Entrevistas de JoaQuim Gouveia

06
Jan 18

“TODOS NÓS TEMOS UM PAPEL NESTE MUNDO”

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Nuno Gil é um estudioso da gastronomia, nomeadamente a doçaria sendo proprietário da Confeitaria S. Julião. Tem recordações muito gratas dos tempos de infância onde conheceu muitos amigos e brincou pelas ruas da vila de Palmela. Para si a crise é psicológica, não palpável e tem a ver com a educação e a responsabilidade de cada um. É crente em Deus, a quem atribui a criação da Terra, dos animais e da natureza. Para si aquilo que vivemos hoje é o que sonhámos ontem. O bife com batatas fritas da sua avó é o seu prato preferido.

 

Como foi a sua infância?

Recordo-me que morava pertíssimo da escola primária. Lembro-me bem das minhas professoras e dos meus colegas. Tenho muitas recordações das nossas brincadeiras que eram todas feitas na rua. Naquela altura as nossas mães eram domésticas e passavam muito tempo connosco. Haviam sempre muitas crianças nas ruas de Palmela, rapazes e raparigas. Há cerda de dois anos realizámos um jantar de amigos de rua e recordámos os tempos de crianças.

 

O primeiro amor…

Sempre fui um homem de paixões. Mas o meu primeiro amor foi por uma menina da escola primária. Foi um amor inocente. Ainda hoje somos amigos.

 

E o primeiro emprego…

Na Marinha, era maquinista naval. Tinha 20 anos.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Devido á minha situação profissional saio de casa muito cedo e regresso muito tarde. É uma casa boa, acolhedora, com todas as comodidades, compatível, confortável e simples. Tenho lá o meu aconchego.


O que pensa do Mundo?

Podia ser melhor se todos nós fizéssemos a nossa parte que tem a ver com a nossa educação e a responsabilidade com que cada um de nós deve ver o mundo e deve ter para com ele. Se olharmos em nosso redor vemos uma perfeição de Deus. Não devemos estragar o mundo. Hoje o mundo está diferente.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Ainda não. Estou muito longe da perfeição. Contudo reconheço que todos nós temos um papel neste mundo. Este é o meu. Sou uma pessoa multifacetada. Tenho essa capacidade idealista e quando faço algo é para que seja por gosto e paixão.

 

Como se resolve a crise?

Não existe crise. Acho que a crise é psicológica, é algo invisível, é um sentimento que se espalha entre as pessoas. A crise não se vê, não é palpável. A crise tem a ver com a educação e a responsabilidade de cada um e a forma de gerir os seus bens.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi Deus que criou o Homem. Sou crente. Deus é um ser perfeito que criou a Terra, os animais e a natureza. Deus é um sistema perfeito e o Homem é imperfeito.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Em questões profissionais mudaria tudo porque deixei o destino decidir o meu destino. Se fosse hoje seria eu a desenhar o meu destino. O que vivemos hoje é aquilo que sonhámos ontem.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Faço o que gosto de fazer. O meu trabalho está relacionado com a gastronomia, nomeadamente, a doçaria. Sou um estudioso. Oiço os mais antigos e transmito já os meus conhecimentos. Sou proprietário da Confeitaria São Julião. No futuro quero continuar a desenvolver esta atividade.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Madeira

 

Um Livro:

O poder está entre nós

 

Uma Música:

Porque queramos vernos (Matias Damásio)

 

Um Ídolo:

O meu pai

 

Um prato:

Bife com batatas fritas da minha avó

 

Um conceito:

O amor vence tudo

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:21

“ACREDITO QUE NÃO SOMOS EFÉMEROS”

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Nuno Batalha é músico na banda da Armada e dirige vários coros em Setúbal. Começou muito cedo na aprendizagem da música, arte pela qual é apaixonado e tem dedicado a sua vida. Entrou para os quadros permanentes da Marinha, com apenas 18 anos de idade, já com o 8º grau de conservatório. Pensa que o mundo carece de mais atitude e ação e que o Homem não é efémero. Não sabe como resolver a crise mas é feliz porque gere bem as suas finanças. O seu destino preferido é Bora Bora e adora leitão á bairrada.

 

Como foi a sua infância?

Tive uma infância muito feliz. Tive também o meu primeiro contato com a música na Sociedade Humanitária de Palmela, vila onde morava. Comecei logo aos 6 anos e aos 8 já tocava na banda filarmónica dessa sociedade. Na verdade, eu queria tocar clarinete, mas como tinha a mão pequena não conseguia e por isso tive de tocar requinta durante bastante tempo. Na escola fui um excelente aluno em termos de aproveitamento. Quando cheguei à primária já lia, escrevia e fazia contas. Talvez por isso, em termos de comportamento não fui um excelente exemplo. De resto, tinha imensos amigos e, para além da música, o meu passatempo preferido era jogar futebol.

 

O primeiro amor…

Foi uma vizinha. Tinha 10 anos. Brincávamos aos namorados.

 

E o primeiro emprego…

Foi a Marinha. Com 18 anos, depois de terminar o 12º ano de escolaridade e o 8º grau de conservatório. Os meus pais permitiram que optasse por continuar a estudar ou ir trabalhar. Como o gosto pela música já era muito intrínseco optei por concorrer a uma vaga na Banda da Armada, para onde entrei para os quadros permanentes.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um espaço familiar e acolhedor que por questões de trabalho acaba quase por ser um dormitório por passar lá muito menos tempo do que gostaria. No entanto é um espaço imprescindível na minha vida onde tenho oportunidade de refletir sobre os projetos profissionais e pessoais.


O que pensa do Mundo?

Acho que carece de mais atitude e ação do que de teorização sobre a melhoria de vida do ser humano. O desenvolvimento da nossa humanidade não acompanhou o desenvolvimento intelectual. Existe demasiada gente prepotente, egocêntrica e invejosa.

 

 

 

 

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Diz-se que todo o ser humano deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Acho que prescindo do livro. No entanto, ainda me falta percorrer um longo caminho. A minha atividade profissional permite ao público apenas o bem-estar momentâneo. Adorava que esse efeito fosse mais duradouro nas pessoas. Dessa forma sentiria que a minha contribuição para a humanidade seria bem mais significativa.

 

Como se resolve a crise?

Não sei. É suficientemente gratificante para mim saber gerir bem as minhas finanças.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Acredito que não somos efémeros. Sou crente.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não mudaria absolutamente nada. Se voltasse atrás as minhas experiências e vivências seriam as mesmas, portanto tomaria exatamente as mesmas opções.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou músico da Banda da Armada. Dirijo o Coral Infantil de Setúbal, o Coro Feminino TuttiEncantus, o Coro do Município de Setúbal, sou maestro adjunto do Coro Setúbal Voz e colaboro com a Divisão de Cultura da Câmara Municipal de Setúbal. Para além disso tenho duas filhas. O futuro vou construindo com base na minha felicidade e na felicidade das minhas filhas.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Bora Bora

 

Um Livro:

Um (Richard Bach)

 

Uma Música:

Sinfonia nº 8 (Mahler)

 

Um Ídolo:

Não idolatro

 

Um prato:

Leitão à Bairrada

 

Um conceito:

“Inside my heart is breaking, my make-up may be flaking but my smile still stays on”

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:17

“SÓ JUNTOS PODEMOS ULTRAPASSAR QUALQUER CRISE”

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Mário Leandro tem o propósito na vida de levar o seu FC Setúbal, o mais longe possível. Fundador, dirigente e treinador do clube emprega todos os esforços numa caminhada que o enche de orgulho querendo oferecer à cidade um clube novo e dinâmico. Esteve imigrado no Luxemburgo, durante alguns anos da sua vida. Tem recordações muito gratas da sua infância ao lado dos pais e do irmão. Tem o sonho de mudar o mundo e ganhar muito dinheiro para investir nos mais carenciados. Para si a crise só se ultrapassa com a reação de todos. No seu entender Deus é magnífico e embora seja crente não perfilha qualquer religião. Setúbal é o seu destino preferido

 

Como foi a sua infância?

Nasci no hospital de Santa Maria, em Lisboa, em 1964, ás 08:30h da manhã. Tenho memórias entre os 6 e os 10 anos. A entrada na escola que, no entanto, frequentei pouco durante os dois primeiros anos. Ía à pesca, aos pássaros, comer fruta nas árvores e muita brincadeira. No entanto passei todos os anos. Nunca reprovei. Os meus pais vendiam peixe de porta a porta e depois estabeleceram-se na praça do Pinhal Novo e mais tarde em Setúbal. Tive sempre muita liberdade. Tenho um irmão. Em 1974 fomos para o Luxemburgo, como imigrantes clandestinos.

 

O primeiro amor…

Penso que tinha 17 anos. Foi no liceu com uma italiana de Roma. Mais tarde voltei a encontrá-la. Foi apenas um namoro de juventude.

 

E o primeiro emprego…

Num banco, no Luxemburgo, na parte informática. Ganhava 500 euros.

 

Como é a sua casa? Como a define?

A minha casa é a minha família. É muito acolhedora. É uma casa aberta a todos. O ponto mais forte dos setubalenses é o acolhimento. Sinto-me muito bem na minha casa. A decoração está ao gosto da minha mulher.


O que pensa do Mundo?

O meu sonho é mudar o mundo. Um dia quero ganhar 10 milhões de euros com o futebol e pegar em 5 milhões e investir nas situações mais carenciadas. Ou seja, ajudar quem mais precisa e sobretudo sensibilizar todos os grandes bilionários para se juntarem a essa causa.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Em parte sim, pela família que tenho e pelo percurso realizado. Tive um acidente de percurso que transformou de certa forma a minha vida. No entanto luto para que as coisas resultem e consiga ultrapassar esse incidente.

 

Como se resolve a crise?

Temos que acordar, temos que reagir. Só juntos podemos ultrapassar qualquer crise, seja económica, seja de valores. Tem que haver reação de todos.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Deus é magnífico. Deus é tudo e deu-nos tudo. Nós não temos nada para lhe dar. Deus é o criador. Sou crente mas não tenho religião.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Agora não vale a pena pensar nisso. Já não posso mudar nada. Tinha que pensar muito bem, mas agora já não penso mais. O que está feito, feito está.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou fundador, presidente e treinador do F.C. Setúbal. Por outro lado, sou também empresário do ramo automóvel. A minha motivação passa pelo facto de querer ver os outros felizes.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Setúbal

 

Um Livro:

A Bíblia

 

Uma Música:

I got you under my skin (Frank Sinatra)

 

Um Ídolo:

Deus

 

Um prato:

Lulas grelhadas

 

Um conceito:

Levar a vida da forma mais simples possível

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:07

“O HOMEM TEM QUE OLHAR PARA SI E RESPEITAR-SE”

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Manuel Véstias nasceu num monte alentejano. Privou com muitas limitações e começou a trabalhar muito cedo. Os seus pais eram analfabetos mas muito importantes na forma como desenvolveu o seu crescimento. Na escola foi um aluno razoável e no mundo laboral tem realizado o seu caminho a preceito. É autarca, técnico de qualidade e pequeno empresário. Não é crente e por isso acredita que foi o Homem quem criou o enigma chamado Deus. Depois de cumprir o seu atual mandato na autarquia do Sado, sente-se com coragem para abraçar projetos sociais. Álvaro Cunhal é o seu ídolo.

Como foi a sua infância?

Sou natural do concelho do Alandroal, Santiago Maior, distrito de Évora. Nasci no monte Alto, monte alentejano. A minha mãe era criada de servir e o meu pai trabalhador agrícola. Fiz a escola num local que se chama Seixo. Fui um aluno razoável. Os meus pais eram analfabetos. Existiam muitas dificuldades a todos os níveis. Felizmente nunca passei fome mas tive uma infância com muitas limitações. Tínhamos uma alimentação sem frigorífico. Não havia casas de banho, nem luz elétrica. Tínhamos um fogão a petróleo. Trabalhava-se muito, de sol a sol. Vivi tudo isto e hoje sinto uma certa revolta.

 

O primeiro amor…

Não foi a minha mulher, foi uma rapariga que era vizinha da minha tia que vivia a 5 km de distância. Ainda namorámos algum tempo. Eu era bastante namoriscadeiro mas com responsabilidade. Sou casado há 35 anos.

 

E o primeiro emprego…

Desde que me lembre sempre trabalhei. Depois da escola primária não quis continuar os estudos e aos 11 anos fui guardar vacas com o meu pai. Ganhava 500 escudos por mês.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Vivo numa cooperativa de habitação numa moradia de habitação social. Tenho um quintal com horta e com árvores. É uma casa muito acolhedora de portas abertas para a família e para os amigos. Tenho todas as condições necessárias a uma boa vivência.


O que pensa do Mundo?

Olho para o mundo com muita preocupação. Quem está neste planeta não se respeita. Quando nascemos não temos nada e passamos a usufruir dos bens familiares. O Homem tem que olhar para si e respeitar-se e inventar a sua sobrevivência. Preocupa-me a fome, a guerra, a poluição e a exploração do Homem pelo Homem.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sem dúvida e muito afirmativo. A partir do momento em que fui tropa sempre trabalhei por conta de outrém. Estive sempre ligado ao movimento associativo. Sou do Partido Comunista Português desde 1982 e autarca desde 1997. Sou um homem realizado e de bem com a vida.

 

Como se resolve a crise?

Olhando para o país com investimento que terá que ser superior às amortizações. A nossa competitividade deve ser ativa e atualizada. Os investimentos têm que criar empregabilidade que gera consumo. Os empresários têm que ser dignos e de referência e gerar postos de trabalhos dignos.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Não sou crente. Acredito no Homem. Acho que foi o Homem quem criou esse enigma.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não quero voltar atrás. Nunca me senti perdido. Só se fosse para recuperar a minha mãe. Só nesse sentido.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente da Junta de Freguesia do Sado, trabalho na AutoEuropa, como técnico de qualidade e sou micropequeno empresário. Sou um homem de desafios. Estou no último mandato na junta que quero levar até ao fim sempre com a mesma dignidade e humildade. Depois, certamente aparecerão projetos sociais para realizar.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Cabanas de Tavira

 

Um Livro:

Paredes de Vidro (Álvaro Cunhal)

 

Uma Música:

Grândola Vila Morena (José Afonso)

 

Um Ídolo:

Álvaro Cunhal

 

Um prato:

Açorda de alho com sardinhas assadas

 

Um conceito:

Respeitar os outros

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:04

“QUERO CONTINUAR A TRABALHAR COM AFINCO”

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Gilcimar Silva é um jovem empresário de Minas Gerais, no Brasil radicado em Setúbal, onde é proprietário de um estabelecimento comercial. Filho de pai analfabeto e de mãe doméstica sentiu os tempos difíceis que a infância lhe reservou. No entanto teve bom aproveitamento escolar tendo tirado licenciatura. Pensa que o mundo está a caminhar para um caminho sem volta e que a crise só se resolve dando condições às pessoas. Não é crente em Deus, apesar de acreditar que existe algo acima do Homem. Adora Setúbal e o seu ídolo é Ayrton Senna.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Minas Gerais, no Brasil mas sempre vivi na cidade de Vitória, no estado do Espírito Santo. Tive uma infância dura com tempos difíceis. Sou filho de pai analfabeto e de mãe doméstica. Ganhavam pouco e tinham três filhos para sustentar. Na escola fui sempre um bom aluno. Nunca chumbei até ao 12º ano. Concluí a minha licenciatura. Brincava bastante com os meus amigos. Lembro-me de viver numa barraca em cima de um manguesal.

 

O primeiro amor…

Foi uma amiga de escola. Tinha doze anos. Foram apenas uns beijos inocentes.

 

E o primeiro emprego…

A carregar areia em carros de mão para os quintais das pessoas. Tinha dez anos e ganhava 10 centavos de real.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa acolhedora onde mora uma família feliz. É o meu porto de abrigo. É uma casa simples e muito tranquila.


O que pensa do Mundo?

Está a caminhar para um caminho sem volta porque a sociedade está a idealizar algo que não faz com que tenhamos expectativa de um futuro melhor.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Tendo em conta a minha infância e o curto percurso pessoal e profissional e académico, ser licenciado aos 32 anos e dar emprego a várias pessoas torna-me um homem realizado.

 

Como se resolve a crise?

Dando condições às pessoas. Os países fazem-se com as pessoas em primeiro lugar. Só faz sentido falar em resolver a crise se falarmos nas pessoas.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O Homem criou Deus. Não sou ateu mas também não acredito em Deus. Acredito que há algo acima de nós mas não neste Deus de que falam.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Acredito que fiz tudo bem feito.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou empresário da restauração. Quero continuar a trabalhar com afinco como até aqui.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Setúbal

 

Um Livro:

A Culpa é das Estrelas (John Green)

 

Uma Música:

Love by grace (Lara Fabian)

 

Um Ídolo:

Ayrton Senna

 

Um prato:

Entremeada grelhada

 

Um conceito:

Cá se faz, cá se paga

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:59

“ENTENDO QUE A VIDA É O PERCURSO DE CADA UM”

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Francisco Casas Novas é natural do concelho de Arraiolos. Depois de uma passagem por Lisboa acabou por se fixar em Setúbal e aqui levar por diante o seu projeto de vida. Teve uma infância feliz e de certo modo privilegiada. Foi bancário mas a sua grande paixão terá sido sempre o jornalismo desportivo. Começou por escrever para o antigo Mundo Desportivo e, mais tarde fixou a sua escrita n´O Setubalense. Sobre o mundo pensa que está muito conturbado e sobre a melhor resolução para a crise apela ao sentido de equilíbrio. Indira Ghandi é a personalidade que mais admira.

Como foi a sua infância?

Tive uma infância perfeitamente normal e feliz. Vivia na aldeia pobre onde nasci em São Gregório, no concelho de Arraiolos. Os meus pais eram pequenos comerciantes. Somos 3 irmãos. Muito cedo comecei a ganhar apetência pelo aspeto social porque nós vivíamos bem em relação à maior parte das pessoas da aldeia. Naquela altura eu e os meus irmãos éramos os únicos rapazes que tínhamos botas para calçar. As outras crianças andavam descalças. Os meus pais tinham uma padaria e uma pequena tasca e na altura já fiavam ás pessoas que pagavam no fim do mês. As pessoas eram muito sérias. Eu fui o primeiro jovem que saiu da escola primária e continuou os estudos. Fui um bom aluno. Tive muita brincadeira. Gostava muito de jogar hóquei em patins, sem patins como se fazia na altura.

 

O primeiro amor…

Uma rapariga que andava comigo na escola primária. Namorámos até aos 16 anos. Foi uma relação que durou 6 anos. Ficámos amigos mas cada um seguiu o seu caminho.

 

E o primeiro emprego…

Nos correios do Aeroporto, em Lisboa. Penso que ganhava 3 contos e 300. Só trabalhava à noite. De dia aproveitava para escrever para o jornal Mundo Desportivo.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa normal onde tento que nada falte em termos de conforto. Hoje vivo só com a minha mulher, temos os filhos criados. É uma casa confortável onde nos sentimos muito bem. É o meu refúgio.


O que pensa do Mundo?

Hoje é muito conturbado. Penso que estamos a viver uma transformação muito grande do mundo. Estamos a atravessar os efeitos de mais uma mudança importante depois do aparecimento do fogo, da energia, do bronze, etc., hoje vivemos os tempos da informática e da tecnologia. É um mundo apaixonante mas permite o mau uso da informática como a alienação que pode trazer o lado negativo de uma coisa que é mesmo apaixonante. A tecnologia é uma ferramenta também ao alcance das forças negativas que atingem fins e influenciam de forma negativa a própria sociedade.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Profissionalmente fui um bancário que atingiu um ponto máximo possível subindo pulso a pulso. Humanamente continuei a fazer o que mais gostava que era o jornalismo, primeiro no Mundo Desportivo e depois n´O Setubalense, a convite do Armando Trindade. Depois tive um bom casamento o qual gerou dois filhos maravilhosos que têm a sua vida estabilizada.

 

Como se resolve a crise?

Se todos os cidadãos participarem ativamente na sociedade com sentido de equilíbrio. As pessoas muitas vezes só reclamam os direitos esquecendo os deveres. Isso ajudaria bastante a resolver o problema com o dever da cidadania. Não podemos perder o sentido humanístico. Para lá dos números existe também a análise das pessoas. É necessário equilíbrio.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Só sei que nada sei e respeito todas as correntes de opinião salvaguardando a não entrada no radicalismo.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Sou uma pessoa feliz. Entendo que a vida é um percurso de cada um. No essencial não mudava nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

A doença grave que me atingiu reforçou-me a ideia que já tinha que é a de saber viver o presente porque estamos no último ciclo. Hoje estou num circulo de paz comigo próprio e com os outros e tranquilo sobretudo porque aprendi que a vida é tão efémera que não vale a pena confrontar-me com coisas que às vezes até considero ridículas.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Itália

 

Um Livro:

Cem Dias de Solidão (Gabriel Garcia Marquez)

 

Uma Música:

Nascer Selvagem (Ressitência)

 

Um Ídolo:

Indira Ghandi

 

Um prato:

Caldeirada de bacalhau

 

Um conceito:

A humildade é conceito sempre presente

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:54

“SEMPRE ME ENTREGUEI COM LEALDADE E EMPENHO”

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Carlos Pésinho nasceu em Setúbal mas radicou-se na vila de Palmela, onde foi autarca. Aos cinco anos de idade já sabia ler e escrever e dar o lanche a um colega que passava necessidades. Seriedade, honestidade e solidariedade fazem parte do seu estatuto de integridade. É um apaixonado pela leitura. Diz que é necessário esperar pelas gerações vindouras para acabar com as crises e que o mundo está bastante conturbado. Não se arrepende do percurso que trilhou. Hoje está reformado mas muito ativo. Álvaro Cunhal é o seu ídolo, gosta de ouvir Carlos do Carmo e não dispensa um bom cozido à portuguesa.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Setúbal, na freguesia de Sta. Maria da Graça. Recordo-me bastante do meu avô Flávio Pésinho, que me ensinou os princípios da seriedade, da honestidade e do respeito. Frequentei as aulas de uma mestra que me ensinou a ler e a escrever de tal maneira que aos 5 anos de idade já lia o jornal “O Setubalense”, ao meu avô e depois já era eu quem corrigia os testes dos meus colegas. Tinha muitos amigos. Lembro-me que dava o meu lanche a um sobrinho da mestra que tinha muitas necessidades. Brincava com os rapazes da minha rua ao berlinde, futebol e outros jogos.

 

O primeiro amor...

Era a filha de um marítimo, muito bonita. Eu devia ter 12 anos e ela era um pouco mais velha. Fui correspondido mas o namoro não durou muito tempo.

 

O primeiro emprego...

Na oficina automóvel do meu tio. Ganhava 20 escudos por semana.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa acolhedora e agradável. É o meu refúgio onde me sinto bastante bem.

 

O que pensa do mundo?

Está bastante conturbado. Infelizmente não há líderes à altura para o apaziguamento. Mas há exceções e quero falar das nossas famílias, da minha e dos meus filhos. Somos um exemplo de solidariedade e fraternidade.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

A cem por cento. De todas as mudanças que fiz não me arrependo de nenhuma. Sempre me entreguei com lealdade e empenho.

  

Como se resolve a crise?

É necessária uma nova mentalidade das gerações vindouras. Pelo menos é nisso que deposito esperança.

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Descendo de uma família católica mas hoje coloco reservas à existência de um deus que não ilumina os Homens para o desarmamento e para o fim da fome no mundo.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tal como referi numa questão anterior não mudaria nada. Tudo o que fiz foi de acordo com a minha consciência.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Estou reformado mas não parado. Faço caminhadas, leio, escrevo, faço bricolage e convivo com a família e os amigos.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Trilogia: Palmela, Setúbal e Algarve

 

Livro

Rumo à vitória (Álvaro Cunhal)

 

Uma música

Canoas do Tejo (Carlos do Carmo)

 

Um ídolo

Álvaro Cunhal

 

Um prato

Cozido à portuguesa

 

Um conceito

Seriedade, honestidade e solidariedade

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:51

“O IMPORTANTE NÃO É O DESTINO MAS A VIAGEM”

Foto.jpgO Dr. Arlindo Mota é um beirão radicado em Setúbal, desde há muitos anos. Frequentou a escola dos Ferroviários, em Moscavide, onde morou na infância. Ali conheceu Vitor Constâncio e, mais tarde, nos seus tempos académicos privou com diversas personalidades da política e da cultura nacional. Foi sócio de uma livraria onde conheceu o seu primeiro emprego. Não arrisca previsões sobre o mundo e pensa que a grande dúvida está no posicionamento da sociedade perante a inteligência artificial. Adora a obra de José Afonso e de Aquilino Ribeiro. É adepto da chanfana beirã, não tem ídolos e o seu destino preferido é Itália.

 

Como foi a sua infância?

Nasci no Troviscal, Oliveira do Bairro. A minha família foi morar para Lisboa, quando eu tinha um ano de idade. Morávamos em Campolide, onde estudei na escola dos Ferroviários, onde fui um bom aluno. O meu pai acompanhava-me muito nos estudos. Praticava basquetebol e ginástica. Recordo-me de brincadeiras como o jogo da carica, berlinde e o andar ao arco, entre outros. Fui colega do Victor Constâncio, que também frequentava a mesma escola.

 

O primeiro amor...

Tenho um pequeno texto sobre o tema. Foi um amor pueril, próprio da idade.

 

O primeiro emprego...

Fui sócio de uma livraria em Moscavide, que depois passou para perto da Portugália e que se chamava “A corda”.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um apartamento de classe média, confortável, onde tenho um escritório privado.

 

O que pensa do mundo?

A minha vida é como a metáfora da escada em caracol onde em cada degrau o mundo se torna mais vasto e eventualmente menos próximo. Pensamos que o que era preto é cinzento e o branco tem máculas. Isto significa o preço da maturidade. Hoje são mais os fatores de opacidade que os de transparência. O mundo hoje é muito mais complexo onde é difícil arriscar qualquer previsão.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto que tenho tido uma vida extremamente preenchida onde tive oportunidade de conhecer muita gente de qualidade. Mas entendo todos estes percursos como o importante não é o destino mas a viagem.

  

Como se resolve a crise?

Há crise em todos os momentos. Tendo uma visão da história sempre houve crises. Os valores e as economias alteram-se. Estamos a viver um momento de inquietação, de positividade, um momento em que as pessoas se sentem cansadas e não sabem porquê. Hoje estamos numa sociedade líquida. Neste momento o grande desafio é perceber como é que a sociedade se vai posicionar perante a inteligência artificial.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Não tenho convicções absolutas. Estou numa posição de reflecção permanente relativamente ao fenómeno que é a existência de um ser sobrenatural sendo que tal facto, existência ou não existência, não altera os meus valores. Não tenho certezas mas mantenho uma visão de grande compreensão sobre um fenómeno humano que é o da religiosidade.

 

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Tive a angústia de viver um período muito difícil mas muito rico da nossa história. Atravessei uma ditadura estando do lado do “não”. Fui dirigente estudantil. Vivi o fim do fascismo e o começo da democracia de Abril. Vivi o aparecimento dos partidos políticos. Obviamente mudava alguma coisa mas teria que ter o poder que é atribuído a Deus. No fundamental creio que tive uma vida coerente e empenhada pautada em valores de índole simultaneamente rural e cosmopolita.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou presidente da Universidade Sénior de Setúbal. Sempre fui um construtor de projetos. Valorizo as instituições a que pertenço e aprofundo os diversos projetos de escrita ficcionais ou de investigação em que estou permanentemente empenhado.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Itália

 

Livro

A grande casa de Romarigães (Aquilino Ribeiro)

 

Uma música

A obra de José Afonso

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Chanfana Beirã

 

Um conceito

Honestidade, transparência e coerência no respeito pelos outros

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:46

“ESTIVE SEMPRE LIGADO ÀS INSTITUIÇÕES, ÀS PESSOAS E À CIDADE”

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António Alves sente-se um homem realizado na plenitude da sua vida profissional e pessoal. Sente que sempre esteve ligado às instituições, às pessoas e à cidade de Setúbal, através dos inúmeros cargos que desempenhou vida fora. Nasceu em Vendas Novas, mas rumou à nossa cidade, com apenas três anos de idade. Frequentou a antiga escola do Sousa e o Colégio Frei Agostinho da Cruz. Viajou pelo mundo mas sempre privilegiou o regresso a casa e à cidade. É um homem de fé mas acredita que é necessário ter cuidado com as novas tecnologias que podem abalar a fé do Homem.

 

Como foi a sua infância?

Tive uma infância feliz, embora a época difícil que se vivia não ajudasse muito. Nasci em Vendas-Novas, em 1932. Vim para Setúbal com 3 anos de idade e não mais saí daqui. Frequentei a antiga Escola Primária do Sousa, onde fui bom aluno. Tirei o curso Geral de Comércio e frequentei o Colégio Frei Agostinho da Cruz para fazer exame ao Instituto Comercial de Lisboa. Fui sempre criança de brincar na rua com os muitos amigos que sempre tive (jogávamos á bola, ao eixo-rebaldeixo e outras brincadeiras da época). Tenho 2 irmãos. Naquela tempo a cidade tinha cêrca de 30 mil habitantes e todos nos conhecíamos.

 

O primeiro amor…

Foi um namoro de criança que se perdeu nas brincadeiras do tempo…

 

E o primeiro emprego…

Foi como responsável por dois barcos pesqueiros pertença do grupo Banco Borges & Irmão. Foi uma experiência dignificante onde conheci e senti os problemas e a vida difícil dos nossos pescadores.  Quanto a vencimento não tenho presente o valor.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa acolhedora no centro da cidade. Tem uma decoração simples, que sempre esteve a cargo da minha mulher


O que pensa do Mundo?

Penso muito mal. A europa deveria ser uma UNIÃO de países que justificasse uma vida económica mais coesa, mais solidaria e, portanto, mais calma e melhor. O Mundo e os blocos que o constituem vai passar por alguns desentendimentos face á China, a Rússia, é Índia e ao Brasil, com Angola na peugada.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Totalmente. Acho que também tive alguma sorte no caminho. Toda a minha vida esteve ligada á água, desde os tempos de escola em que tomava banho na doca. Quando chegou a idade mais adulta, fui director do Clube Naval Setubalense e quando trabalhei no Grupo CUF a minha ligação profissional foi com navios e o Cais das Fábricas do Barreiro. Na sequência fui Administrador da Socarmar, empesa operadora de Cargas e Descargas de navios no Porto de Lisboa e, aqui em Setubal, como Administrador da Setefrete, empresa de Operações Portuárias. Como vê sempre actividades ligadas ao mar (água).

 

Como se resolve a crise?

Tudo seria evitado se não tivéssemos entrado na União Europeia, embora considere que, hoje, já não era possível vivermos fora dela.Em minha opinião a Europa devia ter-nos ajudado a minorar a crise mas optou por nos fazer exigências que não podíamos nem podemos aceitar. Devíamos ser respeitados pelos países que estão connosco na EU, com soluções mais solidárias (empréstimos a juros comportáveis e aceitáveis) que nos permitissem desenvolver investimentos e desenvolvimento económico e a criação de postos de trabalho, para dignidade das pessoas que tiveram de estender a mão á caridade.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou um Homem de Fé e acredito que há algo muito superior a nós a quem chamamos Deus. Mas o Homem sempre quis ser livre e mostrar que está de passagem pela Terra para a desenvolver e melhorar a condição humana. Mas, lembro, que se deverá ter todo o cuidado com o Mundo actual. É necessário ter cuidado com as novas tecnologias porque a nossa Fé pode vir a ser abalada e aí, nem Deus nos salvará. Então quem nos salvará?

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Nada. Arrependo-me apenas de não ter completado os meus estudos pós colégio. De resto não mudaria nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Estive sempre ligado ás pessoas, ás Instituições e á cidade através da minha participação em variadíssimas Associações de Solidariedade Social, Desportivas, Culturais e de Ensino. Hoje faço parte de uma Associação Cívica “POR SETÚBAL”.  Fui Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Distrito de Setúbal. Estive no Vitória Futebol Clube, no Clube Naval Setubalense. Na acividade política desempenhei vários cargos: Presidente da Junta de Freguesia da Anunciada. Deputado Municipal por inerência de funções. Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal (Cargos que exerci graciosamente, dispensando os honorários ou avenças a favor desses Organismos). Exerci, também, o cargo de Deputado á AR.



CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

 Portugal

 

Um Livro:

 Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

 

Uma Música:

 O Coro dos Escravos (Giussepe Verdi)

 

Um Ídolo:

Helmut Kohl

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Honestidade/Solidariedade

 

 

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:40

01
Fev 16

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

 

“O Homem é cada vez mais o lobo de si próprio”

 

O Dr. Chumbita Nunes é, no presente, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados. Natural de Soure, cedo se habituou às vivências na cidade de Setúbal, onde passava as férias grandes escolares em casa dos avós. Começou a trabalhar com 24 anos a dar aulas de educação fisíca. Tem do mundo a ideia de que está muito inseguro e que o Homem é cada vez mais o lobo se si próprio. Quando era jovem quis ser padre, ideia que não foi bem aceite pelos pais. Para si a crise resolve-se com valores e com seriedade. Já foi presidente do Vitória de Setúbal e gostava de terminar o trabalho então iniciado. O seu pai é o seu ídolo.

 

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Soure, no distrito de Coimbra. O meu pai também era natural de Soure e a minha mãe era setubalense. Sou filho único. Tive uma infância feliz. Os meus pais poderam dar-me uma boca educação, uma boa vida e o curso de direito. Desde muito novo todos os anos vinha a Setúbal, no período das férias grandes. Na minha infância tive muitos amigos com quem brincava bastante com as brincadeiras habituais da época. Fui um bom aluno na escola e disputava sempre a fita amarela que era a do melhor aluno. Nunca reprovei. Sempre fui uma criança muito ativa.

O primeiro amor…

A filha de um juíz de Soure. Tinha 13 anos. A miúda era muito gira e muito evoluída para a época. Foi a primeira vez que o meu coração bateu mais forte.

E o primeiro emprego…

A dar aulas de educação física, com 24 anos em Ílhavo. Penso que ganhava 3000 escudos.

Como é a sua casa? Como a define?

Tenho uma vivenda porque sempre gostei de casas com muito espaço. Nos apartamentos sinto-me limitado. Tem muita luz, um quintal e um jardim. Deito-me com o piar das corujas e acordo com o trinar dos pássaros. É uma casa muito tranquila, o meu refúgio em conjunto com o meu escritório.

O que pensa do mundo?

Está muito complicado. Que me lembre nunca vi tanta insegurança e intranquilidade no mundo. As pessoas não têm tempo para elas próprias. É uma sociedade que nos consome sem piedade. Cada vez o Homem é mais o lobo de si próprio. No entanto há muita beleza no mundo só que acaba por se esbater nestes conflitos e no medo que hoje em dia sentimos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim, totalmente realizado. Profissionalmente já fiz quase tudo o que havia a fazer. Humanamente também porque sempre fui uma pessoa solidária e de coração aberto. Tenho um grupo de amigos muito interessante. Sou um sortudo na vida, acho que nasci com um condão, nunca passei fome nem conheci privações.

 

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Como se resolve a crise?

Com valores e seriedade. Acho que a solução para os grandes problemas deveria passar pela responsabilização cívil e criminal dos políticos que, entretanto, penso deveriam ganhar bem. A outra alternativa é que alguém que já tivesse ocupado qualquer cargo político não poder voltar a candidatar-se. Deveria ser tudo gente nova da sociedade cívil. Sem vícios, sem rotinas e limpos.

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus. Tenho uma tradição católica. Quando tinha 15 anos quis ir para padre, cheguei a saber a missa toda em latim. Gostava muito do pão com queijo que o padre nos dava a seguir à catequese. Os meus pais não aceitaram a ideia. Eu queria ir para o Seminário mas acabei por desistir da ideia. Hoje, Deus para mim é um ser metafísico e acho que o Homem o criou para justificar alguns dos seus pensamentos e a sua forma de estar na vida.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez não me tivesse casado tão cedo na primeira vez, apesar de ter duas filhas fantásticas desse casamento.

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Sou advogado, presidente da delegação de Setúbal da Ordem dos Advogados e presidente do Conselho Vitoriano. Penso que ainda tenho algumas coisas para fazer na minha vida. Gostaria de acabar o projeto que comecei no Vitória de Setúbal. Nunca viro as costas aos clubes. Por outro lado quero arranjar uma empresa dedicada ao setor de desporto em toda a sua plenitude. Para além disso pretendo manter a minha atividade na advocacia.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Petersburgo

Um livro

Viagem ao mundo da droga (Charles Duchaussois)

Uma música

Tears in Heaven (Eric Clapton)

Um ídolo

O meu pai

Um prato

Bacalhau à Gomes de Sá

Um conceito

Servir o próximo

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:57

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