Entrevistas de JoaQuim Gouveia

20
Mai 18

“LUTO CONTRA A ACOMODAÇÃO”

 

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O Engenheiro Henrique Soares é um homem desde há muito ligado á atividade vitivinícola da nossa região. É presidente da comissão que gere o setor e tem um conhecimento demasiadamente alargado da realidade da vinha, do vinho e do meio rural regional. Nasceu em Vila Franca de Xira, onde conheceu uma envolvência com o campo e a natureza muito intensos. Acredita que Portugal é um oásis no mundo mas com vários problemas sociais por resolver. Não gosta de se instalar e diz que luta conta a acomodação. Chile e Argentina são destinos de eleição e o seu ídolo presente é Fernando Santos, técnico da seleção nacional.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Vila Franca de Xira. Tive uma infância muito feliz, com muito contato com a natureza, com o ar livre e com muito campo. Isso tornou-me uma pessoa mais otimista. Pela infância que tive consigo ver o lado positivo das coisas, das pessoas e da vida. Não hipervalorizo os problemas. Vivi junto da natureza. Na escola fui um bom aluno. Completei a 4ª classe no ano da revolução de 74. Foi uma primária muito exigente. Tive muitos amigos e muitas brincadeiras muito ligadas à festa brava que é tradição lá na terra.

 

O primeiro amor…

Foi algures no início de um verão nos anos 80. Um namoro de verão apenas isso.

 

E o primeiro emprego…

Na quinta da aldeia de Subserra, em Vila Franca. Fazia um pouco de tudo como apanhar fruta, tratar dos animais ou caiar muros. Não me recordo de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu porto seguro. É acolhedora, tranquila, um refúgio. A decoração é ao gosto da minha mulher mas sinto-me muito bem. Fica numa pequena aldeia de Azeitão.


O que pensa do Mundo?

Sou uma pessoa com muitas viagens no passaporte, em particular nos anos 90. O mundo é demasiadamente grande. Penso numa perspetiva daquilo que posso fazer para que ele fique melhor para quem vem depois de nós. Nessa perspetiva Portugal é um oásis mas onde ainda existem vários problemas sociais. Isso é o que mais me preocupa.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Tento não me sentir instalado. Luto contra a acomodação. Não posso dizer que me sinto realizado. Sinto algum grau de realização mas ainda há muito que gostaria de fazer e de realizar.

 

Como se resolve a crise?

Com um somatório de atitudes e realidades. Com preocupação e solidariedade entre todos. Estamos sempre em crise.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi Deus quem criou o Homem. É nisso que acredito. Sou crente e batizado.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

De vez em quando temos que olhar pelo retrovisor mas para mim o mais importante é olhar para a frente. A minha vida está feita até aqui. Pensar nisso é perder tempo e energia.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, diretor da ADREPES e membro da Associação Casa da Baía de Setúbal. Os meus projetos estão ligados a esta zona vitivinícola e ao seu desenvolvimento.



CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Chile e Argentina

 

Um Livro:

Quando Portugal ardeu (Miguel Carvalho)

 

Uma Música:

A matter of trust (Billy Joel)

 

Um Ídolo:

Fernando Santos

 

Um prato:

Salmonetes grelhados

 

Um conceito:

Sempre que se fecha uma porta abre-se algures uma janela

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:19

“O MUNDO ESTÁ CADA VEZ MAIS COMPLICADO

 

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O Comandante Rafael Rodrigues é um angolano radicado no nosso país desde há muito. Se pudesse voltar atrás talvez nunca tivesse feito tal opção pois é grande o amor que sente por Angola. Teve uma infância feliz e o seu primeiro amor revelou-se no 2º ano de Liceu. Coisa própria de jovens. Pensa que o mundo está complicado em resultado dos maus líderes que têm aparecido um pouco por todo o lado. Sente-se um homem realizado na vida. Sobre a crise acredita que é necessária uma civilização assente na competição dos valores humanos e da solidariedade. Para si foi o Homem, que criou Deus, para justificar os seus atos.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Angola. Vivi em Benguela, até vir para Portugal. Tenho memórias muito ricas no aspecto da solidariedade, camaradagem, amizade e sociabilização. Entrávamos na casa uns dos outros como se fosse na nossa. Na escola fui um aluno razoável. Era amigo de todas as crianças. Toda a gente gostava de conviver comigo. Brincávamos à macaca, futebol, ao prego e outros jogos.

 

O primeiro amor...

No segundo ano do liceu. Foi um amor que começou por ser platónico mas que depois esvaneceu. Foi um primeiro despertar do sentimento de gostar do sexo oposto.

 

O primeiro emprego...

No Banco Comercial de Angola, como caixa. Ganhava à volta de 10 contos na altura.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o espaço onde me sinto bem e onde me recomponho em termos psicológicos e físicos.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está cada vez mais complicado e que resulta dos maus líderes que os países escolhem como é o exemplo do Trump, que só por si é um foco de conflito. Temos exemplos próximos de perca de valores morais de políticos mais interessados no poder pelo poder.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto-me sim. Na parte humana tenho uma família com 4 filhos e 6 netos que me completam. Profissionalmente tive sempre oportunidade de escolher o que queria fazer nunca sendo servil, tendo liberdade de escolha do meu rumo.

  

Como se resolve a crise?

Com uma civilização não assente na competição mas em valores humanos, de solidariedade e em valores em que o ser humano está em primeiro lugar e acima dos interesses económicos.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Foi o Homem que criou Deus, para encontrar explicação para o muito de bom e mau que o próprio Homem faz.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez a opção de ter vindo para Portugal, ficando em Angola, apesar de todas as contingências em termos de guerra e da destruição da muita riqueza que Angola tinha.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Estou reformado depois de 576 meses de serviço público. Dou formação na área da segurança em Cabo Verde, de forma gratuita com os custos pagos pelos hotéis que me convidam. Faz parte da minha condição de voluntário a favor de um povo desfavorecido.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Seychelles

 

Livro

O triunfo dos porcos (George Orwell)

 

Uma música

When a man loves a woman  (Percy Sledge)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Cabrito assado no forno com arroz de açafrão

 

Um conceito

Projetar o melhor e esperar o pior

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:08

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