Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Mar 15

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“NÃO BEIJEI O ANEL DO BISPO”

 

Entrevista de Joaquim Gouveia

 

Brissos Lino é um pastor protestante que diria “obrigado!”, se encontrasse Jesus Cristo. Nasceu em Lisboa, no Alto do Pina e guarda felizes recordações da sua infância onde, aos 6 anos, evitou beijar o anel ao Bispo, quando este visitou a escola que frequentava. Para si o Homem nasceu para se realizar através de um trabalho criativo e deve, de igual forma, contemplar o descanso. A sua casa é um refúgio e tem do mundo a ideia de que está doente devido à ganância do poder. A crise resolve-se com uma diplomacia forte a nível europeu e com mais sensibilidade social a nível nacional. Não conhece Auschwitz mas não tem dúvidas que é o retrato do quanto pode o Homem atentar contra o seu semalhante. Não tem ídolos e o 5 e o 10 são as suas estrelas da sorte.

 

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Lisboa, no bairro Alto do Pina. O meu pai era funcionário da Carris e a minha mãe empregada doméstica. Lembro-me das minhas brincadeiras com os meus amigos, aos cowboys, os carrinhos de rolamentos, as caricas, enfim brincadeiras na rua. Na escola recordo-me que um dia recebemos a visita da Bispo. Toda a gente lhe beijou o anel. Eu achei aquilo estranho e esgueirei-me e evitei aquele beijo. Tinha 6 anos. Também me lembro de um sapateiro que havia na minha rua e da criançada lhe arreliar a cabeça ao ponto de ele ficar irritado e correr atrás de nós. Só muito mais tarde, já com 18 anos comecei a vir a Setúbal, para namorar a minha mulher.

Não há amor como o primeiro?

O meu primeiro amor foi a minha mulher com quem sou casado há 40 anos. Outras paixonetas anteriores na realidade não foram amor. Neste caso não houve amor como o primeiro e único.

O Homem nasceu para trabalhar?

Diria como o Agostinho da Silva: “O Homem nasceu para criar”. Dentro do trabalho o Homem pode ser criativo. Acho que nascemos para nos realizarmos através de um trabalho criativo.

Minha casa, meu tesouro...

A minha família é o meu tesouro e a minha casa o meu refúgio.

O que pensa do mundo?

Penso que está muito doente devido à ganância e à pulsão do poder. Por outro lado a natureza é uma coisa fantástica e a relação entre as pessoas pode ser altamente estruturante quando saudável. Sou um otimista e estou convencido que ainda há coisas boas para vir e os problemas se vão resolvendo.

Mais vale tarde que nunca?

Penso que sim mas depende das situações, ou seja, tudo deve ter o seu timing certo.

Como se resolve a crise?

Em dois planos. No europeu através de alianças e de uma diplomacia forte no sentido de influenciar a Europa para desenvolver políticas de crescimento em vez do primado financeiro. No caso português através de uma governação competente e sensibilidade social.

... e ao 7º dia Deus descansou!...

O relato da criação é simbólico. Acredito que Deus criou o universo mas não em 7 dias solares. A ideia de descanso é um princípio que é estabelecido para que as pessoas compreendam que não podem só trabalhar.

Pelo sonho é que vamos?

Sim. Sempre que o Homem sonha o mundo pula e avança. Todas as grandes realizações aconteceram porque alguém as sonhou como um ideal e uma possibilidade e, depois trabalhou para as concretizar.

 Que lhe pede o seu coração?

Que seja mais solidário, compreensivo e mais paciente com os que me rodeiam e, por outro lado, que eu seja, também, exigente, com os que têm poder e denunciador das injustiças.

 

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CAIXA DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo, se o encontrasse?

Dizia obrigado!

Conhece Auschwitz?

Não. É o retrato cru das possibilidades do Homem para a prática do mal e o desrespeito pelo semelhante.

Um ídolo

Não tenho

Três objetos indispensáveis

Escova de dentes, computador e telemóvel

A chave do Euromilhões...

11,13,20,24,38 * 5-10

-

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:50

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“A Rádio é a grande paixão da minha vida”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

Jorge Moreira, setubalense radialista há mais de 30 anos na cidade que o viu nascer. Aos 20 anos iniciou a sua carreira militar na Força Aérea em Tancos, tendo seguido para a Base das Lajes nos Açores onde esteve mais de dois anos. Em janeiro de 1980 sofre um acidente na Base Aérea do Montijo, que deixaria marcas definitivas na sua locomoção. 

Após longa recuperação, resolve participar num “casting” da então Rádio Voz de Setúbal, onde nasceu o programa intitulado “Côco Louco”, que fez subir aos palcos de Setúbal grandes nomes da música popular portuguesa como Marco Paulo, Tony Carreira, Trio Odemira, Dino Meira entre outros. No início dos anos 90 recebeu o troféu “Jogos da Rádio”, promovido pela revista dirigida na altura por António Sala.

Jorge Moreira é, actualmente, locutor na Rádio Jornal de Setúbal onde faz um programa de discos pedidos.

 

Como foi a sua infância?

Foi uma infância feliz vivida com os meus amigos, divertíamos com jogos de rua como o “Toque das canas” ou o “Lá vai alho”, “Cinco castelos”, “Jogo da malha”, “Peão”, jogos que hoje estão esquecidos. Hoje não há nada disto, foi tudo esquecido e a vida é outra. Já não se vêem crianças a jogar na rua, por causa dos computadores. Na adolescência, fazíamos bailes particulares e lembro-me de um ter sido muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

O primeiro amor deixa marca e quando se gosta muito, ainda marca mais. O primeiro namoro a sério foi com a mulher dos meus filhos.

O Homem nasceu para trabalhar?         

O homem precisa de se distrair, não pode viver só para trabalhar. Gosto de conviver com os amigos, de dar o meu passeio, adoro pesca porque alivia-me o stress e gosto muito de ouvir música.

Minha casa, meu tesouro…

 Sou muito caseiro, gosto muito de estar em casa. É o meu refúgio. Gosto de ver televisão, adoro cozinhar e considero-me um bom cozinheiro.

O que pensa do Mundo?

O mundo está louco. Os homens não se entendem. Em alguns países, pede-se a paz e a união. Para quê tanta maldade? Estamos cá de passagem, porque não havemos de nos amar uns aos outros, dar-nos bem? Estou farto de ver jovens que se entregam ao terrorismo e matam inocentes. Os idosos e as crianças são as maiores vítimas deste estado a que o mundo chegou. Estou cansado de ver os telejornais que só falam de notícias de desentendimento. Em África, há países onde muitas crianças passam fome e doenças difíceis de tratar. O mundo está louco com a falta de entendimento. Gostava que houvesse paz.

Mais vale tarde do que nunca?

Quando é que é tarde? Nada é que é nada! Desde que se faça algo para trazer benefícios, é sempre tempo de o fazer.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou crente e penso que Deus não descansou, está entre nós. Há alguém que domina isto. As coisas não acontecem por acaso. E se algo de errado nos acontece, é porque estava destinado ser assim.

Pelo sonho é que vamos?

Sonho quase todos os dias e por vezes com situações que acabam por me acontecer. Mas o melhor sonho é o de acordar todos os dias bem disposto e estar pronto para mais um dia de vida.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para ter cuidado com ele. Quando bate mais forte, costumo falar com o meu coração para corresponder aos meus desejos e tenho sempre respostas positivas.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Pedia-lhe que transmitisse aos homens para que se entendessem mais, para que houvesse mais amor e compreensão.

Conhece Auschwitz?

A vergonha da humanidade. Não quero conhecer. Homens, mulheres, crianças e idosos, foram torturados e sofreram muito por causa de um homem que queria dominar o mundo. Como foi possível isto acontecer.

Um Ídolo

Demis Roussus.

Três objectos indispensáveis

Chave de casa,  óculos e dinheiro.

A chave do Euromilhões

1-3-6-19-21 Estrelas 3 e 6

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:48

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“A ambição é o motor para aquilo que queremos ser.”

 

Entrevista de Helena Galvão

 

José Belchior é presidente da junta de Freguesia de Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra. Nasceu em Alvalade do Sado, mas aos 3 anos de idade veio para Setúbal com os pais em busca de uma nova vida. Aqui cresceu e fez a sua formação. O seu percurso como autarca inicia-se com o convite do anterior presidente da junta para o suceder, numa freguesia com componente urbana e rural.

Sempre praticou desporto, mas hoje encontra na agricultura um escape, que proporciona momentos para por as ideias em ordem.

 

Como foi a sua infância?

Uma infância boa dentro de uma família pobre mas feliz. Os meus pais tudo fizeram para me transmitir uma boa vida para que eu vivesse bem. Fui muito feliz.

Não há Amor como o primeiro?

Estou casado há 40 anos, e foi o meu primeiro e amor, deste casamento nasceu uma filha linda.

O Homem nasceu para trabalhar?

O Homem não nasceu só para trabalhar. A vida não é só isto. O Homem tem de ter as suas horas de lazer, tem de ter tempo para dedicar a sua família e para dedicar aos seus amigos e à comunidade.

Minha casa, meu tesouro…

Concordo plenamente. Depois de um dia de trabalho exaustivo, o conforto do lar sabe muito bem.

O que pensa do Mundo?

O Mundo podia ir muito melhor, se não fossem os problemas que somos confrontados todos os dias. Olhamos para um lado e vê-mos situações de riqueza extrema e por outro lado, pobreza extrema. O Mundo seria muito melhor se as guerras não existissem, se não houvesse tanta desigualdade social, se os homens fossem mais compreensivos e mais tolerantes. Não fazemos nada para termos o Mundo que temos, mas a ele não podemos fugir.

Mais vale tarde do que nunca?

Em parte sim. Isto é como o ditado que diz “Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje”. Se eu poder resolver uma situação hoje não vou deixar que essa situação se resolva amanhã.

… e ao 7º dia Deus descansou…

Sou católico mas perdoem-me porque às vezes pergunto-me a mim próprio será que Deus descansou, será que Deus nos acompanha todos os dias, será que não anda um pouco distraído? Se é que Deus existiu ou existe mesmo, acho que não descansou.

Somos confrontados com vários tipos de catástrofes a nível mundial e a humanidade debate-se com tantos problemas que comentamos será que Deus existe e será que não vê este tipo de situação? Mas quando estamos aflitos: Ai valha-nos Deus!

Pelo sonho é que vamos?

 Vou mais pela ambição, é o motor que nos transmite aquilo que nós queremos ser e por vezes temos que fazer força para conseguir os nossos objectivos e essa força só nos é transmitida pela ambição. A minha ambição enquanto presidente de junta de freguesia é a de dotar os meus fregueses de melhores condições de vida para que digam que vale a pena viver na minha freguesia. É isto que me move e a ambição torna-se um sonho. Ambição e sonho andam de mãos dadas.

Que lhe pede o seu coração?

O meu coração pede-me para que todos os dias tudo corra bem. Gerir os destinos de uma freguesia não é fácil. Todos os dias deparamo-nos com situações diferentes e deveríamos contar com elas mas aparece sempre uma que vem baralhar a situação. Por vezes é como um baralho de cartas que parece ser um “volte face”. O meu coração pede-me, mediante esses problemas, que eu tenha capacidade de resposta para as soluções.

A nível pessoal o meu coração pede-me saúde para eu ver crescer os meus netos e a minha família de um modo geral, pede-me saúde para ver crescer tudo o que conquistei até hoje.

 

O SENTIDO DAS PALAVRAS

 

Que diria a Jesus Cristo se o encontrasse?

Sendo católico, e peço desculpa aos católicos, mas diria que Jesus anda um pouco distraído, que tem de estar mais alerta e mais ativo, derivado às desigualdades sociais. Eu não posso tolerar e ver de um lado riqueza excessiva e por outro a  pobreza excessiva. Não posso tolerar que haja situações que hoje vemos na terra de Jesus Cristo que o povo mártir, estou-me a referir à Palestina e a Israel, não posso tolerar as guerras. Não posso tolerar que nos países mais desfavorecidos como no Haiti aconteçam as maiores catástrofes, com tantas crianças abandonadas e a viver miseravelmente que ali aconteça um sismo como ocorreu. Penso que Jesus Cristo deveria estar mais atento. Era isto que lhe gostaria de transmitir.

Conhece Auschwitz?

Não conheço mas gostaria de conhecer para ver o mal que foi feito ao ser humano, para “in loco” ver a crueldade que aquele campo representa em termos de crueldade que foi implantada aquelas pessoas, as atrocidades que foram cometidas à população judaica naquela altura. Esperemos que novos “Auschwitz” não voltem a acontecer na humanidade e aqui voltando à pergunta anterior que Jesus Cristo esteja atento para que novos “Auchwitz” não voltem a acontecer.

Um Ídolo

O meu pai. Por aquilo que eu hoje sou, pela formação que me deu como homem. Lembro-me que quando andava na escola primária o meu pai ajudou-me a aprender a tabuada em 3 dias. Devo tudo ao meu pai e à minha mãe.

Três objectos indispensáveis

A carteira, o telemóvel e a chave de casa.

A chave do Euromilhões

Não jogo no Euromilhões. Não faz parte de mim. Passa-me completamente ao lado.

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:45

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