Entrevistas de JoaQuim Gouveia

07
Nov 13

 

“AS PESSOAS COMPLICAM O QUE É FÁCIL”

 

Carlos Pinto é músico, maestro e compositor. É de sua autoria a parte musical do espetáculo “Luisa Tódi”, que ainda há pouco esteve em cena na cidade de Setúbal. Casou com o seu primeiro amor e sente-se um homem completamente realizado porque sempre fez na vida o que mais gostou, ser músico. Nasceu numa quinta e o seu primeiro emprego foi a regar jardins. Para si o mundo é uma grande complicação em contradição com a paz e harmonia em que deveríamos viver. Praga é o seu destino de eleição e Leonard bernstein, o seu ídolo

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal na Quinta das Rosas. Éramos 2 irmãos. Os meus pais geriam as várias quintas onde morámos. Fui feliz com muita brincadeira. Andei na antiga escola Conde Ferreira. Ainda hoje a rapaziada daquela altura se reune. Sou autor do hino da escola com o Manel Bola

 

O primeiro amor…

Foi a minha mulher desde os meus 9 anos. Disse ás minhas tias que já tinha uma namorada com quem queria casar. E assim foi

 

E o primeiro emprego…

Regar jardins. Ganhava 25 tostões por semana

Como é a sua casa? Como a define?

Já foi a minha casa de férias quando trabalhava em Lisboa. Depois reformei-me e vim para Setúbal habitá-la. É uma casa agradável e acolhedora. Gostava de ter um estúdio mas não consigo. Trabalho no escritório

 

O que pensa do mundo?

O mundo atual é uma grande complicação porque as pessoas complicam o que é fácil. Deviamos viver em paz e harmonia mas as pessoas não o querem

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Completamente. Fiz e faço aquilo de que mais gosto que é a musica. Humanamente a minha família e os meus amigos tornam-me uma pessoa feliz e realizada

 

Como se resolve a crise?

Tal como a OTI, defendo o aumento dos salários em geral e no relançamento da economia no seu todo para criar riquezas

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou crente. Penso que há uma entidade superior. Defendo que tem que existir uma maior aproximação entre a ciência e a religião. Esta é uma questão muito complexa

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Na vida profissional mudaria as bases do meu estudo. Hoje não teria escolhido o acordeão para começar a minha carreira

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estou reformado mas serei músico até morrer. Estou a escrever um novo espetáculo para Setúbal, com a Alexandrina Pereira e o Rui Mesquita 

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Praga

 

Um livro

Os miseráveis (Victor Hugo)

 

Uma música

A Whiter Shade Of Pale (Procol Harum)

 

Um ídolo

Leonard Bernstein

 

Um prato

Massinha de Cherne

 

Um conceito

Só é músico quem nasce músico

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:12

06
Nov 13

 

“ACHO QUE SOU UMA PESSOA ACARINHADA”

 

Fernando Trovão é um conhecido empresário do ramo imobiliário de Setúbal. Teve uma infância feliz e conheceu o seu primeiro amor aos 14 anos. Limpou mato com uma enxada na mão e acredita que Deus criou o Homem, ou como faz questão de frisar “não podia ser de maneira diferente”. Para si a crise resolve-se arregaçando as mangas e sente-se arrependido de alguns casos que não foi capaz de resolver da melhor maneira. Adora os “U2” e não dispensa a sardinha da sua cidade

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância normal. Nasci em Setúbal e tive muitos amigos com muitas brincadeiras e convívio. Andei na antiga escola da Algodeia e depois na Preparatória de Bocage

 

O primeiro amor…

Foi no liceu aos 14 anos. Era uma amiga. Ainda durou 4 meses

 

E o primeiro emprego…

Na Portocel, a limpar o mato com uma enxada na mão. Ganhava-se mal

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu castelo. É pequena e agradável. Tem uma divisão na cozinha que é o ex-libris da casa onde dá para receber os amigos. O espaço exterior é muito giro

 

O que pensa do mundo?

Isso tem a ver com o estado a que estamos a cada momento. Se estamos bem o mundo também nos parece estar bem. Se estamos mal as coisas não estão bem. Mas no geral sinto-me bem com o mundo

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente gostava de estar a um nível um pouco superior. No social e humano acho que sou uma pessoa acarinhada pelos outros. Tento compreender cada pessoa a cada momento. Acho que ainda tenho muito para fazer

 

Como se resolve a crise?

Arregaçar as mangas, olhar para os problemas e ultrapassá-los ou contorná-los. Temos que ter um pensamento mais positivo. A resignação não nos ajuda em nada. Temos que trabalhar com mais ânimo

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem. Não podia ser de maneira diferente. Sou católico e crente

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Muitas. Há certas coisas que não teria feito ou que as faria de outra maneira. Nalguns casos sinto-me arrependido. Algumas situações tento compensar. Sobretudo quando somos novos ainda não temos o discernimento total e a maturidade para decidir em certas situações

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou empresário na mediação imobiliária. Para o futuro tenho dois projetos: fazer crescer a minha empresa “Conctato Directo – Century 21” em Setúbal e criar a minha filha da melhor maneira possível

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Nova York

 

Um livro

Codex (José Rodrigues dos Santos)

 

Uma música

We are one (U2)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Sardinha de Setúbal

 

Um conceito

Dar o nosso melhor sem passar por cima de ninguém

publicado por Joaquim Gouveia às 14:15

05
Nov 13

 

“O MUNDO ESTÁ NUM CONFLITO ENTRE O MATERIAL E O ESPIRITUAL”

 

O Dr. David martins é um reconhecido médico oftalmologista e cirurgião, homem dedicado a causas várias com forte incidência na vida cultural e associativa da nossa região. Nasceu em África, num paraíso como faz questão de sublinhar. Acredita que o mundo está num conflito entre o material e o espiritual e que a crise se resolve com uma maior participação de pessoas sérias e honestas no mundo da politíca. O seu primeiro amor aconteceu aos 15 anos, por uma rapariga finlandesa, na Bélgica. A verdade é o seu principal conceito de vida e um dos objetivos a a que se propõe é a de dar visão a quem a perdeu

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci num paraíso, no coração de África, no interior de Angola, numa Missão Evangélica que os meus pais fundaram no Kwuanza Sul. Era um paraíso porque essa Missão foi fundada no mato, no interior, a 70 km de Porto Amboím, que é uma cidade piscatória. Foi ali que vivi os primeiros 8 anos da minha vida, longe da civilização e as minhas raízes foram entre os nativos de Angola. Estava rodeado pela própria natureza

 

O primeiro amor…

Uma Finlandesa, na Bélgica. Tinha 15 anos e estudava num Instituto Bíbllico. Foi um amor que se desenvolveu durante alguns meses

 

E o primeiro emprego…

Como médico estagiário em Janeiro de 1978, no Serviço Nacional de Saúde, no Hospital de Sta. Maria, em Lisboa. Ganhava cerca de 8 mil escudos( 40 Euros por mês). Com as urgências chegava aos 9 mil escudos

Como é a sua casa? Como a define?

É confortável, sem grandes luxos. A sala é grande e espaçosa. É uma casa com 2 pisos e uma garagem. É um grande refúgio. Vejo a Serra de Sintra e a envolvência da natureza é muito importante. É onde recupero energias

 

O que pensa do mundo?

Sinto uma grande transição desde que amadureci para a vida até hoje. Penso que o mundo actual está num conflito entre o material e o espiritual mas adivinha-se uma grande necessidade do ser humano em parar para reflectir e encontrar o caminho que passa por uma maior procura dos valores da espiritualidade

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Plenamente. Ninguém pode dizer que atingiu a plenitude da realização. Na vida profissional, passei por todas as etapas e tive o privilégio de atravessar e ultrapassar todos os degraus da carreira médica e chegar ao topo. Humanamente, sinto-me realizado apesar de ter passado por periodos de crise que se repercutiram na minha vida pessoal e sentimental. No entanto, Deus ajudou-me a encontrar o caminho e a ser minimamente feliz na medida em que o amor está presente na minha vida, sobretudo com os que têm mais importância que são a minha mãe, os meus filhos, a minha mulher e a família em geral

 

Como se resolve a crise?

Não tenho soluções para a crise mas tenho algumas ideias que passam por uma maior intervenção ativa de pessoas honestas e idóneas dentro e fora dos partidos políticos. Acredito na democracia, mas a intervenção cívica, fora dos partidos políticos assumirá no futuro uma importância que considero fundamental

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Se a própria natureza nos ensina que nada acontece por acaso, na minha opinião, o Universo, o ser Humano e o equilibrio e perfeição que se sentem em tudo o que está à nossa volta, foram para mim, obra de algo ou alguém Omnipotente, Omnipresente e Omnisciente

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Em boa verdade digo que teria mudado algumas coisas.Como Ser Humano, considero humildemente que terei cometido erros de que me arrependo.Por isso, reflectindo sobre o meu passado e se me fosse possível teria corrigido aquilo que considero que poderia ter feito muito melhor

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou médico oftalmologista e o grande desafio é continuar a contribuir para dois grandes objectivos:

Primeiro : Tratar os doentes de forma a recuperar a visão dos que a perderam e, pelo menos nos casos extremos e mais dramáticos impedir a cegueira total e irreversível;

Segundo: Contribuir para o ensino e formação dos colegas considerados meus irmãos pelo Juramento de Hipócrates (o Pai da medicina), sobretudo dos mais jovens médicos

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Conhecer todo o mundo

 

Um livro

A Bíblia

 

Uma música

My way  (Frank Sinatra)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Peixe assado de Setúbal

 

Um conceito

A verdade

 

publicado por Joaquim Gouveia às 13:51

04
Nov 13

 

“SINTO-ME REALIZADO POR SERVIR AS PESSOAS”

 

Álvaro Amaro é, à presente data, presidente da Câmara Municipal de Palmela. Nasceu e passou toda a sua infância e adolescência no Pinhal Novo, onde para além de crescer em ambiente feliz conheceu o seu primeiro emprego nas obras de saneamento da freguesia. Pensa que o mundo está repleto de tradições e que a crise se resolve na formação e educação das pessoas para a cidadania. Deus é uma idéia de bondade e perfeição mas lamenta que Ele não esteja sempre presente nos nossos atos. O seu pai é o seu ídolo e “Feiticeira”, a sua música de eleição

 

Como foi a sua infância?

Uma infância feliz; com a presença, apoio e referências da família, com amigos… entre gente humilde, sem fartura, nem fome. Sem muita coisa… que, afinal, parece não ter feito falta. Um tempo de descobertas, sem perigos e sem receios, em liberdade, entre a aldeia de Pinhal Novo e a sua periferia rural

 

O primeiro amor…

Uma colega de escola, a Dite, filha de uma professora, em 1971, na primeira Escola Preparatória acabada de inaugurar em Palmela. Não fui totalmente correspondido, ela preferia rapazes mais velhos, senti-me um patinho feio, fiquei magoado…  só durante três dias. Risquei-a da lista e passei à(s) seguinte(s)

 

E o primeiro emprego…

Desde muito cedo, 13 anos de idade, trabalhava e ajudava na Papelaria Bet, dos meus pais. Mas o primeiro trabalho remunerado, por conta de outrem,  aconteceu no verão de 1977. Iniciavam-se as obras de saneamento em Pinhal Novo e fui ganhar uns trocos nas férias, abrindo valas para ramais de esgotos, a pá e picareta, desde o coletor de esgotos no centro da rua  à porta das habitações. Eram 400 escudos por ramal.

 

Como é a sua casa? Como a define?

A minha casa é um ninho, um refúgio onde passo pouco tempo. Moro numa casa não muito grande, num espaço agradável, isolado, no meio da ruralidade e da natureza… passo a vida a fazer planos para a remodelar, reparar, a pensar em obras e embelezar o quintal, mas fica tudo adiado para amanhã, pois o pouco tempo que estou em casa tento aproveitá-lo para, descansar, reflectir e usufruir dos afectos da família

 

O que pensa do mundo?

Está repleto de contradições e de injustiças. Temos um planeta fantástico, rico em múltiplos aspectos, com diversidade e povos fantásticos, mas há sempre, em todo lado, uma minoria que o destrói, explora e obsta a que a felicidade seja para todos. O meu sonho é continuar a lutar para transformá-lo

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, sinto-me realizado porque tenho vivido intensamente e feliz com oportunidade de intervir social e profissionalmente para servir as pessoas. Por outro lado, sempre fiz aquilo que gosto, nunca me senti obrigado ou constrangido. O ensino e a política são missões, a música é mais um hobby, embora também uma paixão. Outras actividades que tive, na área comercial, na gestão, na área editorial, entre outras, tudo contribuiu para moldar a minha personalidade…

 

Como se resolve a crise?

Apostando nas pessoas, na sua formação, na educação para a cidadania, no seu talento, em vez de apostar nos agiotas da banca. Apostar na economia, em vez da finança. Apostar na honestidade e na competência, em vez de valorizar a embalagem e o discurso de alguns produtos políticos apodrecidos. Aprofundando a democracia participativa. Resolve-se a crise também com uma distribuição mais justa da riqueza, uma aposta no sector produtivo nacional,  com salários justos que permitam dinamizar a economia, não só com exportações, mas sobretudo com o aumento do consumo interno….

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O homem cria Deuses e Mitos, por vezes para tentar encontrar explicações para coisas ditas inexplicáveis. Deus é uma ideia de bondade, de solidariedade e de perfeição, um conjunto de valores humanistas, uma referência que nos deve nortear nesta passagem pelo mundo. O seu exemplo de sacrifício pela humanidade deveria estar presente em muitas das acções da nossa vida quotidiana. Se assim fosse, o mundo seria mais perfeito. Independentemente do que cada um pensa da religião, ELE está no nosso espírito e nos nossos pensamentos, sobretudo quando egoistamente algo nos faz falta. É pena que não esteja sempre nos nossos atos

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada, só parava o relógio do tempo, pois ainda tenho muito para fazer nesta vida

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Presentemente sou autarca, Presidente da Câmara de Palmela,  a tempo inteiro. O meu projecto para o Futuro é Continuar o Futuro no concelho de Palmela. O meu futuro pouco importa. Importa-me mais o Futuro dos meus concidadãos dos meus filhos

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Ilha de Moçambique

 

Um livro 

A Catedral do Mar (Ildefonso Falcone)

 

Uma música

Feiticeira (Luis Represas)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Feijoada de Búzios

 

Um conceito

Dialéctica

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 03:19

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