Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Dez 18

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"IMPUS-ME PELA MINHA QUALIDADE"

 

O Dr. Julião Adrião é presidente do Grupo Desportivo “Os Amarelos” e médico respeitado na nossa cidade. Nasceu e cresceu no humilde bairro de Santos Nicolau e desde cedo despontou em si o desejo de se tornar médico. Em tempo de dificuldades aproveitou o facto de ser filho único e esforçou-se para conseguir os seus objetivos. Tanto em casa como no seu consultório tem uma decoração alusiva à cidade e à sua própria vida com quadros de pintores setubalenses e outros artefactos. Para si o mundo evoluiu de uma forma espetacular mas lamenta que os governantes não estejam á altura dos acontecimentos. Não acredita em Deus, gosta de visitar Cuba e não dispensa uma boa sardinhada.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de Setúbal, do bairro Santos Nicolau. Tive uma infância feliz num bairro de pescadores e com muitas crianças. Naquela altura os casais tinham muitos filhos. O meu pai era pescador e a minha mãe era doméstica. O bairro era muito pobre. Não foi fácil para o meu pai sustentar a família e ter um filho a estudar. Como eu era filho único tive a vantagem de concluir o meu curso. Comecei na escola 19, que era aqui no bairro. Não conhecia as letras e pensei em fugir da escola porque todos os dias levava reguadas e varadas do professor. Andava na fila dos burros. Consegui aprender sózinho e passar de classe. Depois fui para a escola da D. Cremilde e passei a ser o melhor aluno.

 

O primeiro amor…

Talvez por uma colega de curso no Porto, na faculdade. Não deu em nada porque eu era de Setúbal e ela de Trás-os-Montes.

 

E o primeiro emprego…

Nas férias grandes ia trabalhar como pedreiro ou servente. Trabalhei na estiva, ajudante de serralheiro, de jardineiro e outros trabalhos. Ia ao que aparecia. Queria ganhar dinheiro. O primeiro ordenado foi de 60 escudos por semana.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa confortável, bem localizada e decorada à minha maneira e tem por motivo base Setúbal, com muitos quadros do Chora, Francisco Anjos e Vasco Leonardo e tem ainda outros motivos de decoração que me dizem algo da infância e do decurso da minha vida.

 

O que pensa do Mundo?

Tem evoluído espetacularmente a todos os níveis como a longevidade do ser humano e da comunicação. Há 40 anos as expetativas eram completamente diferentes. No entanto continuamos a ter lideres mundiais não formados para a sua função daí os declives no mundo.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Completamente. Vim de um nível de vida muito baixo e com muitas dificuldades. Já no ciclo preparatório dizia que queria ser médico. Na altura era impensável. Lutei e consegui atingir o meu grande objetivo. Impus-me pela minha qualidade.

 

Como se resolve a crise?

Com trabalho, com objetivos bem definidos e sobretudo tem que haver mais eficácia da justiça que é o ponto mais negro do nosso país. A justiça não funciona e dá um sentimento de impunidade a quem tem uma capacidade económica muito grande.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Todas as religiões são criadas pelo Homem, que precisa de algo a que consiga agarrar-se para superar as suas debilidades. As religiões congregam as nossas incertezas perante a vida e a natureza. Foi o Homem quem criou Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Teria evitado a queda que me provocou uma necrose da cabeça do úmero do ombro direito. De resto não me arrependo de nada.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Sou presidente do Grupo Desportivo “Os Amarelos” e médico de várias instituições na cidade. Tenho um longo percurso no movimento associativo e quero manter-me em atividade. “Os Amarelos” são uma herança do meu pai que reativou o clube. Espero morrer médico.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Cuba

 

Um Livro:

Os Maias (Eça de Queirós)

 

Uma Música:

My Way – Frank Sinatra

 

Um Ídolo:

Cristiano Ronaldo

 

Um prato:

Sardinhas assadas

 

Um conceito:

Vive de acordo com as tuas possibilidades e fazendo o que não queres que te façam a ti

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 08:40

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