Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Mai 18

“O MUNDO ESTÁ CADA VEZ MAIS COMPLICADO

 

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O Comandante Rafael Rodrigues é um angolano radicado no nosso país desde há muito. Se pudesse voltar atrás talvez nunca tivesse feito tal opção pois é grande o amor que sente por Angola. Teve uma infância feliz e o seu primeiro amor revelou-se no 2º ano de Liceu. Coisa própria de jovens. Pensa que o mundo está complicado em resultado dos maus líderes que têm aparecido um pouco por todo o lado. Sente-se um homem realizado na vida. Sobre a crise acredita que é necessária uma civilização assente na competição dos valores humanos e da solidariedade. Para si foi o Homem, que criou Deus, para justificar os seus atos.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Angola. Vivi em Benguela, até vir para Portugal. Tenho memórias muito ricas no aspecto da solidariedade, camaradagem, amizade e sociabilização. Entrávamos na casa uns dos outros como se fosse na nossa. Na escola fui um aluno razoável. Era amigo de todas as crianças. Toda a gente gostava de conviver comigo. Brincávamos à macaca, futebol, ao prego e outros jogos.

 

O primeiro amor...

No segundo ano do liceu. Foi um amor que começou por ser platónico mas que depois esvaneceu. Foi um primeiro despertar do sentimento de gostar do sexo oposto.

 

O primeiro emprego...

No Banco Comercial de Angola, como caixa. Ganhava à volta de 10 contos na altura.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É o espaço onde me sinto bem e onde me recomponho em termos psicológicos e físicos.

 

O que pensa do mundo?

Penso que está cada vez mais complicado e que resulta dos maus líderes que os países escolhem como é o exemplo do Trump, que só por si é um foco de conflito. Temos exemplos próximos de perca de valores morais de políticos mais interessados no poder pelo poder.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Sinto-me sim. Na parte humana tenho uma família com 4 filhos e 6 netos que me completam. Profissionalmente tive sempre oportunidade de escolher o que queria fazer nunca sendo servil, tendo liberdade de escolha do meu rumo.

  

Como se resolve a crise?

Com uma civilização não assente na competição mas em valores humanos, de solidariedade e em valores em que o ser humano está em primeiro lugar e acima dos interesses económicos.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Foi o Homem que criou Deus, para encontrar explicação para o muito de bom e mau que o próprio Homem faz.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez a opção de ter vindo para Portugal, ficando em Angola, apesar de todas as contingências em termos de guerra e da destruição da muita riqueza que Angola tinha.

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Estou reformado depois de 576 meses de serviço público. Dou formação na área da segurança em Cabo Verde, de forma gratuita com os custos pagos pelos hotéis que me convidam. Faz parte da minha condição de voluntário a favor de um povo desfavorecido.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Seychelles

 

Livro

O triunfo dos porcos (George Orwell)

 

Uma música

When a man loves a woman  (Percy Sledge)

 

Um ídolo

O meu pai

 

Um prato

Cabrito assado no forno com arroz de açafrão

 

Um conceito

Projetar o melhor e esperar o pior

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 15:08

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