Entrevistas de JoaQuim Gouveia

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“O MUNDO MANTÉM UM EQUILÍBRIO INSTÁVEL”

 

Sertório Herrera é um profundo conhecedor da sociedade que o rodeia. Presidente da LATI tem o conhecimento perfeito das necessidades dos que após uma vida de trabalho ali se socorrem em busca de abrigo ou de ajuda para manterem alguma dignidade social. Viu crescer aquela instituição e não se cansa de dar sempre de si aos outros. Nasceu em Cabrela, no Alentejo mas veio para Setúbal com tenra idade onde aprendeu o bê-à-bá, brincou e cresceu em ambiente verdadeiramente familiar. Por isso hoje estima a família e os amigos. Não é crente nem tem ídolos. Gosta de ler Saramago.

 

Como foi a sua infância?

Nasci em Cabrela. com quatro anos fui morar para Llandeira e pouco depois a minha família veio para Setúbal. Tive uma infância boa. Éramos sete irmãos. O meu pai era contínuo da Câmara de Setúbal e a minha mãe não trabalhava para tomar conta dos filhos. Tivemos algumas dificuldades mas a família tinha capacidade para ultrapassá-las. A hora de jantar e os serões eram passados em família com muita animação. Com sete anos estudava de manhã e trabalhava à tarde como aprendiz de sapateiro e depois como marceneiro. Arranjava sempre algum tempo para brincar e aproveitava muito bem o tempo livre que tinha.

 

O primeiro amor...

Foi com uma vizinha. Tinha oito ou nove anos. Namorámos muito tempo e nunca ninguém deu por nada. Nunca mais a vi.

 

O primeiro emprego...

Marceneiro na Mercearia do Cardoso Mouro. Na altura ganhava muito dinheiro, talvez seis escudos por semana e tinha sempre muito dinheiro em gorjetas.

 

Como é a sua casa? Como a define?

É um sítio para o qual gostaria de ter mais tempo para estar. É tranquila. Tem um quintal com muitas plantas que adoro tratar, aliás, adoro também ler no quintal que é onde almoço e janto e onde recebo os amigos.

 

O que pensa do mundo?

É uma coisa cada vez mais confusa onde, apesar de tudo, se mantém o equilíbrio instável. Houve uma evolução com o entendimento entre os povos que, apesar do número de guerras ser exagerado seriam muitas mais se não houvesse esse tal equilíbrio. Todos nós gostaríamos de conhecer melhor o mundo para além das notícias que colhemos.

 

Sente-se realizada humana e profissionalmente?

Não. Profissionalmente gostaria de ter feito muitas mais coisas do que aquelas que fiz. Humanamente tenho tudo o que é necessário para ser feliz como a família e os amigos, mas gostava de dar mais de mim, sempre.

  

Como se resolve a crise?

Com o entendimento entre os povos. Lamentavelmente conseguem-se entendimentos precários através das guerras e das bombas mas não resolvem os problemas.

 

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Deus criou o homem, ou foi o homem que criou Deus?

Acho que foi o Homem quem criou Deus. Não sou crente, nem religioso. Deus é uma crença para justificar o que os Homens não são capazes de fazer. É uma necessidade.

 

Se pudesse voltar atrás o que mudaria na sua vida?

Não sei. Não gostaria de voltar a ter 20 anos. Se calhar fazia mais asneiras…

 

O que faz no presente e que projetos tem para o futuro?

Sou presidente da direção da Liga dos Amigos da Terceira Idade. Gostaria ainda de fazer mais pelos que levaram uma vida de trabalho que hoje nada têm. Há tanto a fazer por essa gente.

 

CAIXA DAS PALAVRAS

 

Um destino

Espanha

 

Livro

Levantados do chão (José Saramago)

 

Uma música

Tema de Lara (Maurice Jarre)

 

Um ídolo

Não tenho

 

Um prato

Cozido à portuguesa

 

Um conceito

Faz pelos outros o que gostarias que fizessem por ti

 

 

 

publicado por Joaquim Gouveia às 16:35

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