Entrevistas de JoaQuim Gouveia

04
Dez 18

Com o apoio do HOTEL DO SADO

 

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"OS RECURSOS DO PLANETA NÃO ESTÃO BEM DIVIDIDOS"

 

Manuel Galrinho é professor no ensino secundário. É ribatejano de santarém, onde frequentou a escola primária, brincou e pescou com o avô no rio Alviela, antes deste “adoecer”. Pensa que os recursos do planeta não estão bem divididos e que a corrupção fomenta as crises. Mantém em atividade a prática da fotografia e do restauro de instrumentos musicais, para além da dança. Não acredita em Deus, não tem ídolos e gosta de ouvir Filipe Glass.

 

Como foi a sua infância?

Sou Ribatejano de Santarém. Vivi em várias aldeias mas a Quinta da Granja marcou-me sobre maneira porque era muito bonita e com paisagens maravilhosas, com riachos e montes com ginjeiras em flor. O meu pai era guarda florestal dessa quinta e a minha mãe trabalhava no campo. Frequentei a escola primária do Sobral, até à 4ª classe. Era um aluno que me interessava imenso pela escola porque já pensava nessa altura que era um meio importante para compreender o mundo. Não tive uma infância de muitos brinquedos que, entretanto, era eu quem os contruía. Ajudava o meu avô na pesca e na horta. Mais tarde o rio Alviela adoeceu e transformou-se num esgoto das empresas da região.

 

O primeiro amor…

Foi um namoro de liceu, uma grande paixão mas que acabou rápido e sem consequências.

 

E o primeiro emprego…

A contar carros. Tinha 14 anos. Não me lembro de quanto ganhava.

 

Como é a sua casa? Como a define?

Estou a recuperar uma casa antiga do meu pai que tem 4 andares. Sou eu que tenho feito toda a obra. Foi uma casa pensada para os operários da região.

 

O que pensa do Mundo?

Aos seres humanos com as suas capacidades racionais era possível construir um mundo melhor mas há interesses de vária ordem que fazem vir ao de cima mais o nosso lado egoísta que o nosso lado altruísta. Os recursos do planeta não estão bem divididos. Não estamos a fazer tudo para salvar o planeta da destruição.

 

Sente-se realizado humana e profissionalmente?

Profissionalmente penso que sim porque sou professor que é a profissão que idealizei para mim. Do ponto de vista pessoal também me sinto realizado porque os meus interesses extra profissionais como a fotografia, restauro de instrumentos musicais e dança são atividades que tenho conseguido levar por diante.

 

Como se resolve a crise?

Não sou político nem tenho grandes certezas mas um grande passo seria acabar com a corrupção. Temos riqueza natural para vivermos muito melhor. A corrupção desanima as pessoas.

 

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Deus criou o Homem, ou foi o Homem quem criou Deus?

Foi o Homem quem criou Deus, claro. Somos seres limitados e finitos e temos necessidade de acreditar em alguém infinito. Daí vem a crença em Deus. Não sou contra as religiões que desempenham um papel social e existencial importante para quem acredita.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Talvez me tivesse dedicado mais à dança e mais cedo.

 

Que faz no presente e que projetos para o futuro?

Dou aulas de filosofia e psicologia no ensino secundário, restauro violinos e violoncelos e tenho grande prazer na fotografia principalmente ao nível do retrato e quero voltar à dança. Quando me reformar pretendo manter estas atividades com mais tempo.




CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino:

Islândia

 

Um Livro:

Cem anos de solidão (Gabriel Garcia Márquez)

 

Uma Música:

Sat Yagraha (Filipe Glass)

 

Um Ídolo:

Não tenho

 

Um prato:

Polvo à lagareiro

 

Um conceito:

Faz o que queres e sê feliz

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 12:23

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