Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jan 19

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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“O MUNDO É UM BARRIL DE PÓLVORA”

 

António Velez é presidente do Conselho Administrativo da Cooperativa de Habitação Económica Che-Setúbal. Nasceu em Luanda, onde viveu até aos 20 anos de idade. Teve uma infância feliz admitindo que nunca encontrou situações de racismo vivendo mesmo sem estigmas. Pensa que o mundo é um barril de pólvora que pode ser detonado a qualquer momento. Diz que os animais respeitam-se melhor entre si que os seres humanos. Está aposentado com a sensação do dever cumprido depois de 40 anos de trabalho na função pública. O seu destino preferido é a Andaluzia, gosta de ouvir Maurice Revel e é fã de José João Zoio.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Luanda, onde vivi até aos 20 anos. Tive uma infância feliz e descontraída. Nunca encontrei situações de racismo mesmo naquela altura. Vivi sempre sem estigmas. Tinha uns amigos que moravam por baixo da minha casa com quem brincava bastante. Tínhamos um gindungueiro que é um arbusto que faz o gindungo, uma espécie de piri-piri. Mastigávamos aquilo para ver quem aguentava mais tempo. Na escola fui um aluno médio. Lembro-me que a escola era frequentada por brancos e negros.

 

O primeiro amor…

Foi com uma vizinha em Luanda. Tinha 18 anos. Ainda namorámos algum tempo. Acabou porque a família dela regressou mais cedo a Portugal, depois da descolonização.

 

E o primeiro emprego…

Na direção dos serviços de comércio em Luanda. Era técnico de boletins de importação, um trabalho muito bem pago.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa simples de habitação social numa cooperativa que é a Che-Setúbal. É o meu porto de abrigo confortável e tranquilo.

 

O que pensa do Mundo?

Acho que o mundo é um barril de pólvora que de um momento para o outro pode ser detonado. É um mundo cão com muitas desigualdades e guerras. Há muita gente a passar fome e a viver nas ruas. Mas gastam-se fortunas em armamento. É um paradoxo. Os animais respeitam-se melhor entre si do que as pessoas.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente estou aposentado mas sentindo a missão cumprida. Foram 40 anos de função pública. Pessoalmente procuro ser um melhor ser humano a cada dia que passa. Preocupo-me bastante com os outros.

 

Como se resolve a crise?

Temos que acabar com a corrupção e os compadrios. A crise é uma caixa de pandora. Quando se começa a mexer vamos por aí fora sem fim.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Sou católico não praticante. A minha visão da igreja católica não é a melhor. Acredito que há uma força superior que domina isto tudo e tem poder sobre as pessoas. Não sei se é Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não teria permitido a entrada de pessoas erradas na minha vida. Ainda acredito muito nas pessoas porque não tenho maldade.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Concelho Administrativo da Cooperativa de Habitação Económica Che-Setúbal. Dou apoio à minha filha e netos. O futuro a Deus pertence mas gostaria de concretizar alguns projetos com que tenho sonhado.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Andaluzía

 

Um Livro:

A inglesa e o marialva (Clara Macedo Cabral)

 

Uma Música:

Bolero (Ravel)

 

Um Ídolo:

José João Zoio

 

Um prato:

Torricado de bacalhau com mangusto

 

Um conceito:

Não faças aos outros o que não queres que não te façam a ti

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:32

Gostei muito da entrevista , uma das melhores que já li. PARABENS ao Entrevistado e ao autor
Anónimo a 12 de Janeiro de 2019 às 14:39

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