Entrevistas de JoaQuim Gouveia

06
Jan 18

“ENTENDO QUE A VIDA É O PERCURSO DE CADA UM”

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Francisco Casas Novas é natural do concelho de Arraiolos. Depois de uma passagem por Lisboa acabou por se fixar em Setúbal e aqui levar por diante o seu projeto de vida. Teve uma infância feliz e de certo modo privilegiada. Foi bancário mas a sua grande paixão terá sido sempre o jornalismo desportivo. Começou por escrever para o antigo Mundo Desportivo e, mais tarde fixou a sua escrita n´O Setubalense. Sobre o mundo pensa que está muito conturbado e sobre a melhor resolução para a crise apela ao sentido de equilíbrio. Indira Ghandi é a personalidade que mais admira.

Como foi a sua infância?

Tive uma infância perfeitamente normal e feliz. Vivia na aldeia pobre onde nasci em São Gregório, no concelho de Arraiolos. Os meus pais eram pequenos comerciantes. Somos 3 irmãos. Muito cedo comecei a ganhar apetência pelo aspeto social porque nós vivíamos bem em relação à maior parte das pessoas da aldeia. Naquela altura eu e os meus irmãos éramos os únicos rapazes que tínhamos botas para calçar. As outras crianças andavam descalças. Os meus pais tinham uma padaria e uma pequena tasca e na altura já fiavam ás pessoas que pagavam no fim do mês. As pessoas eram muito sérias. Eu fui o primeiro jovem que saiu da escola primária e continuou os estudos. Fui um bom aluno. Tive muita brincadeira. Gostava muito de jogar hóquei em patins, sem patins como se fazia na altura.

 

O primeiro amor…

Uma rapariga que andava comigo na escola primária. Namorámos até aos 16 anos. Foi uma relação que durou 6 anos. Ficámos amigos mas cada um seguiu o seu caminho.

 

E o primeiro emprego…

Nos correios do Aeroporto, em Lisboa. Penso que ganhava 3 contos e 300. Só trabalhava à noite. De dia aproveitava para escrever para o jornal Mundo Desportivo.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É uma casa normal onde tento que nada falte em termos de conforto. Hoje vivo só com a minha mulher, temos os filhos criados. É uma casa confortável onde nos sentimos muito bem. É o meu refúgio.


O que pensa do Mundo?

Hoje é muito conturbado. Penso que estamos a viver uma transformação muito grande do mundo. Estamos a atravessar os efeitos de mais uma mudança importante depois do aparecimento do fogo, da energia, do bronze, etc., hoje vivemos os tempos da informática e da tecnologia. É um mundo apaixonante mas permite o mau uso da informática como a alienação que pode trazer o lado negativo de uma coisa que é mesmo apaixonante. A tecnologia é uma ferramenta também ao alcance das forças negativas que atingem fins e influenciam de forma negativa a própria sociedade.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Sim. Profissionalmente fui um bancário que atingiu um ponto máximo possível subindo pulso a pulso. Humanamente continuei a fazer o que mais gostava que era o jornalismo, primeiro no Mundo Desportivo e depois n´O Setubalense, a convite do Armando Trindade. Depois tive um bom casamento o qual gerou dois filhos maravilhosos que têm a sua vida estabilizada.

 

Como se resolve a crise?

Se todos os cidadãos participarem ativamente na sociedade com sentido de equilíbrio. As pessoas muitas vezes só reclamam os direitos esquecendo os deveres. Isso ajudaria bastante a resolver o problema com o dever da cidadania. Não podemos perder o sentido humanístico. Para lá dos números existe também a análise das pessoas. É necessário equilíbrio.

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Só sei que nada sei e respeito todas as correntes de opinião salvaguardando a não entrada no radicalismo.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Sou uma pessoa feliz. Entendo que a vida é um percurso de cada um. No essencial não mudava nada.

 

Que faz no presente e que projectos para o futuro?

A doença grave que me atingiu reforçou-me a ideia que já tinha que é a de saber viver o presente porque estamos no último ciclo. Hoje estou num circulo de paz comigo próprio e com os outros e tranquilo sobretudo porque aprendi que a vida é tão efémera que não vale a pena confrontar-me com coisas que às vezes até considero ridículas.


CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Itália

 

Um Livro:

Cem Dias de Solidão (Gabriel Garcia Marquez)

 

Uma Música:

Nascer Selvagem (Ressitência)

 

Um Ídolo:

Indira Ghandi

 

Um prato:

Caldeirada de bacalhau

 

Um conceito:

A humildade é conceito sempre presente

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 14:54

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