Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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Nov 18

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"O MUNDO É ALGO QUE NOS FAZ PENSAR"

 

O Dr. Luís Cangueiro é proprietário do Museu da Música Mecânica, em Arraiados, onde expõe, como colecionador, uma das mais importantes coleções de instrumentos mecânicos do mundo. Transmontano não esquece a sua aldeia natal nem a casa senhorial onde habitou com os pais, nem as brincadeiras de infância. Foi alferes na tropa que cumpriu em Moçambique. Tem esperança que o mundo possa vir a ser melhor e, para si a crise só se resolve com uma maior compreensão entre as pessoas. Sente-se de bem consigo e não dispensa um bom prato típico da sua terra, as Casulas com Butelo.

 

Como foi a sua infância?

Sou natural de uma aldeia de Miranda do Douro, chamada Prado Gatão. Tenho memórias muito felizes da minha infância. Costumo dizer que nasci em berço de ouro numa casa senhorial de uma madrinha que era como se fosse a minha segunda mãe. Brincava com os miúdos da aldeia. Aprendíamos tudo como a raiola, a bilharda, o berlinde e outras brincadeiras. Eu era o único rapaz que tinha um triciclo. Naquela casa tínhamos 6 criados e 2 criadas. Era uma casa muito abonada, típica de aldeia. O meu pai era o feitor e a minha mãe era a pessoa que se encarregava da casa.

 

O primeiro amor…

Apaixonei-me e casei com a minha mulher.

 

E o primeiro emprego…

Na tropa, onde fui alferes. Estive dois anos na metrópole e dois anos em Moçambique. Ganhava à volta de dois mil escudos por mês.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa que corresponde aquilo que pretendia quando era mais novo. É muito grande com 10 assoalhadas, em Almada, que me faz lembrar a minha casa da aldeia. É o meu porto de abrigo e está bem localizada numa zona sossegada. Fica ao lado de Lisboa.


O que pensa do Mundo?

O mundo é algo que nos faz pensar na medida em que todos os dias tomamos conhecimento das situações que não são próprias do ser humano. Devia de haver maior entendimento entre os povos. Olho para o mundo com mágoa e apreensão mas sempre com esperança que possa vir a ser melhor.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sinto-me, perfeitamente. De facto atingi sempre os objetivos a que me propus. Este meu museu é o maior projeto da minha vida e está concretizado. Tenho filhos, escrevi o livro e plantei a árvore.

 

Como se resolve a crise?

Com maior compreensão entre as pessoas e com mais humanidade que tanto falta no mundo.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

O mistério da vida. Ainda ninguém o conseguiu decifrar. Sou católico e acredito em Deus.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não me arrependo de nada do que fiz. Estou de bem com a minha consciência.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

Mantenho-me à frente das minhas empresas e divido o meu tempo com as responsabilidades que tenho no meu museu, uma vez que não tenho nenhum apoio. No futuro pretendo que o maior número de pessoas visite este espaço.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Um local isolado na natureza

 

Um Livro:

Eneias (Virgílio)

 

Uma Música:

Pastoral (Beethoven)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Casulas com butelo

 

Um conceito:

Segue sempre o exemplo dos melhores

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 10:45

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