeitão, em tempos de brincadeiras felizes e saudáveis. Foi eletricista, nas férias escolares, afinal o seu primeiro emprego. O mundo, para si é uma confusão total entre as desigualdades e os desequilibrios e a crise resolvia-se procurando o dinheiro que foi roubado ao povo. Depois colocava o país na rota do turismo. Acredita que há uma força superior que nos une mas não sabe se é divina

 

Como foi a sua infância?

Foi feliz em plena aldeia de Vendas de Azeitão, com os meus amigos e muitas brincadeiras felizes e saudáveis. Na escola fui um aluno razoável. Tive uma infância marcada pela família e pelos seus valores. O meu avô tinha uma fazenda na Aldeia Grande, onde eu também costumava brincar

 

O primeiro amor…

Não me lembro de quem terá sido. Sempre tive muitas namoradas. Sou um homem de grandes paixões

 

E o primeiro emprego…

Foi com 13 anos como ajudante de eletricista, nas férias escolares

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu espaço, o meu refúgio. Tem uma decoração confortável com alguns objetos de valor sentimental

 

O que pensa do mundo?

É uma confusão total, onde as desigualdades e os desequilíbrios são cada vez maiores. Qualquer dia o Homem quer e não tem nada. Estamos a caminhar para um mundo bastante autista em que as pessoas apenas olham para si próprias. Devíamos ser mais solidários

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Já realizei muitas das metas a que me propus. No entanto ainda existem muitas outras para cumprir. No geral sinto-me realizado

 

Como se resolve a crise?

Em Portugal, seria procurando o dinheiro que foi roubado ao povo. Depois com o pouco que temos (e que até é muito...), deveriamos apostar mais a sério no turismo. Somos um país com mar, serras, belezas naturais e ótimas condições para que o turismo seja devidamente aproveitado e explorado como fonte de riqueza, aproveitando as sinergias para o bem coletivo e o desenvolvimento do próprio país

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O Homem sempre teve necessidade de ter uma crença superior para se reger. Existe uma força superior que nos une. Se essa força é divina ou não, ainda não o sabemos

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Sabendo o que sei hoje talvez mudasse alguma coisa mas reconheço que os erros que possa ter cometido me serviram de aprendizagem

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou músico profissional, saxofonista. No futuro pretendo manter-me nesta atividade

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Moçambique

 

Um livro

Fernão Capelo Gaivota (Richard Bach)

 

Uma música

Cinema paraíso (Enio Morricone)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Choco guisado com batatas

 

Um conceito

Amizade

publicado por Joaquim Gouveia às 20:56

13
Out 13

 

“MAIS SAÚDE COM MAIS QUALIDADE"

 

O Dr. Ricardo Mira nasceu junto à doca dos pescadores de Setúbal. Ali aprendeu a nadar e a conviver com os amigos com quem cresceu. A sua mãe foi o seu primeiro amor. Para si é urgente o Homem por fim aos flagelos da Humanidade. A sua casa é um espaço de conforto e a garagem a sua ala preferida onde ouve música, toca e compõe as suas canções. Ali nasceram “Os Alcorrazes”, grupo de que é membro fundador. Diz que Deus é uma incógnita e que antevê o seu futuro na sua vertente profissional, pugnando por mais qualidade na saúde e, na área musical, ampliando os mais de 100 temas originais que já escreveu.

 

Como foi a sua infância?

Feliz. Nasci em Setúbal, na Rua João de Deus, junto à lota e à doca dos pescadores, logo cresci na baixa da cidade que percorri tantas vezes. Fui aluno da Escola Primária Conde de Ferreira. Tive muitos amigos e brincadeira não faltou. Aprendi a nadar na doca, como aliás era hábito entre a rapaziada da altura

 

O primeiro amor…

Foi sem dúvida a minha mãe.

 

E o primeiro emprego…

Lecionei o 2º ciclo dos liceus na Pia Sociedade de São Paulo. Estive lá mais de um ano. Era estudante de medicina. Não me recordo do primeiro ordenado

 

Como é a sua casa? Como a define?

O nosso local de repouso, de conforto e de bem estar. Tem uma decoração adequada ao nosso gosto. Tenho nele um refúgio muito especial onde ouço música, ensaio, canto, toco e componho grande parte das minhas canções, que é a garagem. Os meus amigos d´”Os Alcorrazes” batizaram-na de “Santuário”. É que foi mesmo lá que o grupo nasceu

 

O que pensa do mundo?

Neste mundo louco é urgente o Homem por fim à guerra, à fome e a todos os flagelos da humanidade

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Já realizei grande parte dos meus sonhos. Outros existem por concretizar o que é sinónimo de que ainda tenho mais objetivos na minha vida

 

Como se resolve a crise?

Com trabalho e com políticos honestos e competentes

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu sou oriundo de uma família católica, mas com o atual conhecimento científico, é uma incógnita

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Cometi erros, naturalmente mas, acima de tudo, foi com eles que aprendi. “Errare humanum est”

 

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou médico e diretor da área de ginecologia e obstetrícia do Centro Hospitalar Lisboa Central. Sou também fundador e membro do grupo de música popular setubalense “Os Alcorrazes”, do grupo de música popular brasileira “Samba Troupe” e da escola de samba “Capricho de Abrigada”. Para mim o futuro é inovar e evoluir. Na vertente profissional mais saúde com mais qualidade. Na musical, muita música e ampliar as mais de 100 composições que já tenho de minha autoria

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Rio de Janeiro

 

Um livro

O Principezinho (Antoine de Saint-Exupéry)

 

Uma música

As rosas não falam (mestre Cartola)

 

Um ídolo

Nelson Mandela

 

Um prato

Sardinha assada de Setúbal

 

Um conceito

Liberdade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 07:42

12
Out 13

 

“A ATITUDE DETERMINA A ALTITUDE”

 

Carlos Santos é Bispo n´A Igreja de Jesus Cristo dos Santos do Últimos Dias. Profissionalmente é proprietário de duas empresas que quer ver crescer e consolidar apesar dos tempos difíceis que atravessamos. Teve uma infância feliz e não se lembra da miuda a quem deu o primeiro beijo. A sua casa é o seu pedacinho de céu e o mundo uma criação fantástica. Para si a crise resolve-se quando o Homem se melhorar a si próprio e não desistir nem atirar a toalha ao chão

 

 

Como foi a sua infância?

Foi muito gira. Tive uns avós fantásticos. Os maternos tinham o hábito de levar os seus 8 netos para a caldeira de Tróia, durante os 3 meses de verão. Os nossos pais chegavam á sexta-feira e passavam lá o fim de semana connosco. Éramos 8 primos irmãos porque crescemos juntos. O meu avô era pescador e nós ajudávamo-lo a transportar o peixe que apanhava. Andei na escola do Casal das Figueiras e joguei à bola no Figueirense, no Juventude e na AMBA

 

O primeiro amor…

Não me lembro da menina a quem dei o primeiro beijo. Eu passava a vida a dar beijinhos às meninas (risos)... Namoro a sério foi com a minha esposa

 

E o primeiro emprego…

No bar do cais dos ferryboats. Acho que ganhava à volta de 20 contos por mês. Era trabalho de férias da escola

Como é a sua casa? Como a define?

É um pedacinho do céu na Terra. É o meu refúgio, onde recarrego as baterias e onde vejo que tudo vale a pena. É uma casa muito cheia com os meus 6 filhos

 

O que pensa do mundo?

É uma criação fantástica onde temos a oportunidade de podermos aprender , crescer e ensinar

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Muito. Profissionalmente sou muito feliz porque faço o que gosto com os desafios da época que todos os empresários têm. Mas sei que a atitude determina a altitude. Como ser humano sou, também, muito feliz com pessoas que me têm ajudado a perceber o quão importante são as relações humanas

 

Como se resolve a crise?

Melhorando-nos a nós próprios pensando nos talentos e dons que temos e não desistindo nem jogando a toalha ao chão

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem à sua imagem e semelhança o que nos torna muito próximos Dele. Eu sei que ele vive!

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Apenas usaria a experiência de vida para não cometer erros

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou proprietário da imobiliária “Pedra Ângular” e da “Homeled”, que é uma empresa de iluminação led. Sou Bispo n´A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. No futuro espero ajudar os meus filhos a formarem-se e a estabelecerem-se e torrnar as minhas empresas mais competitivas e que consigam atravessar esta fase menos positiva. Desejo ainda continuar o meu casamento que já leva 21 anos

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Salt Lake City

 

Um livro

O Livro de Mórmon

 

Uma música

Nothing gonna chance my love for you (Glen Medeiros)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Peixe assado

 

Um conceito

A união faz a força

publicado por Joaquim Gouveia às 13:20

 

“ESTOU A VER QUE DEUS TEM AS COSTAS LARGAS”

 

Vitor Raposeiro é um dos mais conhecidos e antigos músicos de Setúbal. Nasceu na zona do Quebedo e por aí cresceu e brincou. Quinito, antigo jogador e treinador era o seu melhor amigo. Não sabe quem foi o seu primeiro amor porque era muito namoradeiro. O seu primeiro emprego foi como apontador em Tróia e cumpriu o serviço militar na Guiné. Tem do mundo uma idéia que o deixa preocupado e acredita que vive tudo à volta de quem é mais corrupto. O seu ideal ficou por cumprir: ser musico profissional

 

Como foi a sua infância?

Foi feita entre o Quebedo e a antiga Esplanada de Setúbal, na rua onde nasci. Foi uma infância com muita brincadeira e muitos amigos. Andava na escola da D. Ana. O Quinito, antigo jogador do Vitória de Setúbal era o meu melhor amigo, eramos inseparáveis. A minha infância ficou ainda marcada pelas férias que passava com as minhas tias numa fazenda nas Faias, perto do Montijo

 

O primeiro amor…

Era um rapaz muito namoradeiro e nem sei qual das raparigas que namorei terá sido o primeiro amor. Mas conheci a Michèle,curiosamente na Praia da Luz,estamos juntos há 40 anos !

Posso portanto dizer que ela não foi o meu primeiro amor,mas o amor da minha vida

 

E o primeiro emprego…

Em Tróia, como Apontador, em Outubro, de 1972. Tinha chegado em Abril, da Guiné, onde cumpri o serviço militar. Ganhava 850 escudos, a cada 15 dias


Como é a sua casa? Como a define?

Um apartamento de 4 assoalhadas com quintal. É uma casa cheia de gente. Tenho duas filhas 3 netos e muitos brinquedos em casa. Mas é confortável e muito agradável

 

O que pensa do mundo?

Estou muito triste com o mundo que não sei para onde vai. De certeza que não vai por bom caminho. De há 10 anos a esta parte o mundo tem-se deteriorado. As guerras, a fome, os refugiados, os problemas de África, tudo num enorme conflito. Estou muito cético e estou com medo do legado que vou deixar aos meus netos

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não, nunca fiz tudo o que queria. Gostaria de ter sido músico profissional e não tive essa possibilidade por vários fatores

 

Como se resolve a crise?

Mudando a mentalidade do povo. No entanto, somos latinos e pouco há a fazer. O que se deve fazer acaba sempre por não ter consequência. A corrupção tomou conta da nossa sociedade. Vive tudo à volta de quem é mais corrupto

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou muito cético em relação a esse assunto. O problema de Deus e das religiões é muito complexo porque estou a ver que Deus tem as costas largas. Toda a gente se serve do nome dele para fazer tudo o que quer. Se existisse Deus, certamente não seria para esse fim

 

Se pudesse voltar atrás mudaria alguma coisa na sua vida?

Tinha ido para Inglaterra aprender música e tornar-me num músico profissional. Tenho muita pena de não ter tido essa possibilidade

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Dedico-me à família. Estou reformado. Nas horas vagas ocupo-me da música. Sou membro dos grupos “Sangue Azul” e “Four Sixties”

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Noruega

 

Um livro

Os sobreviventes (Piers Paul Read)

 

Uma música

Hino da Alegria

 

Um ídolo

Hank Marvin

 

Um prato

Bacalhau com todos

 

Um conceito

Passar sem deixar rasto

publicado por Joaquim Gouveia às 12:41

11
Out 13

 

“VIVEMOS PARA UM MUNDO IMAGINÁRIO”

 

José António Contradanças, que assina como José – António Chocolate, é um dos mais reconhecidos poetas da nossa região. Alentejano de Santa Eulália confessa ter tido uma infância alegre com muita brincadeira. Aos 10 anos recebeu o epíteto de “poeta da escola”. O seu primeiro ordenado foram 500 escudos a fazer letra de caligrafia francesa. Sente-se um homem equilibrado e diz que a crise resolve-se atacando os privilégios. Elege a cidade de Setúbal, como o seu destino preferido e não tem ídolos. Acredita no destino

 

 

Como foi a sua infância?

Alegre por ser filho e neto único. Nasci em Santa Eulália, Elvas. O meu pai era trabalhador rural e a minha mão costureira. Eram os dois analfabetos mas honestos e trabalhadores. Brinquei a tudo, tudo servia de brincadeira, sempre na rua como convinha. Tinha muitos amigos. Na escola fui um bom aluno e aos 10 anos já era o poeta entre os alunos. Nessa altura ganhei uma bolsa de estudo no ciclo preparatório. Foi uma infância muito feliz

 

O primeiro amor…

Também por volta dos dez anos, com a Carolina que viria a casar com o meu melhor amigo. Foi um namoro de crianças. Ela era muito engraçada

 

E o primeiro emprego…

Ganhei os meus primeiros 500 escudos, em 1971, a fazer pastas com letra de caligrafia francesa para os processos do Regime Especial da Segurança Social para os trabalhadores rurais. Era muito dinheiro na altura


Como é a sua casa? Como a define?

Tenho várias por força da minha actividade e pela ligação à minha terra. Gosto de recuperar casas. No entanto, a casa da minha identidade fica numa quinta em Santa Eulália. É uma casa tipíca com as cores do Alentejo, o branco, o amarelo de ocre e o azul nas janelas e portadas. A decoração é rústica com algum mobiliário típico alentejano

 

O que pensa do mundo?

Penso que o mundo actual é um ente global indiferenciado e cada vez mais homogeneizado em que se vão esbatendo as diferenças culturais e onde prevalece a lei da finança e da economia, Vivemos para um mundo imaginário. Tudo é uma ambição

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me equilibrado. Acredito que a vida é feita de equílibrios dinâmicos. Temos que procurar a novidade e novos objectivos

 

Como se resolve a crise?

Com coragem de atacar os privilégios sem hesitações. Em Portugal, isso são coisas com nome e assinatura. Não devemos andar com paninhos de água quente. A crise resolve-se com equidade e justiça. Os governantes não atacam as diferenças, preferem atuar de forma fácil e sob a velha máxima de resolver os problemas à custa da classe média, dos assalariados e dos pensionistas

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Ambas as coisas. Há uma relação estreita entre as duas. Houve sempre a idéia de que o Homem se sentia inferior e um produto de uma força divina, dum Deus Supremo. E, assim, foi criando um deus que o criou a ele próprio. Acredito nesse Deus divino. Sou espiritual e entendo a religiosidade humana

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Pensando bem, nada. A vida é um puzzle que se vai construindo. Mudando uma peça tudo se poria em causa. Ademais acredito no destino e, pelos vistos é este o meu destino por muito que o torça ou force

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou assessor da Administração do Porto de Sines e sou poeta, esposo, pai e avô. Tudo isto é para manter. No futuro quero continuar ligado a projectos culturais e sociais com utilidade para os meus e para a terra que me viu nascer

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Setúbal

 

Um livro

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma música

Carmina Burana (Carl Off)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Cozido de grão com carnes cheias e hortelã viva (fresca)

 

Um conceito

Fazer o bem sem olhar a quem

publicado por Joaquim Gouveia às 12:19

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