Entrevistas de JoaQuim Gouveia

06
Dez 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

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"HÁ UMA FORÇA SUPERIOR QUE CRIOU ISTO TUDO"

 

José Vigário é presidente do Núcleo Recreativo e Desportivo Ídolos da Praça. Natural de Setúbal, viveu no bairro Santos Nicolau, onde teve uma infância feliz e com muita brincadeira. Filho de pai pescador foi na pesca que conheceu o seu primeiro ofício. Sobre o mundo tem uma visão de que existem muitas guerras e ódios e que o Homem deveria aproveitar o lado bom das coisas. Se pudesse voltar atrás não mudaria nada na sua vida pelo que se sente de bem consigo e com os outros. Gostou de ler A última tentação de Cristo é fã dos Guns´n´Roses e não dispensa um bom cozido à portuguesa.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Setúbal. Nasci no bairro Santos Nicolau, na casa da minha avó, na antiga rua do Ouro. Tive uma infância com muita brincadeira na barreira, com muitos amigos e muito futebol à mistura. Ainda joguei n´Os Amarelos. Andei na escola da Fonte do Lavra, com a professora D. Augusta. Fui um aluno médio. O meu pai era pescador e tinha um barco e a minha mãe trabalhou nas fábricas da conserva e na Eletrónica.

 

O primeiro amor…

Foi complicado. Tinha 16 anos. Namorámos durante algum tempo mas não deu em nada.

 

E o primeiro emprego…

Pescador com o meu pai. Andei alguns anos na pesca. Depois embarquei no navio paquete Funchal.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É a antiga casa dos meus pais. É uma casa acolhedora mas onde passo pouco tempo. É familiar e bastante tranquila.

 

O que pensa do Mundo?

Há muito egoísmo com muitas guerras e ódios. Devíamos fazer algo para mudar os acontecimentos. Também existem coisas positivas como as amizades. Acho que se podia aproveitar melhor o lado bom do mundo que é maravilhoso. Gosto muito de viver e o mundo tem coisas realmente belas.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Estamos sempre a aprender. Não tenho muita razão de queixa. Aquilo que já fiz estava dentro das minhas expetativas. Sinto-me bem comigo e por isso estou de bem com a vida.

 

Como se resolve a crise?

Deveria de existir mais entendimento político entre os governantes e menos corrupção que está na ordem do dia. A riqueza devia de ser dividida. Há uma grande diferença entre ricos e pobres.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico não praticante. Fiz a primeira comunhão e andei na catequese. Penso que há uma força superior que criou isto tudo a quem chamam Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que nada. Tudo o que aconteceu foi por algum motivo. Sempre consegui passar dos maus para os bons momentos e sempre levantei a cabeça. Não me arrependo de nada. Aprendemos com os erros

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Núcleo Recreativo e Desportivo Ídolos da Praça e trabalho na Sesibal, como encarregado de armazém. Pretendo levantar ainda mais o clube, ter mais sucessos desportivos e manter-me no movimento associativo enquanto as pessoas me quiserem.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Londres

 

Um Livro:

A última tentação de Cristo (Níkos Kazantzákis)

 

Uma Música:

November Rain (Guns’n’roses)

 

Um Ídolo:

Jim Morison

 

Um prato:

Cozido à portuguesa

 

Um conceito:

Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:34

05
Dez 18

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"IMPUS-ME PELA MINHA QUALIDADE"

 

O Dr. Julião Adrião é presidente do Grupo Desportivo “Os Amarelos” e médico respeitado na nossa cidade. Nasceu e cresceu no humilde bairro de Santos Nicolau e desde cedo despontou em si o desejo de se tornar médico. Em tempo de dificuldades aproveitou o facto de ser filho único e esforçou-se para conseguir os seus objetivos. Tanto em casa como no seu consultório tem uma decoração alusiva à cidade e à sua própria vida com quadros de pintores setubalenses e outros artefactos. Para si o mundo evoluiu de uma forma espetacular mas lamenta que os governantes não estejam á altura dos acontecimentos. Não acredita em Deus, gosta de visitar Cuba e não dispensa uma boa sardinhada.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Setúbal, do bairro Santos Nicolau. Tive uma infância feliz num bairro de pescadores e com muitas crianças. Naquela altura os casais tinham muitos filhos. O meu pai era pescador e a minha mãe era doméstica. O bairro era muito pobre. Não foi fácil para o meu pai sustentar a família e ter um filho a estudar. Como eu era filho único tive a vantagem de concluir o meu curso. Comecei na escola 19, que era aqui no bairro. Não conhecia as letras e pensei em fugir da escola porque todos os dias levava reguadas e varadas do professor. Andava na fila dos burros. Consegui aprender sózinho e passar de classe. Depois fui para a escola da D. Cremilde e passei a ser o melhor aluno.

 

O primeiro amor…

Talvez por uma colega de curso no Porto, na faculdade. Não deu em nada porque eu era de Setúbal e ela de Trás-os-Montes.

 

E o primeiro emprego…

Nas férias grandes ia trabalhar como pedreiro ou servente. Trabalhei na estiva, ajudante de serralheiro, de jardineiro e outros trabalhos. Ia ao que aparecia. Queria ganhar dinheiro. O primeiro ordenado foi de 60 escudos por semana.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa confortável, bem localizada e decorada à minha maneira e tem por motivo base Setúbal, com muitos quadros do Chora, Francisco Anjos e Vasco Leonardo e tem ainda outros motivos de decoração que me dizem algo da infância e do decurso da minha vida.

 

O que pensa do Mundo?

Tem evoluído espetacularmente a todos os níveis como a longevidade do ser humano e da comunicação. Há 40 anos as expetativas eram completamente diferentes. No entanto continuamos a ter lideres mundiais não formados para a sua função daí os declives no mundo.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Completamente. Vim de um nível de vida muito baixo e com muitas dificuldades. Já no ciclo preparatório dizia que queria ser médico. Na altura era impensável. Lutei e consegui atingir o meu grande objetivo. Impus-me pela minha qualidade.

 

Como se resolve a crise?

Com trabalho, com objetivos bem definidos e sobretudo tem que haver mais eficácia da justiça que é o ponto mais negro do nosso país. A justiça não funciona e dá um sentimento de impunidade a quem tem uma capacidade económica muito grande.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Todas as religiões são criadas pelo Homem, que precisa de algo a que consiga agarrar-se para superar as suas debilidades. As religiões congregam as nossas incertezas perante a vida e a natureza. Foi o Homem quem criou Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Teria evitado a queda que me provocou uma necrose da cabeça do úmero do ombro direito. De resto não me arrependo de nada.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Grupo Desportivo “Os Amarelos” e médico de várias instituições na cidade. Tenho um longo percurso no movimento associativo e quero manter-me em atividade. “Os Amarelos” são uma herança do meu pai que reativou o clube. Espero morrer médico.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Cuba

 

Um Livro:

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma Música:

My Way – Frank Sinatra

 

Um Ídolo:

Cristiano Ronaldo

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Vive de acordo com as tuas possibilidades e fazendo o que não queres que te façam a ti

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 08:40

04
Dez 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"OS RECURSOS DO PLANETA NÃO ESTÃO BEM DIVIDIDOS"

 

Manuel Galrinho é professor no ensino secundário. É ribatejano de santarém, onde frequentou a escola primária, brincou e pescou com o avô no rio Alviela, antes deste “adoecer”. Pensa que os recursos do planeta não estão bem divididos e que a corrupção fomenta as crises. Mantém em atividade a prática da fotografia e do restauro de instrumentos musicais, para além da dança. Não acredita em Deus, não tem ídolos e gosta de ouvir Filipe Glass.

 

Como foi a sua infância?

Sou Ribatejano de Santarém. Vivi em várias aldeias mas a Quinta da Granja marcou-me sobre maneira porque era muito bonita e com paisagens maravilhosas, com riachos e montes com ginjeiras em flor. O meu pai era guarda florestal dessa quinta e a minha mãe trabalhava no campo. Frequentei a escola primária do Sobral, até à 4ª classe. Era um aluno que me interessava imenso pela escola porque já pensava nessa altura que era um meio importante para compreender o mundo. Não tive uma infância de muitos brinquedos que, entretanto, era eu quem os contruía. Ajudava o meu avô na pesca e na horta. Mais tarde o rio Alviela adoeceu e transformou-se num esgoto das empresas da região.

 

O primeiro amor…

Foi um namoro de liceu, uma grande paixão mas que acabou rápido e sem consequências.

 

E o primeiro emprego…

A contar carros. Tinha 14 anos. Não me lembro de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Estou a recuperar uma casa antiga do meu pai que tem 4 andares. Sou eu que tenho feito toda a obra. Foi uma casa pensada para os operários da região.

 

O que pensa do Mundo?

Aos seres humanos com as suas capacidades racionais era possível construir um mundo melhor mas há interesses de vária ordem que fazem vir ao de cima mais o nosso lado egoísta que o nosso lado altruísta. Os recursos do planeta não estão bem divididos. Não estamos a fazer tudo para salvar o planeta da destruição.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente penso que sim porque sou professor que é a profissão que idealizei para mim. Do ponto de vista pessoal também me sinto realizado porque os meus interesses extra profissionais como a fotografia, restauro de instrumentos musicais e dança são atividades que tenho conseguido levar por diante.

 

Como se resolve a crise?

Não sou político nem tenho grandes certezas mas um grande passo seria acabar com a corrupção. Temos riqueza natural para vivermos muito melhor. A corrupção desanima as pessoas.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus, claro. Somos seres limitados e finitos e temos necessidade de acreditar em alguém infinito. Daí vem a crença em Deus. Não sou contra as religiões que desempenham um papel social e existencial importante para quem acredita.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez me tivesse dedicado mais à dança e mais cedo.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Dou aulas de filosofia e psicologia no ensino secundário, restauro violinos e violoncelos e tenho grande prazer na fotografia principalmente ao nível do retrato e quero voltar à dança. Quando me reformar pretendo manter estas atividades com mais tempo.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Islândia

 

Um Livro:

Cem anos de solidão (Gabriel Garcia Márquez)

 

Uma Música:

Sat Yagraha (Filipe Glass)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Polvo à lagareiro

 

Um conceito:

Faz o que queres e sê feliz

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:23

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