Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Jan 16

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COM O APOIO DO “HOTEL DO SADO”

 

“ O mundo é doce para poucos e amargo para muitos”

 

O Dr. José Rafael, angolano nascido no Lobango está, desde há muito radicado em Setúbal, onde exerce a sua profissão de dentista em clinica particular e na Clinica Dentária Social, de forma absolutamente gratuíta. Filho único repartiu a sua infância entre os cuidados da mãe e do pai após se terem separado. Começou a trabalhar numa tipografia com 12 anos como moço de recados por ter reprovado na escola. A sua casa é o seu refúgio que quer ver sempre com a agitação própria de quem lá habita. Para si a crise só se resolve quando os politícos forem honestos. Reconhece que houve uma fase na sua vida em que nem tudo correu pelo melhor e se pudesse voltar atrás mudaria alguma coisa. Leu Lobsang Rampa e não tem um ídolo que admire.

 

Como foi a sua infância?

Sou angolano, nasci no Lobango, antiga Sá da Bandeira. Vim para Portugal, com 18 anos. Lidei com o povo africano desde nascença. Sou filho de portugueses emigrantes. Tive um convívio doce e gratificante com aquela gente. Foi uma infância com algumas dificuldades ao nível financeiro. Os meus pais separaram-se e as coisas tornaram-se mais difíceis. Vivi com a minha mãe até aos 3 anos e com o meu pai e a minha madrasta até aos 11. Na escola era um bocado cábula. Na altura os brinquedos eram feitos à mão em arame e madeira. Foi uma infância entre a felicidade e algumas dificuldades tanto financeiras como familiares.

O primeiro amor…

A minha primeira vez foi com a empregada de um vizinho meu. Talvez tenha sido amor... Tinha 14 anos.

E o primeiro emprego…

Numa tipografia quando tinha 12 anos. Reprovei na escola e a minha mãe meteu-me lá a trabalhar. Era moço de recados.

Como é a sua casa? Como a define?

É o meu local de refúgio, o meu porto seguro. É uma casa familiar que tem a agitação própria das pessoas que lá vivem. Tenho animais em casa. Gosto de ter as pessoas à minha volta. Tem um estilo moderno no interior. Foi toda remodelada por mim.

O que pensa do mundo?

Acho que vai por um caminho errado. A globalização faz com que os povos percam a sua identidade e cultura e isso não é bom porque leva à sua degradação o que acontece em todos os continentes. Não é um mundo justo, tem muitos espinhos. É doce para poucos e amargo para muitos.

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me. Ainda não fiz tudo o que projetei para a minha vida mas daquilo que já fiz e faço não me arrependo e gosto bastante. Acho que a morte não é o culminar da nossa realização.

Como se resolve a crise?

Com a honestidade dos políticos que não existe. Hoje vivemos na corrupção, na ganância, sem olhar o próximo e sem solidariedade da classe política. Se os políticos fossem honestos os problemas e a crise resolviam-se.

 

Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O Homem criou Deus. A ciência aponta nesse caminho. No entanto eu sou católico e tenho as minhas convições de que existe alguma coisa para além do que é visível e material. Sou católico não praticante porque sempre me deparei com muita hipocrisia por parte da igreja católica, embora considere que hoje existe uma nova abertura por parte dos padres, como é o caso do padre Celestino, com quem privo bastante e até do Papa Francisco que é um excelente exemplo.

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Há uma certa fase na minha vida em que não tomei as melhores decisões. Talvez hoje mudasse alguma coisa relativamente a essa fase que foi determinante. Se pudesse apagar esse tempo não teria qualquer dúvida em fazê-lo. Mas a vida segue...

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Na minha profissão de dentista em Setúbal, para além de trabalhar com gosto num consultório particular presto serviço na Clínica Social Dentária, de forma absolutamente gratuita. Como também gosto bastante de música, ajudei o meu filho a abrir um estúdio de gravação e uma editora musical na cidade. Gosto de tocar guitarra portuguesa e gostava de ter mais tempo para me dedicar a esse instrumento. O futuro depende das oportunidades que me possam aparecer.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Cuba

Um livro

A minha vida com o Lama (Lobsang Rampa)

Uma música

Fado

Um ídolo

Não tenho

Um prato

Moamba

Um conceito

Vive e deixa viver

 

publicado por Joaquim Gouveia às 11:42

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