Entrevistas de JoaQuim Gouveia

29
Nov 18

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"SE HOUVESSE DEUS ÉRAMOS TODOS IGUAIS"

 

Carlos Sousa é presidente do Clube Desportivo Recreativo e Cultural de Gâmbia. Nasceu em Setúbal, no antigo hospital da cidade mas viveu durante algum tempo em Moçambique. Começou a trabalhar no campo com apenas 11 anos de idade. Pensa que deveria existir mais paz e menos guerras no mundo e que o dinheiro deveria acabar para evitar a ganância desmedida. Sente-se um homem realizado porque atingiu as suas metas. Sobre a crise diz que a riqueza deveria ter melhor distribuição e pensa que se Deus existisse seríamos todos iguais. Gostava de ir a França e o seu ídolo é Eusébio.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Setúbal. Nasci no antigo hospital da cidade. Morei no Sobralinho, até aos 19 anos. Aos 4 anos de idade e até aos 8 vivi em Moçambique, onde fiz a escola primária até à 3ª classe. Entretanto o meu pai apanhou uma doença e acabou por falecer. Eu tinha 11 anos e estudava já na escola comercial. Depois fui trabalhar. Nunca tive uma infância normal com muita brincadeira. Nunca passei fome.

 

O primeiro amor…

Foi pela minha mulher que é o meu único amor.

 

E o primeiro emprego…

Comecei a trabalhar no campo com 11 anos. Ganhava 7,5 escudos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Não é uma casa luxuosa. É uma casa simples e humilde. Temos esta casa à 40 anos. Fui eu que a fiz.

 

O que pensa do Mundo?

Deveria de haver mais paz e menos guerras. O ódio deveria também acabar. As pessoas deviam ser mais honestas. Sou há ignorância. O dinheiro devia acabar para não haver tanta ganância. As guerras são geradas pelos ódios e pelos grandes interesses. As grandes potências vendem armas. São tudo interesses.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me, porque trabalhei toda uma vida e construí uma família dentro daquilo que eram as minhas expectativas.

 

Como se resolve a crise?

Dando mais trabalho e distribuindo melhor a riqueza. Só desta forma se podem resolver as crises. Não há outra maneira.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Eu acredito em Deus mas pelo que vejo no mundo chego à conclusão que não há Deus. Se houvesse Deus éramos todos iguais e não haviam raças nem credos.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Acho que fiz as coisas bem feitas. Nasci assim e assim hei-de morrer.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Clube Desportivo Recreativo e Cultural da Gâmbia e estou reformado. Quero manter-me ao serviço do movimento associativo.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

França

 

Um Livro:

Livro do mundial de futebol de 82

 

Uma Música:

Cante alentejano

 

Um Ídolo:

Eusébio              

 

Um prato:

Dobrada

 

Um conceito:

Solidariedade

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:05

28
Nov 18

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"CADA DIA É UMA AVENTURA"

 

Francisco Cardoso é presidente da Associação de Futebol de Setúbal, órgão máximo da modalidade no nosso distrito. Paralelamente é Provedor da Misericórdia de Palmela e presidente do Secretariado Regional de Setúbal das Misericórdias. A sua vida tem sido dedicada ao associativismo e ao voluntariado. Teve uma infância feliz na vila de Palmela. Iniciou-se no mundo laboral como eletricista numa empresa da Volta da Pedra. Pensa que o mundo deveria ser de partilha e que a crise só se resolve quando o Homem assim o entender. Gostava de visitar as Ilhas maurícias. O seu pai é o seu ídolo.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Palmela. Nasci em casa com a ajuda de uma parteira que assistia à maior parte dos partos na vila. Tive uma infância normal para a época. O meu pai era agricultor, tinha propriedades próprias e a minha mãe era doméstica e ajudava o meu pai nas tarefas agrícolas. A nossa infância era a de brincarmos nas ruas onde jogávamos à bola. A Terra de Pão era o nosso campo de futebol. Andei na escola de S. João, até à 4ª classe. Fui um aluno razoável.

 

O primeiro amor…

Acho que foi a minha mulher.

 

E o primeiro emprego…

Foi na Setel, na Volta da Pedra, em 1978, como eletricista. Ganhava 1100 escudos por dia.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa familiar, muito acolhedora e tranquila à qual dou pouco apoio pela minha atividade de voluntário nas associações e coletividades por onde tenho passado.


O que pensa do Mundo?

Deveria ser mais partilhado, ter mais harmonia entre todos e os que têm mais deveriam repartir com os que têm menos. Isto só acontece na ficção porque na prática não se verifica. O mundo deveria de ser um lugar de concórdia.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Nunca podemos dizer que estamos totalmente realizados porque há sempre novos objetivos por conquistar. Nesta altura estou pré-reformado e com tempo para a Associação de Futebol de Setúbal. Mas não me sinto totalmente realizado. Cada dia é uma aventura.

 

Como se resolve a crise?

Quando o Homem quiser que a crise termine. Se todos colaborarmos isso é possível. É necessário que nos entendamos. Há regiões onde a crise não se manifesta com a mesma intensidade porque as pessoas são bairristas e apoiam as próprias regiões.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou cristão e acredito em Deus, mas sei que é nas horas mais sensíveis em que mais acreditamos porque precisamos de uma paz de espirito que nos ajude.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Poderia retificar algumas coisas que não estivessem totalmente bem feitas. Mas no essencial não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da direção da Associação de Futebol de Setúbal, Provedor da Misericórdia de Palmela e presidente do Secretariado Regional de Setúbal das Misericórdias. Estou na pré-reforma da Caixa Agrícola Entre Tejo e Sado. No futuro pretendo manter a atividade associativista que iniciei com apenas 18 anos e já passaram mais 42. É obra!


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Ilhas Maurícias

 

Um Livro:

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma Música:

Ramones

 

Um Ídolo:

O meu pai

 

Um prato:

Ensopado de enguias

 

Um conceito:

Transparência e sinceridade

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 13:06

27
Nov 18

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"OS POLITICOS TÊM QUE SE ENTENDER"

 

António Pomar é o presidente do Clube Ornitológico de Setúbal. Aos 14 anos iniciou a sua atividade laboral na casa Farelo, local onde ainda hoje se encontra a trabalhar. Diz que teve uma infância feliz, não gostava da matemática e não dispensava uma bola para jogar futebol. Desde que nasceu que viu o mundo em crise e com guerras e, no seu entender, só os governantes podem resolver estes flagelos quando deixarem de estar de costas voltadas entre si. Quer ter mais tempo e dinheiro para viajar. Gosta de ler banda desenhada, de ouvir Demis Russos e comer choco frito.

 

Como foi a sua infância?

Sou de Montemor-o-Novo mas vim para Setúbal, no dia em que nasci. Morei em cajados, onde passei toda a minha infância e frequentei a escola primária até à 4ª classe. Na escola só não gostava da matemática. A minha brincadeira favorita era o futebol, não podia passar sem uma bola.

 

O primeiro amor…

Foi pela mãe da minha filha que é a minha mulher.

 

E o primeiro emprego…

Na casa Farelo, com 14 anos. Vim ganhar 37.500 escudos, o que era um bom ordenado para a época.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Moro num apartamento no Monte belo. Não há casa nenhuma em que viva onde o sol não entre. É uma casa muito acolhedora. Felizmente nada nos falta. Até ver e graças a Deus é uma casa tranquila e agora com a minha neta é ainda muito mais alegre.


O que pensa do Mundo?

Isto não tem melhoras e cada vez está pior com mais crises e mais guerras. Quem irá pagar tudo isto será a nova geração. Desde que nasci sempre vi o mundo em crise, em guerra e sem se entender. O mundo dá mesmo que pensar. Que volta lhe poderemos dar para o melhorar?...

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me. Tive uma infância feliz onde nada me faltou, uma juventude boa e desde que conheci a minha mulher penso que as coisas sempre andaram bem. Só me falta tempo e dinheiro para viajar pelo mundo.

 

Como se resolve a crise?

Tem que haver entendimento entre os governantes que não podem continuar de costas voltadas entre si. O mundo reflete-se disso. Só eles podem resolver o assunto.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus criou o Homem. Sou crente e católico, embora não praticante. Acredito num ser superior que nos criou e que será Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada. Aos 50 anos penso que não tenho razões para querer mudar alguma coisa.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Clube Ornitológico de Setúbal e trabalho, ainda, na Casa farelo. No futuro pretendo viajar.

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Suécia

 

Um Livro:

Banda desenhada

 

Uma Música:

Demis Russos

 

Um Ídolo:

O meu pai

 

Um prato:

Choco frito

 

Um conceito:

Faz o que eu digo mas não faças o que eu faço

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:21

26
Nov 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"A RIQUEZA É QUE FAZ A MISÉRIA"

 

Armando Oliveira é presidente da Comissão de Festas de Tróia e diretor nacional do Apostolado do Mar. Conheceu uma infância feliz ao contrário dos irmãos que tiveram uma vida mais difícil. Frequentou uma escola particular no bairro Santos Nicolau. Começou a trabalhar aos 16 anos no Entreposto Industrial, como aprendiz de serralheiro. Para si o mundo está alterado porque o ser humano é egoísta e ambiciona o poder económico. No seu entender a crise resolve-se quando os governantes olharem para a realidade da vida e para a pobreza. É cristão convicto e acredita que foi Deus, quem criou o Homem. Adora a Caldeira de Tróia, gosta de ouvir Mário Regalado e de comer peixe grelhado.

 

Como foi a sua infância?

Sou de Setúbal, mas os meus pais são oriundos da Murtosa. Éramos uma família com dez irmãos. Eu sou o mais novo. Não posso dizer que tenha tido uma infância má. Foi razoável até tendo em conta a infância dos meus irmãos que, essa sim, foi difícil. Eu já não passei por dificuldades. Frequentei uma escola particular no bairro Santos Nicolau, que era da professora Cremilde. Chamavam-lhe a escola da “lava a cara”. Fui um aluno razoável. Nasci e cresci na zona das Fontainhas, na Travessa da Fantasia e foi ali que brinquei e joguei á bola, ao berlinde, ao pião, aos polícias e ladrões e outras brincadeiras.

 

O primeiro amor…

Era uma amiga da minha mulher. Pedi-a em namoro e ela disse-me que não. Ficámos amigos para a vida.

 

E o primeiro emprego…

Com 16 anos no Entreposto Industrial, como aprendiz de serralheiro. Ganhava 1250 escudos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É acolhedora e faz-nos sentir bem. Não é luxuosa mas humilde com todas as condições para uma vida condigna. Gosto muito de estar em casa onde trabalho nas minhas atividades.


O que pensa do Mundo?

Hoje está alterado porque o ser humano faz as coisas más. Os governantes deveriam ter mais consciência e pensar mais nos outros olhando para os mais necessitados porque as guerras acontecem pela sua ambição do poder económico.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Tive um acidente de trabalho que me levou a interromper a minha vida profissional. Humanamente acho que ainda tenho muito que dar como cristão e como ser humano. Tenho que trabalhar mais para os que necessitam e pensar que os outros também têm que estar bem.

 

Como se resolve a crise?

Os nossos governantes devem olhar para a realidade da vida e para a pobreza. A riqueza é que faz a miséria porque vemos constantemente o perdão aos que mais têm e a tirarem mais à pobreza.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Na minha perspetiva foi Deus quem criou o Homem. Pela infância que tive e pelo conhecimento que me foi dado tudo me leva a crer que essa é a realidade.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Acho que não. Penso que tudo o que fiz foi ponderado. Sinto-me bem com o meu percurso.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da comissão de festas de Tróia e diretor nacional do Apostolado do Mar. Pretendo que estes movimentos tenham mais sucesso e que consiga transmitir às pessoas a minha fé e o meu caminho como cristão.



CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Caldeira de Tróia

 

Um Livro:

Jesus

 

Uma Música:

Rio Azul (Mário Regalado/Laureano Rocha)

 

Um Ídolo:

Jesus Cristo

 

Um prato:

Peixe grelhado

 

Um conceito:

Sentir-me de bem com todos e com a vida

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:15

23
Nov 18

Com o apoio do  HOTEL DO SADO

 

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"O HOMEM É UM PRODUTO DA EVOLUÇÃO CÓSMICA"

 

António Marques é presidente do Clube de Amadores de Pesca de Setúbal. Natural de Casa Branca, guarda várias recordações da infância vivida naquela povoação alentejana, como as brincadeiras nas ruas de terra batida e nos campos e da escola primária excessivamente religiosa. Começou a trabalhar com apenas 19 anos. Pensa que o Homem é um produto da evolução cósmica. Quanto à crise fala em valores planetários e numa resolução pela via de um conjunto de reformas que nos conduzam para uma “metamorfose” da sociedade e do mundo. Para si o Homem criou os deuses imaginando que o poderiam ajudar na vida e na explicação do universo. Gostava de ir a Marte e não tem ídolos.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Casa Branca, Montemor-o-Novo. Aos 10 anos fui morar para o Pinhal Novo. Recordo-me da escola primária em Casa Branca, excessivamente ligada à religiosidade. Penso que fui um bom aluno. Com 9 anos já tinha feito a 4ª classe. Acabei por repetir esse ano porque não tinha idade para fazer o exame. A brincadeira e os jogos de futebol era o que de melhor havia naquela povoação. Brincávamos nas ruas de terra batida e nos campos. Guardo a memória das vivências associadas ao carinho dos meus pais e dos meus vizinhos. Casa Branca era uma autêntica comunidade.

 

O primeiro amor…

Acho que foi com 11 anos. Tive uma pequena paixão por uma rapariga do Pinhal Novo, que nem sequer tinha conhecimento disso. Não fui correspondido porque pouco ou nada falava com ela.

 

E o primeiro emprego…

Foi em 1973 no Ministério da Educação, como Técnico de Projeto de Escolas. Tinha 19 anos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma vivenda numa quinta muito inclinada na encosta da serra de Palmela, próximo do castelo. É uma casa maravilhosa, rodeada de natureza, com vistas fantásticas e sem luxos.

 

O que pensa do Mundo?

A Terra, as plantas e os animais incluindo o Homem são um produto da evolução cósmica.

O ser humano é dotado de uma mente que é uma emergência do corpo na sua interação com o meio (cosmos, biosfera, sociedade…). Essa mente é “sapiens” e “demens”, dotada de sabedoria e de loucura, tal como o mundo em que vivemos.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me bem. A vida aconteceu, não faço avaliações.

 

Como se resolve a crise?

Prefiro falar na crise planetária que é mais lata. As três principais fontes desta crise são a globalização, a ocidentalização e o desenvolvimento. Esta crise engloba várias crises como a técnico- económica, civilizacional, ecológica, das sociedades tradicionais, demográfica, urbana, dos campos, da política, das religiões.... A crise resolve-se com um conjunto de reformas políticas, económicas, sociais, de pensamento, de educação, de vida e de moral, que nos conduzam para uma “metamorfose” da sociedade e do mundo. Se não forem feitas, caminharemos para o abismo.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Os Homens criaram os deuses, imaginando que estes os podiam ajudar nas dificuldades da vida e na explicação do universo.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Clube de Amadores de Pesca de Setúbal e dirigente do Clube Desportivo Pinhalnovense. No futuro pretendo viajar, ler, estar com a família e os amigos e ajudar na luta por um mundo melhor.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Marte

 

Um Livro:

O método (Edgar Morin)

 

Uma Música:

Silk Road- live (Kitaro)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Sargos vicentinos grelhados

 

Um conceito:

Liberdade, Igualdade e Solidariedade

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 11:31

22
Nov 18

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"A MINHA CASA É O MEU LABORATÓRIO"

 

Ricardo Gomes é multicampeão mundial como jogador profissional de jogos de tabuleiro. Para o nosso país tem trazido as mais importantes distinções em termos de jogos de estratégia. Ao mesmo tempo é subdiretor do Hotel Campanile. A sua casa é um autêntico laboratório de treinos e atividade. Começou a trabalhar como jornalista com apenas 15 anos no extinto diário “Correio de Setúbal”. Para si o mundo está em constante mudança mas pensa que o seu futuro é risonho. Está satisfeito com o seu percurso de vida e quer editar mais jogos, reduzir o ritmo competitivo e dedicar-se mais à família. Bora-Bora é destino de eleição e gosta de ler o Guiness Book of Records.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal. Morei na rua 1º de Maio, em plena baixa da cidade. Com 6 anos a minha família mudou-se para os Jardins do Sado, onde passei a minha infância. Joguei á bola, ao berlinde e tive tantas outras brincadeiras na rua. Era um bairro muito tranquilo porque não havia movimento automóvel. Haviam muitas crianças. Fiz a escola primária no Bairro da Conceição, onde fui bom aluno da professora Isabel Palma. Tive uma infância feliz com os meus pais e os meus avós.

 

O primeiro amor…

Tinha sete anos e foi na escola primária por uma colega de turma. Foi um amor ingénuo e de criança.

 

E o primeiro emprego…

Com quinze anos no jornal Correio de Setúbal. Ganhava 50 contos por mês.

 

Como é a sua casa? Como a define?

A minha casa é o meu laboratório de treinos e de criatividade. É uma casa acolhedora com vista para o mundo. Custa-me pensar que um dia tenha que sair daqui.


O que pensa do Mundo?

Como está sempre em constante mudança, o que hoje é, amanhã deixa de o ser. A humanidade costuma dar a melhor resposta às grandes preocupações que vão surgindo, pelo que o futuro é risonho.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me realizado em termos familiares, amorosos, profissionais e naquilo que mais gosto que são os jogos de tabuleiro onde sou multicampeão mundial e tenho já os meus próprios jogos editados. Que mais posso pedir?…

 

Como se resolve a crise?

Qual crise? Estamos sempre em crise. Já nasci com a crise. Em adolescente havia crise e hoje continua a estar tudo mau na mesma, pelo menos na boca do povo.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Fui batizado, fiz a primeira comunhão e andei na catequese. Com o passar dos anos e com os estudos fui passando a acreditar mais na ciência do que na religião e no criador. Não tenho resposta para essa pergunta. Se Deus criou o mundo, quem criou Deus?...

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Podia ter mudado alguma coisa aqui ou ali mas regra geral estou muito satisfeito com os caminhos que escolhi e com o que a vida me proporcionou.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou subdiretor do hotel Campanile, em Setúbal e multicampeão mundial como jogador profissional em jogos de tabuleiro. Pretendo continuar a editar novos jogos de minha autoria, reduzir bastante o ritmo competitivo e dedicar-me mais à minha família.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Bora Bora

 

Um Livro:

Guiness Book of Records

 

Uma Música:

O melhor de mim (Marisa)

 

Um Ídolo:

Dário de Taffoli (autor e escritor italiano de jogos de tabuleiro e livros de estratégia)

 

Um prato:

Arroz de polvo feito pela minha avó

 

Um conceito:

Até ao lavar dos cestos é vindima

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:24

21
Nov 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"O MUNDO VAI CAMBALEANDO DE CRISE EM CRISE"

 

O Dr. José Peres Claro é presidente do Clube de Colecionismo de Setúbal. Nasceu em Estremoz, onde o pai era diretor da Escola Industrial e Comercial, mas veio para Setúbal, com apenas 8 anos de idade. Lembra-se dos tempos de escola e brincadeiras e do seu primeiro emprego como professor nas caldas da Rainha. Pensa que o mundo é um lugar aprazível para os privilegiados da sorte e não sabe por quanto mais tempo o planeta irá aguentar o ser humano com a sua beleza natural. Para si vamos cambaleando de crise em crise sem que esta se resolva. Não culpa Deus pelo mal que nos está a acontecer. Não tem ídolos e gosta de comer Leitão à bairrada.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Estremoz, onde o meu pai era diretor da Escola Industrial e Comercial. Vim para Setúbal, com 8 anos. Sou filho único. Brincava em casa com os amigos da escola e os da rua onde morava. Brincávamos na horta, nas ruas, no adro da Igreja. Lembro-me de ir pela primeira vez à escola acompanhado pelo meu pai. Chovia torrencialmente. Recordo-me das grandes e constantes chuvadas que aconteciam na vila. Na escola fui um bom aluno. A partir da 3ª classe já estava em Setúbal, onde terminei o liceu.

 

O primeiro amor…

Os namoros só começaram na Faculdade. Não me lembro de nenhum em especial. A primeira paixão a sério foi pela minha mulher com quem, aliás, casei.

 

E o primeiro emprego…

Como professor de matemática e ciências naturais em Caldas da Rainha. Não me lembro de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Onde me sinto bem, é uma casa organizada segundo os nossos gostos. Não é a minha casa ideal porque decidimos não morar em vivendas. Tinha que ter um jardim e espaço para bricolage.


O que pensa do Mundo?

É o nosso lar, um lugar maravilhoso pela diversidade e beleza. Não sei por mais quanto tempo o mundo irá aguentar os humanos sendo um lugar aprazível. O mundo tem muitas diferenças como zonas onde se vive muito bem e outras onde isso não é possível. É assustadora a dicotomia entre o muito bom e o muito mau. O mundo é aprazível para os privilegiados da sorte.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me bem com o que fiz. Eventualmente gostava de ter feito mais mas já não tenho genica para me meter em mais atividades.

 

Como se resolve a crise?

A crise não se resolve. Vamos cambaleando de crise em crise, vamos sobrevivendo à espera de um novo salto civilizacional que salve e melhore a humanidade.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou crente e cristão. Creio num Deus e tenho esperança que ele nos ajude a melhorar a nossa condição de humanos. Agora estamos por nossa conta. Não culpo Deus, pelo mal que nos está a acontecer.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

A minha vida tem sido uma experiência positiva. Se pudesse voltar atrás poderia ter experimentado outros caminhos talvez com outros resultados.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou presidente do Clube de Colecionismo de Setúbal, sou colecionador e sou avô. Nunca tenho as minhas coisas completamente arrumadas. Tenho as minhas coleções sempre à minha espera.


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Um destino:

Praia Fernão Veloso (Moçambique)

 

Um Livro:

20 Mil léguas submarinas (Júlio Verne)

 

Uma Música:

Take my breath away (Berlin)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Leitão à bairrada

 

Um conceito:

Respeito cívico

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:00

20
Nov 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"É PRECISO RESPEITAR A IDEIA DO PRÓXIMO"

 

Arlindo Roda é presidente da Federação Portuguesa de Damas. Natural de Leiria veio para Setúbal, ainda jovem e por cá resolveu a sua vida familiar e profissional. A sua casa tem uma palavra de ordem que é a assistência à família. Pensa que poderemos estar na eminência de mais uma guerra mundial difícil de evitar mas que é necessário combatê-la. Acredita num ser superior ao Homem e se pudesse voltar a atrás mudaria algumas circunstâncias da sua vida. Para si a crise resolve-se com entendimentos. Gostava de ir ao Japão, admira a personalidade de Nélson Mandela e não dispensa ouvir Charles Aznavour.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Leria, freguesia de Pousos. Vim para Setúbal, já com 26 anos de idade. Tive uma infância dura porque tive de ajudar os meus pais na lavoura, na vida agrícola. Fazia 7 quilómetros a pé para ir à escola todos os dias mas eu chorei para ir estudar. Era o filho mais velho e tinha que ajudar. Gostava de jogar à bola mas o meu pai não me deixava. Tive pouca brincadeira porque quando terminava as aulas ia logo trabalhar. Os meus pais trabalhavam de sol a sol.

 

O primeiro amor…

Tinha 17 anos quando conheci o meu primeiro amor. Curiosamente, por causa do namorico não participava na oração do terço que o meu pai fazia na nossa casa e obrigatoriamente com a nossa família. Tinha que ser o meu irmão a ir chamar-me.

 

E o primeiro emprego…

Com 16 anos num estágio do curso de montador de eletricista. Comecei por ganhar 10 escudos por dia.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa onde a palavra de ordem fundamental é “assistência familiar”. É uma casa acolhedora e muito tranquila. Tive sempre o associativismo no horizonte e por isso reparti o gosto pela casa com esta nobre causa.


O que pensa do Mundo?

A evolução tecnológica que é muito natural tem alguns contras tendo em conta os tempos em que vivemos. Mas acho isso fruto da própria evolução e da ambição do Homem. Se calhar estamos na eminência de mais uma guerra mundial que é difícil evitar mas necessário combater.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me realizado embora reconheça que poderia estar ainda mais porque há vícios e hábitos que ainda não consegui eliminar.

 

Como se resolve a crise?

Politicamente falando só quando os partidos se convencerem de que é preciso dialogar e respeitar a ideia do próximo sem interesses a não ser os nacionais, acima de tudo.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Durante algum tempo da minha vida pensei nesse tema até talvez por ser católico mas rapidamente achei que não valia a pena pensar no assunto. Acredito num ser superior.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Naturalmente que sim. Existem várias situações que não voltaria a repetir. No entanto, também acredito que continuamos a aprender com os erros, virtudes e vicissitudes.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou presidente da Federação Portuguesa de Damas, que tem sede em Setúbal. Estou reformado. Ainda hoje tento conjugar a minha atividade com a vida familiar. Sinto que tenho a ajuda da família.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Japão

 

Um Livro:

Livros de pedagogia infantil

 

Uma Música:

La Boheme (Charles Aznavour)

 

Um Ídolo:

Nelson Mandela

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Mais calmo e simpático e menos temperamental

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:24

19
Nov 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"VIVEMOS NUM MUNDO MUITO CONTURBADO"

 

Carlos Cabedal é presidente do Clube de Campismo de Setúbal. Embora tenha nascido em Abrantes sente-se um setubalense de gema. Começou a trabalhar com apenas 14 anos nos Serviços Municipalizados de Setúbal e depois na EDP. A sua casa é mesmo o seu porto de abrigo. Para si o mundo vive dias conturbados com ganâncias, guerras e ódios. É crente em Deus e acredita que conseguiu realizar maior parte dos seus sonhos. Pensa que a crise resolve-se com a repartição igualitária dos rendimentos gerais. Os Açores são um destino de eleição, gosta de Pink Floyd e não dispensa um bom prato de choco frito.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Abrantes, mas vim para Setúbal com apenas 5 meses de idade. Como nunca mais saí de cá considero-me um setubalense de gema. Tenho boas e felizes recordações da infância embora com grandes dificuldades próprias da época. Eram tempos difíceis. Andei na escola da Quinta dos Padres, paredes meias com o campo de treinos do Vitória. Fui um aluno dentro da média. Tínhamos brincadeiras tradicionais como o pião, o arco, o prego, o futebol e o hóquei.

 

O primeiro amor…

A minha mulher foi o meu primeiro e único amor.

 

E o primeiro emprego…

O primeiro e único, nos Serviços Municipalizados da Câmara de Setúbal. Comecei com apenas 14 anos e mantive-me até 1980, onde com a nacionalização do setor elétrico passei para a EDP. O meu primeiro ordenado foi de 1100 escudos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É simples e acolhedora com toda a comodidade e conforto. É sem dúvida o meu porto de abrigo. É uma casa familiar.


O que pensa do Mundo?

Vivemos num mundo muito conturbado, de ganância, ódios e guerras, um mundo de presente sem olhar para o futuro. Não me identifico com este mundo. No entanto aprecio a sua beleza e a evolução tecnológica que é utilizada para o bem comum.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Porque acho que realizei a maior parte dos meus sonhos.

 

Como se resolve a crise?

Com uma repartição mais igualitária dos rendimentos de cada um e de cada país porque se existisse uma partilha comum e sem ganância conseguia-se um equilíbrio maior entre os ricos e os pobres.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico e acredito que foi Deus quem criou o Homem. O meu credo é este.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria nada. Acho que o essencial está bem feito. Não há ninguém perfeito mas dentro do que era espectável estou satisfeito.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou presidente do Clube de Campismo de Setúbal e aguardo tranquilamente pela reforma. Não sou pessoa de estar parado mas de forma mais moderada pretendo continuar a servir o associativismo e as suas causas. No que puder servirei sempre o próximo.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Açores

 

Um Livro:

Equador (Miguel Sousa Tavares)

 

Uma Música:

The Wall ( Pink Floyd)

 

Um Ídolo:

Nelson Mandela

 

Um prato:

Choco frito

 

Um conceito:

Não faças aos outros o que não queres que te façam

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 09:26

16
Nov 18

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"O FADO É A MINHA TERAPIA"

 

Eugénio Almeida é fadista amador. Trabalha na bem conhecida Casa Farelo, onde iniciou a sua atividade laboral com apenas 14 anos de idade. Teve uma infância feliz. Pensa que há muita revolta no mundo e que o planeta reage com catástrofes às adversidades e atropelos. Ainda não se sente totalmente realizado porque sabe que tem que atingir outras metas. Quer voltar a ser pai o que o deixaria imensamente feliz. Não sabe o que é viver sem crise e acha que os portugueses são uns vitoriosos porque é necessária coragem para viver neste país. O fado é a sua terapia.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, no Hospital de S. Bernardo e fui criado no Casal das Figueiras. Posso dizer que tive uma infância feliz. Os meus pais sempre se deram muito bem e isso tornou-nos muito felizes. Não fui grande aluno na escola primária mas aprendi o que tinha para aprender. Lembro-me de jogar ao pião, ao ferrinho, ao lá vai alho e outras brincadeiras próprias das crianças.

 

O primeiro amor…

Foi pela mãe das minhas filhas.

 

E o primeiro emprego…

Na casa Farelo. Vim para cá em dezembro de 1983, com 14 anos de idade. Comecei por ganhar 8 contos mensais.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o miminho, onde me sinto mesmo bem. É acolhedora e tranquila. É sem dúvida o meu porto de abrigo. Moro no Montalvão.


O que pensa do Mundo?

Há muita revolta no mundo. O planeta parece estar a dar resposta com tantas catástrofes. As pessoas não entendem que fazem as guerras e outros atropelos ao mundo e que isso se paga caro.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Ainda não. Tenho que atingir outras metas e outros valores. Tenho quatro filhas e dois netos. Gostava de ser pai novamente. Se Deus me conceder essa ventura era um homem imensamente feliz.

 

Como se resolve a crise?

É preciso ter muita coragem para se viver neste país. Os portugueses são uns vitoriosos. A nossa crise é muito grande. Eu já nasci com o país em crise e acho que não sabemos o que é viver sem crise. Desde que me lembro sempre ouvi falar da crise e acho que morrerei a ouvir falar dela

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Creio que Deus criou o Homem. Penso que não viemos ao mundo por acaso.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez mudasse alguma coisa, sobretudo, no início da minha vida.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Trabalho na casa Farelo e sou fadista amador. No futuro quero continuar a cantar o fado que é a minha terapia.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Índia

 

Um Livro:

As 5 pessoas que você encontra no céu (Mitch Albom)

 

Uma Música:

Scorpions

 

Um Ídolo:

Fernando Maurício

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Cuida da tua vida e deixa a dos outros

 

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:32

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