Entrevistas de JoaQuim Gouveia

10
Out 13

 

“SÓ SE RESOLVE A CRISE COM UMA POLITICA PATRIÓTICA E DE ESQUERDA”


A Dra. Anita Vilar é médica psiquiatra e pessoa envolvida em actividades políticas e sociais, como é o caso da Ordem dos Médicos, onde é membro da distrital. Teve uma infância repartida entre o modernismo de Angola e a tacanhez de Trás os Montes. Recorda-se do seu primeiro amor e do primeiro emprego em plena “abrilada de 69”, em Coimbra. Para si a solução para a crise passa por uma politica patriótica e de esquerda e tem esperança que o Homem encontre um caminho mais justo e humanizado para o mundo. Não acredita em Deus.

 

 

Como foi a sua infância?

Teve coisas boas e outras menos boas como a separação dos meus pais. Nasci em Benguela, Angola e morei em Nova Lisboa, até aos 15 anos. Depois vim para Portugal e fomos morar para Vila Real de Trás os Montes. Foi um choque tremendo ao nível dos usos e costumes locais e que eu não estava nada habituada. Deixei de usar calças, de andar de bicicleta e de tratar os rapazes por “tu”, entre outras coisas. Encontrei uma sciedade muito conservadora. Só víamos televisão no café e nunca íamos sózinhas, eu e a minha prima. Tivemos que aprender as driblar os mais velhos

 

O primeiro amor…

Foi na 3ª classe. Uma paixão assolapada. Tinha 9 anos. Limitávamo-nos a trocar uns olhares. Ah, ainda demos uns beijinhos (risos)...

 

E o primeiro emprego…

Como médica nos Hospitais da Universidade de Coimbra, depois de acabar o meu curso de medicina. Foi em Abril de 1969, na chamada “abrilada”, uma altura muito conturbada e complicada

Como é a sua casa? Como a define?

Um apartamento modesto e confortável, decorado ao meu gosto e jeito. Não é uma casa museu. É o meu sossego. Tenho livros em todos os lados e alguns instrumentos musicais que colecciono. A minha casa é o local onde repouso, convivo com a família,recebo amigos, leio, oiço a música que gosto e preparo muito trabalho.

 

O que pensa do mundo?

Neste momento, vive dificuldades grandes devido à fase em que se encontra o capitalismo. Contudo, penso que há muitos motivos de esperança e confiança de que a Humanidade irá encontrar um caminho mais justo,solidário e sem exploração. Preocupa-me a fome, a exploração dos que trabalham e os perigos relativos à paz.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, no geral penso que sim. Há coisas que, certamente, ficaram por realizar. Uma delas foi a de não ter seguido uma carreira de pianista

 

Como se resolve a crise?

Com uma política patriótica e de esquerda porque se não houver uma rotura com esta política de recessão e submissão ao estrangeiro, a crise não se resolve.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou ateia e costumo dizer que acredito na Humanidade. O Homem criou Deus porque se sentia muito pequenino neste mundo e teve necessidade de explicar os fenómenos naturais que o conhecimento não permitia explicare. A morte, o desconhecido, o inexplicável foram as razões para que o homem criasse um ser sobrenatural, invisivel e poderoso.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nunca coloquei a mim própria essa questão porque em cada momento da nossa vida decidimos julgando que estamos a fazer o melhor. Portanto, não mudaria nada

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou médica psiquiatra e mantenho a minha actividade política e associativa. Sou membro dos orgãos distritais da Ordem dos Médicos, do Conselho Nacional do MDM.Fui eleita para a Assembleia Municipal. No futuro, ? Quer dizer quando eu tiver os noventa? Olhe, não sei se emigro para o Canadá (risos)...

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Barcelona

 

Um livro

Nenhum Homem é estrangeiro (Joseph North)

 

Uma música

7ª Sinfonia de Beethoven

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Sardinha assada à setubalense

 

Um conceito

Coerência

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:18

09
Out 13

 

 

“ACHO QUE NUNCA ESTAREI REALIZADO”

 

Álvaro Andrade é daqueles setubalenses que sente nuito orgulho na sua cidade e, por isso, canta-a. É membro do grupo de música popular setubalense “Os Massacotes” e quer continuar a entoar a cidade vida fora. É professor de restauração e bebidas e tem do mundo uma imagem de beleza alertando que devemos aproveitar a nossa passagem por ele. Viveu uma infância feliz nos tempos em que as brincadeiras eram outras e os amigos para toda a vida

 

Como foi a sua infância?

Foi muito feliz não só por ter nascido em Setúbal, mas também porque na altura a infância era vivida de outra maneira, com muitos amigos e muita brincadeira. Nasci na Rua Frei Agostinho da Cruz, perto do famoso Bar Caracol que, curiosamente abriu portas no dia do meu nascimento. Frequentei a escola primária dos Motoristas, na Praça do Bocage

 

O primeiro amor…

Foi ótimo. Aos 17 anos com a Helena Andrade, que é a minha mulher

E o primeiro emprego…

Com o meu pai no Mercado do Livramento. Tinhamos lá duas bancas de peixe. Ajudava-o e ganhava o que ele me queria dar

 

Como é a sua casa? Como a define?

Um espaço confortável e alegre onde gosto muito de estar. É a minha estabilidade. Tem uma decoração suave

 

O que pensa do mundo?

O mundo é um local bastante belo que devemos saber aproveitar nesta nossa passagem por ele. Hoje em dia as coisas estão diferentes e o mundo está muito global. As pessoas estão mais distantes, há menos humanismo

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Não. Acho que nunca estarei realizado. A busca é constante. A perfeição não existe, só o caminho

 

Como se resolve a crise?

Com trabalho e honestidade e isso deve partir de quem nos governa. Esse é o maior exemplo que eles nos devem dar para que o país seja melhor, mais honesto e solidário sem tantas clivagens

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Acredito muito no Homem. Poderá haver alguma coisa que nos dá alguns sinais mas cada um deve acreditar no que quer

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Se tivesse formação musical poderia ter seguido o caminho do canto e até do teatro, O meu pai cantava o fado e acho que herdei dele este gosto por cantar

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou professor na área da restauração e bebidas na Escola de Hotelaria de Setúbal. Para além disso sou membro do grupo de música popular setubalense “Os Massacotes”. No futuro gostava de ter muita saúde e continuar a cantar Setúbal

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Florença

 

Um livro

Jangada de pedra (José Saramago)

 

Uma música

Setúbal minha raínha (Manuel Carlos)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Ameijoas à ginja (já não se fazem...)

 

Um conceito

Felicidade

publicado por Joaquim Gouveia às 17:23

 

“CADA UM DE NÓS TEM DE FAZER A SUA PARTE”

 

Dina Barco é uma mulher multifacetada. Professora, locutora, escreve prosa e poesia e tem do mundo uma imagem bela, complexa e de espanto. Viveu parte da sua infância em Alhos Vedros, terra calma e segura. O seu primeiro amor foi platónico e com o dinheiro do primeiro emprego comprou um colar de pérolas falsas para a mãe. Gandhi é o seu ídolo. Se pudesse voltar atrás no tempo não mudaria nada à sua vida

 

 

Como foi a sua infância?

Foi feliz. Vivi em Alhos Vedros, durante 9 anos, uma terra calma e segura. Podia sair de casa e andar de bicicleta todo o dia em segurança e ter, ainda, todas as brincadeiras de rua. Recordo-me de ser uma cliente habitual da biblioteca e de andar por entre os livros, a sentir-lhes o cheiro, que era uma forma de antecipar o prazer de ler.. Sou filha única mas nem por isso alguma vez me senti sozinha. Nunca me faltou nada. Os meus pais desenvolveram em mim a capacidade de valorizar o que tinha e de lidar com o “não”

 

O primeiro amor…

Foi o Henrique. Eu tinha 12 anos, ele era um pouco mais velho. Foi uma paixão assolapada que durou muito tempo mas que foi apenas platónica

 

E o primeiro emprego…

Foi a dar explicações. Com o primeiro dinheiro que ganhei comprei um colar de pérolas falsas para a minha mãe

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu ninho, o meu reino, o meu porto seguro, o meu território e o meu espaço de paz.

 

O que pensa do mundo?

Penso que é espantosamente complexo e belo. Acho que o espanto é a ideia, a emoção que mais se destaca quando se reflete sobre o mundo. Tenho muita pena que o mau uso da inteligência humana o prejudique tanto. Mas acho que não podemos ficar de braços cruzados; cada um tem de fazer a sua parte, como na parábola do Colibri…

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Eu espero nunca atingir um ponto tal de auto-satisfação que me faça pensar que não tenho mais nada a esperar da vida

 

Como se resolve a crise?

Não desistindo de acreditar e cada um fazendo a sua parte. Eu quero acreditar nisto, ainda mais agora que tenho um neto

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem, para os Homens o recriarem. Cada um cria a sua própria ideia de Deus e talvez  isso estivesse nos seus planos quando nos criou

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Não quer dizer que não tenha feito coisas erradas. Mas no essencial acredito que tudo o que fiz, mal ou bem, é que me trouxe até aqui

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou professora de Português, Inglês e Educação para a Cidadania, no Pinhal Novo. Para além disso vou escrevendo, locutando, fazendo poesia e participando em projetos com interesse. Para o futuro desejo ter tempo para ouvir a música que nunca ouvi, ler os livros que nunca li, visitar sítios que nunca visitei e acompanhar a felicidade das pessoas que amo

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Sintra

 

Um livro

A invenção do amor (Daniel Filipe)

 

Uma música

No teu poema

 

Um ídolo

Gandhi

 

Um prato

As lulas recheadas da minha mãe

 

Um conceito

É o amor que nos salva

publicado por Joaquim Gouveia às 12:37

 

“NÃO LEVO DESAFOROS PARA CASA”

 

Natália Abreu é uma mulher bem conhecida dos setubalenses por força da sua condição de apresentadora de eventos culturais. Oriunda do Funchal, chegou a Setúbal, com tenra idade mas cedo fez amigos que ainda hoje conhece e estima. Para resolver a crise até dava dois estalos no Primeiro Ministro. Gostava de ser excêntrica com o Euromilhões, apesar de fazer o que gosta na vida. É católica mas não acredita na história de Adão e Eva. O seu conceito de vida afina pela democracia

 

 

Como foi a sua infância?

Aos saltinhos. Vim do Funchal, para Setúbal com apenas 5 anos de idade, o que me desestabilizou familiarmente. Era a menina do meu avô paterno. Mas tive uma infância feliz com muitos primos e vizinhos que ainda hoje são meus amigos. Na escola era uma boa aluna. Se houvesse quadro de mérito escolar o meu nome estaria lá

 

O primeiro amor…

Aos 19 anos. Pensava que seria eterno mas não foi...

 

E o primeiro emprego…

Num supermercado chamado “Inô”, na Torralta, em Tróia. Tinha 17 anos e ganhava 35 contos, uma fortuna naquela altura

Como é a sua casa? Como a define?

Costumo dizer que não levo desaforos para casa porque ela é pequenina. É o meu refúgio onde sou eu mesma sem barreiras nem protecção

 

O que pensa do mundo?

Penso que é redondo e tão redondo é que, volta não volta, vamos bater ao mesmo sítio. Seria bem melhor se as pessoas fossem menos cínicas

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Posso dizer que aos 40 anos faço o que gosto. Só tenho pena de não estar a fazer rádio. Esse, se calhar é que foi o meu primeiro amor. Tenho um bom casamento, dois filhos saudáveis e os meus pais vivos. E tenho bons amigos. Só me falta o Euromilhões para ser perfeita

 

Como se resolve a crise?

Pregando dois estalos na cara do Primeiro Ministro. Punha os governantes a viver durante 6 meses com o ordenado minímo nacional

 

 

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católica. Há uma força que manda nisto. Não sei se é como a Biblía diz mas não acredito na história do Adão e Eva. Foi uma força que criou tudo isto

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudava grande coisa. Talvez fizesse algumas coisas que não tive ainda ocasião de fazer como viajar mais. Também não me tinha deixado enganar por tanta gente

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou jornalista e apresentadora. Gostava de ser excêntrica por força do Euromilhões. O futuro é uma carta fechada. Temos que viver um dia de cada vez

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Madeira

 

Um livro

Vai onde te leva o coração (Susanna Tamaro)

 

Uma música

Jardins proíbidos (cantado apenas pelo Paulo Gonzo)

 

Um ídolo

A minha mãe

 

Um prato

Milho frito com bifes de atum

 

Um conceito

Democracia

publicado por Joaquim Gouveia às 10:42

08
Out 13

 

“A MINHA CASA É O MEU PALÁCIO”

 

Deolinda de Jesus é fadista afamada e aclamada não só na nossa região mas um pouco por todo o lado por onde deixa o seu talento. Foi criada num colégio de freiras com uma educação austera e sem o carinhos dos pais a cem por cento. Sente-se triste quando é mal interpretada pelas pessoas de quem gosta. Deus é uma força superior, espiritual e a sua casa é mesmo o seu palácio. Começou a trabalhar aos 21 por opção e não tendo projectos para o futuro prefere agarrar o presente com o fado a seu lado

 

Como foi a sua infância?

Foi no Colégio de Nossa Senhora da Saúde, antigo Asilo da Infância Desvalida. Estive lá dos 3 aos 10 anos. Foi uma infância severa porque não tinha o carinho dos meus pais a cem por cento. Também guardo boas recordações, claro mas o tratamento era bastante austero com muita disciplina, Hoje era caso de polícia...

 

O primeiro amor…

Foi na escola e durou dois anos. Era um rapaz de quem gostava muito, na altura. Somos amigos. Tinha 16 anos e recordo com muito carinho

 

E o primeiro emprego…

Na pastelaria Tuttilanche, com 21 anos. Na altura eu queria era ganhar dinheiro. Podia ter seguido os estudos mas preferi ganhar um ordenado. Tenho o curso geral dos liceus

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu palácio. É moderna e confortável. É a minha casa e está numa zona muito bonita da cidade de Setúbal

 

O que pensa do mundo?

O mundo é composto por pessoas que pensam cada uma á sua maneira, o que gera uma grande confusão. As pessoas atropelam-se na ânsia da sobrevivência a todos os níveis

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca fui muito ambiciosa mas sim persistente. Vou conseguindo fazer as coisas que idealizo um pouco a longo prazo. Conheço os meus limites, Aos 18 anos tive uma grande oportunidade de me tornar fadista em Lisboa, mas faltou-me o devido apoio para que isso acontecesse

 

Como se resolve a crise?

Não sei. É muito difícil, Os políticos dizem que há crise mas os que estão no poder não a sentem, apenas a geram aos que mais sofrem com ela. Acho que a crise nunca mais se resolve, pelo menos com estas mentalidades

 

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu creio que existiu uma grande força que criou algo. Deus é uma força superior, espiritual. No entanto tudo para mim é uma grande incógnita

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Só mudava o pensamento e a atitude em relação a certas pessoas. Já sofri muitas desilusões por gostar tantos de algumas pessoas e acabar por ser mal interpretada

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Para o futuro não projecto nada. Por agora sou fadista e trabalho numa empresa de navegação

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Marvão

 

Um livro

Poemas da Florbela Espanca

 

Uma música

Adoro os Cold Play

 

Um ídolo

Dr. Eugénio Fonseca

 

Um prato

Cozido à Portuguesa

 

Um conceito

Ser bastante optimista

publicado por Joaquim Gouveia às 14:22

07
Out 13

 

“TENHO UMA IDÉIA UM POUCO NEGATIVA DO MUNDO”

 

Fernando Tomé é figura por demais conhecida na nossa região. Exímio jogador de futebol militou em equipas de nomeada como o Vitória de Setúbal e o Sporting Clube de Portugal. Mais tarde abraçou a carreira de treinador e foi ainda coordenador do futebol juvenil do Vitória sadino. Diz que nasceu em berço de ouro, morou num palácio e cumpriu a máxima “filho de peixe sabe nadar”. Não sabe se o Homem criou Deus ou se foi o inverso e também não tem solução para a crise que afirma ser também de valores. Agora, na reforma, sente-se, finalmente, a gozar as férias que nunca teve

 

 

Como foi a sua infância?

Foi, como costumo dizer, em berço de ouro. O meu pai era jogador profissional de futebol e em 1948 protagonizou a transferência mais cara do futebol português saíndo do Académico do Porto, para o Sporting da Covilhã, o que lhe rendeu bom dinheiro. No Porto, onde nasci vivíamos num pálácio que era do meu padrinho, um industrial dos lanifícios, muito rico e conceituado que dava pelo nome de José Gabriel do Santos Júnior. O meu pai ganhava bem e, portanto, tive uma infância muito feliz onde nada me faltou

 

O primeiro amor…

Tive três namoradas chamadas Elisabete e fui casar com uma Júlia, há 42 anos. O primeiro amor foi como uma dessas Elisabete, aos 15 anoss, no Bairro Santos Nicolau

 

E o primeiro emprego…

Na estação da BP, na Avenida 5 de Outubro. Fazia um pouco de tudo, desde gasolineiro, a arrumador de carros ou até mesmo cobrador, etc..

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa própria. Já lá moro há 38 anos. Fica nos Arcos, ao Montalvão, onde era o antigo campo do Vitória. É uma casa confortável. Ali criámos os nossos dois filhos, gémeos, uma rapaz e uma rapariga.

 

O que pensa do mundo?

Penso nos meus netos. Vivemos numa sociedade de hipocrisia e de muita maldade e os mais novos vão sofrer bastante no futuro. Tenho uma idéia um pouco negativa do mundo. Países que eu conheci que eram belos têm-se degradado. É um mundo em permanente conflito.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

O ser humano nunca se sente realizado, procura sempre algo mais, novos desafios. A minha satisfação é ter cumprido as metas a que me propus social e profissionalmente.

 

Como se resolve a crise?

Temos o hábito de dizer que não somos politicos embora tenhamos um pouco de tudo. Isso não é verdade. Todos temos, também, um pouco de politícos porque temos idéias e opiniões. Não sei como se resolve esta crise que para além de financeira também é uma crise de valores. E isso está implicíto.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico não praticante mas respeito todas as religiões. Todos nós temos um deus mas não sei quem criou quem

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Tive a actividade profissional que sempre ambicionei. No fundo cumpri o provérbio “filho de peixe sabe nadar”. Casei com a mulher da minha vida e tivemos dois filhos maravilhosos que já nos deram 3 neros que adoramos, claro

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Agora é que ando a gozar as minhas férias. Nunca as tive por força da minha condição de jogador de futebol (Vitória de Setúbal, Sporting C.P. e Uniáo de Leiria) e depois como treinador de várias equipas. Nos últimos 18 anos fui, ainda, coordenador do futebol juvenil do Vitória. Agora, na reforma, tento a proveitar as férias da melhor maneira

 

 

Um destino

Israel

 

Um livro

Um livro sobre basquetebol do prof. Jorge Araújo, que me deu muitas dicas que transportei para o futebol

 

Uma música

Yellow submarine (Beatles)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Raia à pescador

 

Um conceito

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje

publicado por Joaquim Gouveia às 21:16

05
Out 13

“GOSTAVA DE CONSOLIDAR MAIS OS MEUS 35 ANOS DE CARREIRA”



 

LUIS PORTELA (cantor)

 

“GOSTAVA DE CONSOLIDAR MAIS OS MEUS 35 ANOS DE CARREIRA”

 

Luis Portela é um dos mais mediáticos cantores setubalenses. Reparte o palco com uma loja de vestuário porque as cantigas e a moda são actividades que lhe conferem muito gozo e prazer. Teve uma infância difícil e começou a trabalhar no duro, nas obras na Bélgica. A sua casa é confortável e está decorada a seu gosto, nada de exuberância, como faz questão de afirmar. Pensa que o mundo é o espelho egoísta do Homem e a crise só se resolve com emprego e mais economia. É crente mas não tem explicação para Deus.

 

Como foi a sua infância?

- Complicada. Os meus pais separaram-se tinha eu apenas 5 anos e fiquei com a minha mãe e o meu irmão. A minha mãe trabalhava bastante embora o meu pai também ajudasse. Mas não estávamos juntos. Não vivi em fartura, nem riqueza. Foram tempos difíceis. Frequentei a escola dos Pinheirinhos e mais tarde a Comercial (Sebastião da Gama), onde tirei o 5º ano. Depois o meu pai levou-me para a Bélgica para trabalhar nas obras. Foi uma infância e uma adolescência muito difícil.

 

O primeiro amor...

- Aconteceu aos 14 anos. Foi muito giro. Nessa altura tudo é bonito, até o lado mais infantil das coisas, próprio da idade. Era uma rapariga normal, gira, que conheci nos bailaricos. Uns beijinhos, uma troca de palavras e pouco mais.

 

E o primeiro emprego…

- Nas obras, na Bélgica, com o meu pai. Ganhava-se 40/50 escudos por dia. Hoje falamos em cêntimos...

 

Como é a sua casa, como a define?

- Humilde. Não há exuberância. Confortável partilhando o essencial para nos sentirmos bem. Está decorada ao meu gosto. Vivo nesta casa desde os meus 6 anos. Foi o meu pai que a construíu. Tenho uma enorme ligação e um sentimento muito forte por ela.

 

O que pensa do mundo?

- Acho que é o espelho do egoísmo do Homem que só pensa na riqueza, no gozo e no poder. Se o mundo fosse mais humanizado estaríamos bem melhor, sem miséria, nem desemprego, por exemplo.

 

Como se ultrapassa a crise?

- Primeiro temos que encontrar os culpados da crise e chamá-los à responsabilidade. Porque é que os que não contribuem para a crise a sofrem na pele? Não se resolve a crise com desemprego e falta de economia. Na minha loja, quando vendo pouco é, precisamente, quando faço um maior esforço para apresentar mais colecção para chamar o público.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Faço as coisas que adoro, a música e a moda. Estas actividades dão-me mais prazer que segurança financeira neste momento, devido à crise.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Não tenho bases para explicar esse fenómeno. Sou crente, tenho fé independentemente do nome que se dá a algo que estará acima de nós no Universo. Não perfilho qualquer opção religiosa mas respeito todas.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Talvez alguns erros que tenha cometido. A vida está sempre a ensinar-nos. Profissionalmente se voltasse atrás teria feito a mesma coisa porque me dá muita alegria e prazer ser cantor e pequeno comerciante na área da moda e pronto a vestir.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

 

- Como disse sou cantor e comerciante. O futuro está complicado devido ao rumo que a vida está a levar. Gostava de consolidar mais a minha carrreira e ter mais reconhecimento pelos meus 35 anos de estrada e palco.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

- New Iork

 

Um livro

- As portas da Atlântida (Guy Tarade)

 

Uma música

- Woman (john Lennon)

 

Um ídolo

-Fredy Mercury

 

Um prato

- Cozido à portuguesa

 

Um conceito

- Ser feliz e tentar incutir nos mais próximos a verdade e a alegria de viver

 

publicado por Joaquim Gouveia às 16:37

 

“ALCANCEI TUDO A QUE ME PROPUS!”



O Dr. Carlos Manuel Cardoso é fIgura bem conhecida na cidade de Setúbal. Foi jogador no Vitória Sadino e no U.F. Comércio e Indústria. Decidiu formar-se apenas quando abandonou o futebol. Aos 14 anos começou a ganhar o primeiro dinheiro a fazer caixas para fruta. É natural de Lisboa, mas vive em Setúbal, desde os 8 anos, depois de uma passagem pela Covilhã. Teve uma infância feliz e diz que o seu futuro se terá que ajustar à realidade de que a China irá dominar o futuro da economia mundial. Sente-se um homem plenamente realizado

 

Como foi a sua infância?

- Foi feliz. No meu tempo tínhamos a vantagem de brincarmos na rua. Não havia telemóveis, nem internet. Inventávamos as nossos brincadeiras. Cheguei a Setúbal, com a penas oito anos e frequentei logo a escola primária Conde Ferreira. Nasci em Lisboa e vivi ainda na Covilhã, onde tinhamos uma casa de férias no vale da Serra da Estrela. Foram tempos inesquecíveis.

 

O primeiro amor...

- Aos 12 anos no bairro do Montalvão, com uma miuda muito engraçada que se chamava Ana. Foi um namoro próprio de crianças, inocente e, claro, inconsequente, Apenas uma brincadeira.

 

E o primeiro emprego…

- Foi a fazer caixotes de madeira para a fruta para o pai de um amigo meu, o senhor Mateus. Ganhava dois escudos e cinquenta por cada caixote de fruta e quatro e quinhentos pelos caixotes para abóboras, que eram bem maiores. No tempo da feira de Santiago, dava bem para gastar o dinheiro do dia (risos). O meu pai em vez de me dar dinheiro para gastar na feira ofereceu-me um martelo para eu ganhar mais dinheiro.

 

Como é a sua casa, como a define?

-É o meu refúgio completo. É onde me sinto bem e tenho todo o apoio da família que é muito unida. É o meu porto de abrigo. É uma casa muito confortável.

 

O que pensa do mundo?

- O mundo está em completa mudança, sobretudo de valores que, hoje nada têm a ver com aqueles que me foram ensinados quando era jovem. Vejo o mundo com muita apreensão. As coisas estão a ficar muito complicadas. A idade da velhice está a aumentar cada vez mais mas os velhos estão a ser colocados à margem. Isto assusta porque levará as uma certa rotura de valores.

 

Como se ultrapassa a crise?

- Como está não será. Temos que criar auto-suficiências na agricultura e pescas e no sectores comerciais e industriais. Estamos a esbanjar valores para o estrangeiro. Nesta  altura só exportamos “cabeças” que nos fazem tanta falta.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

- Completamente, apesar de continuar a ter desafios. Tudo a que me propus alcancei no seu devido tempo. Tenho uma família estável e um emprego que me realiza integralmente. Deito-me todos os dias consciente desta plena realização.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

- Creio que existe alguma coisa para além do Homem. Não vou à missa mas acredito que existe algo que nos criou. Não será propriamente aquele Deus tão falado. Será a própria força da natureza, a energia. Há uma sequência lógica na nossa evolução que me faz crer que é essa força da natureza, isso sim.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

- Fui jogador de futebol no Vitória de Setúbal e no Comércio e Indústria e decidi formar-me, apenas após sair do futebol. Hoje pergunto-me se deveria ter feito as coisas ao contrário. Mas sei que não teria o mesmo gozo. No fundo acho que não mudaria nada. Sou feliz assim.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

- Sou gerente da Garagem Bocage. Trabalho com 2 fábricas na China, onde já me desloquei uma vez. A China vai ser o futuro da economia mundial e o meu futuro terá que se ajustar a esta realidade.

 

CAIXA

 

Um destino

- Tróia

 

Um livro

- Equador (Miguerl Sousa Tavares)

 

Uma música

- Charriots of fire (Vangellis)

 

Um ídolo

-Nélson Mandela

 

Um prato

- Choquinhos cozidos com batatas

 

Um conceito

- Os gestores têm que prever o futuro trabalhando no presente, com os erros do passados (este conceito tem a minha assinatura)

 

 


publicado por Joaquim Gouveia às 16:32

Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

14
15
19

20
21
26

27
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
arquivos
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO